Todo dia é dia de reescrever nossa história, mas será que não temos bloqueios em relação a isso? A nova produção inglesa “Albatross” (que eu duvido que vá chegar nas nossas telonas) explora os problemas de uma família e o impacto que um elemento vindo de fora causa, determinando novos rumos para todos os envolvidos. É o tipo de longa em que o roteiro é maior que os personagens, o que nem sempre é uma coisa positiva, na verdade, quase nunca.

Na trama, vamos conhecer a história de uma família que é totalmente afetada com a chegada de uma linda jovem chamada Emelia. Dentre os esquisitos personagens: Um pai que está tendo um bloqueio de escritor. Uma mãe que adora uma discussão, além de ser especialista em barracos generalizados. Uma jovem, filha desses dois loucos que estão a um passo do divórcio, que está descobrindo a vida ao mesmo tempo tenta entrar na famosa Universidade de Oxford. A lição do filme passa pelo ato de reescrever sua história e, assim, todos os personagens tomam isso como objetivo.

Analisando o grande pilar dessa produção, Emelia, percebemos que a personagem somente é excêntrica não expressando carisma nenhum nas sequências. Uma jovem insinuante, que leva a vida regada à loucura e atos impensáveis (totalmente inconsequente). Abandonou os estudos e tem vários empregos para ganhar um troco, vive com os avós (por quem expressa um grande carinho e, às vezes, impaciência) em uma residência simples. Ao longo da fita descobrimos a inusitada história de que a mesma é parente do lendário Sir. Arthur Conan Doyle, fato diferente mas que é muito mal encaixado no enredo.

Felicity Jones, que havia feito um trabalho maravilhoso no ótimo “Like Crazy”, não consegue repetir as boas atuações de outros tempos. Muito por culpa do encaixe de sua personagem na trama, desaparece do meio para frente quando os olhos do espectador se voltam à relação do pai com uma moça mais jovem.

Para terminar e definir: Sabem aquelas estradas horríveis que temos pelo Brasil? Cheias de imperfeições que tiram a paciência dos motoristas. Isso define bem o que é essa jornada.

Crítica do filme: 'Albatross'


(Reprodução/Ofuxico)

Não gosto de escrever sobre outra coisa sem ser sobre cinema. Partindo desse princípio que reina sobre meus dedos, quando eu faço uma exceção pode ter certeza que é porque merece. Estou digitando como se essas palavras fossem fruto de um bate-papo informal, assim já adianto que não estou preocupado com nenhuma pessoa (seja ela a primeira ou a terceira) nem a maneira corrida com que estou escrevendo esse texto.

Começando meu pequeno texto, fui convidado pelo amigo Paulo Diniz para conferir a peça “Movie Stars” em um teatro reinaugurado em copacabana.  Ao lado de minha mulher, li rapidamente a sinopse do espetáculo e logo me interessei: interpretações de músicas de filmes nacionais e internacionais. Um prato cheio para um cinéfilo, não? Após o longo dia de trabalho fui assistir o espetáculo, vestido com minha camisa em homenagem ao filme “Psicose”, à caráter para o evento, como manda o ‘modelito nerd cinéfilo’. Sentei na poltrona E02 e confesso que estava preparado para uma peça teatral mas o que eu vi foi um verdadeiro show.

Toda segunda, dia da apresentação no Theatro Net Rio, um convidado especial é chamado para dar o seu tom a uma das inesquecíveis canções. No meu dia, fui brindado com uma interpretação emocionada do Léo Jaime que interpretou um clássico da música e porque não dizer do cinema. Cantando inesquecíveis canções do imaginário e da realidade dos amantes do cinema, a dupla formada pelas atrizes/cantoras Gottsha e Alessandra Verney se completam em cena (ou como preferir, no palco). De “Gilda” à “Xanadu”, de “Blade Runner” à “A Bela e a Fera”, o público se entusiasma em cada parte da impecável apresentação. É um show que você pode se emocionar facilmente como um filme de Truffaut ou uma história nova iorquina, sempre agradável, de Allen.

A minha canção favorita fica com “Flashdance”, da qual me lembrei de imediato do meu avô Heráclito, que me ensinou a amar esse tal de cinema. Amante ou não da sétima arte recomendo essa peça que está em cartaz em Copacabana, até a presente data. 

Movie Stars - Uma peça que os cinéfilos devem conferir


Mude seu passado, mude seu futuro. Com essa proposta, “Judas Kiss”, busca inovações e originalidade misturada com sequencias calientes e uma proposta voltada à sexualidade. Pena que o roteiro chega a ser pífio e completamente insano tornando o filme muito desinteressante em muitos momentos. Destaque mesmo vai para a ótima trilha sonora, muito bem encaixada nas sequências.

Na trama, somos apresentados a um cineasta homossexual, adorador de telhados, que tem a inusitada oportunidade de voltar a uma época muito dramática para ele e assim tentar mudar o rumo de sua história. Cheio de idas e vindas (no andamento dessa louca história), o longa tenta focar na problemática adolescente e em como decisões tomadas nessa época da vida influenciam uma pessoa para o resto de sua existência.

Metaforicamente, aos poucos, vai se tornando uma terapia e uma descoberta profundamente pessoal. O público fica perdido em meio ao tumultuado roteiro. Às vezes, parece que o filme pede a opinião do espectador para o que vamos ver a seguir, uma espécie de “Você Decide”, é quase que proposto isso, deixando o público perdido em qualquer análise que faça. Quando descobrimos que o personagem dorme com ele mesmo jovem (O que Freud acharia disso?) o espectador tem uma leve vontade de ir jogar futebol, ler um livro ou ver outro filme.

Com o cigarro frequente nas mãos percebemos que o personagem principal não está feliz com a vida que leva, festas e reabilitação são tudo o que resume a carreira desse profissional ligado à sétima arte. Mas a ‘volta no tempo’ desse homem explica, por meios bem confusos (diga-se de passagem), o porquê dele estar naquele estado. Uma adolescência perturbada, cheia de problemas e um problema com o “O Beijo de Judas” que mudou para sempre o rumo de sua vida.

Já no meio do filme o público se pergunta: Quem é Danny Reyes? Ao final, não sabemos responder. Tudo é tão confuso, tudo é tão complicado. De boas intenções o mundo do cinema está cheio, de filmes bons nem tanto.

Crítica do filme: 'Judas Kiss'


Os monstrengos mais esquisitos da nossa galáxia estão de volta. Nesse terceiro filme da franquia “MIB”, temos uma aba puxada para a história pessoal de cada personagem, remodelando um pouco o entendimento e foco da franquia de sucesso. O objetivo, obviamente, era humanizar a história, sentimentos mais profundos estão à flor da pele. Um quê de dramalhão é encontrado em quase todos os diálogos, lembrando muito as famosas novelas mexicanas dos anos 90. O exagero em colocar pitadas exageradas de drama em uma história, de outros tempos que foca na ação e comédia, é o grande ponto negativo do longa.

Na trama, a dupla mais famosa da organização ‘Homens de Preto’ tem que combater um alienígena muito perigoso que teve seu braço perdido anos atrás pelo agente K.  Com direito a viagens no tempo, monstros esquisitos e muitas surpresas sobre a vida pessoal dos personagens, a aventura tenta se associar com o drama que é a base dessa terceira produção.

Tommy Lee Jones é sempre engraçado (com seu jeito carrancudo) nos curtos momentos que dá o ar de sua graça na trama, grandes atores são assim, chegam e roubam a cena. Will Smith volta à pele do agente J, hiperativo e falastrão, tem bons momentos na fita, entretanto, em algumas sequências as piadinhas não fazem mais tanto efeito quanto antigamente. Josh Brolin, um ator com um ótimo currículo, surpreende mais uma vez e interpreta muito bem o agente K, no final dos anos 60, na época em que homens foram à lua (ou não?) e o carismático ‘xerife intergalático’ se expressava com sorrisos e passava longe das caras fechadas e irritadas de outras épocas à frente.

O ponto positivo é esse resgate do que ocorrera no passado, na origem dos Homens de Preto, que influencia preponderantemente os novos rumos da trilogia. O novo integrante da história tem uma ótima atuação e faz um ponte temporal bem legal não deixando cair os ótimos diálogos, que é a marca registrada quando Will e Tommy estão em cena.

Houve uma publicidade maçante (Will Smith e Josh Brolin vieram ao Brasil, em cada esquina tem um pôster, etc...), fato que talvez não fosse tão necessário, já que, como se trata de um blockbuster conhecido, estamos falando do terceiro filme de um sucesso de bilheteria, o público já iria lotar as salas de cinema de todo o Brasil. De qualquer maneira, isso não atrapalha, porém, gera uma expectativa e que quando não é correspondida, a consequência vem em forma de comentários comedidos e nem tão positivos.

Tinha potencial para ser muito bom, mas acaba sendo somente regular.

Crítica do filme: 'MIB 3'


A melhor coisa de ser um pirata é procurar uma aventura. Dirigido pelo inglês Peter Lord ("A Fuga Das Galinhas"), “Piratas Pirados” tem o plano de fundo nas ruas repletas de neblina da “Londres Vitoriana” contando a saga de um capitão pirata e sua banheira velha em busca de prêmio quase impossível. Entre uma e outra aventura, tenta brincar com a história mas acaba deixando o público aos poucos caindo na sonolência.

Na trama, somos apresentados ao excêntrico Capitão Pirata. Com uma tripulação atrapalhada ao seu lado, embarca em uma aventura para conseguir conquistar o cobiçado prêmio: “Pirata do Ano”. Para isso, o carismático barbudo tem que enfrentar inimigos de profissão, uma rainha impiedosa com a classe pirata, Charles Darwin (sim, ele mesmo) e muitos outros obstáculos. Os personagens, que até parecem terem sido feitos de massinha, tentam agradar o público com jeitos peculiares que buscam fugir do comum a qualquer preço, o que deixa tudo muito chatinho e bobo demais (por mais que seja um filme voltado para a criançada).

Passando pela história das origens das espécies, o saudoso Charles Darwin dá o ar de sua graça e acaba ocupando um papel estranho na animação, um dos vilões da história. É um Darwin diferente, obscuro, que deixará muita gente com conclusões estranhas sobre o jeito (de mentirinha) do cientista. Quem também tem uma rápida participação é a inglesa Jane Austen. O que será que a talentosa escritora acharia dessa participação?

Uma coisa fica evidente e muito esquisita logo no início da projeção, uma palavra fica em destaque nas falas, (traduzidas, já que a cabine/pré-estréia que os jornalistas cariocas foram tiveram apenas cópias dubladas) “Surrupiar”, uma palavrinha complicada para as crianças entenderem já que tem muito adulto que nem sabe o que significa. Será que não poderíamos ter feito uma tradução mais trivial?

Os mestres do disfarce, que se camuflam de cientistas e bandeirantes rapidamente vão perdendo o brilho e o entusiasmo em uma produção que tinha tudo para dar certo mas acaba naufragando. 

Crítica do filme: 'Piratas Pirados'


Já pensou em ficar preso com pessoas desconhecidas em um lugar que é o terror dos claustrofóbicos? Com um roteiro de Marc Rosenberg (que assinou também o roteiro do razoável longa "Um Verão Para Toda Vida"), “Elevator”, é um suspense com apenas (ou quase) um cenário onde quem comanda o andamento são os personagens. A história é esquecida (não sei se foi uma tática isso) em alguns momentos de clímax o que prejudica muito o olhar do cinéfilo, que se sente perdido. Para a história conseguir ser interessante, os personagens tentam ser a chave principal de interação com o público. O filme quase consegue essa aproximação, possui bons e terríveis momentos nesse aspecto.

Na trama, nove estranhos ficam presos em um elevador de Wall Street quando estavam chegando em uma festa de um empresário milionário. Conforme os minutos vão passando vamos conhecendo um pouco cada uma daquelas almas presentes no cubículo: o dono da festa (o milionário já mencionado), a neta deste último (que apronta muito dentro do elevador), uma senhora que se diz investidora, um segurança muçulmano, um comediante judeu claustrofóbico, uma repórter famosa (sempre tem que ter uma repórter, vocês já perceberam isso?), o namorado dessa repórter que trabalha no prédio, um simpático funcionário que tenta acalmar sempre a todos e uma linda mulher grávida. Após um ataque de pânico e um ataque cardíaco descobre-se que um deles tem uma bomba e agora eles farão qualquer coisa para sobreviver.

Quando o roteiro tenta cruzar as histórias, acaba caindo na armadilha do estereótipo. Judeu com muçulmano, empregado com empregador, triângulo amoroso, traição no trabalho... Tudo que já vimos em outros verões, cadê a originalidade? O filme não assusta quando tem que assustar, tem piadas sem graças e diálogos que não se encaixam.

“Elevator” lembra muito o filme “Demônio” (história criada pelo indiano M. Night Shyamalan), porém, não consegue criar o clima necessário, como esse último pelo menos tentou. A fita é dirigida pelo norueguês Stig Svendsen que tenta fazer um feijão com arroz e deixar tudo nas mãos dos artistas em cena, não vemos movimentos de câmera que influenciem as sequências nem que criem tensão para o que vemos na tela. Ajudaria muito se a direção tentasse inovar um pouquinho.

Mesmo com todos os ‘poréns’ o filme poderia ter decolado mas o desfecho destrói qualquer tentativa de dar uma qualidade e originalidade à essa história.  Previsível como o pãozinho francês da padaria.


Crítica do filme: 'Elevator'


Em tempos de guerra, a lei fica em silêncio. Situado em 1865 e dirigido por Robert Redford, “Conspiração Americana”, é um longa que fala sobre justiça, o direito e a constituição americana em seus primórdios. Após a morte de Abraham um “caça às bruxas” vem como conseqüência, chegando a alguns nomes como culpados por tal ato. No elenco, muitos rostos conhecidos do mundo das séries e do cinema que ao longo de quase duas horas de fita ajudam a contar essa interessante história.

Na trama, o presidente Abraham Lincoln sofre um ataque mortal de rebeldes, sete homens e uma mulher são presos e acusados por essa conspiração para matar o Presidente, Vice-Presidente e Secretário de Estado. Mary Surratt é proprietária de uma casa, onde os rebeldes se reuniram e planejaram os ataques aos políticos. Frederick Aiken, um bravo herói de guerra, concorda (a princípio relutante) em defender Surratt perante o tribunal. Aos poucos, o jovem advogado percebe que sua cliente pode ser inocente e que está sendo usada como isca, a fim de capturar um dos conspiradores próximo a ela. Não é justiça que muitos buscam, é vingança. Longe dos tribunais, uma batalha política tenta resolver a situação de maneira rápida e inconstitucional. As leis dos homens são mostradas superiores à leis criadas, é um debate recheado de injustiças e conseqüências para muitos dos envolvidos. Kevin Kline e Tom Wilkinson desenvolvem ótimas sequências nesses entraves.

Em um país com medo, abandonar a constituição criada não é a resposta. Seguindo esse lema, um jovem e valente capitão, prestes a se ‘aposentar’ da vida nas guerras, recebe essa árdua missão de defender uma mulher da acusação de conspirar contra o assassinato do presidente em exercício. Culpada previamente pela opinião pública sua única esperança é esse capitão condecorado que acredita na constituição, onde todos têm o direito a uma defesa. A relação do jovem advogado com sua cliente é parecida com a de mãe e filho. Quando o Sr. Aiken passa a acreditar 100% na inocência (ou pelo menos na não culpa) de sua cliente, vemos uma luta contra tudo e todos para mostrar a verdadeira história no tribunal.

Muito bem ambientado e com uma ótima condução de Redford, “Conspiração Americana” é um filme obrigatório para os estudantes de direito e uma boa opção para você conferir quando estrear em nossas salas de cinema. Não perca esse duelo de tribunal.

Crítica do filme: 'Conspiração Americana'