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Crítica do filme: 'Uma Mulher Diferente'


Dando visibilidade a um tema muito interessante, pouco falado e de grande importância em nossa sociedade - o diagnóstico tardio do Transtorno do Espectro Autista -, o longa-metragem francês Uma Mulher Diferente convida o público a uma jornada pelas angústias e aflições de uma mulher independente que passa a se conhecer melhor após um diagnóstico que altera completamente sua forma de enxergar a vida.

Escrito e dirigido pela cineasta francesa Lola Doillon (que já tinha brindado os cinéfilos com o ótimo A Viagem de Fanny), o filme apresenta uma condução delicada, costurando a sensibilidade sensorial e as muitas formas de enxergar o mundo por meio de uma narrativa fluida, que dialoga com o público em diversos momentos, sem deixar de provocar importantes reflexões sociais.  

Katia (Jehnny Beth) é uma pesquisadora super inteligente e focada, que trabalha em uma empresa de comunicação e vive um relacionamento cheio de idas e vindas com o marceneiro Fred (Thibaut Evrard). Ao ser designada para ajudar um jornalista sobre uma matéria, ela acaba descobrindo que está no Transtorno do Espectro Autista, fato que a fará enxergar com novos olhos as dinâmicas de sua própria vida.

Com um roteiro bem estruturado, voltado a explorar a temática de forma leve, mas sem deixar de ser contundente, somos guiados, a partir de alguns pontos de vista, a acompanhar o cotidiano da protagonista, suas relações e parte de seu interior emocional - seus medos, ansiedades e inquietações - construindo uma ponte que nos leva à sua jornada de descobertas. Tudo isso é conduzido com leveza e precisão, fruto de uma narrativa convencional de rápida assimilação.

A visão da sociedade em relação ao Transtorno do Espectro Autista também é abordado de forma eficiente pelas situações que o filme mostra. Seja pela mãe, que não entende a importância do diagnóstico da filha; o olhar do namorado, que passa por um processo de aprendizado sobre o tema; ou mesmo no ambiente de trabalho - entre outras situações que indicam a falta de compreensão e até o preconceito enfrentado pelas pessoas diagnosticadas. Esses pontos, logo se transformam em importantes críticas sociais que se juntam ao nosso leque de reflexões.

Uma Mulher Diferente chega com ótimas mensagens para bater na tecla de que o Transtorno do Espectro Autista ainda enfrenta enormes desafios sociais, além de expor a necessidade de maior eficácia nos diagnósticos precoces. Esse é um filme importante, que gera reflexões profundas em todos nós.

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