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Crítica do filme: 'Criaturas Extraordinariamente Brilhantes'


Como nos adaptar a uma situação que parece sem solução e transformar isso em um sentido de vida, com aprendizados e amizades que nos guiam por novas estradas? Falar sobre compaixão em um contexto atual repleto de intolerância, marcado por guerras, polarização sobre quase tudo, acaba sendo um oásis para todo mundo que ainda nutre a esperança de que o ser humano volte a acreditar no aperto as mãos.

Reproduzindo de forma profunda um olhar indireto para a solidão através de personagens que tem seus destinos cruzados de maneira inesperada, o longa-metragem que acaba de chegar à Netflix, Criaturas Extraordinariamente Brilhantes, é daquelas histórias tocantes que, mesmo com suas inúmeras conveniências que podem incomodar olhares mais rigorosos, consegue transmitir com leveza e emoção a força abstrata de conflitos emocionais causados pelas feridas ainda abertas.

Tova (Sally Field) é uma mulher que busca se manter ativa na fase final de sua vida trabalhando como faxineira no aquário da pacata cidade de Sowell Bay. A chegada do músico Cameron (Lewis Pullman) ao local - um jovem que herdou da mãe distante uma van e segue em busca do pai, acaba rapidamente aproximando os dois protagonistas. No meio disso tudo, um polvo observa e interage como um narrador importante, conduzindo o público às profundezas dos sentimentos que afligem os personagens.

Uma mãe que perdeu todos que amava. Um jovem sem destino em busca de respostas sobre suas origens. Um polvo na iminência da despedida, na missão de realizar sua última ação pra descansar em paz. Trazendo a sensação familiar como um background para desenvolver personagens e inteligentes críticas sociais - e colocando um polvo como uma espécie de mediador de conflitos -, o filme apresenta suas lições de maneira de forma encantadora, sem exageros, encontrando na fantasia um elemento essencial que se une em sintonia ao caótico da dor e da culpa, questões que se tornam barreiras para um seguir em frente na vida real.

Baseado em um livro homônimo, primeira obra publicada pela escritora norte-americana Shelby Van Pelt, Criaturas extraordinariamente Brilhantes basicamente circula o encontro de seres humanos paralisados pelas decepções e tristezas. Com uma narrativa convencional, mas que encontra conforto nos olhares captando rapidamente suas mensagens, o filme constrói um elo importante para destacar o lado positivo das relações humanas. Este projeto, dirigido por Olivia Newman, insiste, de forma eficiente, em um discurso sobre a importância do coletivo na existência - cantinhos do universo das relações onde a cura de um pode estar no outro.

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