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Crítica do filme: 'Uma Mulher Diferente'

Dando visibilidade a um tema muito interessante, pouco falado e de grande importância em nossa sociedade - o diagnóstico tardio do Transtorno do Espectro Autista -, o longa-metragem francês Uma Mulher Diferente convida o público a uma jornada pelas angústias e aflições de uma mulher independente que passa a se conhecer melhor após um diagnóstico que altera completamente sua forma de enxergar a vida. Escrito e dirigido pela cineasta francesa Lola Doillon (que já tinha brindado os cinéfilos com o ótimo A Viagem de Fanny ), o filme apresenta uma condução delicada, costurando a sensibilidade sensorial e as muitas formas de enxergar o mundo por meio de uma narrativa fluida, que dialoga com o público em diversos momentos, sem deixar de provocar importantes reflexões sociais.   Katia ( Jehnny Beth ) é uma pesquisadora super inteligente e focada, que trabalha em uma empresa de comunicação e vive um relacionamento cheio de idas e vindas com o marceneiro Fred ( Thibaut Evrard ). Ao ser...

Crítica do filme: 'Desligue!'

Você já deve ter ouvido falar das fraudes eletrônicas originadas de ligações suspeitas, nas quais criminosos, sem piedade, buscam obter altas quantias de dinheiro através de chantagens, pegando muita gente de surpresa. Isso, inclusive, acontece bastante no Brasil. Para jogar luz sobre esse tema - que atinge não apenas nosso país, mas várias partes do mundo -, chegou à Netflix, nesse final de março, Desligue!, um empolgante longa-metragem tailandês que aposta em afiadas críticas sociais construindo-se em torno de dramas emocionais. Orn ( Nittha Jirayungyurn ) é uma mulher de ótima condição financeira que, certo dia, leva um terrível golpe financeiro. Completamente abalada com a situação e escondendo a real quantia perdida, ela busca apoio nas forças policiais – em vão. Sem saber o que fazer, um dia acaba encontrando a fisioterapeuta Fei ( Esther Supreeleela ) e a vendedora de cremes Wow ( Ning Chutima Maholakul ), que também foram vítimas dos mesmos golpistas. Sem apoio da polícia, e...

Crítica do filme: 'Uma Segunda Chance'

A escritora norte-americana Colleen Hoover caiu no gosto dos leitores mundo afora, tanto que algumas de suas obras já ganharam adaptações cinematográficas ou estão prestes a virar filme. Um desses casos é Uma Segunda Chance , que chegou recentemente aos cinemas brasileiros e apresenta um drama que percorre o caminho da melancolia para, entre outros temas, abordar um assunto bastante debatido: a ressocialização. Dirigido pela cineasta britânica Vanessa Caswill , o filme busca, de forma madura e dentro de um modelo narrativo convencional, expressar reflexões por meio dos sentimentos dolorosos de culpa sob a perspectiva da protagonista. Assim, chegamos às dinâmicas familiares, as dificuldades do perdoar, o amor de mãe e a luta pela dignidade após um momento de reclusão. Há um leque de assuntos interessantes que engrandece o longa-metragem. Kenna ( Maika Monroe ) era uma jovem quando conheceu Scotty ( Rudy Pankow ). Eles começam a namorar e, tempos depois, ela fica grávida. Um dia, s...

Crítica do filme: 'Lindas e Letais'

É curioso como algumas produções insistem em pegar a mentirinha e transformá-la em algo mirabolante – e isso pode não dar certo, ou não. Chegou recentemente ao Prime Video Lindas e Letais , um filme onde a ação e o terror se intercalam por meio da violência extrema, através de jovens bailarinas que se veem em uma situação de risco, longe de casa. Dirigido por Vicky Jewson , com roteiro assinado por Kate Freund , este projeto é bem fácil de se definir. Com um efeito dominó de situações absurdas e adepto das soluções mais fáceis para os conflitos mais difíceis, o longa-metragem busca empolgar com as cenas de ação bem dirigidas e tentativas de chegar num clima de tensão constante - mas esbarra em soluções pouco convincentes. Nesse terror marcado por excessos, o que se destacada é o sempre frustrante comodismo da conveniência. Bones ( Maddie Ziegler ), Princes ( Lana Condor ), Grace ( Avantika ), Chloe ( Millicent Simmonds ) e Zoe ( Iris Apatow ) formam um grupo de jovens bailarinas qu...

Crítica do filme: 'Agente Zeta'

Jason Bourne, Jack Ryan, Ethan Hunt e, o mais famosos de todos, James Bond , são alguns dos nomes que logo chegam pelas nossas memórias quando pensamos em espionagem no cinema. Personagens que marcaram época e levaram milhares de pessoas aos cinemas, envolvidos por um tema fascinante para o público: o jogo de espiões. Em 2026, o mundo da espionagem ganhou mais uma homenagem no audiovisual, desta vez em um eficiente filme espanhol que apresenta, de forma explosiva e com ritmo frenético, uma trama que envolve segredos familiares e ações que interligam as forças de inteligência de dois países completamente diferentes. Zeta , dirigido por Dani de la Torre, é filme repleto de reviravoltas que, por meio de um espelho geopolítico - passando até pelo Rio de Janeiro -, consegue transmitir o eterno embate sobre controles da narrativa quando nações entram em choque por ações que geram consequências. O longa-metragem, estrelado pelo astro do cinema espanhol Mario Casas , alcançou o Top 1 do Pr...

Crítica do filme: 'Oi, Sumido!'

Trazendo para o epicentro do debate a instabilidade emocional de uma protagonista imprevisível, que nos conduz até uma trama que, a princípio, parecia ser apenas mais uma história de amor, mas logo se transforma em um leve suspense, o longa-metragem Oi, Sumido! busca transformar a tensão dosada em uma proposta instigante para refletirmos sobre a dependência emocional e o comportamento humano. Neste suspense psicológico escrito e dirigido por Sophie Brooks - Molly Gordon , a protagonista, também assinando o roteiro - há um achado interessante no equilíbrio entre a psique humana ligada ao amor obsessivo e uma série de situações conflitantes, que vão abrindo camadas sobre as formas como o ser humano lida com os conflitos que surgem pelo caminho. Iris ( Molly Gordon ) está nas nuvens com o andamento de seu relacionamento com Isaac ( Logan Lerman ). Ainda nos primeiros encontros, eles resolvem ir até um lugar isolado e muito bonito para passar o fim de semana. No entanto, durante uma ...

Crítica do filme: 'Matar. Vingar. Repetir.'

De vez em quando um projeto cinematográfico se joga na coragem da engenhosidade – mesmo que isso possa soar confuso em muitos momentos. Liguei na HBO MAX esses dias para assistir um filme sem nem ler a sinopse e me deparei com uma ficção científica que direciona seu olhar para o trauma entrelaçado no multiverso. Mais algum filme da Marvel? Não! Estou falando de Matar. Vingar. Repetir. Escrito e dirigido por Kevin McManus e Matthew McManus, esse violento longa-metragem destrincha a busca pelo equilíbrio da dor por meio de uma vingança implacável que rompe a barreira do espaço-tempo. Esse sentimento mundano e conflitante - a raiva que corrói -, inserido nas infinitas possibilidades da física teórica, são ingredientes que impulsionam uma narrativa bem construída, mas que deixa algumas pontas soltas. Irene ( Michaela McManus ) é uma mulher marcada pela perda traumática da filha, assassinada cruelmente por um serial killer. Com a vida destruída, ela passa a viajar por universos paralel...