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Crítica do filme: 'A Caixa Azul'


Quase dez anos após seu último longa-metragem como diretor, o ótimo Neve Negra, o cineasta argentino Martín Hodara volta às telonas, depois de uma passagem pelo mundo das séries, para entregar ao público um filme que segue pelas surpresas das trocas de perspectiva como principal ponto de uma narrativa objetiva, com tensão e reviravoltas. Estamos falando de A Caixa Azul, longa-metragem que acabou de chegar ao Prime Video.

Rodado inteiramente no Canadá, essa produção - ambientada na ficção em torno da região da Patagônia -, nos leva ao encontro do trauma à ambição, de forma a conduzir o público por uma série de situações que colocam em destaque a ambivalência moral de seus misteriosos personagens. O roteiro tenta, de muitas formas, criar caminhos para que as surpresas futuras se apresentem com forte impacto, mas a falta de contexto deixa as revelações na estrada do previsível.  

Pablo (Gustavo Bassani) é um homem introspectivo, marcado por traumas do passado, que herdou toda a riqueza de seus pais. Vivendo sozinho em uma enorme casa numa região afastada, ele passa seus dias sem muito contato com o mundo exterior. Certo dia, acaba acessando um aplicativo de encontros e, através desse dispositivo, conhece Lara (Luisana Lopilato). Aos poucos, os dois vão se conhecendo melhor e, prestes a oficializar uma relação saudável, Pablo recebe um telefonema que muda o rumo dessa história.

O suspense psicológico proposto não se revela até entendermos direito do que se trata essa história. Não é preciso ficar atento a deixas ou dicas pelo caminho, as revelações são mostradas de forma escancarada, junto às verdades de personalidades ambíguas que embarcam em um jogo contraditório, mas com seus significados.

Assim, a narrativa busca um mergulho em estados psicológicos - dos conflitos internos às emoções - de forma subjetiva, explorando a psique humana. Tudo isso, construído em torno de um modelo convencional, que não busca criar inovações com as possibilidades que a linguagem oferece, nem mesmo algo que se complemente as sugestões oferecidas pelas ações dos personagens.

Dos comportamentos humanos ao campo das percepções, ao longo de seus 90 minutos, A Caixa Azul se limita ao tempo presente de seus personagens para conduzir o público para uma trama que busca surpreender - e convencer - com uma troca brusca de perspectiva. Será o suficiente? Tire suas próprias conclusões.

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