Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Os Arcos Dourados de Olinda' [CinePE 2026]


Depois de gerar um enorme burburinho na bolha cinéfila após algumas passagens em outros eventos audiovisuais em 2026, o curta-metragem Os Arcos Dourados de Olinda enfim desembarcou em seu lar, Pernambuco, marcando de forma inesquecível o segundo dia de exibições do Cinepe 2026.

Partindo da ironia de um fato inusitado – o orgulho de uma cidade que foi a única do mundo a levar um McDonalds à falência -, este espetacular curta-metragem documental utiliza um narrador irônico, e fundamental, ditando o ritmo de um recorte que se aprofunda por meio de outras situações peculiares ficando à disposição de um roteiro plural que articula um retrato multifacetado social e político.

Criativo e muito bem montado, com o imprescindível acréscimo de uma baita pesquisa que foi amadurecendo ao longo de seus quatro anos de ciclo de produção e utilizando 100% de material de arquivos, percorremos a história de uma cidade, suas relações simbólicas e também as divisões ideológicas. Ponto importante em torno disso, entendemos curiosidades sobre uma disputa eleitoral histórica que culminou na eleição da primeira prefeita comunista do Brasil.

Falando muito sério de forma divertida, brincando de maneira inteligente com a polarização, e com uma ironia cirúrgica se tornando um recurso narrativo de grande valor, Os Arcos Dourados de Olinda empolga do início ao fim, se tornando um aulão sociológico de grande valor e que deve conquistar a atenção de todo mundo que tiver a sorte de assistir. É ESPETACULAR!

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...