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Crítica do filme: 'Um Zé Ninguém contra Putin'


Repleto de ironia e deboches certeiros expondo aos quatro cantos do mundo o autoritarismo e os absurdos do governo de Vladimir Putin, em Um Zé Ninguém contra Putin, documentário vencedor do BAFTA e indicado ao Oscar 2026, acompanhamos, por meio de uma montagem bem executada e de um personagem em dilemas, armado com uma câmera na mão, os absurdos cometidos quando uma escola passa a servir como alvo propagandístico do governo.

Pavel Talankin era apenas um simpático profissional do ensino que trabalhava, como coordenador de eventos, na escola onde estudou. Nascido e criado em Karabash, uma região industrial na Rússia conhecida pela mineração, com menos de 20.000 habitantes – onde praticamente todos se conhecem -, esse professor acabaria tomando uma atitude corajosa: expor a interferência ligada à militarização no sistema de ensino de seu país logo após o início da Guerra da Ucrânia, mesmo que isso significasse ter que fugir de seu próprio lar pra sempre.

A narrativa vai se construindo entre o ‘eu’ e o ‘ao redor’. Em um primeiro momento conhecemos quem é o protagonista dessa história: um professor dedicado, que sempre estimulou a reflexão em seus alunos e se vê em conflito quando é determinada a inserção de um currículo patriótico – com medidas autoritárias. Como seu trabalho era filmar, ele continuou registrando, mas logo percebeu que tinha um grande material de críticas ao governo. Quando recebe uma mensagem pela internet, precisa tomar uma decisão de grande impacto em sua própria vida.

Reunindo material atrás de material, Pavel Talankin se uniu a David Borenstein para transformar em um registro cinematográfico contundente tudo que foi captado pela filmagens caseiras. É um absurdo seguido de outro – capaz de provocar indignação. Esse ‘ao redor’ se torna cada vez mais amplo quando ex-alunos começam a ser convocados ao exército e histórias de dor e perda começam a aparecer. O medo, passa a ser sentido por várias perspectivas.  

Um Zé Ninguém contra Putin é um daqueles filmes que, quando acabam, nos deixam de queixo caído com o que assistimos. Mostrando a realidade nua e crua na nossa frente, através de um homem com boas intenções que anda na corda bamba - como um infiltrado em meio ao caos que se formou ao seu redor -, vamos conhecendo a saga desse super-herói do ensino e seu olhar aflito sobre a inocência se desestimulando ao pensamento crítico.

 

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