Quantas pessoas se veem paradas na vida, presas a uma rotina entediante, marcada por sonhos que, a cada dia que passa, se tornam mais distantes? Pegando esse conflito existencial mundano e transformando em uma fábula deliciosa e repleta de sensibilidade, através de uma protagonista radiante, o longa-metragem sueco Meu Nome é Agneta é, antes de qualquer coisa, um brinde à vida.
Dirigido pela cineasta Johanna
Runevad, esse longa-metragem, que chegou sem muito alarde ao catálogo da
Netflix no final de abril, nos guia até uma história que busca desmitificar as
emoções e acreditar nos desejos, tudo isso de forma simples e objetiva, conduzida
por uma trama leve, descontraída, com personagens marcantes e recheada de
reflexões.
Agneta (Eva Melander)
é um mulher que leva uma rotina entediante, há mais de duas décadas trabalhando
no departamento de trânsito de sua cidade e presa a um casamento, apenas de
aparência, com Magnus (Björn Kjellman).
Ela ama a cultura francesa e alimenta o sonho de viver naquele lugar. Um dia,
logo após ser demitida, resolve se candidatar a uma vaga de Au Pair para cuidar
de Einar (Claes Månsson), na
Provença. Essa decisão mudará para sempre sua forma de enxergar a vida.
De maneira cativante, somos envolvidos em um história que
utiliza o despertar como ferramenta acolhedora para se chegar a um caminho rico
de transmissão sobre o pensar a vida. Entre amores, descobertas e amizade,
ainda somos brindados com paisagens encantadoras do sudoeste francês, que
validam, a cada cena, a forte identidade cultural da região.
O roteiro, mesmo na linha convencional, apresenta seus
personagens – um melhor que o outro – de maneira nada forçada, nos levando para
um tour pelas emoções em uma fase da vida sobre a qual a própria sociedade joga
olhares duvidosos. A narrativa segue num tom agradável, na montanha-russa de
risos e emoções profundas, jogando uma lupa sobre o psicológico dos personagens,
ligando as marcas do passado às novas oportunidades de um presente que se
apresenta.
Ao longo de duas horas de projeção, ficamos com aquele
gostinho de quero mais – sensação que mostra como uma trama fluida, movida por boas
intenções, capaz de chegar com impacto em nossos corações.
