O FestCine Itaúna apresentou um filme aqui do Estado do RJ, de Volta Redonda, conhecida como a cidade do aço. E é exatamente em volta desse rótulo, que gira em torno o curta-metragem Benedita, dirigido por Lane Lopes e Cadu Azevedo.
A partir do cotidiano de Benedita (Livia Menelau), uma mãe solteira, presente e batalhadora, que pega
ônibus todo dia, veste seu equipamento de segurança e vai cumprir seu turno de
trabalho na siderúrgica da cidade, precisando contar com a ajuda de uma
conhecida pra cuidar de sua filha enquanto está no serviço, vamos percorrendo
uma história que, aos poucos, vai se transformando em um filme de terror
repleto de reflexões sociais, como a luta pelos direitos trabalhistas - no caso,
aqui, como foco na segurança do trabalho.
Pincelando situações daquela região do estado do RJ, o
roteiro busca montar um mosaico crítico social, alguns desses apresentados através
do noticiário ou mesmo no próprio dia a dia da protagonista. Assim, logo
chegamos nos perigos de uma profissão onde há o manuseio do minério de ferro em
altíssimas temperaturas, situação que caminha até um estopim quando a
protagonista começa a se sentir mal, a transpirar sem parar e a derreter aos
poucos, levando essa obra a um desfecho representativo.
O discurso é bem construído, e a narrativa realça a aflição através
de experimentos interessantes, como trepidações propositais em seu clímax (câmera
shake) e ações sonoras que apitam a urgência através do incômodo. É verdade que
o roteiro parece correr para se chegar aos seus momentos de tensão, mas o que
importa é que a mensagem chega com impacto a todos que assistem à obra.
