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Crítica do filme: 'Lindas e Letais'


É curioso como algumas produções insistem em pegar a mentirinha e transformá-la em algo mirabolante – e isso pode não dar certo, ou não. Chegou recentemente ao Prime Video Lindas e Letais, um filme onde a ação e o terror se intercalam por meio da violência extrema, através de jovens bailarinas que se veem em uma situação de risco, longe de casa.

Dirigido por Vicky Jewson, com roteiro assinado por Kate Freund, este projeto é bem fácil de se definir. Com um efeito dominó de situações absurdas e adepto das soluções mais fáceis para os conflitos mais difíceis, o longa-metragem busca empolgar com as cenas de ação bem dirigidas e tentativas de chegar num clima de tensão constante - mas esbarra em soluções pouco convincentes. Nesse terror marcado por excessos, o que se destacada é o sempre frustrante comodismo da conveniência.

Bones (Maddie Ziegler), Princes (Lana Condor), Grace (Avantika), Chloe (Millicent Simmonds) e Zoe (Iris Apatow) formam um grupo de jovens bailarinas que recebe uma oportunidade única de se apresentar em Budapeste, na Hungria. Ao chegarem ao país, acompanhadas da professora Thorna (Lydia Leonard), acabam indo parar em uma sinistra pousada isolada, comandada por Devora (Uma Thurman), uma ex-bailarina. Aos poucos, percebem que estão em um lugar perigoso, cercado de criminosos, e precisarão lutar para sobreviver.  

Quando pensamos em bailarinas, uma palavra que logo pensamos é dedicação - uma atividade que transforma a dor em perfeição. Brincando muitas vezes com isso, adotando um ar cômico dentro de um terror que escancara os muitos tipos de crueldade, Lindas e Letais não demonstra pretensões mais ousadas. Partindo da pergunta ‘O que fazemos quando ligamos o modo sobrevivência?‘, a narrativa vai de encontro ao mirabolante campo do absurdo – uma ideia onde tudo é possível, até bailarinas se tornarem verdadeiras ninjas lutando pela vida.

Essa obra nada mais é do que uma tentativa de sátira da violência, em que as ironias e os exageros se somam a uma fórmula provocativa, de forma reta e crua. Buscando empolgar com o mix de excessos propositais, acaba deixando as heroínas reféns de um desenvolvimento superficial, sem romper camadas em nenhum momento. É como se o chocar fosse suficiente para se chegar em reflexões.   

 

 

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