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Crítica do filme: 'Vingança Brutal'


Filmes de ação produzidos em muitos lugares do planeta chegam aos montes às plataformas de streamings, lutando pela atenção de um público bastante fiel a esse gênero cinematográfico. Algumas dessas obras, porém, caem nas armadilhas de sempre: acelerar nas cenas mirabolantes culminando em um péssimo desenvolvimento de personagens, deixando o recheio das histórias com diversas lacunas.

Vingança Brutal, novo filme que chegou ao Prime Video neste mês de abril e logo alcançou seu top 10, tem um pouco de tudo quando pensamos em clichês. Ainda assim, apresenta um certo diferencial em relação a muitas outras produções do gênero: consegue acessar, gerando reflexão, um lado moral da história, onde a consequência ganha fôlego nas ações geradas pela sede de vingança.

Estrada (Omar Chaparro) é um militar respeitado, de alta patente, integrante de uma força especial do exército mexicano. Ao lado de sua equipe, consegue capturar um criminoso ardiloso, com contatos nas mais altas instâncias. Alguns dias depois, acaba vendo sua esposa ser assassinada a sangue frio por um grupo de pessoas provavelmente ligado ao criminoso preso. O tempo passa e Estrada precisa ficar no anonimato e conta com a ajuda de um outro militar, Miguel (Alejandro Speitzer). Quando se vê numa estrada sem rumo, algo inusitado acontece com Estrada: ele ganha um prêmio milionário na loteria. Assim, com o dinheiro no bolso, reúne parte de sua ex-equipe e parte para uma vingança contra os responsáveis pela morte de sua esposa.

Com cenas de ação muito bem executadas, que realmente chamam a atenção na narrativa, percorremos as possibilidades de um roteiro que busca seguir à risca seu discurso e se arrisca ao aprofundar camadas de personagens emocionalmente feridos pelo trauma. Assim, alcança questões morais que a obra, aos trancos e barrancos, busca manter na luz dos holofotes - de longe, o elemento mais importante e que destaco nesta análise.

Passando por questões sociais, como o limites da justiça e a corrupção, o projeto coloca em evidência a distância da moral para se defender uma causa - algo bastante perigoso, pois leva a muitas possibilidades de interpretações. Entretanto, esse acaba virando um dos aspectos mais interessantes, ajudando a contar a saga do amargurado protagonista: um homem de alta disciplina, fiel à lei, que, ao se tornar milionário, compra armas no mercado clandestino, justificando seus atos pela justiça que não foi feita no assassinato de sua esposa. Nesse contexto, as reflexões são muitas.

Com uma vinheta de apresentação super criativa, que lembra os animes de ação - algo visto após 15 minutos de projeção -, Vingança Brutal, dirigido por Rodrigo Valdés, busca basicamente revelar o caos interior de um sentimento conflitante sob a perspectiva dilacerante da perda. Isso tudo preenchido com cenas de ação impactantes, que realmente chamam a atenção.

 

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