Depois de um sucesso estrondoso nas bilheterias italianas - inclusive batendo blockbusters de peso -, a comédia Bom Caminho desembarcou no catálogo da Netflix. A obra, protagonizada pelo conhecido humorista Checco Zalone, de forma despretensiosa, nos leva para uma jornada leve e descontraída pelos conflitos familiares – neste caso, uma relação conturbada e distante entre pai e filha.
Com direção de Gennaro
Nunziante o projeto apresenta um mergulho sem medo na execução escrachada e
cenas non-sense, mas que, ainda assim, alcançam as poucas e superficiais
reflexões propostas. Assim, através de uma irresistível narrativa convencional
de fácil assimilação, é capaz de fazer você esquecer do tempo e dar boas
gargalhadas do início ao fim.
Um herdeiro mimado (Checco
Zalone), que se orgulha de nunca ter trabalhado, está prestes a completar
mais um ano de vida. Enquanto prepara uma verdadeira festa de arromba, acaba se
vendo diante de uma situação que não esperava: sua única filha desapareceu, e
ele precisa encontrá-la. Quando a localiza, descobre que ela está no meio do percurso
do caminho de Santiago e, contando com a ajuda da freira Alma (Beatriz Arjona), embarca em uma jornada
que abrirá seus olhos para a vida, a fé e as relações que realmente importam.
Essa forma irônica de abordar questões existenciais é uma
fórmula muito mais complexa do que possa se imaginar. Fazer rir por meio do ar
debochado, então, é um caminho cheio de espinhos. Nesse longa-metragem, desde
seu início fica nítido o se desprender de qualquer pretensão, jogando na tela
os absurdos de um egocêntrico com toda a carga exagerada provocadas pelos mais
batidos clichês. Esse posicionamento honesto acaba transformando as baboseiras
em entretenimento raso de forma natural, com o riso nascendo mesmo em meio ao
absurdo - e que ainda pode alcançar críticas sociais para os olhares mais
atentos.
É preciso dizer: convencional e sem necessidade de levantar
grandes questões, a narrativa caminha pela previsibilidade e soa exagerada em
muitos momentos. É o tipo de filme que fica em total iminência a forma como vai
terminar, apresentando personagens de forma ligeira sem muitas possibilidades
de camadas.
Vale pelo riso que aparece de vez quando, mas longe de ser
um inesquecível filme de comédia. É o famoso entretenimento miojo: em pouco
mais de três minutos você capta a ideia do limitado roteiro - e logo dá fome de
algo a mais.
