Votorantim acordou com um clima gostoso, de céu com nuvens e possibilidades de chuva rápida, em um sábado que prometia no CineFest Votorantim. Nesse segundo dia do evento, que é a principal vitrine dos curtas-metragens no interior de São Paulo, olhei a grade de programação e já me interessei por algumas obras.
Antes de chegar até as exibições, comecei meu dia tomando um
delicioso café da manhã no Hotel Bela Vista, no centro da cidade, local que conta
também com uma equipe super carinhosa e atenciosa, algo que sinto desde o
primeiro momento que pisei aqui. Depois, desse momento importante de
alimentação matinal, com direito a mamão fresquinho, um café forte e pãezinhos de
queijo saindo a todo instante do forno, fui escrever sobre algumas obras que
tinha assistido no dia anterior.
Quando chegou a noite, por volta das 18:45, fui caminhando
com minhas amigas da imprensa até o Teatro Municipal, observando a agradável
cidade de Votorantim. Chegando lá, barraquinhas com ótimos produtos ofereciam
ao público um verdadeiro banquete, com muitas opções, inclusive um que vendia
sanduíches com temas de filmes. Como e já tinha jantado no hotel, preferi não
arriscar mas nos próximos dias não iria resistir a essa tentação que une
gastronomia e sétima arte.
A noite de exibições começou novamente com a Mostra
Cachoeira, uma seleção de obras regionais que nos apresentam sempre a cultura
da região. A Menor Máscara do Mundo,
Rafael Moraes, e Hudi-Fedegoso-Rocha,
de Guilherme Telli foram os exibidos
neste dia.
Após um pequeno intervalo de cerca de 10 minutos, voltamos à
sala para assistir a cinco curtas-metragens da mostra Pindorama, dedicada a
obras que englobam produções vindas de vários lugares do Brasil. Ressônancia, de Anna Zêpa; Meu Superman, de Alexandre Estevanto; Onde eu Começo?, de Mayana Neiva; À Espera, de Gustavo Campos e O Sonho do Menino Benjamin formam o
setlist desse dia que circulou, com bastante profundidade, a saudade e a melhor
idade. Destes, destaco duas obras que chamaram minha atenção:
Nesse sábado, também de sala cheia no Teatro Municipal
(principal point de exibição do evento), assisti pela terceira vez ao
curta-metragem Ressonância, dirigido
por Anna Zêpa e rodado na acolhedora
cidade de Caicó, no Rio Grande do Norte. Um filme em que, a cada vez que
assisto, percebo mais camadas interessantes, que se juntam, pedacinho por
pedacinho, às minhas próprias reflexões.
Margarida (Soia Lira)
é uma experiente caminhoneira que mora com a filha, o genro e a neta no
interior do Rio Grande do Norte. A cada dia que passa, começa a perceber que os
adultos estão se metendo cada vez mais na sua vida, principalmente os
comentários vindos do marido de sua filha. Em busca de preservar sua liberdade,
ela planeja mais uma viagem, ao mesmo tempo que precisa lidar com as marcas que
o tempo produz.
Outro filme que ganhou minha atenção foi À Espera, uma obra que possui a
peculiaridade de acontecer sem se apressar, de deslocar o olhar do público pela
composição visual que utiliza uma base estática e de um importante uso das
ações sonora. Nesse universo criado, o primoroso trabalho do ator Tonico Pereira revela um impecável
domínio da expressão corporal, conduzindo desabafos e identificações por meio
de uma narrativa que acontece mesmo sem deslocamentos do quadro.
Na trama, um senhor de idade (Tonico Pereira), com graves problemas de locomoção, está em um domingo em casa, após sua cuidadora (Suzy Lopes) deixá-lo sozinho, aguardando uma ligação importante de um parente próximo. Conforme o telefone toca, a frustração começa a se tornar recorrente.
Após a sessão desses sete filmes exibidos, que terminou antes
da meia-noite, corri para o hotel para escrever um pouco sobre tudo que vi,
madruguei mas valeu a pena os pensamentos vieram com fluidez e escrever sobre
cinema é uma ação que sempre me deixa feliz. Sigo assim, feliz em fazer o que
amo.
O CineFest Votorantim continua até o dia 07 de novembro,
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