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Diário Cinéfilo do Camacho: Segundo dia de 'CineFest Votorantim' 2026


Votorantim acordou com um clima gostoso, de céu com nuvens e possibilidades de chuva rápida, em um sábado que prometia no CineFest Votorantim. Nesse segundo dia do evento, que é a principal vitrine dos curtas-metragens no interior de São Paulo, olhei a grade de programação e já me interessei por algumas obras.

Antes de chegar até as exibições, comecei meu dia tomando um delicioso café da manhã no Hotel Bela Vista, no centro da cidade, local que conta também com uma equipe super carinhosa e atenciosa, algo que sinto desde o primeiro momento que pisei aqui. Depois, desse momento importante de alimentação matinal, com direito a mamão fresquinho, um café forte e pãezinhos de queijo saindo a todo instante do forno, fui escrever sobre algumas obras que tinha assistido no dia anterior. 

Quando chegou a noite, por volta das 18:45, fui caminhando com minhas amigas da imprensa até o Teatro Municipal, observando a agradável cidade de Votorantim. Chegando lá, barraquinhas com ótimos produtos ofereciam ao público um verdadeiro banquete, com muitas opções, inclusive um que vendia sanduíches com temas de filmes. Como e já tinha jantado no hotel, preferi não arriscar mas nos próximos dias não iria resistir a essa tentação que une gastronomia e sétima arte.

A noite de exibições começou novamente com a Mostra Cachoeira, uma seleção de obras regionais que nos apresentam sempre a cultura da região. A Menor Máscara do Mundo, Rafael Moraes, e Hudi-Fedegoso-Rocha, de Guilherme Telli foram os exibidos neste dia.

Após um pequeno intervalo de cerca de 10 minutos, voltamos à sala para assistir a cinco curtas-metragens da mostra Pindorama, dedicada a obras que englobam produções vindas de vários lugares do Brasil. Ressônancia, de Anna Zêpa; Meu Superman, de Alexandre Estevanto; Onde eu Começo?, de Mayana Neiva; À Espera, de Gustavo Campos e O Sonho do Menino Benjamin formam o setlist desse dia que circulou, com bastante profundidade, a saudade e a melhor idade. Destes, destaco duas obras que chamaram minha atenção:

Nesse sábado, também de sala cheia no Teatro Municipal (principal point de exibição do evento), assisti pela terceira vez ao curta-metragem Ressonância, dirigido por Anna Zêpa e rodado na acolhedora cidade de Caicó, no Rio Grande do Norte. Um filme em que, a cada vez que assisto, percebo mais camadas interessantes, que se juntam, pedacinho por pedacinho, às minhas próprias reflexões.

Margarida (Soia Lira) é uma experiente caminhoneira que mora com a filha, o genro e a neta no interior do Rio Grande do Norte. A cada dia que passa, começa a perceber que os adultos estão se metendo cada vez mais na sua vida, principalmente os comentários vindos do marido de sua filha. Em busca de preservar sua liberdade, ela planeja mais uma viagem, ao mesmo tempo que precisa lidar com as marcas que o tempo produz.

Outro filme que ganhou minha atenção foi À Espera, uma obra que possui a peculiaridade de acontecer sem se apressar, de deslocar o olhar do público pela composição visual que utiliza uma base estática e de um importante uso das ações sonora. Nesse universo criado, o primoroso trabalho do ator Tonico Pereira revela um impecável domínio da expressão corporal, conduzindo desabafos e identificações por meio de uma narrativa que acontece mesmo sem deslocamentos do quadro.

Na trama, um senhor de idade (Tonico Pereira), com graves problemas de locomoção, está em um domingo em casa, após sua cuidadora (Suzy Lopes) deixá-lo sozinho, aguardando uma ligação importante de um parente próximo. Conforme o telefone toca, a frustração começa a se tornar recorrente. 

Após a sessão desses sete filmes exibidos, que terminou antes da meia-noite, corri para o hotel para escrever um pouco sobre tudo que vi, madruguei mas valeu a pena os pensamentos vieram com fluidez e escrever sobre cinema é uma ação que sempre me deixa feliz. Sigo assim, feliz em fazer o que amo.

O CineFest Votorantim continua até o dia 07 de novembro, acompanhe nossa cobertura aqui no site e nas nossas redes.

 

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