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Crítica do filme: 'Noite da Pizza'


Há obras cinematográficas que realmente testam nossa paciência! Um dos filmes mais surreais dos últimos tempos, Noite da Pizza - longa-metragem que acabou de chegar à Netflix - busca a diversão através do nonsense, imerso em uma narrativa descontrolada que se desvia de qualquer coerência. Um show de horrores, com cenas indigestas e outras situações constrangedoras.

Dirigido e escrito pela dupla Nick Kocher e Brian McElhaney, o projeto tenta construir uma grande brincadeira em torno de temas que compõem o fim da adolescência e o início da fase adulta. No entanto, essa tentativa de sátira, camuflada de besteirol, acaba caindo em excessos criativos, conveniências, clichês e ideias totalmente desconectadas da realidade, transformando a narrativa em um parque de diversões de loucuras pessimamente desenvolvidas.

Jack (Gaten Matarazzo) e Montgomery (Sean Giambrone) são dois amigos nerds inseparáveis que dividem o mesmo quarto no alojamento de uma universidade. Reféns do bullying diário, buscam se divertir da maneira que podem. Um dia, acabam tomando uma droga inusitada, que os faz passar por algumas reações muito loucas - e o antídoto é comer pizza (isso mesmo que você leu!). Contando com a ajuda da ex-amiga que se afastou para andar com os populares, Lizzy (Lulu Wilson), a dupla de protagonista enfrentará um verdadeiro terror em busca de uma solução.

É muito difícil escrever sobre um filme que tem pouco a oferecer quando pensamos na profundidade de uma trama em relação ao tema. Mesmo inserida em uma estrutura narrativa linear, a forma como é contada essa história se mostra a todo instante desencontrada, marcada, principalmente, pelo uso excessivo de efeitos e com pitadas e por pretensões de ser uma grande sátira ao universo jovem – algo que passa bem longe.

A imersão na atmosfera surreal proposta é feita com o pé no acelerado, sem respiros, utilizando muito mais o exagero do que ao humor, chegando em um desenvolvimento que não avança além da superfície e fica exposto a reação aos absurdos morais. O bullying é o elemento mais marcante e, de alguma forma, uma mola propulsora à qual o roteiro se abraça para tentar desenvolver os arcos de seus personagens. Nessa grande viagem, há também espaço para uma brincadeira com a metalinguagem, que adiciona pouco ao caldo de uma história completamente sem noção.

Noite da Pizza aparece como um forte candidato ao próximo Framboesa de Ouro – em diversas categorias – se consolidando como um verdadeiro teste de paciência que nem Jó aguentaria.

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