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Crítica do filme: 'Ataque Brutal'


O cineasta norueguês Tommy Wirkola já havia conquistado a atenção de muitos cinéfilos com os interessantes Onde Está Segunda? e The Trip. Em 2026, chegou à Netflix seu novo trabalho, Ataque Brutal, um suspense que decepciona. Totalmente descompensado ao abordar desastres naturais e apresentar como vilões criaturas do mar aterrorizantes, investe seu carente desenvolvimento para construir um clima de tensão que nunca alcança seu potencial.  

Ambientado na cidade costeira fictícia de Annieville, conhecemos os dramas e dilemas de algumas pessoas que foram surpreendidas pela chegada do furacão Henry, que literalmente levou o mar até a cidade - além dos temidos tubarões-touro. Percorremos essa trama através de algumas perspectivas: Lisa (Phoebe Dynevor), uma mulher grávida; Dakota (Whitney Peak), uma jovem que enfrenta um luto recente; três adolescentes adotados por adultos suspeitos; e Dale (Djimon Hounsou), biólogo marinho e tio de Dakota, que trabalha estudando tubarões. 

As ocorrências naturais catastróficas são questões enfrentadas por muitos países. Volta e meia, o cinema apresenta esses recortes das mais diversas maneiras possíveis. Em Ataque Brutal, o assunto é preenchido de forma desleixada, nos levando para um tour por uma cidade que é tomada pela água, arrastando criaturas perigosas para próximo da população. As oportunidades de boas críticas sociais se afogam junto com uma série de situações mirabolantes, personagens mal desenvolvidos e uma narrativa consumida por exageros e muita - mas muita - conveniência.

Com água pra todo lado, o roteiro se desencontra em muitos momentos, espaçando demais histórias que deveriam ser complementares, e não apenas serem vividas em uma mesma situação. É uma pena também que camadas que pareciam se abrir - como o espaço da ciência em torno do problema e a questão da adoção motivada pelo subsídio mensal de acolhimento, logo são escanteadas.

Com uma série de lacunas não preenchidas - ou pouco convincentes - e acelerando a narrativa rumo a um clímax apressado, restava tentar manter a tensão rodando a iminência da situação crítica, a partir de alguns pontos de vista de pessoas que estão presas à situação, de diferentes formas, precisando driblar um dos mais temidos animais aquáticos que pode chegar a três metros e mais de 300 quilos. Muito pouco. Não preciso nem dizer que uma série de exageros são vistos nessas batalhas pela sobrevivência, levando aos poucos a tensão por água abaixo.   

 

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