O morno encontro de Superman e McClane à procura do oitavo passageiro

O novo filme de ação “The Cold Light of Day” tinha a possibilidade de encontrar um lugar ao sol cinéfilo em um ano de poucos bons filmes de ação, porém, o resultado não bem o que os amantes da sétima arte esperavam. Dirigido pelo cineasta Mabrouk El Mechri a trama é recheada de clichês que se amontoam na tela como se fossem abelhas à procura de mel. Não há entrosamento entre o elenco, as cenas de discussão familiar são frias e parecem extremamente forçadas. A câmera fica mais preocupada em pegar as marcas famosas que desfilam ao longo do filme do que imagens qualificando aquelas sequências. Somos guiados em um enredo que tem muita correria e pouca história.

Na trama, somos rapidamente apresentados a Will, um homem que chega à Espanha para reencontrar a família para uma espécie de reunião familiar forçada. Totalmente incomodado por estar ali (percebemos a falta de harmonia com seu pai), e o desejo de voltar para a cidade onde trabalha para resolver problemas urgentes de sua pequena empresa à beira da falência deixam o clima da reunião muito abalado. Porém, após uma ‘ancorada’ em um paraíso tropical, Will vai até a costa dar uma caminhada só que quando volta o barco de sua família desaparece e ele terá que correr contra o tempo para descobrir o que aconteceu com eles.

Esse é o último filme antes de Henry Cavill virar o Superman (produção que será lançada em 2013 e terá a direção de Zack Snyder). Preocupa, mais uma vez a atuação dele (como já vimos em ‘Imortais’). Será que ele dará conta de interpretar um personagem que precisa de um protagonista influente para apagar de vez todos os erros de outras franquias do homem de aço? Não sabemos, só podemos torcer para que ele virar um bom ator rapidamente.

A personagem de Sigourney Weaver é uma confusão só. Completamente insana e de atos muito duvidáveis, tem uns trejeitos esquisitos, volta e meia temos a sensação de que a mesma está à caça do oitavo passageiro. Um dos piores papéis que a veterana artista nova-iorquina já viveu no cinema. Bruce Willis não interpretou Martin Shaw, ele interpretou John McClane. Somente isso falarei sobre a atuação terrível desse grande astro hollywoodiano.

Um filme onde nada se encontra. O espectador se sente brincando de pique-esconde correndo como louco atrás de alguma sustentação para tentar entender a loucura da história. Terrível, um dos piores filmes do ano. Alô framboesa de ouro! 

Crítica do filme: 'The Cold Light of Day'


Preferível dormir em casa do que na sala de cinema.  

Baseado na obra de Deborah Moggach (que escreveu o roteiro do sucesso "Orgulho e Preconceito") chegou aos cinemas em 2012, brevemente aliás, o novo filme do inglês John Madden, “O Exótico Hotel Marigold”. Nesse drama com pitadas bem sutis de comédia, a narrativa e sua lentidão deixam o público em estado sonâmbulo, louco para tirar aquele breve cochilo. A fórmula não dá certo.

Na trama, um grupo de idosos britânicos (alguns aposentados) resolvem viajar para a Índia para passar um tempo. Chegando na terra dos incensos, se hospedam no Hotel Marigold, administrado por um jovem simpático. Aos poucos histórias se cruzam e cada um dos personagens começa a ver a vida de uma nova maneira. São muitos personagens: tem uma velhinha deveras chata e preconceituosa que viaja para fazer uma cirurgia, uma recém viúva que tenta aprender sobre tecnologia (tem até um blog) e vive tentando fugir da realidade onde seu marido falecido deixou-a com uma grande dívida, um senhor de alta idade que tenta achar uma companheira mais jovem, ou necessariamente uma pessoa que lhe faça companhia nas estradas da vida, um jurista de alto cargo que resolve largar tudo e ir para índia, além de um casal que não se aceita mais como marido e mulher (implicâncias rolam soltas de ambos os lados).

A terra dos incensos vira um lugar de descobertas e muitas aventuras desse grupo já na terceira idade. Pratos exóticos, choque cultural, um mundo novo, completamente diferente. O desafio é enfrentar e tentar uma ‘nova vida’ nessa terra populosa e diferente do que eles estão acostumados. O problema é que o filme te leva ao sono facilmente, algumas partes agradam mas como um todo não cria elos com o espectador. É muita história, a maioria desinteressante, ao longo da inacabável fita. Falta um pouco de profundidade em muitos dos personagens presentes em cena, o roteiro não consegue ter méritos de amarrar bem a história.  Não há lições de vida, atores se esforçam mas seus personagens são chatos e não conseguem prender a atenção (o que é fundamental em filmes longos).

Em um ano de tantos filmes bons que passam a cada semana no circuito brasileiro, esse chega a ser cravado como uma das grandes decepções do ano. Preferível dormir em casa do que na sala de cinema. 

Crítica do filme: 'O Exótico Hotel Marigold'


Um filme inteligente que não surgiu para ser ‘mainstream’

O nova-iorquino Kenneth Lonergan (que dirigiu o ótimo “Conte Comigo”) consegue em um longo filme narrar com muita inteligência as atitudes de uma adolescente em crise após um determinado acidente.  O longa tem cenas dramáticas, fortes e sensíveis ao mesmo tempo que preza pelo lado humano, em meio ao caos emocional instaurado.  O desfile de rostos famosos que aparecem ao longo da trama, cada um com seu pequeno papel, ajudam e muito a construir essa ótima história.

Na trama, conhecemos Lisa Cohen (interpretada muito bem pela mais jovem ganhadora do Oscar Anna Paquin) uma jovem com graves problemas de diálogos com sua mãe que acaba em um certo dia testemunha de um acidente fatal de ônibus. Após esse dia, a troca pela culpa é a nova caminhada que a jovem percorre, para tal, conhecemos aos poucos novos rostos que ajudam a adolescente a definir o tamanho da parcela de sua culpa nesse acidente.

O papel da mãe é muito definido (fabuloso trabalho da atriz americana J. Smith-Cameron). Solteira, atriz veterana dos palcos, leva uma vida de artista e quando volta para casa não consegue se entender com a filha. As duas estão passando por uma fase complicada, o que de fato atrapalha muito essa relação. A decadência das escolhas da protagonista começam após um grave acidente onde a mesma tem uma grande parcela de culpa. Discussões fervorosas com sua mãe e seus amigos na escola mostram o descontrole que paira nessa adolescente completamente em crise emocional.

O ponto negativo da fita vai para o sua duração. Muito longo, por mais que não possamos dizer que conta com demasiadas cenas desnecessárias. Não existe o famoso ‘encher lingüiça’ mas o tempo poderia ter menor.  

O cinéfilo mais atento e fã de David Lynch ficará surpreso: Laura Palmer aparece de relance um uma cena, reparem só!

Aulas de história, sociologia e literatura levantam questões importantes oriundas das dúvidas das jovens mentes. Vale a pena conferir e indicar se gostar. Um filme inteligente que não surgiu para ser ‘mainstream’ e agrada muito o público cinéfilo.

Crítica do filme: 'Margaret'


O novo e futurístico filme do californiano Len Wiseman (diretor do filme "Duro de Matar 4.0" e de dois filmes da saga "Anjos da Noite") trás tatuagens neon, mãos-telefone, arma Beto Carrero (uma pistola que dispara laços magnéticos), carrinhos do Speed Racer, a volta dos três peitos e uma dinâmica de videogame, fazendo com que parte do público (talvez mais o segmento ‘Nerd’) se aproxime da trama aguardando os novos movimentos do “jogador”. As mentirinhas que vemos ao longo da história (que são como abelhas à procura de mel), não atrapalham a diversão do espectador.

Na trama conhecemos Douglas Quaid, um operário de uma fábrica que tem sérios problemas para dormir. Um dia, impulsionado pelas palavras de um conhecido, resolve ir até uma empresa que oferece implantes de memórias falsas de uma futura e improvável vida (uma espécie de Brilho eterno de uma mente ‘com’ lembranças). Porém, durante o experimento algo dá errado e ele começa a ser perseguido e deduzir que não é quem imagina. Assim, descobertas e mais descobertas dão ritmo à esse eletrizante filme de ação.

As cenas de luta são muito bem feitas e filmadas, adrenalina à flor da pele principalmente na cena “Sr e Sra. Smith”/ “Dormindo com o Inimigo”. O diretor tem experiência com filmes de ação, o que provavelmente ajudou no processo construtivo de cada sequencia. O único personagem que foge um pouco da compreensível realidade é Lori Quaid (interpretada pela bela artista Kate Beckinsale), às vezes paranóica leva a sério uma obsessão de uma falsa casada provavelmente treinada pelo Jet Li.

Falando sobre mais personagens, Colin Farrell interpreta o protagonista e tenta passar um ar de surpreso com seu confuso personagem. Tem química na jogada chama o Bryan Cranston. O veterano ator californiano (que interpreta o químico Walter White no mega sucesso da televisão “Breaking Bad”) faz o vilão da trama que parece conhecer muito mais do personagem principal do que o mesmo.

O Vingador do Futuro (2012) é um grande pipocão sem muitas pretensões de ser bem aceito por todos, somente vem com a proposta de ser melhor que a primeira versão.  

Crítica do filme: 'O Vingador do Futuro (2012)'


De Bon Jovi à boy band, um excelente musical com atuação de gala do Tom Cruise de Notre Dame

Comandado pelo cineasta californiano Adam Shankman (que dirigiu filmes como "Um Amor Para Recordar" e "Hairspray - Em Busca da Fama"), “Rock of Ages” é um grande e envolvente concerto cinematográfico. O ‘coral do buzão’ dá início ao aguardado musical que entre muitas histórias temos um escravo do rock em busca de uma canção perfeita e um casal que leva o amor que sentem para cima do palco e expressam isso em forma de canções. O longa é sutil e de apelo popular para mostrar a transformação da indústria fonográfica (e ao mesmo tempo fazer uma crítica à mesma). Às vezes sentimos muita cantoria e pouca história mas nada de muito grave que atrapalhe a diversão do espectador.

No filme, conhecemos Sherrie e sua botinha country, uma jovem que parte de sua cidade de poucos habitantes para uma badalada e grande metrópole que respira rock and roll. Lá se apaixona, conhece o glamour, o mundo das celebridades musicais e o maior ícone do segmento, um rockeiro que adora beber e seduzir as mulheres. Durante o filme o público fica entusiasmado pela excelente trilha sonora que acompanha o longa. Entre tantas ótimas execuções sonoras, quem vos escreve elege a versão de “More Than Words” do Extreme como a campeã, ficou excelente. Ainda falando sobre a trilha, a música de abertura parece com algumas canções de outro musical de sucesso, “Hairspray”.

Esse amor Rock and Roll é composto por excelentes personagens interpretados por nomes conhecidos que contribuem, cada um deles, para o sucesso do filme. Julianne Hough é uma ótima surpresa, canta muito bem, interpreta com simplicidade e com uma espontaneidade que tornam sua personagem muito carismática aos olhos do público.  Catherine Zeta-Jones e sua caricata personagem (Patricia Whitmore) contornam bem o lado dos vilões que possuem o simples objetivo de terminar com a alegria dos roqueiros. Russell Brand e seu cabelo ‘Restart’ tem maravilhosas sacadas e fazem o público gargalhar em vários momentos, faz ótima dupla com Alec Baldwin. Esse último, e seu inseparável casaco de felino, dá um ótimo ritmo para toda a trama que acaba passando ao redor de seu personagem (dono do estabelecimento onde os shows acontecem). Tom Cruise dá vida à Stacee Jaxx. Com muita segurança e loucura, seu personagem vira, logo que aparece pela primeira vez, o preferido de todos. Cheio de anéis, óculos chamativos, uma corcunda proposital e com Hey Man como escudeiro, Cruise consegue divertir muito a plateia. Um ótimo trabalho desse consagrado e muitas vezes criticado artista americano.

Falando sobre uma curiosidade, impressionante como a repórter da Rolling Stones, papel de Malin Akerman, é parecida com Nicole Kidman no longa “Dias de Trovão”. As sátiras que volta e meia aparecem na trama, animam a plateia. As críticas feitas pelo filme, são leves, inteligentes e implementadas de forma sutil o que aproximam sempre os olhos cinéfilos da telona. A sequência da ‘Boy Band’ é sensacional!

É um show? É um filme? Não importa como você define esse trabalho, o certo mesmo é você não deixar de conferir essa ótima diversão!

Crítica do filme: 'Rock of Ages'


...O velho bacon, os velhos ovos com a gema dura, o talento de sempre de uma dupla que enche  sessões desde sempre...

O novo trabalho do diretor nova-iorquinho David Frankel não era fácil, dirigir na telona dois grandes atores que só por constarem no elenco de um filme já geram expectativa. Para a alegria dos cinéfilos, o cineasta que dirigiu, entre outros filmes, "Diabo Veste Prada" e "Marley & Eu" consegue fazer um filme maduro, como os personagens que estão no epicentro de uma crise no seu casamento. Com o lema “Mesmo bons casamentos tem anos ruins”, “Um Divã para Dois” é uma comédia com pitadas de drama que agrada de uma maneira geral, pena que a trilha sonora não encaixa com o filme. Uma grande decepção nesse aspecto.

Na trama, um casal já na flor da terceira idade enfrenta uma crise intensa em seu relacionamento. Para tentar fugir da mesmice procuram se entender em algumas sessões de aconselhamento de casais, sob o comando de um médico experiente no assunto. A lembrança de momentos vivos na vida daquele casal reacende a chama que não mais existia. O pedido de casamento com direito a anel no pão doce, noites inesquecíveis, viagens memoráveis, todas essas situações despertam novamente aquele sentimento que estava guardado dentro daquele casamento de 31 anos.

É um filme maduro como os personagens. Interpretar um mal-humorado rabugento é com o Tommy Lee Jones, impressionante como está na sua essência (assim como o Sean Bean para interpretar reis em histórias medievais). O ganhador do Oscar chega a rouba a cena em alguns momentos, excelente atuação. Seu personagem Arnold é rabugento, mão de vaca que curte golf e há tempos que não abraça sua mulher, entra em um processo de grande transformação ao longo do filme. Sua mulher, Kay, é interpretada pela grande rainha dos cinéfilos. O jeito de falar, o encaixe nos trejeitos, Meryl Streep consegue, como poucas, fazer qualquer papel muito bem, é impressionante. Interpretando o doutor especialista em recuperar casamento, temos o comediante Steve Carell. Em alguns momentos, é engraçado ver o Steve sério, ser cômico está em sua essência.

O filme tem seus méritos por falar de sexo na terceira idade sem ser vulgar. Méritos do roteiro de Vanessa Taylor (que já escreveu episódios de seriados como "Game of Thrones" e "Everwood"), aproxima o público, de todas as idades, da história facilmente com diálogos leves e descontraídos. O velho bacon, os velhos ovos com a gema dura, o talento de sempre de uma dupla que enche  sessões desde sempre. Uma ótima diversão, lotem as salas de cinema!

Crítica do filme: "Um Divã para Dois"


A jovem atriz espanhola Astrid Bergès-Frisbey esteve no Brasil na última semana para apresentar seu novo trabalho, “A Filha do Pai”. O filme, dirigido pelo talentoso Daniel Auteuil, é um dos destaques do excelente Festival Varilux de Cinema Francês que ocorre em algumas cidades do nosso país. No Rio de Janeiro, o público teve a oportunidade de conversar com alguns atores e diretores convidados sempre ao fim de determinadas sessões. Assim, ao término do maravilhoso “A Filha do Pai”, o jornalista Raphael Camacho teve a sorte de conferir um bate-papo bem rápido entre a atriz e o público. Confira abaixo algumas das questões abordadas por esse jovem talento do cinema europeu:


Astrid iniciou a conversa com o público falando do diretor Daniel Auteuil

Estou muito emocionada de estar aqui. O Daniel Auteuil gostaria muito de estar aqui também mas depois contarei tudo a ele. Eu queria contar a vocês que eu e Daniel gostamos de entrar nas salas onde o filme tem passado nos festivais e perceber a reação do público. A história é muito bem recebida aqui no Brasil e onde o filme está passando.”


Após esse breve contato com o público, respondeu simpaticamente algumas perguntas feitas pela plateia:


1)      O bebê do filme é seu?
 Astrid Bergès-Frisbey: Não. O bebê é do Daniel (diretor do filme).

2)      Porque o Daniel escolheu fazer esse filme?
Astrid Bergès-Frisbey: Ele gosta da obra de Pagnol (Marcel), ele queria fazer um outro filme mas a família do Marcel sugeriu ele fazer esse já que havia alguns problemas para conseguir os direitos para fazer o outro que ele queria.

3)      Quanto tempo duraram as filmagens?
Astrid Bergès-Frisbey: Cerca de 8 semanas, mas o filme como um todo (montagens, edições) quase 1 ano.

4)      Em qual região foi rodado o filme?
Astrid Bergès-Frisbey: Na região de Provença, no sul. O Daniel conhecia bem a região, ele frequentava durante a adolescência.  

5)      Quantos filmes você já fez na carreira?
Astrid Bergès-Frisbey: Em torno de 5 ou 6, a minha carreira começou em 2006.

6)      Qual a cena foi a mais importante para você?
Astrid Bergès-Frisbey: Todas as cenas foram importantes, todas exigiram muito na hora de serem filmadas. Eu tive um pouco de receio em uma cena já na segunda metade do filme quando a minha personagem já é mãe. É aquela cena quando ela está colocando a gravata no pai. Aquela cena foi a primeira que filmei mas ela só aparece na segunda metade do filme.

7)      Aonde sua personagem colocou a raiva que havia dentro dela? Comente um pouco a questão de abandono e a relação dela com o pai.
Astrid Bergès-Frisbey: A Patricia (sua personagem) tem essa dupla relação de abandono, mas ela teve a experiência de ser levada por uma senhora mais jovem para paris. Na verdade, ela tem essa dualidade quando ela volta para assumir o papel da mãe, ela ao mesmo tempo tem maturidade e inocência. Ela aceita a questão de ser pobre, no fundo ela sabe que o destino dela realmente será viver com alguém de condições iguais. Ela toma as decisões, de pular da motocicleta, de atravessar o rio e de ir ao show aéreo, tudo para fica em evidência ao grande amor. No final do filme ela quer que seja por amor o grande pedido, o que é muito moderno para a época da história. 

Bate-Papo com a atriz Astrid Bergès-Frisbey


“O Sonho de um amor, um amor que dure para sempre”. 

A beleza das sequencias iniciais acoplada a uma belíssima trilha de Alexandre Desplat ao fundo já enche o espectador de entusiasmo para conferir o primeiro filme do argelino Daniel Auteuil como diretor, “A Filha do Pai”.  Com ótimos diálogos, personagens cativantes, o longa conquista o público de maneira instantânea. Há risadas e mais risadas do público que se diverte muito ao longo da fita. Mas o filme não é apenas cômico, tem a essência voltada ao drama da protagonista por isso também comove e deixa a plateia com um prato cheio para se emocionar também.

A trama, que tem o roteiro baseado em um livro de Marcel Pagnol, conta a história de Patricia, filha do poceiro Pascal que engravida do jovem piloto de avião Jacques Mazel, que desaparece dias depois, pois, seu avião fora abatido na guerra. Após saber da notícia da gravidez, Patricia é expulsa de casa pelo pai e seus sogros se recusam a reconhecer a criança. Após alguns meses, alguns reencontros e tentativas de perdão tomaram conta do filme até o seu desfecho muito bonito.

A delicadeza e a ingenuidade da jovem protagonista (interpretada pela bela Astrid Bergès-Frisbey) entram em conflito com a maturidade que há dentro da mesma. É um embate injusto: a guerra entre os homens separam a jovem de seu primeiro e grande amor, seu pai que tanto ama a expulsa de casa e seus sogros não reconhecem seu primeiro filho. O longa prova uma grande lição de moral em relação a muitos aspectos.

Daniel Auteuil está impecável na pele do pai, poceiro, machista que toma decisões precipitadas e se arrepende magistralmente de todas elas. Os críticos do mundo todo devem estar loucos de alegria, entramos para conferir o primeiro filme de Daniel e saímos com uma direção excelente e mais uma atuação de gala desse astro do cinema mundial.

O amor entre os corpos não precisa ser exposto na tela, precisa ser sentido. O filme fica muito mais bonito da maneira trivial que fora feito. Daniel Auteuil, tem muitos méritos, e consegue deixar o filme acessível a todas as idades. E falando de interação com o espectador, o personagem Felipe é ótimo. Méritos para o ótimo artista argelino Kad Merad.  Muito da trama passa aos olhos carismáticos desse ilustre personagem. Divertido e emocionante merece muitos prêmios por esse papel, o grande coadjuvante do ano até agora.

São minutos que os cinéfilos pedem para serem meses. Um filme maravilhoso, um dos melhores do ano, sem dúvida! Bravo! Merci Daniel!

Crítica do filme: 'A Filha do Pai'


Na tarde da última quarta-feira (15), em um hotel situado na orla da zona sul carioca, o diretor Fernando Meirelles e a atriz Maria Flor receberam a imprensa para falar sobre o filme “360”. A produção parte da questão existencial, “pessoas e seus problemas”, para contar uma história (baseada na obra de Arthur Schnitzler) com gente de todas as partes do mundo que traem, se apaixonam e buscam um novo rumo para a tristeza do presente, em suas vidas. O longa vem  recebendo fortes críticas da imprensa estrangeira, fato que fora citado nessa entrevista bem objetiva onde Meireles e Maria Flor procuraram responder a todas as perguntas feitas pelos jornalistas presentes.



1)      Como foi gravar com atores de várias nacionalidades diferentes? Quais as dificuldades?

Fernando Meirelles: Na verdade inglês, francês e português eu falei com quase todo mundo, só com o ator russo que falava um inglês muito pobre, ele até falava um pouquinho, não dava pra se comunicar realmente, então, depois do segundo dia de filmagem nós chamamos uma intérprete. Mas com os outros, ou falava francês ou inglês. É impressionante como interpretação não é mesmo sobre o sentido das palavras, você sente o tom, o olhar, como o cara se coloca, é possivelmente dirigir em chinês. Eu depois dessa experiência me sentiria confortável em fazer um filme inteirinho em chinês.


2)      Como foram as cenas com o Ben Foster? Como foi contracenar com esse ator?

Maria Flor: O Fernando propôs um encontro, como eu não conhecia os atores, nós íamos fazer uma leitura simples. O Ben Foster não quis me encontrar porque ele achava que como as nossas personagens não se conheciam a gente podia aproveitar isso pra cena e aí se encontrar em cena mesmo. Ele é um ator que fica no personagem o tempo inteiro, ele é muito intenso e no começo eu fiquei um pouco surpresa de ele não querer nem ler o texto mas depois eu embarquei na onda e acho que ele trouxe uma ótima proposta, a cena tem um pouco de nervosismo e eletricidade do momento. A gente só se olhou, se falou no set, no ‘ação’, como personagem. A cena captou isso, foi bom.



3)      Como surgiu o interesse pelo projeto?

Fernando Meirelles: Essa peça é uma obra do Schnitzler (Arthur). Foi só um gatilho inicial para o projeto, o filme é muito diferente da peça na verdade. Esse roteiro foi escrito pelo Peter Morgan que escreveu “A Rainha” e ele queria fazer um filme que parecesse um pouco com a vida dele, ele mora em Vienna, está sempre em Londres e nos EUA, está sempre voando. Então muitos aeroportos, muitas conexões, muitos hotéis genéricos. Ele tem essa sensação que o mundo é muito pequeno. Como eram 100 anos da morte do Schnitzler alguém propôs ele fazer a adaptação de alguma peça, assim ele juntou uma coisa com a outra. O que tem da peça é só o começo que começam com uma prostituta e acabam em Vienna, mas fora isso, são histórias diferentes. Meu interesse no projeto foi primeiro que na hora eu recebi o roteiro eu vi o nome do Peter Morgan. Ele é muito bom diálogos, ele é muito bom de construir situação. Outra coisa que gostei do filme é porque era muto arriscado e eu sabia que era, o fato de não ser uma história clássica em três atos onde você segue os personagens, uma estrutura diferente. Sou muito fã do Robert Altman que faz esses filmes corais. Outra coisa, o filme não tem antagonista e não tem protagonista. O protagonista está dentro de cada um dos personagens. É um filme maduro, é um conflito interno que ocorre.


4)      Alguns personagens aparecem mais que outros. Como foi essa construção dos personagens?

Fernando Meirelles: O filme está muito parecido com o roteiro. A gente tirou uma ou outra coisa. Tem um personagem que sumiu um pouco, eu achei uma pena mas é que realmente não tinha tempo. É aquela psicóloga do Ben Foster,  na cadeia, aquela atriz é incrível ela já ganhou o Oscar de melhor atriz por “Segredos e Mentiras” do Mike Leigh. Eu a chamei porque o personagem dela era maior, ela tinha uma namorada tinha uma historinha ali. Nessa personagem a gente deu uma enxugada, infelizmente. Os outros não, eram como no roteiro. No filme, quem tinha mais diárias de filmagens acho que foi a Flor mesmo, tem mais tempo. 

5)      O roteirista do filme, Peter Morgan, esteve muito presente na criação do filme. Como foi essa relação com o famoso roteirista?

Fernando Meirelles: Foi uma maravilha. Como esse era um projeto muito dele, o Peter não foi contratado para escrever essa história, ele escreveu e virou a história mais pessoal que ele já fez na vida. Quando eu encontrei com ele, de cara percebi a paixão dele, esse é um cara que merece crédito e pessoalmente é uma pessoa bem humorada e tem uma energia boa pra caramba. Até falei que não ia fazer o meu filme, ia fazer o nosso filme, cheguei até a propor aos produtores de assinarmos um filme ‘by Peter e Fernando’ aí os produtores acharam que isso não era muito usual e a gente não assinou assim. Quando a gente estava montando o filme, fazíamos um ‘skype’ para mostrar a ele como foram as filmagens naquele dia. Eu tenho certeza que vamos trabalhar juntos de novo. Ele terminou um filme agora a pouco sobre o Nick Lauda (“Rush”) esse ele queria muito que eu fizesse. 

6)      Como foi trabalhar com Anthony Hopkins?

Fernando Meirelles: O Hopkins é uma maravilha. É um cara que está de bem com a vida. Ele não precisa mais provar nada a ninguém, fez tudo o que tinha que fazer não reclama de nada. É ótimo trabalhar com um cara tão positivo, tão generoso. No nosso primeiro encontro eu já senti isso.



Esse novo trabalho do diretor paulista, famoso a partir do clássico nacional “Cidade de Deus”, estreia nesta sexta-feira (17) nas salas de cinema de todo o Brasil. Não perca essa chance de assistir a mais um filme de Meirelles nos cinemas!  

Fernando Meirelles e a atriz Maria Flor recebem a imprensa para falar sobre o filme “360”

(Reprodução)
‘filme miojo’: enroladinho com tempero fabricado 

Pessoas e seus problemas. “360” parte dessa questão existencial para contar uma história (baseada na obra de Arthur Schnitzler) com gente de todas as partes do mundo que traem, se apaixonam e buscam um novo rumo para a tristeza do presente, em suas vidas. O novo trabalho do diretor brasileiro Fernando Meirelles é um drama composto por elementos que na somatória da equação não consegue pontuação nem para ir pra recuperação. É o típico ‘filme miojo’: enroladinho com tempero fabricado. Falta carisma aos personagens, o público tentará se conectar com algumas das histórias mas será uma tarefa complicada.

Na trama, conhecemos muitas pessoas, de muitos lugares do planeta, e suas histórias que em alguns casos, se cruzam.  Histórias de muitos, sentimentos de todos. Assim poderíamos definir bem todo o caminho de um transferidor até a marca máxima, o limite de 360 graus. É o empresário que está em crise no casamento, uma mulher elegante que trai o marido com um fotógrafo brasileiro, uma jovem que tenta a vida em caminhos que levam à prostituição, um homem apaixonado que enfrenta o desafio de amar uma mulher casada, uma brasileira recém traída que tenta voltar ao Brasil, um senhor que viaja para reconhecer (ou não) o corpo de sua filha desaparecida e acaba sendo tocado pelo jeito alegre de uma brasileira e um ex-presidiário que tenta a todo custo segurar seus desejos.

Americanizar sequencias que tinham outra naturalidade vira quase um objetivo, o que nos leva a uma história sem alma, com muitos idiomas e em muitas partes, forçadas. Mesmo com as presenças sempre interessantes de Rachel Weisz (que já trabalhara com Fernando Meirelles em outro filme), Ben Foster (que fez o ótimo “O Mensageiro”) e Anthony Hopkins, o filme não consegue subir todos os degraus que precisava para agradar os cinéfilos.

É disparado o pior trabalho de Meirelles no mundo do cinema. O paulistano que nos brindou com o maravilhoso “Cidade de Deus” e o interessante “Ensaio Sobre a Cegueira” não consegue repetir o bom trabalho que fizera nesses. A trama poderia ter sido melhor contada e apresentada ao público. O espectador é surpreendido por um vazio quando o filme acaba, fruto também do esquisito roteiro de Peter Morgan (lembrando que Peter tem grandes roteiros no currículo mas que nesse longa não consegue acertar).

Decepções à parte, sempre vale a pena conferir o filme e tirar suas próprias conclusões. A grande questão é que temos pouco tempo para entrar nas salas de cinema e dentre muitos filmes do circuito (que entrarão junto com ‘360’ na próxima sexta-feira (17/08)) esse não é nem a terceira melhor escolha, talvez a quarta.



Crítica do filme: '360'


O inglês Sacha Baron Cohen volta a aprontar no mundo do cinema. Dessa vez ele estrela “O Ditador” filme onde tenta repetir a fórmula que o levou ao estrelato, com “Borat”. Porém, a grande quantidade de ‘mais do mesmo’ contido nesse novo trabalho praticamente destrói qualquer tentativa de originalidade que antes costumava ser a marca desse ator/comediante bastante polêmico.

Na trama, somos apresentados a um governante, ditador, que adora viver do caos, mandado matar todos ao seu redor.  Até que um certo dia, após uma viagem, é traído pelos seus aliados e abandonado sem recursos (e sem barba) em uma cidade americana. Entrando em oposição ao modo americano de viver a vida e se apaixonando de surpresa, apronta muitas situações inusitadas interagindo com todos ao seu redor sempre de maneira desagradável e autoritária que faz parte de sua essência. O longa faz um contraponto à democracia e pode ser interpretado como uma crítica ao sistema mesmo que muitas bobeiras vistas em cenas queiram você pensar que o filme é desnecessário. É um típico caso cinéfilo do ‘ame’ ou ‘odeie’. Tem momentos cômicos mas as besteiras ultrapassam limites do razoável virando um trem de absurdos descontrolado.

O longa, que é dirigido pelo americano Larry Charles (que também dirigiu o horroroso “Bruno”), é uma grande decepção. Brinca quando não tem que brincar e fala sério de maneira debochada o que atrapalha no elo com espectador (por mais que essa seja a intenção). Sacha Baron Cohen deveria se preocupar menos com a necessidade de chocar e focar na profundidade dos personagens. Esses elementos e trejeitos que fogem do normal fazem parte de uma fórmula que não se renova, perdeu a graça.

Para você que curtiu “Borat” e detestou “Bruno” tire a prova real. Em vez de história, bobagens no fim do túnel. Pô, sempre mais do mesmo! 

Minha crítica do filme: 'O Ditador'


A culpa de um beijo transforma sofrimento em amor, modelado por uma das formas mais peculiares que seria possível. 

Dirigido pela dupla David Foenkinos, Stéphane FoenkinosA Delicadeza do Amor” chegou aos nossos cinemas no final de maio com o compromisso de manter a tradição de filmes água com açúcar que a França exporta aos montes durante todo o ano. Delicado como seu título, o filme consegue agradar todo tipo de público, por meio de canções, por rodadas de câmeras em 360 graus e diálogos muito bem construídos. O entrosamento em cena de François Damiens e Audrey Tautou é um ponto fundamental para que o carisma transborde na tela.

Na trama, conhecemos Nathalie uma mulher bonita no auge de sua vida que vive apaixonada por seu marido François. Um dia, após ir dar uma corrida na rua, François é ferido gravemente e um tempo depois falece, deixando Nathalie desesperada e sem rumo. Após 3 anos de luto, se dedicando fielmente ao novo emprego a protagonista é envolvida em um relacionamento com um sueco que trabalha na mesma empresa que ela. O amor em sua forma mais delicada e o sofrimento em sua forma mais profunda são elementos que se misturam nesse romance. Para embarcar e ser feliz nesse novo amor Markus precisará ter paciência e conhecer todo o sofrimento da bela jovem.

A personagem passa por todas as fases de indignação após o ocorrido. Rotinas são quebradas, objetos jogados fora, um sofrimento extremo toma conta desses momentos. Um recomeço? Sim, lá no fundo daquelas duas almas a busca é a mesma, de uma vida diferente agora um contando com o outro. A culpa de um beijo em delírio se transforma em uma relação amorosa cômica e deveras peculiar. O atrapalhado Markus, um sueco solteiro que se apaixona perdidamente por sua chefe. Tem cenas impagáveis ao lado de sua paixão: o envio de um ‘smile’ errado, uma procura por uma noite romântica perfeita pela internet são alguns exemplos do que esse simpático personagem apronta ao longo da história. Nathalie é bem diferente de seu par. Mulher forte, determinada, vive basicamente para trabalhar e aproveita pouco os prazeres da vida. O relacionamento complicado e esquisito lembra muito um filme, também francês, chamado “Românticos Anônimos”.

Gosta de rir e curte pitadas de emoção? Dê uma chance a esse filme francês que é água com açúcar mas agrada pelas situações e seus ótimos personagens. 

Crítica do filme: 'A Delicadeza do Amor'


Até onde o destino te dá uma segunda chance para apagar o passado e criar um novo futuro, a partir dos seus atos no presente? O novo longa nacional, “À Beira do Caminho”, lançado estrategicamente no fim de semana do Dia dos Pais, é um trabalho com emoção à flor da pele embutida na trajetória de um homem em busca de redenção e um menino à procura de seu pai. O filme faz questão de ser comovente, onde muitos dos méritos são oriundos da boa condução da fita pelo diretor Breno Silveira. Mesmo sendo muito longo e com algumas cenas desnecessárias, esconder a verdadeira história, por trás do passado do personagem principal, é uma sacada brilhante desse belo filme nacional.

Na trama, somos guiados pelas estradas da vida e lá conhecemos João, um homem pouco simpático que esconde dentro de si muitos erros, no seu passado triste. Um dia, após ouvir um barulho na traseira de seu caminhão, descobre um menino escondido. Menino esse que tem um único objetivo na vida: encontrar o pai que mora em São Paulo. No começo tudo é muito difícil na relação desses dois, porém, com o passar do tempo uma relação paternal de amizade vai nascendo, levando o experiente caminhoneiro a também busca um novo rumo para sua própria história.

O elenco consegue passar ao público muita verdade, emoção e comove em muitas sequências. João Miguel é um dos melhores atores que temos em nosso cinema. Isso, mais uma vez, fica claro nesse longa. Com um personagem amargurado pelo passado, rabugento por si só, totalmente sem rumo, consegue transbordar emoção ao público a cada nova cena. Seu personagem, também João, é emotivo quando tem que ser e rabugento pela essência. Difícil e excelente trabalho desse artista maravilhoso. Dira Paes ilumina quando em cena. Impressiona com a qualidade de veracidade que saem dos diálogos e expressões dessa linda paraense. Tem um papel complicado, porque muitas vezes não se encaixa com a trama, uma amante que faz parte de muitos momentos importantes da vida do personagem de João Miguel. Mas com um jeitinho que não sabemos explicar, Dira quase vira protagonista e dá mais um show em um filme nacional.

A idéia de usar pára-choques de caminhões para compor partes da trama, como se fossem uma espécie de divisão/partes, é simples e ao mesmo tempo se encaixou muito bem com o contexto. O roteiro (escrito por Patricia Andrade), que parece ser inspirado em letras e canções do rei Roberto Carlos, é objetivo e guarda muitas surpresas o que ajuda muito a ligação com espectador que não consegue desgrudar os olhos da telona, principalmente nos momentos mais profundos em emoção.

Quer se emocionar? Dê uma chance ao nosso cinema, filmes como esse você deve assistir.



Crítica do filme: 'À Beira do Caminho'

(Reprodução)

Corra Lola Corra, acaba logo esse filme por favor!

O que esperar de um filme que já aconteceu, só que em outra língua? Alguns diretores realmente conseguem algumas proezas que até o mais sensato cinéfilo duvida. A cineasta francesa Lisa Azuelos, em 2008, dirigiu o “Rindo à Toa” que tinha Sophie Marceau como grande destaque. O filme fez bastante sucesso, elogios de crítica e público, tudo o que um artista gosta de ouvir. Pois bem, quatro anos mais tarde, a mesma diretora resolve americanizar a historinha e o resultado? Clichês, personagens longe de terem carisma e uma trajetória de muito sono que os cinéfilos são convidados a caminhar a partir dessa sexta-feira (10/08) nos cinemas brasileiros.

Na trama, conhecemos o universo imaturo de Lola (Miley Cyrus) que vive no clímax de sua adolescência cercada de amigas e amigos. Indefinições amorosas, invejas estudantis, traições, amizades duvidosas, depilação brasileira (não entendeu? veja o filme), amizades coloridas, vício pela tecnologia de nossa era, tudo isso e mais um pouco é o que passa no dia a dia dessa jovem que só consegue buscar um conforto para suas indecisões no colo de sua mãe (interpretada por Demi Moore). Essa última, por sua vez, também vive uma vida complicada em suas idas e vindas com o ex-marido e o surgimento de um novo amor.

Sem entrar em uma profunda análise sobre o filme, principalmente pelo sono que atravessa aos olhos cinéfilos durante a projeção, podemos dizer que “Lola” (2012) é um forte candidato ao ‘Framboesa de Ouro’ do ano que vem.  Diálogos que beiram a nulidade, personagens que sumiram com o carisma que transbordavam nos artistas franceses quatro anos atrás, o ritmo acelerado completamente confuso que a trama segue, além de cenas desnecessárias deixam essa fita quase insuportável.

Em certos momentos parece que não estamos vendo um longa metragem e sim uma vitrine de shopping, mega merchandising, principalmente no começo do filme. Não que isso não ocorra em outras produções mas o exagero dessa ativação atrapalha a interação do público com o universo do filme.

Quando chegamos ao desfecho, as pernas se mexem nas cadeiras, loucas para irem embora dessa viagem aterrorizante. O imaginário cinéfilo não é fácil, logo pensa: Corra Lola Corra, acaba logo esse filme por favor!





Minha crítica do filme: 'Lola'

(reprodução)

"...nessa mesa de bar só faltava o Nicolas Cage!"

Com um roteiro de Marcelo Rubens Paiva e Lusa Silvestre, “E Aí... Comeu?” é a mais nova comédia nacional em nosso circuito de cinema. Comédia sim mas com um pezinho no drama o que chega até certo ponto a surpreender, porém, a mesmice toma conta da fita, deixando-a entediante, juntamente com o desespero dos minutos da projeção, que não acabam! Felipe Joffily (diretor do tenebroso “Muita Calma Nessa Hora”) mostra uma evolução atrás da câmeras mas ainda não disse ao que veio.

Na trama, somos guiados a um pequeno resumo sobre as vidas de cada um dos três amigos (personagens principais): um escritor rico, tarado, que pensa em suruba e sexo virtual quase que o tempo todo, adora mulheres casadas e possui diversas ‘namoradas’, uma dessas mulher da vida por quem desenvolve grande paixão, um outro acabou de se divorciar e vive no filme com um tom amargurado, tem uma vez que chega a sonhar acordado por conta de uma ninfeta ruim de roda que mora em seu prédio, e um último, jornalista revoltado com sua vida de casado e seu emprego entediante, vive à beira do divórcio. À noite, essas três almas se reúnem no bar onde jogam conversa fiada sobre, basicamente, um único assunto (99%, sexo).

O longa não se define no quesito gênero, o que poderia melhorar muito a fita. Às vezes é dramalhão, outras comédia, outras vezes nem uma coisa nem outra. Nos momentos dramáticos o filme tem boas cenas mas derrapa nos clichês parecendo ser vários filmes em um só. Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira e Emílio Orciollo Neto sustentam seus personagens em partes do filme, em outras parecem perdidos e acabam afundando junto com a história. Chega a ser desagradável em muitos momentos (mas longe de ter semelhanças com o terrível “Cilada.com”), incomodam a mesa ao lado, muitos dos que assistem e ficamos com medo de uma continuação algum dia.

Contrariando muito do que foi lido por esse jovem cinéfilo, o filme não é horroroso, é apenas ruim. Com um vai e vem em bate papos sexuais, conversas bem puxadas para o imaginário masculino, a fita cai em uma espécie de buraco de onde não consegue forças, principalmente pelos fracos diálogos quando o assunto não é sexo, para se livrar e atrair definitivamente a atenção do público.

Em seu desfecho, “E Aí...Comeu?” deixa uma questão no ar: nessa mesa de bar só faltava o Nicolas Cage!


Minha crítica do filme: 'E Aí... Comeu?'


Um filme surpreendente que fala sobre o amor de maneira não tão poética quanto vemos no mundo da sétima arte. A beleza do espetáculo cinematográfico passa pela boa atuação do triângulo amoroso que atrai o público com essa história envolvente que tem em sua linha temporal a grande chave para seu desfecho que promete arrasar corações. O roteiro de Matthew Chapman (ele também assina a direção do longa) é muito bem construído e faz com que o espectador não desgrude os olhos da telona. A tensão toma conta a cada minuto que passa e já não sabemos realmente o quê pode acontecer. O desfecho é interessante e surpreende, tentando fugir de qualquer clichê.

Na trama, um homem chamado Gavin Nichols está à beira do suicídio quando chega um policial (com muitos problemas também, na família) para tentar convencê-lo a não pular. Aos poucos, vamos ouvindo cada passo da história daquele homem e acontecimentos inesperados, sobre um triângulo amoroso conflituoso, envolvendo uma linda mulher e um fanático religioso que contornam aquele episódio.

Quando o fanatismo religioso toma conta do ambiente, todos os três personagens principais crescem. Tudo parece ficar muito bem alinhado, só tendo como suporte a história do policial (interpretado pelo ator Terrence Howard) que tenta convencer o suicida a não cometer o delito. A adrenalina aumenta de maneira inteligente deixando o público com os olhos fixados tentando deduzir o desfecho do drama.

O elenco ajuda muito para que o filme seja bom. Não é de hoje que Patrick Wilson vem sendo elogiado por suas atuações. O ator americano de filmes como: “Watchmen”, “Meninama.com”, “Pecados Íntimos” (e que mais recentemente virou protagonista de um seriado americano chamado ‘The Gift Men’) tem um papel importante na trama, conseguindo fazer com que o público entre na camada da tensão a cada ato de seu personagem, um religioso muito devoto que sempre entra em contraponto com a essência no seu relacionamento com a mulher, causando uma bifurcação de personalidades. Liv Tyler encontra o tom certo para sua personagem, Shana Harris, tem ótimos diálogos com os outros lados do triângulo. Charlie Hunnam, ator pouco conhecido do grande público, é o protagonista da trama e consegue realizar um trabalho bem interessante na construção do mesmo.

 “A Tentação” é um daqueles trabalhos que vale a pena o espectador dar uma chance, principalmente para quem já viu “Batman: O Cavalheiro das Trevas Ressurge” mais de uma vez. Ótima pedida!

Crítica do filme: 'A Tentação'