Com mais de 20 filmes no currículo, o ótimo diretor Jorge Bodanzky chega aos cinemas com seu mais recente trabalho, No Meio do Rio, Entre as Árvores. Ao longo do filme, vamos acompanhando uma oficina de vídeo com habitantes locais, e, que são absorvidos em forma de imagens e depoimentos pelo diretor. É uma mescla da visão do experiente cineasta com uma nova ótica que surge no olhar do cotidiano dos moradores pelos mesmos.

No Meio do Rio, Entre as árvores fala, entre outros assuntos, sobre o desmatamento e auto conscientização que acontece quando os próprios moradores argumentam sobre tal fato. Os costumes locais e as críticas que chegam aos olhos dos espectadores, implícitas, em muitos desabafos dos mais experientes dessa região. É um recorte geográfico e detalhista sobre os rumos do desenvolvimento sustentável, que sofre com a falta de carinho com a administração do dinheiro reservado para ajudar essas comunidades.

Em meio a muitos depoimentos que vemos, uma das denúncias mais profundas e chocantes é a de que a falta de um ensino qualificado e mais regular, acaba afastando os jovens da região que vão para a cidade grande em busca de novas oportunidades. Aos poucos, o público vai percebendo que essa região do país é praticamente esquecida pelo governantes e assim, seus costumes e gostos vão virando presa fácil para a extinção.


O trabalho não deixa de ser um documentário com pegada educacional que se propõe a mostrar comunidades ribeirinhas no alto Solimões, na Amazônia, pelos olhos dos próprios moradores destes locais. O longa-metragem possui um potencial enorme para gerar debates e aulas sobre, assuntos ligados a educação e meio ambiente, assim, já fica a dica aos tantos professores desse nosso Brasil que utilizam o cinema como ferramenta complementar de ensino.

Crítica do filme: 'No Meio do Rio, Entre as Árvores'



Quem cedo e bem aprende, tarde ou nunca esquece. Quem negligencia as manifestações de amizade, acaba por perder esse sentimento. Estimado em 14 milhões de dólares, grande parte desses talvez para pagar alguns rostos conhecidos que estão no elenco, chegou aos cinemas norte-americanos esse ano o interessante filme The Loft. Sem nenhuma expectativa de aterrissar nas telonas brasileiras, o filme conta de forma equilibrada um mistério daqueles que só sabemos quem é o culpado no final. Mesmo com alguns exageros e os famosos clichês dos filmes do gênero, The Loft apresenta personagens interessantes que fazem de tudo para contribuir com o clima de suspense que a história pede. 

Uma mulher loira é morta e algemada em uma cama, encontra assim em um loft luxuoso no meio de uma grande cidade para nutrir os desejos de 5 amigos para suas compulsivas e obsessivas traições. Ao longo da trama, vamos conhecendo melhor a vida de todos os envolvidos, seus segredos, suas mentiras e seus impulsos. O filme utiliza o flashback para mostrar dinamismo e fazer com que o público tente resolver o quebra-cabeça que é montado aos poucos nesse inventado tabuleiro cinematográfico.

O roteiro, assinado pela dupla Bart De Pauw e Wesley Strick, é bem amarrado e deve agradar a todos os entusiastas e amantes dos filmes de suspense. A composição de cada personagem merece destaque, são protagonistas bem diferentes entre si e possuem uma ótima química em cena, nos convencem. Sentimos em um grande jogo de RPG onde precisamos escolher nossos personagens e defender sua absolvição a cada novo movimento ou virada de mesa que acontece na história.

Se envolvendo com todo tipo de personalidade feminina que cruzam seus caminhos, os amigos vão se expondo cada dia mais, tornando suas vidas cada vez mais sem limites. Nesse momento, há um certo exagero da história, até mesmo forçando algumas cenas mas de maneira geral o roteiro é um dos méritos do filme, não há dúvidas. A direção do belga Erik Van Looy, em sua primeira expedição no cinema norte-americano, é bem regular e tenta a todo instante jogar o público para dentro dessa trama cheia de surpresas.

Crítica do filme: 'The Loft'



Após o ótimo Adeus, Primeiro Amor (2011), a jovem cineasta francesa Mia Hansen-Løve volta as telonas para apresentar um um recorte da juventude francesa nos anos 90. Muito bem centralizado, Eden é profundo em sua análise sobre a cena underground européia, mostrando o cotidiano, seus dramas e dilemas dos eminentes DJ’s do futuro, aqueles que adoram misturar máquinas com vozes. Assim, navegando nas baladas da juventude, vários passagens de tempo vão se tornando importantes interseções do bom roteiro assinado pelos irmãos Mia Hansen-Løve e Sven Hansen-Løve. 

Na trama, conhecemos um grupo de jovens que gostam de se reunir para festas que varam à noite em uma França exposta no início dos anos 90. Ao longo da trama, um dos personagens se torna o protagonista, Paul Vallée (Félix de Givry), um estudante de literatura que abandona tudo para se dedicar integralmente ao universo das festas. Assim, vamos acompanhando todos os bastidores do cenário jovem parisiense. 

Com uma trilha sonora inspirada, com mais de 40 músicas originais doadas ao filme, o local dos prazeres (significado da palavra Eden) mostra, em muitos momentos, reflexões sobre os sonhos de uma juventude que acreditava em seus ideais. Entre a euforia e a melancolia, o desgaste com a não realização completa de seu sonho, leva o protagonista a uma jornada rumo ao fundo do poço provocando sempre um certo preconceito e desconfiança de sua família.

Sem esconder as drogas e os vícios que assombraram, assombram e assombrarão a juventude deste planeta, o grande ponto alto desta fita francesa é tentar transformar o personagem principal em um espectador e avaliador de sua própria trajetória, o que aproxima o público da história. O complicado é dizer se o filme conseguirá atingir a todas as idades, existem cenas não muito detalhistas sobre as idéias e ideais dos jovens da outra década, talvez só quem viveu por aquele tempo possa realmente entender por completo as razões e conseqüências que sofre o personagem principal e alguns dos coadjuvantes.

Crítica do filme: 'Eden'



Dirigido pelo ótimo cineasta Eskil Vogt, roteirista do espetacular Oslo, 31 de Agosto, chegou aos cinemas brasileiros o espetacular filme Blind. Exibido no último Festival do Rio, onde gerou comentários super positivos da maioria do público que conferiu o filme, esse longa-metragem norueguês possui dezenas de elementos instigantes que deixarão o público completamente fixado nas ótimas sequências e raciocínios sobre a mente humana que se prolongam ao longo dos majestosos 91 minutos de projeção. Esse, sem dúvidas, é uma daquelas jóias raras que o cinema europeu, felizmente, lança mais de uma vez durante todos os anos.  

Na trama, conhecemos a misteriosa Ingrid (uma atuação fabulosa de Ellen Dorrit Petersen), uma mulher de meia idade que perdera a visão recentemente e isola-se em casa, ao lado do marido, por se sentir mais segura e por conhecer, de memórias, o ambiente. Aos poucos Ingrid vai se vendo mais sozinha e começa a criar uma história a partir de profundos medos/inseguranças e fantasias totalmente reprimidas. Assim, acompanhamos essa trajetória mágica que diz muito sobre a mente humana.

O diretor preza pelos detalhes, impressionante a capacidade de fazer o público ficar perplexamente introduzido a tudo que acontece em cena. O respirar, o tocar, todos os outros sentidos vão ganhando força nas ações da brilhante personagem. O fato dessa personagem ser deficiente visual, transforma essa fita em uma original história sobre a arte do recomeçar o viver. Tudo é novo e ao mesmo tempo antigo na mente de Ingrid, o público percebe as angústias, pensamentos ambíguos e todo tipo de ação da personagem.

A única coisa que temos para lamentar é o curtíssimo circuito que o filme teve aqui no Brasil. Essa fita, é uma das raridades que o cinema produz a cada ano, merecia uma aposta das grandes salas de cinema, fato que não ocorreu. De qualquer forma, Blind chegará nas locadoras em breve e com certeza em outras janelas de exibição. Vocês não podem perder essa grande história!

Crítica do filme: 'Blind'

A vida é um eterno filme ou mesmo uma eterna peça de teatro. Dirigido pelo experiente cineasta norte-americano Barry Levinson, O Último Ato é um filme que possui uma pegada a la Woody Allen que só vendo você pode perceber. Com uma atuação de gala do eterno poderoso chefão Al Pacino, The Humbling (no original) fala sobre a decadência de um famoso ator de teatro que precisa se recriar dentro de seus problemas e isso acaba gerando cenas hilárias e reflexivas onde a cada minuto que passa vamos conhecendo a fundo um dos melhores personagens do ano.

Na trama, conhecemos Simon Axler (Al Pacino), um senhor de idade, mestre dos palcos que resolve abruptamente encerrar a carreira e se dedicar a consertar sua vida pessoal, nada social. Nessa espécie de mini aventura de auto descobrimento, Axler acaba batendo de frente com a filha de alguns ex-amigos e se envolve calorosamente com ela. Esse é o início de uma série de pequenos conflitos que vão fazendo o público cada vez mais se aproximar deste belo personagem. As sessões do personagem principal com o psiquiatra via Skype são excelentes, entendemos melhor sua personalidade nesses ótimos diálogos que compõe os arcos do roteiro ao longo dos 112 minutos de fita.

O protagonista é intrigante. Al Pacino pinta e borda seu Simon Axler é um brilhante artista em plena crise e afundado em reflexões sobre todas as decisões que tomou ao longo de toda sua vida, pessoal e profissional. Encontramos um paralelo bem interessante entre esse trabalho e o atual vencedor do Oscar de Melhor Filme Birdman. A profissão de ator não é fácil, altos e baixos acontecem mas sempre o objetivo é a volta por cima.


Estar no palco era como estar em casa. Há muitas perdas que você pode superar, mas seu ofício? Acompanhamos detalhadamente cada situação que se envolve o protagonista, suas mágoas e seus desejos mais profundos, sempre em busca da arte do recomeçar. Não adianta o brilhantismo, você precisa estar preparado. Esse é o grande desafio que acompanha a trajetória desse fabuloso personagem brilhantemente interpretado por um dos atores mais fantásticos que já atuaram nas telas de cinema mundo à fora, Al Pacino.

Crítica do filme: 'O Último Ato'

Dirigido pelo cineasta russo Sergey Bodrov e inspirado na obra de Joseph Delaney, chegou aos cinemas na semana passada mais um filme que fala sobre o mundo medieval utilizando todos exagerados recursos que a tecnologia atual podem adotar num projeto cinematográfico. O Sétimo Filho é um daqueles filmes que esquecemos rápido, não deixa lembranças e expõe lambanças. Mesmo com uma atuação interessante do ganhador do Oscar Jeff Bridges, o filme não decola em momento algum, frustrando os amantes das guerras épicas.

Na trama, conhecemos o caça-feitiço Gregory (Jeff Bridges), um homem amargurado e com um passado de guerras e batalhas sofridas com a rainha das bruxas Mãe Malkin (Julianne Moore). Com a chegada próxima de uma data importante para a manutenção do poder das bruxas, Mestre Gregory precisa encontrar e treinar o sétimo filho de uma família para ensiná-lo e juntos combaterem as forças do mal que assombram a séculos o planeta.

Com muitas cenas de ação e aventura nas florestas, nas águas, nos castelos, O Sétimo Filho é um filme modelado para divertir como tantos outros blockbusters que usam e abusam do universo fantástico da imaginação. O problema é que falta um certa carisma nos personagens, além do fraco roteiro que não consegue fazer com que a história chegue de maneira clara e objetiva ao público. Não há empolgação, tudo é muito jogado em cena.

Com uma voz preponderante, Jeff Bridges desenvolve seu forte personagem com a classe de sempre, desta vez, propositalmente ou não, molda seu caça-feitiço com algumas semelhanças com o Gandalf de Ian McKellen. Para fazer a vilã, chamaram a atual ganhadora do Oscar Julianne Moore que passa a impressão de estar nada à vontade desenvolvendo uma bruxa da era medieval. Falando sobre essa talentosa atriz, tem Julianne Moore para todos os gostos nessas últimas semanas nos cinemas brasileiros, atualmente está em cartaz em três filmes em todo país.


Um Cavaleiro exorcista, sombras de esqueleto, um mundo criado e vivenciado por pesadelos reais. Esses são alguns dos elementos encontrados nessa fraca fita e que com certeza vemos sendo melhor desenvolvidos em outros filmes muito parecidos como esse, é só procurar.

Crítica do filme: 'O Sétimo Filho'

Dos mesmos criadores das ótimas animações Os Croods e Como Treinar o Seu Dragão, a nova esperança de sucesso da sempre competente Dreamworks é a simpática aventura Cada um na sua Casa. Baseado na obra The True Meaning Of Smekday, de Adam Rex, essa nova fita infantil é recheada de alegria, além de conter ótimos ensinamentos para a criançada navegando em temas como a amizade, o preconceito e o respeito pela natureza. É mais um filme de animação que deve encher os corações dos pimpolhos cinéfilos de alegria.

Ao longo de animados 94 minutos, acompanhamos uma raça de alienígenas que resolvem ocupar o planeta terra e por isso deslocam todos os habitantes terráqueos para lugares isolados. Esse raça são denominados os Boov’s e são simpáticos bichinhos que trocam de cor a cada novo sentimento ou reação. Um desses amiguinhos é o Oh, um simpático jovem alienígena que não consegue ser amado pelos seus amigos e vive um cotidiano triste, isolado de todos os outros. Quando uma outra raça alienígena ameaça a terra, Oh busca coragem e destemidamente enfrenta essa nova ameaça, ao lado da terráquea Tip que tem como objetivo reencontrar sua mãe. Ambos embarcam em uma aventura divertida, cheia de surpresas e diversão.

Todo o filme, que usa a técnica de animação, que consegue transmitir educação com suas histórias merecem ser destacados pelo universo cinéfilo. Cada um na Sua Casa é um grande aulão, disfarçado de aventura empolgante, que mostra aos baixinhos situações onde o amor e o carinho reinam e solucionam os diversos problemas que os protagonistas enfrentam. Um dos exemplos mais evidentes que vemos nessa fita é o bullying, assunto bem delicado mas o filme consegue com louvor explorar o tema com muita delicadeza mas sem deixar de ser objetivo.

Na dublagem original, o famoso Jim Parsons (O Sheldon de The Big Bang Theory) e a cantora Rihanna emprestam suas vozes aos personagens principais, Oh e Tip. A segunda também, empresta sua potente corda vocal para diversas músicas que ouvimos ao longo do filme. Aqui no Brasil, poucas cópias com dublagem original devem chegar nas salas de cinema mas isso não deve ser muito problema pois nossos dubladores são excepcionais e raramente deixam a desejar quando falamos em animações.

Resumindo, os méritos do filme ficam destacados desde os primeiros minutos. Sempre objetivo e empolgando o público com personagens extremamente simpáticos, Cada um na Sua Casa é uma daquelas animações que possuem um potencial enorme para virar um destaque do ano, assim como foi Frozen, anos atrás. 

Crítica do filme: 'Cada um na sua Casa'

Dirigido pela dupla de cineastas Glenn Ficarra e John Requa, o novo trabalho do ator brasileiro Rodrigo Santoro em Hollywood, Golpe Duplo,  é um longa-metragem recheado de clichês que fala basicamente sobre o mundo da malandragem. Estrelado pelo norte-americano Will Smith e com a nova musa do cinema norte-americano Margot Robbie no elenco, o filme não acrescenta e praticamente replica ideias de outros filmes do gênero, como os quase homônimos Vigaristas de Rian Johnson e Os Vigaristas de Ridley Scott. Haja pipoca para aturar tanto clichê.

Na trama, conhecemos Nicky (Will Smith) um empreendedor do ramo da malandragem que durante certos períodos do ano, reúne uma equipe de trambiqueiros em algum lugar dos Estados Unidos e juntos aplicam golpes de médio porte. Para se juntar a sua equipe e um novo trabalho, Nicky vai atrás de Jess (Margot Robbie) e a seleciona para o novo golpe. Quando acaba o trabalho, Nicky e Jess estão envolvidos (sentimentalmente falando) e o primeiro resolve ir embora e não viver esse amor. Passam-se três anos e o destino coloca novamente os dois apaixonados frente a frente em um novo trabalho.

O que mais incomoda nesse chatinho trabalho é que nenhuma nova ideia, algum elemento diferente, é arriscado pelas mãos que assinam o roteiro. Assim, o filme acaba se parecendo com muitos outros que falam sobre o universo da malandragem. Nada é muito surpreendente e o único lapso de suspiro é quando entra em cena o ótimo Adrian Martinez com seu personagem hilário mas totalmente deixado de lado pela história.

Estimado em 50 Milhões de dólares, Golpe Duplo, conta ainda com a participação de Rodrigo Santoro. O ator brasileiro interpreta um vilão de fala complicada que aparece quase no fim da história e não acrescenta muita coisa. É o tipo de papel que qualquer ator poderia ter feito. Santoro é um bom ator e merece um papel de mais destaque em um próximo trabalho na terra do Tio Sam.


Resumindo, Golpe Duplo, estreia em uma semana complicada, onde ótimos filmes nasceram no circuito nacional, como: Para Sempre Alice, Blind, O Amor é Estranho, Dois Lados do Amor.  Não chega a ser um dos piores filmes do ano, mas é aquele tipo de filme que esquecemos rapidamente depois de conferirmos.

Crítica do filme: 'Golpe Duplo'

A vingança procede sempre da fraqueza da alma, que não é capaz de suportar as injúrias. Dirigido pelo espetacular diretor norueguês Hans Petter Moland, cineasta que comandou um dos filmes mais lindos dos anos 2000 (chamado Uma Vida Nova, em 2004), a fita norueguesa  O Cidadão do Ano conta com um excêntrico vilão, personagens envolventes, roteiro afiado, que deixam o nível de adrenalina lá em cima a cada nova sequência. É um filme violento que, antes de mais nada, mostra a dor de um pai e o incansável e ilimitado limite que o mesmo extrapola para vingar a morte de seu único filho.

Na trama, conhecemos Nils (Stellan Skarsgård), um homem de meia idade, bom trabalhador, honrado cidadão, que ganha a vida limpando a neve por meio de sua empresa familiar. Tudo ia bem em sua pacata vida até que uma tragédia acontece, seu único filho é encontrado morto. Não querendo acreditar nas causas ditas pelas autoridades sobre o falecimento, e afastando-se cada vez mais de sua mulher, resolve ir investigar por conta própria e acaba resolvendo combater uma poderosa gangue que domina a região faz anos. Assim, embarcamos no terrível universo da vingança.

O filme detalha muito bem a rotina de uma organização crimonosa, sabemos detalhes sobre o dia a dia dos personagens, o que ajuda muito na hora de entendermos as ações que eles tomam ao longo da projeção. Há uma certa intolerância estúpida acoplada a uma falta de senso de justiça percorrendo todos os minutos deste belo trabalho. Além do ótimo roteiro e da direção quase impecável de Hans Petter Moland, O Cidadão do Ano é um desfile de ótimos atores. Destaque para o protagonista, interpretado pelo sempre competente Stellan Skarsgård e também para a participação especial do eterno Bruno Ganz.

O grande clímax do filme é o conflito pessoal que o personagem principal passa na hora de tomar as atitudes que necessita para consolidar seu plano de vingança. Sem saber direito como proceder em meio a uma guerra iniciada por ele mesmo, o protagonista abusa da arte do ‘achismo’ e sê vê posto em situações de extremo desconforto. A câmera de Moland escancara uma verdade tão nítida que os nossos olhos às vezes teimam em não acreditar. Com ou sem lição de moral em seu desfecho, semi-aberto e interpretativo O Cidadão do Ano cumpre seu papel e se coloca com uma das melhores estréias européias que veremos em nossos cinemas neste ano.

Crítica do filme: 'O Cidadão do Ano'


Seja qual for o relacionamento que você atraiu para dentro de sua vida, numa determinada época, ele foi aquilo de que você precisava naquele momento. Ganhador do prêmio do Júri no mundialmente consagrado Festival de Sundance, chega ao Brasil no próximo dia 12 de março a excelente comédia Happy, Happy. Exibido no Festival do Rio anos atrás, essa pérola norueguesa é um longa-metragem que vai conquistar plateias de todo o Brasil, muito por conta da excelente direção de Anne Sewitsky e da ótima atuação de sua protagonista, interpretada pela ótima atriz Agnes Kittelsen.

Na trama, conhecemos Kaja (Agnes Kittelsen), uma mulher de meia idade que vive uma pacata vida ao lado da família em uma região onde prepondera a neve. Sem muitas expectativas em relação a sua vida, vive integralmente sendo dona de casa, dando carinho e atenção ao marido e para o único filho. Certo dia, um casal de novos vizinhos chegam para morarem na casa ao lado da de Kaja e sua vida começa a mudar, principalmente quando ela se apaixona pelo marido de sua nova vizinha.

Happy, Happy fala sobre diversos assuntos importantes como o relacionamento familiar, o preconceito e principalmente sobre como sempre achamos que nossas vidas são menos felizes que as das outras pessoas. O choque de realidade que vive a protagonista a leva a um movimento de auto conscientização principalmente quando percebe que nenhuma família é perfeita e que todos nós temos nossos problemas.


A maturidade que a protagonista desenvolve ao longo dos modestos 85 minutos de fita é algo a se destacar. Impressiona o desenvolvimento da mesma durante todo o ciclo do filme, que foi o indicado da Noruega ao Oscar anos atrás. Kaja começa como uma simples dona de casa, terrivelmente bobinha, que aos poucos vai começando a sair para a vida e se redescobrir, sempre com muito humor. O público fica espantando (no bom sentido) com tamanha simpatia em cada gesto, cada pensamento e cada palavra que a personagem principal executa. Os ótimos coadjuvantes, cada um com sua história, também ajudam muito a contar essa bela história. Esse, sem dúvidas, é um filme que você não pode perder.

Crítica do filme: 'Happy, Happy'