Um desaparecimento em uma cidadezinha europeia que permaneceu sem solução por anos. Um ciclo de amizade quebrado por revelações chocantes. As diferentes formas da polícia ser eficiente ao longo do tempo. Reunindo esses três tópicos em uma trama que se desenvolve a partir de acontecimentos inéditos em uma região da Dinamarca, a minissérie documental Um Amigo, Um Assassino chega para jogar luz sobre um true crime surpreendente.
Korsør, cidade agradável no interior da Dinamarca, com pouco
mais de 20.000 habitantes, é um daqueles lugares onde quase todos se conhecem e
onde os sonhos de um futuro para a juventude muitas vezes se projetando fora
dali. Nessa pacata cidade, anos atrás, aconteceu um fato que mudaria para
sempre a história de muitos desses habitantes e a própria história desse lugar.
Ao longo de três intensos episódios, muito bem definidos com
por três pontos – mencionados no parágrafo inicial - que se entrelaçam em um
desfecho repleto de revelações, Um
Amigo, Um Assassino através de depoimentos de pessoas chaves e uma pesquisa
profunda sobre os acontecimentos que marcaram a região nos leva para uma
jornada perturbadora onde ações de um jovem nada suspeito viram traumas para
diversas famílias – e de muitas formas diferentes.
Não era muito fácil contar essa história por conta dos
inúmeros detalhes e do alcance das ações envolvidas. Em um primeiro momento
conhecemos a cidade - praticamente um personagem à parte dentro da narrativa -
e reações marcantes a partir do desaparecimento de uma jovem de 17 anos, que
ficou sem notícias por longos anos. Em um segundo momento, chegamos à história
de três pessoas que receberam o impacto da notícia de que alguém muito próximo
era o criminoso que amedrontava a região. No terceiro momento, chegam as marcas
inapagáveis que ações cruéis deixaram em toda uma comunidade.
Além desses pontos principais, em cada um dos episódios há também
menções à forma como a polícia dinamarquesa da região lidou com os sequentes
acontecimentos - desde o primeiro desaparecimento até as ações futuras que mais
tarde se descobriram fazer parte das ações do mesmo executor. Essa forte
crítica, construída de forma organizada pelas entrelinhas, é baseada nas formas
de condução diferenciadas em cada um dos casos mostrados. Esse ponto se torna,
aos poucos, um aspecto importante que circula toda a narrativa.
Um Amigo, Um
Assassino é mais um daqueles true crimes de deixar o cabelo em pé. Colocando
um pouco de lado a psiquê do criminoso – algo sempre explorado em narrativas desse
tipo –, aqui o foco chega nas marcas deixadas pelos crimes: nos ex-amigos que
eram bastante próximos e para toda uma cidade que viveu anos sombrios, com
medos nunca sentidos e com os quais precisaram aprender a lidar.
