Jantar para Idiotas

Tio Boonmee (Parte 1)

Tron (1982)

72 Horas


Após perder a sessão, literalmente, de “Em Algum Lugar ”, no Festival de cinema do Rio de Janeiro, a modernidade me trouxe outra chance de ver esse filme que, confesso, me gerava alguma expectativa.

Pela sinopse, identifiquei pelo menos uns cinco filmes que tinham adotado essa temática de falar como é a relação com a família de uma pessoa conhecida. Não entendi o porquê do filme ser tão parado e porque só a Elle Fanning brilha, nesse novo filme da ganhadora do Oscar de melhor roteiro, Sofia Coppola.

A produção fala sobre um ator de cinema, muito famoso, que tem sua vida(oh! Grande novidade!) regada à mulheres e bebidas. Possui um relacionamento distante, porém bem afetivo, com sua filha, quando consegue tempo para vê-la(na verdade ela ir vê-lo). De repente , entra em conflito e resolve fazer algumas mudanças(pelos menos eu deduzi isso).

Acredito muito que Sofia cometeu um pecado, que nós, cinéfilos de anos, nunca cometeríamos. Que seria, repetir uma mesma temática usando um gênio e um ator apenas razoável. Estou fazendo uma analogia de “Encontros e Desencontros” e “Em Algum Lugar ”. No primeiro contamos com uma interpretação de um dos mais queridos atores de nós cinéfilos, o mito Bill Murray. No segundo conta com a inexpressão e a cara de parede do Stephen Dorff, que é apenas uma linha reta, sem expressão, durante boa parte do filme.

Espero que em seu próximo filme , Sofia, consiga mostrar muito mais seu grande potencial, utilizando, principalmente, um pouco mais de originalidade.


Em Algum Lugar

Um Homem que Grita

Agora chegou a hora de falar dos momentos bons dentro de uma sala de cinema. Os grandes filmes do ano. Vou fugir do comum e falar de filmes que a maioria não deve ter visto e eu tive a sorte de ver no festival do RJ. Vi ao todo 212 filmes esse ano, uma marca razoável, já tive piores e melhores. Bem, chega de papo e vamos ao que interessa, aqui estão os 3 melhores do ano para mim...

Terceiro lugar: A Vida dos Peixes(Chile)

Nunca pensei que um filme chileno, país de pouca expressão no mundo do cinema, mexesse tanto comigo como esse A VIDA DOS PEIXES mexeu. Acho que a simplicidade, que sempre levo em consideração em qualquer produção de orçamento baixo, é o pontapé inicial positivo que comento desse trivialmente genial filme. O roteirista, o diretor, pegaram poucos recursos(até mesmo locações, só tem uma) mas com muita mão-de-obra qualificada(sim, eu falo dos atores) e colocou no liquidificador e deu certo. A trilha sonora é algo maravilhoso e tá no top 5 desse ano também.


A trama fala sobre um reencontro de dois eternos amantes em uma festa rodeado de passado e indefinição sobre o futuro. O filme não toma tendências, o que é ótimo, os atores tem uma harmonia que comparo, sem dúvidas, a Julie delpy e Etahn Hawke(Antes do amanha/Antes do por-do-sol) e o casal de ONCE(aqueles que não sabemos os nomes dos personagens até hoje!).

Recomendo muito e você que não gosta de cinema sem ser o “americano” larga esse preconceito bobo e vá ver filme latinos, fazemos um ótimo cinema, cada vez melhor!






Segundo lugar: A Solidão dos Números Primos

Esse filme italiano mexeu comigo. Sai do trabalho e uma noite chuvosa para encontrar minha mulher e juntos vermos esse filme, no festival do Rj, que havíamos previamente comprado. Chegando lá, pensando ser mais um filme comum, me desinteressei no começo, mais aos poucos o filme foi tomando forma e se tornando sensacional em alguns takes.

O filme conta a historia de duas almas gêmeas separados por algumas tragédias, que culminaram para um fundo do poço emocional menos quando estão unidos combatendo essas dores. A trama é muito complexa mas o roteiro chega a ser um pouco simples na comparação com outras obras difíceis. Me lembrou muito um filme espanhol chamado OS AMANTES DO CÍRCULO POLAR. Adorei os atores principais: Alba Rohrwacher, Luca Marinelli além é claro, da presença sempre marcante de Isabella Rossellini.

Recomendado para você que tem emoções aos extremos saindo do seu peito!




Primeiro lugar: A Origem

Eu tento sempre fugir de filmes muito americanizados, principalmente nos volumes do meu humilde livro, Guia do Cinéfilo. Mas não tive como fugir dessa grandíssima obra chamada A ORIGEM. Chris Nolan consegue ser genial, nas imagens e na trama complexa, com um final de deixar qualquer um pasmo e louco pra ver de novo pra saber se entendeu mesmo.

Não preciso falar muito sobre, todos nós já vimos.

Leonardo DiCaprio volta a atuar bem como o protagonista dessa produção que conta com ótimos nomes (como Marion Cotillard, Michael Cane e Ellen Page) e grandes surpresas(positivas, como: Tom Hardy e Joseph Gordon-Levitt). O filme conta com inúmeras cenas que não irão sair da memória de nós cinéfilos durante um bom tempo. Já entrou pra história da sétima arte. 2010 foi o ano de Nolan e A ORIGEM. Ganhando o Oscar ou não, pra mim é disparado o melhor filme do ano.





Os 3 melhores do ano (2010)

Uma coisa triste para nós cinéfilos são os filmes ruins. Mas uma coisa pior que isso, são os filmes horrorosamente ruins. Infelizmente todo ano a lista aumenta e com certeza já é uma praga.

Segurem-se na cadeira, não procurem sobrem, nunca baixem , não aluguem, saiam correndo dos seguintes filmes:


Em Terceiro lugar: Skyline

Um filme que era pra ser o novo Armageddon misturado com Arquivo-X virou um filme Sci-Fi pastelão com cenas bizonhamente mal escritas e uma direção horrorosa, tão bizarra, que, precisaram-se 2(isso mesmo), 2 diretores para contemplá-la.

Eu fui ao cinema ver essa pérola na maior das boas intenções(juro, até matei aula para tal). Com 20 minutos juro que ouvi um passarinho fardado gritando no meu ouvido : Raphael, PEDE PRA SAIR!!!!

O que mais me impressionou, pelo lado ruim, foi os efeitos muito mal feitos. Gastaram um dinheirão e fizeram uma bela porcaria. A atuação de Eric Balfour é digna de qualquer framboesa de ouro, e o meu amigo David Zayas(famoso tenente da série DEXTER) deveria ser expulso do elenco da melhor série dramática de todos os tempos por ter aceitado esse papel(apesar que o Michael C.Hall fez “GAMER”... mas o C.Hall pode tudo, ele é o DEXTER!).


Resumindo: Não vejam!


Em Segundo lugar: O Último Exorcismo

Nada dá certo nesse filme. Algumas pessoas, pasmem, gostaram. Eu não consigo acreditar alguém gostando desse filme horroroso que não dá medo em hora nenhuma. É um bando de tentativas mal sucedidas, com cenas muito bizonhas. Eu, a pouco tempo, fiquei sabendo que a atriz desse filme foi indicada a alguns prêmios....como assim??????? Meu Deus...

É uma tentativa fracassada de ser um novo “Exorcista”, só que ficou muito distante disso. Tem umas cenas que, sem dúvidas, viraram algumas das piores que eu já vi em um filme, e olha, que eu, já vi bastante coisa nessa vida!!

Não vejam! Vocês vão querer seu tempo de volta!


Em Primeiríssimo lugar: A Caixa

Esse filme, A Caixa, é uma comédia só. Comédia de bizonhices e algumas perguntas:

1) O que o Frank Langella ta fazendo nesse filme? Nem dando 100 milhões ele deveria ter aceitado, isso acaba com uma carreira.

2) Cameron Diaz fazendo filme de terror/suspense...não dá certo..ja vimos isso em outras tentativas frustradas(ou alguma espécie de tentativa). Porque ela insiste?

3) Não acredito que o diretor de Donnie Darko dirigiu esse filme, ele deve ter sido abduzido, será?

Toda vez que ia trabalhar(quando eu trabalhava com informática), olhava para minha maleta e lembrava nessa porcaria de filme e o tempo que perdi querendo ver essa droga!

Nós cinéfilos temos que ser recompensados com 10 filmes bons para cada 1 ruim, pena que não é assim que acontece...

3 Piores filmes do ano(2010)

Eu estava querendo ver esse filme a muito tempo pois assim que comecei a utilizar o twitter conheci uma atriz desse filme que se tornou uma grande amiga! O filme não chegava nas locadoras, nem na internet, nem em lugar nenhum. Até que ontem à noite o achei em um site na internet, baixei e vi. Adorei a essência da história, um pouco confuso o roteiro e a personagem principal fica muitas vezes perdida na história, jogada de um lado a outro na trama, mas eu achei legal a idéia e o grande destaque é a minha amiga Maria Clara Spinelli.



O filme conta historias, relações, todas elas com seus problemas e algumas coincidências que levam o filme a uma junção de fatos, muitos deles, não isolados, mas o roteiro infelizmente não consegue ser o que chamamos de redondo mas as interpretações são muito boas o que elevam o filme de patamar.

Adorei algumas cenas, como, a intensidade das personagens lésbicas e a maneira como foi conduzida as cenas de sexo, me lembrou muito um filme chamado “Um Quarto em Roma”, méritos ao Roberto Moreira diretor do filme.

Em relação às historias que o filme é centrada, a da competente advogada é a mais comovente e interessante sendo brilhantes os diálogos entre os apaixonados. A interpretação da Spinelli é sempre num mesmo tom o que deixou a personagem bastante interessante mostrando as fraquezas aos poucos, durante a trama.

Recomendo esse filme e viva o cinema nacional!

Parabéns para minha amiga @mariaclaraspine pelos prêmios ganhos por esse filme. Muito merecido! J



Quanto dura o Amor?

Eu estava ansioso...cada dia que voltava para casa após mais um dia de trabalho pensava em quando teria tempo para ver a nova obra de uma dos meus diretores preferidos dos últimos tempos. O dia chegou, e com ele uma ansiedade e uma preparação, praticamente um ritual. Arrumação da sala, ligar de forma perfeita o home theater e aos poucos fui me trancando no quarto para ver durante aquelas uma hora e meia, mais ou menos, um grande filme.



O filme é sensacional, uma abertura de tirar o fôlego e um desfecho com uma sensação de dever cumprido, tanto do excelente diretor Darren Aronofsky, quanto da protagonista da trama Natalie Portman, que (na minha opinião), depois de “Closer”, teve sua melhor interpretação num papel de cinema.

O filme fala sobre uma dançarina que começa a se confrontar com uma “rival” e ao longo da trama tudo começa a ser questionado, até mesmo se essa rival existe.

A direção do Aronofsky chega a ser algo sensacional, com vários cortes bastante peculiares e sensações de você comandar a dançarina naquelas coreografias complexas do balé. Não sei se o Darren vai ser indicado ao Oscar, pois, por azar ele, esse ano que passou, tiveram muitos filmes bons dirigidos muito bem por muitos diretores competentes e que a academia adora indicar, virou um pouco uma loteria saber se ele vai ser indicado ou não, mas isso não importa. Ele cumpriu seu dever de fazer um filme inesquecível e sensacional.

Destaque também para a Mila Kunis que consegue ser intensa mas na medida correta e faz uma cena memorável com a Natalie Portman que ficará na mente dos amantes de cinema pela perfeição e intensidade encontrada naquela beleza de duas lindas mulheres. J


Black Swan

Para começar meu primeiro e novo blog, do qual pretendo cuidar com carinho e dar muita atenção, exatamente como faço com meus livrinhos de cinema(um deles já lançado), venho aqui falar de Rabbit Hole, filme muito comentado por meus amigos twittanos, principalmente, o @clickfilmes - Andrey Aronofsky (conheço esse sobrenome de algum lugar...).

O filme conta a história de um casal que sofre com a perda do filho e aos poucos tentam passar por cima dessa tragédia, porém ainda é muito difícil principalmente para a protagonista da trama.


Sabia que viria coisa boa pela frente, principalmente quando vi que no elenco tinha Nicole Kidman e Aaron Eckhart , além de outros nomes muito competentes. A história é uma tristeza danada, baseada em um livro homônimo(caso eu não esteja enganado, não gosto de usar o Google sempre, dá uma certa preguiça, então suponho...) porém, muito bem interpretada, com o tom certo de emoção proporcionada principalmente pelo personagem do Aaron,que rouba a cena da Nicole Kidman o filme todo, exatamente como fez com todo o elenco de “Obrigado por Fumar”.

Adorei saber o porquê do nome do filme, é o nome do livro(HQ) que o adolescente que atropelou o filho dos protagonistas criou e deu de presente a personagem da Nicole em certa hora do filme. Eu gosto que esses detalhes se encaixem e dêem ao filme o suporte necessário para o roteiro fluir com boas sacadas.


Recomendo muito o filme e espero que vocês também possam falar bem desse bom filme pelas mídias sociais, no seu bairro e em Hollywood.

Obs: Não acredito que cogitam a Nicole Kidman para concorrer ao Oscar e o Aaron Eckhart não. Certamente um absurdo(mais um) que as premiações americanas fazem a cada ano, tornando a vida do cinéfilo muito mais triste pela falta de reconhecimento de quem merece tal.



Rabbit Hole