Chegando sem muito destaque ao streaming da HBO MAX neste início do março, o interessante suspense Relay - Contrato Perigoso nos leva de volta aquele clima envolvente e intenso de conspiração, paranoia e espionagem – muito presente em décadas passadas.
Dirigido por David
Mackenzie (dos ótimos A Qualquer
Custo e Sentidos do Amor), com
roteiro assinado por Justin Piasecki
(em seu primeiro roteiro de longa-metragem), a obra prende a atenção do início
ao fim – mesmo com um desfecho até certo ponto ambíguo, que pode dar o que
falar.
Negociar subornos entre grandes empresas e pessoas que possuem
materiais incriminatórios sobre as mesmas é o ganha pão de Ash (Riz Ahmed), um homem introvertido que
luta contra o vício em bebidas e vive uma vida solitária na cidade mais famosa
do planeta. Um dia, quando seu telefone toca - através de um Dispositivo de Telecomunicações
para Surdos -, do outro lado da linha está Sarah (Lily James), uma jovem pesquisadora desesperada para se livrar de
um material que roubar da ex-empresa. A partir daí, Ash precisará encarar
dilemas conforme vai se aproximando emocionalmente de Sarah.
A narrativa segue os passos dos bons thrillers de décadas
atrás (que saudades!): um bom desenvolvimento de seus personagens e suas linhas
sobre a moral, intrigas, surpresas, plot twists e espionagem. É uma junção de
elementos que funciona de forma eficiente, ganhando nossos olhares atentos a
todo instante - mesmo que algumas conveniências do roteiro incomodem um pouco,
principalmente no último ato, quando há mais uma virada na trama.
A direção de Mackenzie
é conduzida de forma coesa, utilizando todo seu banquete de recursos narrativos
para preparar uma virada na história - um clímax que chega com intensidade e
muda as percepções do público sobre os personagens. Essa clareza na hora de
executar as ideias é fundamental para o discurso do roteiro se mantenha afiado
durante as quase duas horas de projeção.
Há um ponto curioso nesse projeto. A Lei dos Americanos com
Deficiências permite que as chamadas feitas por uma certa tecnologia analógica
não seja gravada e muito menos rastreada. É dessa forma que os protagonistas
interagem, fato que deixa boas reflexões sobre o poder tecnológico de hoje em
dia e a falta de recursos quando chega uma forma eficiente de outros tempos.
Algo que pode ser visto como uma crítica social embutida na trama.
Exibido pela primeira vez no Festival de Cinema de Toronto
em 2024 – sem muita repercussão, - Relay
- Contrato Perigoso se consolida como um potente thriller de conspiração
que liga a paranoia às fraquezas morais através de personagens contraditórios e
enigmáticos.
