A escritora norte-americana Colleen Hoover caiu no gosto dos leitores mundo afora, tanto que algumas de suas obras já ganharam adaptações cinematográficas ou estão prestes a virar filme. Um desses casos é Uma Segunda Chance, que chegou recentemente aos cinemas brasileiros e apresenta um drama que percorre o caminho da melancolia para, entre outros temas, abordar um assunto bastante debatido: a ressocialização.
Dirigido pela cineasta britânica Vanessa Caswill, o filme busca, de forma madura e dentro de um
modelo narrativo convencional, expressar reflexões por meio dos sentimentos
dolorosos de culpa sob a perspectiva da protagonista. Assim, chegamos às
dinâmicas familiares, as dificuldades do perdoar, o amor de mãe e a luta pela
dignidade após um momento de reclusão. Há um leque de assuntos interessantes
que engrandece o longa-metragem.
Kenna (Maika Monroe)
era uma jovem quando conheceu Scotty (Rudy
Pankow). Eles começam a namorar e, tempos depois, ela fica grávida. Um dia,
sofrem um acidente de carro, no qual Scotty não sobrevive. Sentenciada a alguns
anos de prisão por não prestação de socorro, anos mais tarde sai do
encarceramento disposta a reconquistar a guarda da filha, que está sob cuidado
dos avós paternos, Grace (Lauren Graham)
e Patrick (Bradley Whitford). Só que
no seu caminho aparece também Ledger (Tyriq
Withers), o melhor amigo de Scotty, de quem ela vai se aproximando cada vez
mais.
Esse é um daqueles filmes que nos fazem pensar sobre nosso
lugar no mundo em relação à sociedade e os imprevistos que podem acontecer em
nossas trajetórias. Esse rápido acesso ao epicentro da trama, fruto de uma
narrativa fácil de entender, com mensagens claras e objetivas, fisga os
espectadores rapidamente. Ao não abraçar o romance como ponto central, pelo
menos em um primeiro momento, a trama consegue um enorme respiro para se
aprofundar – ainda que de forma superficial – no desenvolvimento de outros
personagens, deixando o amor que surge como um complemento.
Rodado inteiramente no Canadá, Uma Segunda Chance não é um filme pra chorar, é uma obra para se
chegar em reflexões sociais. A mais profunda delas - a reconstrução de vínculos
sociais a partir de uma protagonista que precisa ter uma nova vida após a
prisão - nos dá a oportunidade de caminhar por subtemas espinhosos em relacionados
a esse assunto, como o preconceito, a dificuldade de conseguir emprego, e a forma
como a sociedade, no geral, enxerga a ressocialização. Esse debate é sugerido
de forma lúcida, adicionando um bom tempero a um filme um pouco além do
convencional.
A próxima adaptação cinematográfica de um livro de Colleen Hoover a chegar aos cinemas
deve ser o aguardado suspense Verity,
que está em pós-produção. O elenco conta com Anne Hathaway, Josh Hartnet,
Dakota Johnson, entre outros nomes conhecidos.
