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Pausa para uma série: 'Alguém tem que Saber'


27 anos atrás, um caso repleto de mistérios chocou um dos nossos países vizinhos. Para jogar luz sobre essa história, chegou à Netflix a minissérie Alguém tem que Saber, um projeto que busca desvendar os desencontros e controvérsias em torno de um true crime que se tornou um grande exemplo de incompetência das forças judiciais e policiais chilenas. Com quase três décadas do ocorrido, até hoje o caso deixa margens para dúvidas. 

Na história real, era novembro de 1999 quando, em uma noite, após sair da badalada boate La Cucaracha, na cidade de Concepción, no Chile, Jorge Matute Johns desapareceu. Seu corpo só foi encontrado anos depois, reascendendo uma investigação marcada por falhas graves na apuração. Trazendo parte desse contexto, a série troca nomes, mas procura se manter fiel ao epicentro dessa história.

Com uma narrativa densa e buscando uma ênfase nas intuições de personagens tomados por conflitos dilacerantes, ao longo dos oito episódios de pouco mais de 30 minutos, a série busca apresentar fatos por meio de três profundas perspectivas: a da família, a do chefe das investigações e a de um padre que não consegue revelar uma confissão.

Julio (Clemente Rodríguez) é um jovem muito amado por sua família que, um dia, resolve tirar o dia para ele, driblando a namorada e indo curtir a boate La Cucaracha ao lado de amigos. Ao longo dessa noite, ele desaparece misteriosamente, levando sua mãe, Vanessa (Paulina García), e seu irmão, Eric (Lucas Sáez Collins), a uma jornada dolorosa em busca de respostas. Chefiando as investigações que se seguem, Montero (Alfredo Castro), ao lado de outros detetives totalmente dedicados ao caso, enfrenta uma enxurrada de desencontros e críticas ao longo de um extenso período.

A maneira como é contada essa história pode gerar alguns cochilos. Buscando uma densidade narrativa na base dos conflitos que se estabelecem, com um desenvolvimento de personagens complexos que deixam um pouco a desejar, essa minissérie chilena usa e abusa do ritmo, desequilibrando a fluidez e deixando apenas importantes pontos ligados à moral como um respiro para irmos até o seu desfecho. 

Mas o que atinge o fôlego da curiosidade são os conflitos morais que se apresentam - principalmente aquele que gira em torno de um padre que recebe uma confissão, algo que ajudaria demais a resolver o caso, mas se sente preso ao sagrado desse ato. Com essa situação se tornando um motor para os acontecimentos que impactam a investigação, vamos sendo conduzidos para as dores da família, para as constantes falhas jurídicas e policiais e por uma série de situações que acabam deixando esse caso como margens a interpretações e dúvidas que persistem até hoje.

Mesmo com alguns poréns, Alguém tem que Saber é mais um daqueles projetos que se destacam pela força de seu enredo muito mais do que pela execução. A obra atinge o objetivo de não deixar cair no esquecimento uma tragédia que, até hoje, não teve um desfecho completo.

 

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