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Crítica do filme: 'Mamonas – Eu Te Ai Lóve Iú'


E já se foram 30 anos da trágica partida de uma banda que conquistou o Brasil de forma relâmpago: os Mamonas Assassinas. Até hoje, para nós que acompanhamos de perto toda a ascensão desse grupo musical, é marcante - e também doloroso - lembrar em como eles partiram dessa vida. Uma tragédia que marcou para sempre suas famílias e milhares de fãs.

Dinho, Bento, Samuel, Júlio e Sérgio conseguiram, com seu jeito irreverente e letras chicletes, conquistar plateias de todas as classes sociais, do sul ao norte de nosso país. Algo que se percebe até hoje, passando de geração para geração.

Em mais um projeto audiovisual que relembra a trajetória desse grupo, o média-metragem Mamonas – Eu Te Ai Lóve Iú, disponível no globoplay, percorre rapidamente por toda a história desses jovens de Guarulhos, focando nos momentos-chaves - do período em que eram desconhecidos até virarem aos rostos mais famosos do Brasil na época. Com depoimentos de familiares, do famoso produtor Rick Bonadio (empresário da banda) e imagens de arquivo, a acertada narrativa se consolida como um sopro sobre o legado deixado pela banda e toda força que tem até hoje.

É importante nos situarmos sobre o momento do Brasil na época, algo mencionado de forma sucinta, mas cirúrgica, na obra. Em meio ao conturbado e polêmico – sobretudo aos olhos de hoje em dia – de meados dos anos 1990, onde disputas televisas partiam para o tudo ou nada, com muitos excessos, os Mamonas Assassinas surgiram como um fenômeno de carisma. Era impressionante como eles conquistavam a todos toda vez que apareciam pelas telas - e também pelo rádio - nas casas de todo o Brasil.

Para a nova geração, talvez seja difícil entender o tamanho do impacto dessa banda com raízes no rock que se jogou na palhaçada irreverente, transformando a dureza do cotidiano em momentos de alegria. Ao ouvir o único álbum do grupo – que leva o mesmo nome da banda – parecia que estávamos conversando com amigos numa mesa de bar, falando besteiras e reunindo forças para enfrentar os dias que se seguem. Essa conexão, que aconteceu também de outras formas, logo virou um fenômeno de vendas: mais de 3 milhões de cópias vendidas, levando os integrantes do anonimato ao estrelato em questão de meses.

Pelados em Santos, Robocop Gay, Vira-Vira, entre outros grandes sucessos são ouvidos até hoje. A cada show, um espetáculo de simpatia e alegria, transformando a arte que modelavam de forma despretensiosa em um abrigo para espantar a tristeza. Mamonas – Eu Te Ai Lóve Iú consegue em poucos minutos – e de forma bem objetiva – contar um pouco dessa história, apontando para todo o legado deixado. Para quem nunca ouviu falar dessa banda – algo bem difícil, mas ainda possível – basta assistir a esse documentário e logo vai querer correr para o Youtube ou às plataformas de música para conhecer esse grupo musical único, que, tenham certeza, não vai existir outro igual.

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