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Pausa para uma série: 'Santita'


A autodestruição emocional é um assunto complexo, cheios de caminhos e questões, que envolve muitas variáveis. Para transmitir camadas sobre esse conflito em uma obra audiovisual, é preciso raspar toda gota de emoção de forma direta, por meio de personagens que se complementem ao redor de uma forte protagonista.

Isso é exatamente o que acontece em Santita, emocionante série que chegou à Netflix neste final de abril que, ao longo de sete episódios, consegue comover e provocar reflexões nadando no caos da vida de uma mulher forte, mas com marcas do passado que são irreversíveis. Criada por Luis Cámara e Gabrielle Galanter, com episódios dirigidos pelo experiente cineasta colombiano Rodrigo García, somos conduzidos para uma história de dor, desejo e amores perdidos, que coloca em evidência as complexidades da dicotomia entre a vida e a morte.

María José Cano (Paulina Dávila), conhecida como Santita, é uma médica obstetra paraplégica que tem uma clínica popular e vem passando por dificuldades financeiras, fruto também de seu vício em jogos de azar. Um dia, ressurge em sua vida o ex-noivo, Alejandro (Gael Garcia Bernal) - fato que a faz recordar de um passado doloroso, transformando seu presente em uma série de dilemas.

Ao longo de sete episódios, vamos percorrendo um amplo recorte na vida da protagonista, uma mulher temida por muitos, dona de uma ironia e inteligência contagiante, que esconde muito bem seus medos, aflições e sua estrada de autodestruição - um trabalho impecável de sua intérprete Paulina Dávila. A partir de seu cotidiano, vamos chegando em camadas profundas que se ligam à sociedade como um todo, abordando temas como acessibilidade, o aborto, a eutanásia e os vícios que corroem e destroem.

Dentro de um discurso contundente - no qual a narrativa segue fielmente - que invade um campo existencial expansivo que conecta os começos das jornadas da vida aos desfechos inesperados, Santita consegue, com muita naturalidade, gerar múltiplas reflexões, com um mergulho por cantinhos filosóficos, nos mostrando os caminhos para se pensar sobre a tão complexa existência.

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