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Pausa para uma série: 'Rainhas da Grana'


Trazendo carismáticas anti-heroínas para o centro de uma trama que se destaca pelo ritmo frenético, repleto de sarcasmo e ironias, o novo seriado francês da Netflix, Rainhas da Grana, é uma daquelas séries que deixam sua marca logo que começamos a assistir. Criado por Carine Prévot e Olivier Rosemberg – este último que também atua na série – a obra, entre tantos pontos positivos, desenvolve as contradições morais de seus personagens por meio de um humor ácido e inteligente.

Sufocadas pela opressão de um mundo machista e pela falta de oportunidades que as atinge diariamente, um grupo de amigas, moradoras de uma área de classe média baixa francesa, resolve assaltar um banco para conseguir algum respiro nas contas diárias que se acumulam. A questão é que, elas acabam se jogando nesse mundo do crime repleto de pessoas gananciosas, dispostas a tudo para ter sua parte em cada novo evento criminoso realizado.

Mesmo com muitas protagonistas, o foco se volta para Rosalie, interpretada pela excelente Rebecca Marder. Pela perspectiva dela, vamos rompendo as barreiras da intimidade das vidas das outras integrantes do grupo de assaltantes, um grupo que vê numa posição sem nada a perder. Completamente movida pelas emoções, com o marido preso e dois filhos para criar, ela quase sempre deixa de lado as consequências de seus atos. Essa forte personagem, de comportamento imprevisível, é o pilar dessa história.

Um dos pontos que logo chamam a atenção é que o projeto, dividido em oito episódios - um melhor que o outro -, não passa pano para as atitudes erradas das protagonistas, trazendo um recheio generoso de consequências – exatamente onde acontece o epicentro da trama. A narrativa, com seu mix de ação, comédia e drama, alcança o brilhantismo ao prender a atenção enquanto desfila críticas sociais contundentes, como o já citado machismo e a corrupção policial e política, sem perder o bom-humor.

A cada capítulo, novas subtramas se somam a esse turbilhão de loucuras, enquanto novos personagens entram em cena e adicionam sua contribuição. Políticos arrogantes, traficantes de drogas, ex-maridos babacas, integrantes de associações criminosas e até mesmo um milionário romântico, vão e vêm, abrindo camadas ligadas às dinâmicas familiares e até à sexualidade.

Rainhas da Grana, apostando em tudo que foi para o ar, deixa pontas soltas em um final aberto e cheio de possibilidades futuras. Essa deliciosa série, pela qual torcemos que retorne para uma segunda temporada, nos faz querer maratonar tudo de uma vez só. Liga na Netflix e confira!

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