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Crítica do filme: 'Matar. Vingar. Repetir.'


De vez em quando um projeto cinematográfico se joga na coragem da engenhosidade – mesmo que isso possa soar confuso em muitos momentos. Liguei na HBO MAX esses dias para assistir um filme sem nem ler a sinopse e me deparei com uma ficção científica que direciona seu olhar para o trauma entrelaçado no multiverso. Mais algum filme da Marvel? Não! Estou falando de Matar. Vingar. Repetir.

Escrito e dirigido por Kevin McManus e Matthew McManus, esse violento longa-metragem destrincha a busca pelo equilíbrio da dor por meio de uma vingança implacável que rompe a barreira do espaço-tempo. Esse sentimento mundano e conflitante - a raiva que corrói -, inserido nas infinitas possibilidades da física teórica, são ingredientes que impulsionam uma narrativa bem construída, mas que deixa algumas pontas soltas.

Irene (Michaela McManus) é uma mulher marcada pela perda traumática da filha, assassinada cruelmente por um serial killer. Com a vida destruída, ela passa a viajar por universos paralelos buscando eliminar repetidamente esse assassino. Em uma dessas jornadas, acaba conhecendo Mia (Stella Marcus), uma jovem que está destinada a se tornar uma das próximas vítimas do criminoso que matou sua filha.

Essa é uma trama que passa longe de ser previsível, mesmo com a protagonista rompendo camadas, sempre envolta no mesmo conflito. A narrativa se mantém firme dentro do discurso que o roteiro se propõe a desenvolver, instaurando um clima de tensão constante e apresentando a dor por meio da violência - em vez da acomodação de apenas sugerir.

No entanto, com as várias possibilidades de acontecimentos, a trama deixa lacunas não preenchidas – como a origem dessas viagens por linhas paralelas da vida -, o que pode incomodar o olhar mais atento.

O ciclo de violência acaba sendo um ponto importante a ser observado – a maior reflexão que se apresenta - quando percebemos o dilema do ‘continuar ou encerrar’. Profundamente filosófica essa questão. Com cada escolha criando uma nova realidade, a ambivalência moral nos conduz até reflexões sobre identidade e propósito.   

Matar. Vingar. Repetir. tem como maior mérito a forma como consegue desenvolver sua protagonista em um roteiro cheio de possibilidades, imersa em uma jornada de vingança cega, atravessando múltiplos universos tendo como companhia uma dor incurável. A mistura entre ficção científica e drama, no fim das contas, acaba funcionando.    

 

 

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