Um dos filmes brasileiros mais criativos que você verá numa tela de cinema no ano de 2026 chama-se Mambembe. Dirigido pelo excelente cineasta goiano Fabio Meira, este projeto coloca o tempo como uma variável importante para percorrer histórias entre o real e a ficção, tendo a comunicação cultural e artística da arte circense como um alicerce lapidado de maneira delicada, trazendo um contagiante leque de sensações.
É até difícil resumir em forma de sinopse sobre o que é o
filme, pois há questões importantes que, se forem ditas, perdem o impacto
positivo que pode causar no público quando assistirem. Mas podemos dizer que um
topógrafo (Murilo Grossi) conhece
algumas mulheres (Índia Morena, Madona
Show e Dandara Ohana) de um circo
itinerante situado em uma cidade do Brasil. A partir daí, nascem algumas
histórias - e também um passado que se revela.
Partindo com habilidade pelas infinitas possibilidades que a
linguagem cinematográfica oferece, provoca emoções no público por meio de uma
montagem dinâmica, na qual as peças vão se encaixando ao longo de uma linha
temporal extensa e de uma narrativa que foge de qualquer padrão convencional.
Dessa forma, percorremos um entrelaço entre artes, histórias de vida –
inclusive a do próprio diretor -, oferecendo o compartilhamento de sentimentos
profundos que pulsam na tela.
O processo criativo é um dos pontos que mais chamam a
atenção, já que é inserido na própria narrativa. Essa ação torna o projeto mais
intimista e com novas possibilidades, percorrendo o tempo, os encontros e
reencontros filmando todos esses significados a partir da ficção. A estrutura,
que já existia há muitos anos, ganha novos horizontes com a brilhante adição
das transformações que o próprio tempo deixou. Ainda em relação a isso, ao
colocar em evidência o mundo circense, o filme apresenta uma parte da cultura
de nosso país - a arte feita na estrada - e se une à resistência pela
preservação dessas histórias.
Exibido em diversos festivais de nosso país durante o ano de
2025, esse belíssimo filme chega aos cinemas no dia 14 de maio e merece ser
visto por todas as pessoas que encontram na arte um refúgio, que vivem
intensamente as alegrias, que encontram caminhos de descobertas pelas tristezas
e que entendem a cultura como um caminho coletivo e fundamental para compreendermos
melhor o mundo ao nosso redor.
