Em seu sexto longa metragem, Carlos Gerbase mistura drama psicológico com suspense e erotismo na trama de “Menos que Nada”, estrelado por Felipe kannenberg, Rosane Mulholland e Branca Messina. De forma não-dogmática, o diretor e roteirista apresenta uma discussão sobre o sistema manicomial brasileiro e a relação médico e paciente, além de abordar temas como a arqueologia e a psicanálise.


O filme foi exibido no Marché du Film, no último Festival de Cannes, e teve lançamento nacional transmídia (cinema, internet, DVD e TV). “Menos que Nada” é a primeira obra produzida pela Prana Filmes e pode ser visto até o dia 2 de setembro no SundayTV ( ).  Em entrevista exclusiva por e-mail, Gerbase conta um pouco mais sobre a produção do longa e a sua visão do mercado cinematográfico no Brasil.

Como nasceu a ideia de fazer o filme "Menos que Nada"?
O roteiro nasceu da leitura, em 2004, do conto "O diário de Redegonda", de Artur Schnitzler, que é um escritor austríaco contemporâneo de Freud. Gostei do drama do protagonista, que enlouquece (ou pelo menos começa a ter uma vida paralela que só existe em sua imaginação) depois de se apaixonar por uma mulher impossível. Essa relação entre amor e vida mental sempre me interessou. O projeto se tornou realidade graças à seleção no edital de Mídias Digitais do Programa Petrobrás Cultural, edição 2009.

Por que optaram pelo lançamento transmídia?
O lançamento trasmídia é resultado dos bons resultados obtidos com o "3 Efes", também dirigido por mim, em 2007. Foram os mesmos veículos e a mesma lógica de circulação.

Como foi a escolha do elenco? Houve algum teste específico ou os nomes surgiram de indicações?
Nem testes, nem indicações. Eu já conhecia e tinha trabalhado com três dos atores gaúchos (Carla Cassapo, Alexandre Vargas e Artur Pinto em "3 Efes") e conhecia o Roberto Oliveira de alguns curtas e de sua participação em "Cão sem dono". A Rosanne Mulholland, a Maria Manoella e a Branca Messina, a quem eu não conhecia pessoalmente, despertaram minha atenção nos seguintes trabalhos: Rosanne no filme "A concepção"; Maria Manoella na série "Mandrake"; Branca Messina no filme "Não por acaso". Entrei em contato, mandei o roteiro, e elas toparam. Já o Felipe Kannenberg era uma ideia antiga aproveitá-lo, já que é gaúcho e tinha experiência com cinema no centro do país. Além disso, tinha um tipo físico perfeito para o papel.

Como surgiu seu amor pelo cinema?
Não amo o cinema. Não mais do que a literatura, ou a música. Às vezes me sinto como o personagem Cordélia, a filha mais jovem do Rei Lear. As suas irmãs mais velhas dizem que amam seu pai acima de todas as coisas, mas elas estão só fingindo para ficar com uma boa herança. A linguagem do cinema é muito legal, mas eu a uso para contar histórias e fazer filmes, assim como eu uso a linguagem da literatura para escrever contos e romances. Ou como usava a música quando estava nos Replicantes. Cinema às vezes cansa. É difícil depender tanto de dinheiro e de burocracia. Talvez em outros países a vida de cineasta seja mais tranquila. Aqui no Brasil, em que cada filme parece ser o primeiro da carreira, tem muita angústia no processo de financiamento e de distribuição. Escrever roteiro e filmar é muito legal, mas o processo todo é desgastante.

Quais são os seus filmes e artistas favoritos?
É claro que tenho meus filmes e artistas favoritos. Citarei apenas dois filmes e seus diretores, bem contrastantes: "Vidas secas", de Nelson Pereira dos Santos, e "De olhos bem fechados", de Stanley Kubrick.

Ainda é muito difícil conseguir dinheiro (incentivo/patrocínio) para rodar um longa metragem no Brasil?
Sim. É muito difícil. Hoje, o cinema independente depende de editais do governo. Basta ver a quantidade de projetos inscritos no último concurso do MINC. Fazer um filme é mais difícil que passar no vestibular de Medicina numa boa universidade pública. São menos vagas, e a concorrência é dura. Além disso, o vestibular tem critérios mais objetivos para selecionar.

O que é cinema para você?
Um veículo para contar histórias. O Umberto Eco tem uma definição que eu gosto muito: o cinema é a mais poderosa máquina de contar mentiras que a humanidade já inventou. É claro que contar mentiras é a única maneira de falar sobre as verdades do mundo através da ficção.

Quais são os seus próximos projetos?  
Quero fazer uma série de TV baseada nos personagens de meu romance “Todos morrem no fim". Tudo gira em torno de um inspetor de polícia gordo, sujo e meio amoral, mas que sabe botar na cadeia os bandidos de verdade. Tenho visto algumas séries de TV norte-americanas que são muito melhores que a maioria dos filmes de Hollywood. Só para citar algumas: "Roma", "Mad men" e "Breaking bad".

Mande uma mensagem aos cinéfilos leitores desse site.
Prestigiem o cinema brasileiro. Tanto filmes pequenos e independentes como grandes produções falam de nosso país e de nossa cultura.

Por Raphael Camacho e Letícia Alasse

Entrevista com Carlos Gerbase, diretor do filme 'Menos que Nada'


"4 balas para 5"

Uma janela sendo invadida por uma árvore seria o menor dos problemas enfrentados por um pai de família na luta pra sobreviver em um dia trágico na sua cidade. Dirigido pelo cineasta francês Frank Darabont, “O Nevoeiro” (por favor não confundam com “A Névoa”) é um retrato do fim do mundo com pitadas de ação, emoções e decisões erradas. Os acontecimentos bombásticos que preenchem a história (baseada em um livro de Stephen King) vão compondo o que vemos em cena, cada qual, pela personalidade de cada personagem somos guiados pelo medo, fé, coragem e desespero diante do fato inusitado daquele dia.

Na trama, somos rapidamente apresentados aos personagens principais que estão presos em um supermercado, por conta de uma estranha tempestade (que trás uma série de criaturas nada amistosas) que cobre a cidade. Rapidamente, a tensão toma conta do lugar. Embates acontecem, grupos são criados e a dúvida nas ações, fora as desconfianças pessoais levam todos ao extremo emocional. O poder religioso toma conta do ambiente levando pessoas comuns a virarem devotos em segundos. Vemos suicídios, pessoas longe dos corpos, gremlins gigantescos, tentáculos sobrenaturais que vão levando o supermercado ao caos, deixando a situação incontrolável. A questão que todos indagam: Como escapar daquela situação? 
O público é brindado com um desfecho aterrorizante e marcante.

Marcia Gay Harden e sua personagem pregadora, louca, fanática religiosa apresenta ao público uma face manipuladora e completamente insana daquela situação, causador fundamental do pânico e gritaria, já rumando ao final da história. Mais uma atuação marcante desta excelente atriz. Thomas Jane tem sua melhor atuação no mundo do cinema, David Drayton é um personagem que ele deve guardar com muito carinho em seu currículo, consegue passar pelo olhar todo o terror daqueles dias que não terminam.

Muitos rostos conhecidos dos fãs de “Walking Dead”. Essa crítica fora escrita após o início do famoso seriado de Zumbis, que fora produzido (e dirigido também, acha quem vos escreve) pelo diretor deste longa. Frank Darabont é, sem dúvidas, o diretor que mais entende o universo de Stephen King. Já não é o primeiro bom trabalho em uma adaptação do famoso escritor que dá certo, ao comando de Darabont, nas telas do cinema.

Com um dos finais mais arrepiantes, comoventes e chocantes de todos os tempos, “O Nevoeiro” deixa todos nós de ‘boca aberta’ na subida dos créditos. Veja esse filme, você não vai se arrepender!

Crítica do filme: 'O Nevoeiro'


Você sabe quando a profundidade se encontra com a solidão? Em “A Vida Secreta das Palavras” embarcamos na plataforma das emoções, guiados por personagens ricos em ‘sofrer com a vida’ nos sentimos próximos a eles por conta de uma verdade absurda quando estão com a palavra. A diretora e roteirista Isabel Coixet consegue reunir pequenos elementos que transformam essa obra em uma obrigação na estante de cada cinéfilo.

Na trama, conhecemos Hanna uma mulher muito contida, que se expressa muito pouco. Empregada exemplar que tira férias de um mês, meio sem saber o que fazer nesse tempo vago. Certo dia, ouvindo um papo de um desconhecido ao telefone, se oferece para ser enfermeira de um homem que sofrera um acidente a poucos dias. Levando nuggets, arroz e meia maçã (sua refeição diária) mais a sua mania bem peculiar por sabonetes, Hanna embarca em uma plataforma de petróleo, habitada somente por homens e desativada por conta de um acidente. Lá cuida de Josef, um homem cego temporariamente e com a alma presa em um passado de desilusões e dor. No começo, o diálogo não existe, parece um clássico monólogo. 

Aos poucos, com a armadura do sofrimento caindo delicadamente, os diálogos começam a ter um poder, gerando um impacto dentro da trama. Confissões de ambas as partes levam o longa a uma profundidade inacabável de lembranças e sofrimentos. Um mundo de surpresas, dor e esperança começa a brotar levando a um desfecho emblemático.

A grande sorte do roteiro escrito pela diretora é que os atores chamados para o filme tem atuações maravilhosas, elevando o nível de toda a história. A personagem principal, interpretada pela musa do drama Sarah Polley, parece viver em um mundo particular a um alcance do botão de seu aparelho de surdez. Em meio a solidão daqueles homens, Hanna começa a se sentir confortável, cada dia que passa vai se abrindo pouco a pouco.  O público percebe logo de início que há muita profundidade com essa não expressão que carrega. Tim Robbins interpreta Josef, a face contrária, a alma gêmea da bela protagonista. Seu personagem é carregado de mágoa, remorso que encontra em Hanna um porto seguro, uma pessoa pra quem pode desabafar toda aquela aflição que guarda dentro do seu coração.

O público é exposto a uma emoção diferente a cada corte seco de câmera. É o amor surgindo? É a fuga de sua monótona vida? O filme deixa algumas lacunas soltas para todos nós interpretarmos. Não deixem de conferir esse ótimo drama que comprova mais uma vez que a dor e o amor podem viver sim lado a lado. 

Crítica do filme: 'A Vida Secreta das Palavras'


Com uma citação de Albert Camus, “Detachment” começa dizendo a que veio: falar sobre um homem e seus conflitos profissionais e pessoais.  Dirigido por Tony Kaye (que foi o diretor do elogiado “A Outra História Americana”), o filme possui um enredo deveras complexo por sua mensagem forte e impactante contada através de um sofrido professor do ensino médio americano. O longa tenta ser poético mas muitas vezes acaba caindo no vale do nada. O ponto a se destacar é a ótima interpretação de Adrien Brody que encontra o nível certo de emoções nas facetas complicadas de seu difícil personagem.  

Na trama, um professor substituto chega até uma escola pública em um subúrbio americano e tenta a todo mundo criar uma espécie de conexão com os complicados alunos. Depois do espectador rumar para as agonias do personagem, vemos crescer uma amizade entre o professor e uma prostituta, fato que mudará um pouco o destino dos personagens. “Detachment” , basicamente, foca na vida do personagem Henry Barthes e em outros professores, ensinando problemáticos alunos.

O personagem principal parece viver um inferno astral a muito tempo. Sempre após as aulas (ou quase sempre) vai até o hospital visitar seu avô, por quem tem um carinho gigante. Incrivelmente vive calmo, passando a impressão de estar preparado para tudo isso, assim identificamos a sua presença quando está dentro de sala de aula. Porém, fora dela, vive em um mundo mais triste, se abalando fortemente com todos os pontos negativos que passa. O relacionamento do Sr.Barthes com uma jovem prostituta, mesmo ele não sabendo, é a tentativa de virada na vida desse acadêmico. A relação que se estabelece, a de pai e filha, é o direcionamento que o roteiro tem de se manter com algum propósito.

É um filme que poderia ser passado em muitas faculdades. O dia a dia do professor não é fácil, nem por isso se desiste de tentar ser um. Alunos problemáticos em todos os sentidos possíveis, até mesmo um que maltrata sem piedade um animal no meio de uma quadra de basquete. Mesmo com toda a correnteza contrária, o personagem tenta se identificar, criando um vínculo com a maioria dos alunos.

Os exageros vem com alguns movimentos de câmeras esquisitos, que deixam um pouco sem explicação, agregado à uma trilha que muitas vezes não se encaixa nos momentos, em algumas cenas. Falar da vida acadêmica não é nada original no mundo do cinema, a maneira como essa história é contada quase consegue ser original. Não é bom, nem é ruim, é a famosa fita mais ou menos.

Critica do filme: 'Detachment'


A apatia da trama, misturada com diálogos mal colocados deixa essa produção longe de agradar a gregos e troianos.

Dirigido pela polonesa Malgorzata Szumowska, ‘Elles’ tinha uma proposta interessante de apresentar a visão de uma jornalista em relação à matéria polêmica que foi lhe dada como missão. A questão que a maneira como fora contada essa história é absolutamente sonolenta e não consegue prender a atenção de quase ninguém. Se não fosse a presença (sempre especial) da atriz francesa Juliette Binoche o espectador tinha quase todos os motivos do mundo para ir embora do cinema.

Na trama, somos guiados pelos olhos de Anne, uma experiente jornalista que começa a investigar uma rede de prostituição. A personagem começa sua missão com entrevistas difíceis e aos poucos começam a aparecer uma série de questionamentos, os quais levam Annie a raciocinar em paralelo com sua própria vida.

Um dos grandes fatores negativos dessa fita é, sem dúvidas, o roteiro. Apresenta muitas falhas, não prende a atenção do público e acaba caindo no ‘mais do mesmo’ deixando escapar uma grande oportunidade de contar uma história diferente, à sua maneira. Malgorzata Szumowska e Tine Byrckel (os roteiristas) não conseguiram transformar uma boa história em um bom filme.

O cinéfilo fica com os olhos atentos na telona quando percebe, ou se esforça para entender a personagem principal. A excelente artista francesa Juliette Binoche tenta de todas as maneiras levar o filme nas costas, em determinados momentos, tentando criar uma espécie de diálogo com os espectadores. Pena que a fraca história atrapalha quase todos os acertos da veterana artista.

Decepção?Sim, exatamente esse é o sentimento quando acaba a fita. A apatia da trama, misturada com diálogos mal colocados deixa essa produção longe de agradar a gregos e troianos.

Crítica do filme: 'Elles'


A espera acabou. No próximo dia 27 de julho, os cinéfilos de todo o Brasil vão poder conferir nas salas de cinema o aguardado desfecho da trilogia do homem morcego, “Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge”. Dirigido por um dos melhores diretores que o mercado cinematográfico possui, o novo Batman é contemplado com um roteiro e uma direção praticamente impecáveis. Se Christopher Nolan não for indicado aos maiores prêmios do cinema, que acabem de vez as credibilidades dos mesmos (ou o que sobrou deles). O público é jogado pra dentro de Gotham City e nessa viagem muitas surpresas irão ocorrer, isso fica eminente já no começo do longa. A questão é, mesmo sabendo disso somos surpreendidos, entendem? Bem, vocês vão ver.

Na trama, após oito anos dos acontecimentos do último filme, um novo maluco surge na área, Bane, um cruel inimigo, quer destruir toda Gotham City. Esse vilão aparece em um momento chave, o Batman que conhecíamos perdera credibilidade e nunca mais aparecera. Porém, agora é o único que pode derrotar o novo terrorista. Assim, o Cavaleiro das Trevas ressurge para proteger sua cidade, ter novas auto-descobertas e tentar reconquistar o respeito de todos os cidadãos novamente.

Reza a lenda que todo filme precisa de 15 minutos para envolver o público. Christopher Nolan precisa de apenas  1 minuto e meio para conseguir a atenção de todos que estão dentro da sala de cinema. A cena inicial é muito bem dirigida, impecável, inovadora, tornando-se um grande abre alas para essa fantástica produção. Como um todo, podemos dizer que esse novo filme do Batman é uma trama madura, dirigidas pelas mãos corajosas de um dos grandes diretores dos nossos tempos.

Christian Bale é o melhor Batman que já existiu. Entende de cabo a rabo seu personagem e principalmente as imperfeições do mesmo. Bruce Wayne aos olhos de Nolan é ótimo, muito, por ser vulnerável. Isso faz qualquer pessoa querer ser o Batman uma vez na vida. John Blake, que também merece destaque, é um grande personagem, faz elos com grande parte da história, méritos do jovem Joseph Gordon-Levitt. Será visto outras vezes pelos cinéfilos, podem ter certeza. Anne Hathaway (a mulher gato que tenta mas não consegue superar a eterna Michelle), Marion Cotillard, Gary Oldman, Michael Caine, Morgan Freeman, também preenchem muito bem todas as lacunas restantes com seus respectivos papéis na história.

Sim, Heath Ledger interpretou de maneira assustadoramente perfeita o último vilão da franquia, porém, dêem uma chance a Tom Hardy. Seu personagem Bane (que carinhosamente vou chamar de “Bronson Bane” por conta do físico de MMA de um antigo papel interpretado pelo artista inglês) é um torturador de almas, sem coração que faz de tudo para destruir a cidade natal do homem morcego. Podemos analisar como um tirano, liderando uma revolta contra os poderosos de Gotham, trazem analogias à governos, ditadores, Karl Marx e Socialismo. É ou não é uma fita profunda, inteligente? Que contempla o espectador com uma ficção de alto nível.

O filme faz você pensar como os personagens, isso é raro. Questionamentos interessantes vão aparecendo, como por exemplo: “A cidade precisa do Batman ou do Bruce Wayne?” Ao mesmo tempo, Alfred (o famoso mordomo) está em conflito interno, luta para que Bruce Wayne não volte a ser o super-herói de outras épocas. ‘Bronson Bane’ e sua voz impactante (principalmente para quem for assistir o filme no ‘Imax’) participa de praticamente todas as cenas de ação da fita e tem um importante  passado que é aberto aos poucos ao público durante o longa.

Para não estragar as surpresas, digo apenas algumas coisas nessas linhas finais: O desfecho é espetacular, surpreendente, resumindo... espetacular! Não deixem de assistir esse que tem grandes chances de ser considerado ‘o filme do ano’. Nunca duvidem de Nolan, nunca!  






Crítica do filme: 'Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge'


Um filme de terror onde descobrimos sobre a família e mais da história de Slot, de "Goonies". 

Com um debutante ao leme (Bradley Parker), o novo suspense com um pezinho no terror, “Chernobyl” possui cenas que deixam o espectador chocado, tanto pelo absurdo dos acontecimentos (pensem ‘absurdo’ como uma coisa positiva ou negativa dependendo do seu ponto de vista) quanto pela audácia do roteiro. A grande sacada dos criadores da história é a atmosfera, a tensão que permanece estacionada no imaginário do público durante toda a projeção. Chega, em algumas partes, a ser um colírio aos olhos cinéfilos que curtem filmes de mistério com pitadas generosas de terror, pena que o final e algumas não explicações deixam a fita um pouco irregular. A movimentação de câmera e até a troca da proposta da mesma é muito bem elaborada, às vezes parece que estamos vendo um filme a la “Resident Evil”, às vezes parece que estamos assistindo um remake de “A Bruxa de Blair”. Quem se afasta completamente do que rola em cena pensa que está em um filme de terror onde descobrimos sobre a família e mais da história de Slot, de "Goonies".

Na trama conhecemos dois irmãos que estão acompanhados de duas bonitas moças e que juntos fazem sem lenço nem documento um grande ‘tour’ pela Europa. Como sempre acontece em longas do gênero, um dos personagens resolve inovar e chama o restante da galera para uma excursão à uma cidade abandonada que fora alvo do reator nuclear de Chernobyl. Unindo-se ao quarteto, um guia turístico misterioso e enrolado e mais um par de turistas. O que eles não esperavam era descobrir que o lugar tem grandes mistérios e eles estão longe de estarem sozinhos.

A atmosfera/tensão é muito bem criada, sendo um dos pontos altos do filme, consegue prender a atenção e gerar a expectativa do susto na plateia. Com um roteiro, do agora famoso Oren Peli (responsável pela franquia “Atividade Paranormal”) ,“Chernobyl”, tenta ser original mesmo contendo todos os elementos de filmes do gênero e saudosas coberturas de clichês.   Como sempre, nesse tipo de filme de suspense/terror não há muitos destaques em relação à atuações. Cada um veste bem seu respectivo personagem e juntos conseguem passar o clima tenso que persiste em não sair, durante toda a fita. O desfecho (que não explica nada) dá margem para mais um filme que talvez possa, enfim, explicar o contexto dessa trama.

Ursos, monstrengos que parecem ser da família do Slot (Goonies) e cachorros raivosos ao melhor estilo lobos/hienas famintos são os grandes vilões da história que deve chamar a atenção dos cinéfilos que gostam de filmes desse gênero. Não é bom nem é tão ruim, é apenas mais ou menos. 

Crítica do filme: 'Chernobyl'


‘Nem David Lynch tem sonhos tão estranhos...’


O novo filme do tio de Nicolas Cage, Francis Ford Coppola, é um dos favoritos ao prêmio de pior filme do ano. Não tem como começar um texto sem mostrar a insatisfação desse cinéfilo que vos escreve para com a qualidade desse bizonho trabalho. Uma narração bizarra logo no início, parecia gravação de chamadas de filmes trash, já indicava a perigosa trilha que faria “Twixt” (não, não tem nada haver com aquele chocolate). Totalmente sem rumo, o roteiro é muito ruim perdendo o grande destaque negativo somente para a trilha apática que coloca o filme completamente fora de contexto, durante os poucos mais de 80 minutos de fita.

Na trama, um escritor (que usa um chapeuzinho ridículo a lá ‘Indiana Jones do terror’), mais ou menos famoso, visita uma cidadezinha para autografar seu mais recente trabalho. Após muitos diálogos estranhos com moradores (igualmente esquisitos) é envolvido em um misterioso assassinato. Com direito a sonhos com fantasmas, cenas peculiares e suspense sobre alguns fatos, o escritor corre atrás para apurar toda a louca história em que se meteu.

Val Kilmer (e seu rabo de cavalo) interpreta o escritor de contos de bruxas. Será que algum dia vai baixar, novamente, o santo em Val Kilmer? (fato que ocorreu em sua brilhante atuação no longa “The Doors”). O papel é terrível e a atuação beira à imperfeição. Candidato ao framboesa de ouro desse ano, não pode haver dúvidas.

O longa tem momentos que beiram ao ridículo, o espectador ora fortemente para o filme terminar o mais breve possível. O famoso escritor americano Edgar Allan Poe é citado inúmeras vezes, coitado! Deve estar se revirando no túmulo uma hora dessas. A trilha é horrível. Leva o público, em determinados momentos, para dentro de um filme de faroeste e não para um filme de terror/suspense. Dá a ligeira impressão que a composição fora feita para algum outro trabalho, não esse.

O pior filme do ano disparado, até agora. O personagem principal, tem uma fala que traduz muito bem o sentimento do público: “Meu Deus, estou perdido”. Como Coppola conseguiu dirigir, roteirizar e produzir esse trabalho e não ver que tudo estava muito errado? Realmente, não dá para entender, seu pior filme. Fujam para as montanhas, cinéfilos!

Crítica do filme: 'Twixt'


"Mais um filme do 'new De Niro' que dá mais sono que lexotan..."


O novo trabalho do diretor Paul Weitz (que também dirigiu o primeiro filme da franquia “American Pie”), “Being Flynn”, é um drama que aborda a relação distante entre um pai e um filho em momentos parecidos de suas vidas. As atuações tentam convencer com a carga dramática embutida em cada fala dos personagens, porém, a história perde um pouco o elo com o público, no meio pra frente, esfriando a nota da fita aos olhos cinéfilos.

Na trama, conhecemos Nick Flynn (interpretado pelo jovem Paul Dano) que após trair a namorada aeromoça com outra mulher é despejado de seu lar, indo buscar uma nova aventura em sua vida (tanto no pessoal, tanto no profissional). Após se restabelecer em uma nova casa, recebe um telefonema no mínimo curioso, seu pai que não via fazia 18 anos estava do outro lado da linha pedindo ajuda para uma futura mudança. A imagem que Nick tinha de seu pai era completamente diferente da realidade, na verdade Jonathan Flynn (Robert de Niro) é um vigarista metido à escritor. Mesmo com uma distância tremenda de personalidades, ambos tentarão se reencontrar como uma família.

Os diálogos tem duas fases nessa produção. Na primeira parte do filme ótimas sacadas são expostas, personagens tornam-se carismáticos e um grande elo com o público vai sendo criado. Porém, na segunda parte, o longa se torna cansativo, preguiçoso, os personagens perdem todo o carisma e o filme cai tremendamente. O roteiro (escrito pelo próprio diretor, baseado no livro de Nick Flynn) tinha tudo para se encaixar perfeitamente e aos poucos, infelizmente, vai caindo levando o filme pra baixo, em relação ao conceito cinéfilo.

“Being Flynn” era uma esperança em relação aos filmes cults desse ano. Elementos excelentes erroneamente aproveitados, dentro de uma história que se tornou fria, distante e sonolenta. Cuidado cinéfilo, você poderá cair no sono vendo esse filme. 

Crítica do filme: 'Being Flynn'


'O espetacular Bob Burnquist, que com certeza, deveria usar o instagram'

Após um ótimo trabalho no romântico “500 Dias com Ela”, Marc Webb topou um grande desafio em sua curta carreira, dirigir “O Espetacular Homem Aranha”, uma releitura daquela história que nos acostumamos a conhecer. Com um roteiro que beira ao ‘bobinho’, nessa versão, Peter deveria tentar uma vaga nos X-Games, em algumas sequencias radicais parece que ele tem um skate mágico e se esquece das teias, que é a grande marca do personagem. Algumas coisas não mudam, um amor, o mesmo erro com o tio, a radicalização das ações por conta da raiva, mas jogando tudo no liquidificador esse novo filme do famoso herói deixou muito à desejar.

Na trama, o agora (novamente) jovem Peter Parker é um estudante tímido e nerd do ‘high school’ americano que sofre ‘bullying colegial’, típico de qualquer filme-clichê americano (recebendo todos os tipos de agressões fúteis do Flash, não aquele que você está pensando). Vive com seu tio e tia em uma pequena casa, levando uma vida sem muitas badalações. Possui uma paixão, sua primeira, por uma loirinha de sua sala mas nunca tem coragem para convidá-la pra sair. Após se infiltrar, em um tour em uma empresa de biotecnologia avançada, é picado por uma aranha e ganha super poderes (sem novidades nisso , não é?). Ao mesmo tempo, encontra uma pista que vai ajudá-lo a entender porque seus pais desapareceram quando ele era bem jovem. Com seus novos poderes, vai atrás dessa verdade e acaba entrando no caminho do doutor, somente canhoto, Curt Connors (interpretado por Rhys Ifans), ex-amigo de seu pai, que no meio pra frente da fita, vira o monstrengo verde rabudo que quer destruir a cidade. Assim, Peter terá que combater essa ameaça, além de fugir da polícia, que está no seu pé.

Fotógrafo, skatista, cinéfilo (Peter tem um pôster de um clássico de Hitchcock na parede), o roteiro parece que foi adaptado à nova era tecnológica e de esportes radicais. Tecnologia de entradas ‘touch screen’ à efeitos visuais de última geração são vistos a cada segundo. O carismático herói possui celular, GPS e rastreamento de furtos totalmente digitais. Já que Peter virou da ‘geração Y’, será que ele usa o Instagram? Eis a questão. Assim como em outros carnavais, Peter busca sua identidade (digital?)e descobre aos poucos o herói que há, agora, dentro dele.

Andrew Garfield, o novo dono da camisa vermelha e azul aracnídea, faz uma leitura bem interessante de seu personagem (anteriormente interpretado por Tobey Maguire, na outra história do mascarado). Consegue ser um dos pontos positivos do filme, que conta com muitos exageros nas exibições dos poderes, beirou à filmes daquela famosa sessão que tanto gera críticas por parte dos cinéfilos.

Onde diabos está a Mary Jane Watson? Muitos se perguntarão e já até confudem na internet, achando que Emma Stone interpretada a jovem ruiva. Mas na verdade a jovem atriz (que está na crista da onda em Hollywood) interpreta a outra grande mulher na vida de Parker, Gwen Stacy.

Com um momento ‘Matrix’ já no seu desfecho, “O espetacular Bob Burnquist” passa longe de ser um bom filme. Pode até ser uma boa diversão, mas não convence a maioria, bola fora esse restart na franquia. 

Crítica do filme: 'O Espetacular Homem Aranha (2012)'


"..não importa para onde vão ou se serão felizes, o que importa é você sonhar.."

Em seu primeiro longa metragem, como diretora, Sylvie Testud explora a mágica do universo da viagem no tempo, com toda a trama sendo executada por personagens carismáticos, porém, bastante complexos, que às vezes se perdem nas composições e direcionamentos que a história vai rumando. A musa francesa Juliette Binoche mais uma vez exala talento e se torna um dos destaques da fita.

Na trama, que tem o roteiro baseado em um livro de Frederique Deghelt, somos apresentados rapidamente e sem enrolação à uma jovem morena francesa que se apaixona perdidamente por um rapaz e após uma noite de muito carinho e acorda anos mais tarde e descobre que é  mãe de um menino e que seu marido(que é o mesmo que ela passara à noite anos atrás) e ela estão no meio de um divórcio. Assim, a jovem, agora madura, precisa reconquistar muitas pessoas importantes em sua vida que deixaram lacunas por conta do rumo em que sua vida se determinou.

O filme aborda questões interessantes sobre o futuro de uma jovem que possui dúvidas e sofre com a doença do pai. Quando é modificado seu universo,ela percebe que a partir de algumas decisões tomadas, sua vida e sua personalidade foi modificada de alguma forma e essa busca é um elo importante com o espectador, onde juntos, vão descobrindo as respostas.

O roteiro ganha o público pelos excelentes (e profundos) diálogos. A ato final, a declaração, a exposição do sentimento de maneira viva, nua e crua é algo primoroso e leva às lágrimas os cinéfilos que conseguem se identificar, de alguma maneira, com aquela história. É impressionante como Binoche se transforma nos personagens, mesmo o filme ser longe de ser um espetáculo, a artista francesa precisa de poucos minutos para ganhar a confiança e simpatia do público. Vejam todos os filmes dela, mas assitam por ela, super recomendado!

Em seu desfecho, as opiniões serão diversas. Na cena final, não importa para onde vão ou se serão felizes, o que importa é você sonhar! Veja esse filme!

Crítica do filme: 'A Vida de Outra Mulher' (La vie d'une autre, 2012)


Filme abre discussão sobre sistema manicomial brasileiro e tem estreia transmídia



No dia 20 de julho estreia o filme “Menos que Nada”, do diretor e roteirista Carlos Gerbase, responsável também por “3 Efes” e “Tolerância”. A novidade dessa produção é que o lançamento será realizado ao mesmo tempo nos cinemas, em DVD e na internet via streaming.  A proposta da produção é facilitar o acesso do público ao cinema nacional e ampliar a discussão sobre o sistema manicomial e a saúde pública no Brasil, abordados no longa-metragem.

O enredo de “Menos que Nada” conta a história de Dante (Felipe Kannenberg) um homem solitário, que sofre de esquizofrenia e vive num hospital psiquiátrico esquecido pelos amigos e a família. O estado de saúde de Dante começa a mudar quando a nova médica residente Paula (Branca Messina) se interessa pelos seus sintomas e decide investigar sua vida, buscando pessoas do seu passado. Completam o elenco: Rosane Mulholland (René), Maria Manoella (Berenice) e Carla Cassapo (Laura).

A relação médico e paciente é explorada nesse suspense, que tem como pano de fundo os sintomas da esquizofrenia e o desencadeamento dessas reações. Para movimentar essa discussão e fazer as pessoas refletirem sobre o filme e o assunto, “Menos que Nada” promoverá uma forte interação com o público na internet por meio das suas redes sociais, no Facebook e no Twitter.  

Serão publicadas informações sobre produção, elenco, curiosidades, estudos sobre o tema, análises de psiquiatras e psicanalistas, com a proposta de gerar discussões sobre esses temas e trazer pessoas para socializar dentro desse universo. Também serão realizadas promoções e desafios sobre o filme com os usuários.

Descubra mais sobre o filme:

Facebook Menos que Nada: https://www.facebook.com/menosquenada
Twitter Menos que Nada: https://twitter.com/menos_que_nada


Filme “Menos que Nada” abre discussão sobre sistema manicomial brasileiro e tem estreia transmídia


Dirigido pela dupla James Mather e Stephen St. Leger, “Lockout”, é uma mistura tosca de “O Quinto Elemento” e “Fuga de Absolom” conseguindo pegar todos os elementos ruins contidos nesses longas e fazer uma produção completamente sem originalidade. Resumo da obra? Mais do mesmo: explosões, cenas impossíveis, a física sendo quebrada no espaço e muitos outros exemplos de clichês que vemos na maioria dos filmes de ação hoje em dia.

Na trama, conhecemos Snow, um homem de caráter duvidoso que foi injustamente condenado por um crime que não cometeu. Assim, acusado de espionagem contra os EUA é mandado a temida prisão intergaláctica onde todos os presos passam os anos dormindo e onde muito não sobrevivem. A sorte do protagonista começa a aparecer quando ele descobre estar em meio a uma conspiração e acaba entrando em acordo com o governo, que oferece a sua liberdade, se ele conseguir resgatar a filha do presidente que ficou presa em um ambiente hostil durante uma rebelião.

Se pra fazer todo rei no mundo do cinema/seriados chamam o Sean Bean, para todo cara dupla face/mafioso chamam o Peter Stormare (que ficou famoso pelo seu personagem no seriado “Prison Break”). Mas dessa vez Stormare passou longa de uma boa atuação, caricato em todos os momentos. Quem também está horrível é a ex-lost Maggie Grace, uma das piores atuações femininas desse ano até o momento.A corrida para o Framboesa de Ouro vai ser disputada esse ano.

Mas quem rouba a cena, no ponto de vista negativo é um rosto conhecidos dos cinéfilos. Realmente Guy Pearce se superou. Está conseguindo aos poucos guiar sua carreira no mesmo vento que a daquele conhecido Nicolas, sobrinho do famoso diretor. Muitas escolhas estranhas desse bom ator que chegou ao clímax de sua carreira em “Amnésia” (dirigido pelo mestre Nolan) e quase colocou tudo a perder no tenebroso “A Máquina do Tempo”.  Torcemos para que os deuses cinéfilos abençoe a cabeça desse artista inglês e ele volte a participar com destaque de muitas produções daqui pra frente.

Como podem perceber, nem citei muita coisa sobre o filme, não quero fazer vocês perderem o tempo de vocês como eu perdi o meu.

Crítica do filme: "Lockout" / "MS One: Maximum Security"