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Crítica do filme: 'Doutor Monstro' [CINEPE 2026]


O True Crime é uma linha narrativa que vem atraindo bastante a atenção do público ao reconstruir acontecimentos chocantes através de toques sensíveis - ou não - do ar ficcional. Em mais um projeto que caminha por essa estrada, Doutor Monstro, novo filme de Marcos Jorge - diretor do ótimo Estômago – tenta escapar de qualquer possível simplificação ou acomodação diante das circunstâncias de um fato em que o vilão é óbvio, confrontando o público com reflexões sociais que giram em torno de um famoso caso de assassinato ocorrido no Brasil.

Filme de abertura da 30ª edição do CinePE, o longa-metragem nos leva até um polêmico olhar, e altamente provocador, sobre o médico brasileiro Farah Jorge Farah que, no início de 2003, matou uma ex-paciente de forma cruel, esquartejando seu corpo, posteriormente encontrado em um porta-malas. Após os esclarecimentos do fato pela investigação policial, seguiu-se uma batalha judicial com forte exploração midiática.  

Dividido em três atos, o roteiro se propõe a refletir esse caso de repercussão nacional através de um drama de tribunal, formato muito explorado pelo cinema norte-americano. Porém, até chegar nesse ponto, as camadas que se apresentam chegam apenas até o foco do projeto: o assassino. Esse fato nos faz chegar até contextos que se abrem a partir de uma perspectiva, buscando ampliar novos olhares sobre o julgamento midiático e em fragmentos de desenvolvimento que surgem em cena através da personagem da promotora (interpretada por Taís Araújo) – que representa a atuação dos reais promotores do caso.

Nessa narrativa, que adota uma estrutura de roteiro muitas vezes confusa, há um excesso de cortes na montagem, algo que reduz drasticamente os conflitos emocionais dos personagens. Assim, surgem lacunas soltas e cenas encaixadas sem grande profundidade, causando momentos de desencontro. Um dos pontos que chamam a atenção é a questão da mídia em relação ao ocorrido, algo que se mostra presente de maneira constante, mas sem o impacto que poderia atingir.

Abordando a violência contra a mulher - tema urgente, que se junta a outras obras que buscam as reflexões sobre essa questão em uma sociedade cada vez mais violenta -, a obra nos conduz aos poucos para cenas arrebatadoras. Mesmo com alguns desencontros narrativos, o filme encontra um certo norte nas complexidades jurídicas e os limites morais que marcaram esse caso. Mesmo assim, acaba sendo insuficiente para todo o leque de possibilidades que foram abertas a partir de um true crime que chocou o nosso país.

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