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Crítica do filme: 'Confiança'


Chega a ser surpreendente como algumas produções usam das conveniências narrativas de forma descontrolada para criar um cenário de impossibilidades, afastando um básico de real e deixando tudo no campo que a ficção permite. Confiança, suspense que filme que chegou à Netflix nesse mês de abril, segue por essa linha, recheado de cenas que buscam causar impacto da maneira mais inverossímil possível.

Em seu terceiro longa-metragem como diretora, a atriz e cineasta Carlson Young conduz uma narrativa que não sustenta o suspense e ainda tropeça em problemas de continuidade e um desenvolvimento limitado de personagens, transformando a obra em uma experiência frustrante que simplesmente não convence.

Lauren (Sophie Turner) é uma famosa atriz que brilha em Hollywood desde a infância. Certo dia, vê sua intimidade ser exposta quando um ataque hacker divulga na internet fotos íntimas, que geram um verdadeiro tsunami em sua vida. Para tentar fugir um pouco dessa situação, ela resolve alugar uma casa em uma região mais afastada para passar um tempo sozinha. Nesse lugar, é surpreendida pela invasão de criminosos e precisará lutar pela própria vida.

O roteiro, escrito por Gigi Levangie, apresenta equívocos nas conveniências, deixando escapar uma oportunidade de um olhar mais profundo sobre os assuntos polêmicos que se apresentam, como o assédio no mundo do entretenimento, a cultura da exposição por meio da mídia sensacionalista e o tão falado cancelamento.

A sensação que temos é que tudo parece desencontrado, simplesmente as peças não se encaixam. Personagens vão surgindo de forma aleatória e não contribuem para a construção de um roteiro confuso, que transforma a luta pela sobrevivência em algo como um divisor de águas, sugerindo um significado renovador à experiência vivida - uma conclusão, no mínimo, incoerente de acordo com tudo que é apresentado.

Será que o público está disposto a embarcar em uma história que nunca chega na tensão? Partindo de uma premissa limitada - e muito parecida com à de outros filmes -, que não dá margem para possibilidades de grande desenvolvimento nem encontra camadas além da superfície, esse longa-metragem se torna um verdadeiro teste de paciência para o público ao longo dos seus 90 minutos de projeção.

 

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