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Critica do filme: 'O Último Gigante'


O cineasta argentino Marcos Carnevale vem, ao longo dos anos, apresentando histórias intimistas que se debruçam sobre conflitos nas diversas formas de laços familiares. Seu novo trabalho, lançado neste primeiro semestre de 2026 na Netflix, O Último Gigante, segue à risca essa temática, trazendo ao público reflexões sobre uma forma de abandono parental - aqui no sentido afetivo - e as diversas leituras para o perdão.

Boris (Matías Mayer) é um guia turístico no Parque Nacional Iguazú, na Argentina, um lugar que é Patrimônio Cultural da Humanidade e complementar do Parque Nacional do Iguaçu, situado no lado brasileiro. Um dia, ele se depara com a visita de seu pai, Julián (Oscar Martínez), um piloto de avião aposentado que nunca esteve presente em sua vida. Quando Boris descobre que Julián está com um câncer terminal, os quase 30 anos de distância precisam, de alguma forma, ser resolvidos em pouco tempo.

Cada perspectiva é personificado por um personagem. O lado moral, fruto de um escolha, chega com força pela necessidade do perdão sob o olhar de Julián, um homem que abandonou o grande amor de sua vida e o filho pequeno para permanecer com a família que existia há mais tempo. Já Boris, representa o trauma e a ausência do afeto, e também se vê em um dilema: aceitar ou não esse pai nada presente.  

O foco nessas conjunturas - a situação vista em um determinado momento - é um ponto que Carnevale sabe desenvolver bem em suas obras. Mesmo com um contexto mais amplo que não passa da superfície (e, de fato, não há necessidade disso), a lupa é jogada para um período final na vida entre pai e filho, contando com personagens coadjuvantes no apoio para esses conflitos. Assim, segue-se por uma narrativa inimista, explorando os conflitos emocionais de ambos os lados e construindo, de forma dosada, um caminho para um final carregado de significados.

O Último Gigante não se afasta, em nenhum momento, de uma forma convencional de contar uma história. Tudo é construído com total compreensão do público. Sua força está nos debates sobre os dilemas morais de uma relação pai x filho perdida pelo tempo, também na camada profunda que se abre em torno do perdoar e o aceitar.   

  

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