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Crítica do filme: 'Bola pra Cima'


Por onde começar a refletir sobre um filme que não diz nada com coisa nenhuma? Lançado neste mês de abril, o longa-metragem Bola pra Cima consegue algumas façanhas - entre elas, a de testar nossa paciência. Em um verdadeiro show de bizarrices que não alcança ironias nem sarcasmos com eficiência, e distante de qualquer reflexão sólida, ficamos reféns de um olhar pejorativo sobre um país que conhecemos bem: o Brasil.

Dirigido por Peter Farrelly - que marcou seu nome na indústria com filmes como Green Book, Débi e Lóide e Quem Vai Ficar com Mary? -, a obra embarca em uma narrativa completamente perdida do início ao fim, sem um pingo de propósito. Usando o humor como um escudo para justificar entrelinhas problemáticas e um retrato estereotipado de um país através do olhar distante, Bola pra Cima vai caminhando a passos largos para se candidatar a um dos piores filmes já lançados diretamente nos streamings.

Brad (Mark Wahlberg) e Elijah (Paul Walter Hauser) são dois funcionários de uma empresa de preservativos que estão de frente com uma grande oportunidade: desenvolver um produto capaz de firmar uma parceria com a Copa do Mundo de Futebol Masculino, que será realizada em 2025, no Brasil. Perto de conquistarem o sucesso na ação, acabam se envolvendo em uma mirabolante situação e acabam demitidos. Como suas passagens para a Copa já haviam sido emitidas, eles embarcam para o Brasil – onde proporcionam uma série de situações absurdas e completamente distantes da realidade.

Associar o mundo do futebol à nossa paixão por esse esporte é algo que várias outras obras já fizeram – não há nada de inovador nessa questão. E pegando a oportunidade de uma data de estreia às vésperas da realização de mais uma Copa do Mundo de Futebol Masculino, que em 2026 vai de 11 de junho a 19 de julho, e terá os Estados Unidos como uma de suas sedes, parecia o cenário perfeito para projetos explorassem esse tema.

A questão é o conteúdo – no que se faz com esse cenário. A proposta de Bola pra Cima é indecifrável, um discurso sem direção. Você termina de assistir e logo pensa: sobre o que é esse filme? A ideia era utilizar a generalização excessiva e trazer humor escrachado abordando temas sociais? Ou ignorar nossa rica diversidade e jogar na tela um espetáculo depreciativo, repleto de situações grotescas? Em cada um desses pontos, gera a mesma pergunta: Isso realmente provoca risos?  

A narrativa é construída naquela receita de bolo que vários enlatados norte-americanos cansam de utilizar. No entanto, é o lado moral de uma obra que mais salta aos olhos quando o discurso se mostra indigesto - como é o caso aqui. Retratar o comportamento de determinada sociedade de forma direta, por meio de um olhar distante que não conhece de perto nossas realidades, só escancara o preconceito: um olhar desdenhoso que atinge a todos nós que conhecemos de perto nossas verdades.

 

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