Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Beladona' [Festival de Cinema Europeu imovision]


Um dos pontos existenciais que, volta e meia, chega com forte pensar em nossa trajetória é o envelhecimento - um período da vida marcado pelas possibilidades de descobertas e desafios sociais. Buscando por meio de uma distopia apresentar questões ligadas à melhor idade, o longa-metragem francês Beladona chega forte com suas belas reflexões em breve no circuito exibidor brasileiro. Antes, foi um dos filmes integrantes do 2º Festival de Cinema Europeu Imovision.

Dirigido pela cineasta lituana Alanté Kavaïté, a obra nos leva para uma série de situações que colocam na vitrine o comportamento e os desejos, em uma abordagem que impulsiona o refletir sobre o envelhecer em um futuro mundo ainda mais opressor, onde a única saída é contar com a compaixão de quem enfrenta um sistema que não dá margens para respiros.

Gaëlle (Nadia Tereszkiewicz) é uma jovem que vive em uma ilha isolada, cuidando de algumas pessoas com idade avançada que se protegem de uma lei que atinge o continente, que consiste na obrigatoriedade de pessoas idosas serem internadas em instituições. Com a chegada da médica Aline (Daphne Patakia) e de sua família, uma renovação de alegria, desejos e apreensões começa a surgir para os habitantes do local.

Nadando a fortes braçadas rumo a um desfecho repleto de significados, nessa ficção científica, camuflada de drama existencial, percorremos tentativas de explorar um tema recheado de significados. Ainda assim, as camadas que se abrem não conseguem se traduzir na força que podia. Sob uma perspectiva de fora dessa realidade, uma jovem que se mantém paralisada no tempo para defender seus ideais, vamos sendo guiados para um despertar por meio de uma mudança de rotina e de um novo olhar para uma condição de limitações.

No mundo de hoje, com sérias restrições no mundo trabalhista, por exemplo, que invoca de maneira impiedosa um termo muito dito: o etarismo, um assunto como esse, proposto em um filme com múltiplas possibilidades, vai ganhando paralelos reais através da ficção. É interessante a proposta, que segue fielmente ao discurso sobre a importância de pensarmos sobre esse assunto. Poderia ser mais incisivo: algumas suavizações desaceleram a potência de suas mensagens – mas nada que atrapalhe muito a experiência.    

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...