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Crítica do filme: 'Os Ursos e Nós' [CinePE 2026]


Há alguns filmes que assistimos em que o sentir se sobrepõe a qualquer elaboração sofisticada inserida em uma estrutura narrativa. Esse é o caso do interessantíssimo curta-metragem pernambucano Os Ursos e Nós, exibido na segunda noite da edição de 30 anos do CinePE.

Dirigido pela cineasta e antropóloga Maria Acselrad, este projeto nos convida a conhecer uma tradição carnavalesca da região metropolitana de Recife, com um forte olhar para a dança. Com uma ótima edição e uma pesquisa profunda, que traduz todo o dinamismo que acompanhamos, vamos sendo convidados a um recorte sensorial que logo se expande para uma experiência inventiva, capaz de traduzir em imagens e movimentos a força cultural desse lugar.

Atravessando comunidades e trazendo para a tela mais uma arte cultural de nosso país que ainda pode ser desconhecida para muitas pessoas, neste curta documental o elemento central é a figura do urso – de vários tipos, cores e tamanhos –, que logo virou figura frequente e nunca esquecido da cultura popular pernambucana. Essa tradição, adaptada dos imigrantes europeus, aqui ganha um olhar profundo, que também esbarra em reflexões sociais constantes.  

Guiado pelas envolventes batidas que ditam o tom, mesmo com um único chão se revelando através de publicações antigas exibidas no seu início, através do que sentimos ao ver essa obra entendemos a força dessa história. Esse é um filme onde o paradoxo da existência também se mostra presente, até mesmo questionamentos sobre inquietações que se manifestam, deixando um ar filosófico ser transmitido ao som do frevo.

Os Ursos e Nós é daqueles filmes difíceis de se traduzir, mas com certeza causam impacto. Um filme para se sentir e refletir através da folia.

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