A consciência tranquila ri-se das mentiras da fama. Dirigido pelo norte-americano Doug Ellin, Entourage: Fama e Amizade nada mais é do que mais um episódio do seriado de sucesso homônimo que teve longos anos na televisão norte-americana. Sem nenhum tipo de introdução sobre as origens dos personagens, roteiro escrito como se fosse um capítulo especial de ‘season finale’,  o aguardado longa-metragem é praticamente uma homenagem aos milhares de fãs da série, somente isso. Quem nunca viu o projeto feito para a Tv pouco vai entender e pode até achar sonolentas e bobinhas as histórias de fama e confusões dos quatro personagens principais dessa história.

Na trama, que praticamente começa um tempo depois de onde se encerrou o seriado, voltamos a acompanhar as aventuras e confusões de Vinny (Adrian Grenier), um conhecido astro mundial de filmes e de seus três braço direitos: Eric (Kevin Connolly), Turtle (Jerry Ferrara) e o impagável Johnny Drama (Kevin Dillon). Ao lado também do cômico Ari Gold (melhor papel da vida de Jeremy Piven, sempre com atuações inspiradas nos episódios da série), o filme se monta em cima de uma nova virada na vida de Vinny que dessa vez resolveu estrelar e também dirigir um longa-metragem e para isso vai precisar de toda a ajuda de seu staff. 

O maior pecado desta produção, que teve um orçamento na casa dos 30 milhões de dólares, é não preencher as lacunas completas para qualquer pessoa que nunca ouviu falar de Vinny e companhia entender quem são os personagens. O roteiro vai direto ao ponto das farras, luxo, confusões e deixa de se tornar mais interessante, principalmente nas subtramas dos outros três personagens que compõe o grupo de personagens principais. O drama de Eric por exemplo é contado de maneira bem rasa, a historinha de amor entre Turtle e Ronda Rousey (sim, ela mesma) é extremamente forçada e acaba dando a entender que o filme pega carona no sucesso da campeã mundial do UFC. Mais forçado ainda somente o globo de ouro dado a Johnny Drama, um personagem que sempre dependeu dos outros para ter um certo brilho. 

Resumindo, e não prolongando, o projeto merecia mais. Num mundo de hoje onde os seriados tomaram conta de uma parte do tempo que antes era dedicado aos filmes pela população mundial, porque não fazer um bom filme baseado num seriado de sucesso? Somente homenagem aos fãs é muito pouco.

Crítica do filme: 'Entourage: Fama e Amizade '

Depois de dirigir inúmeras comédias, algumas boas outras ruins, o cineasta norte-americano Peyton Reed ganhou a chance de dirigir o filme de um super-herói nem um pouco badalado (você leitor pode até nem nunca ter ouvido falar dele) mas que poderia ganhar o carinho dos cinéfilos nerds mundo à fora por conta da simpatia. O resultado final é exatamente esse. Homem-Formiga é um filme que muita gente não esperava muita coisa, talvez só a mesma historinha chata de super-herói, mas o longa-metragem que tem Michael Douglas e o eclético Paul Rudd como protagonista surpreende positivamente com muito ritmo em suas cenas de ação e uma construção muito divertida de toda a história do personagem título.

Na trama, conhecemos o recém saído da prisão Scott Lang (Paul Rudd), um engenheiro elétrico perito em roubos específicos e elaborados. Tentando recompor sua vida, tenta a todo custo voltar a poder visitar sua única filha Cassie. Certo dia, já no desespero de poder conseguir uma vida melhor, Scott rouba um traje de super-herói em uma casa. Mal sabia ele que tudo fazia parte de um plano organizado por Dr. Hank Pym (Michael Douglas), um homem com um passado de super-herói que agora precisa treinar um novo pupilo.

O filme é recheado de bons momentos que explicam bem objetivamente cada personagem e os porquês de suas ações. A personalidade bem descolada e amável de Scott Lang, ajudam de cara o personagem a ter uma explosão de empatia na telona. Até as piadinhas sem graça funcionam como uma luva nos ótimos diálogos que o longa-metragem possui. Talvez, o único personagem que não tenha sido bem definido ou pelo menos não conseguimos entender por completo é o vilão Darren Cross, interpretado pelo ator Corey Stoll. Mas mesmo com um vilão fraco, o Homem-Formiga consegue se superar.


Para quem curte o universo Marvel, o filme deve agradar bastante. Para quem nunca ouviu falar no personagem título, também. Homem-Formiga é um daqueles bons filmes de super-heróis que resgatam um personagem até então desconhecido para quem não conhece os quadrinhos a fundo, para torná-lo um dos personagens mais carismáticos. Em breve, Homem-Formiga em mais filmes da Marvel. Que bom!

Crítica do filme: 'Homem-Formiga'

Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente. Depois de mais de 50 trabalhos no mundo do cinema como diretor, o ótimo cineasta nova iorquino Jonathan Demme chega às telonas do cinema com seu novo projeto, Rick and the Flash , estrelado por nada mais nada menos que uma das melhores atrizes do planeta, Meryl Streep, e com um roteiro da sempre badalada Diablo Cody (Juno). Pena que só de nome não se faz um belo filme. Com poucos altos e muitos baixos, o filme navega na linha sentimental cafona ofuscando todo e qualquer brilho que os personagens possam ter. Resumindo, pegaram a história e a transformaram em uma pipoquinha sessão da tarde, com poucos momentos impactantes.

Na trama, conhecemos a roqueira e caixa de supermercados de produtos orgânicos Rick (Meryl Streep), uma mulher que abandonou o marido e os três filhos, anos atrás, para continuar sua busca inconseqüente de fazer sucesso com suas músicas. Vivendo uma vida bem simples e sem muitas pretensões, certo dia recebe uma ligação de seu ex-marido, Pete (Kevin Kline), dizendo que precisa dela, pois, a filha deles está muito abalada pelo recente e traumático término do casamento. Assim, sabendo que irá enfrentar todo o trauma de seu passado, Rick embarca em uma jornada que vai mudar para sempre, novamente, sua vida.

Em um filme que tem Meryl Streep, a melhor coisa sempre é a Meryl Streep. Parece que essa escrita novamente foi mantida. A grande atriz em questão faz de tudo para o filme funcionar mas acaba não conseguindo. O filme se torna apenas mediano como um todo. A decepção porém, é maior por conta da expectativa gerada por conta da qualidade de todos envolvidos no projeto. É difícil saber por onde começamos a lista de decepções que cercam essa trama, mas dois pontos são bem nítidos ao longo da projeção. Primeiro, a direção, que deixa muito a desejar, do premiado ganhador do Oscar Jonathan Demme. Segundo, o roteiro sonolento e com poucos momentos de brilho, escrito por uma roteirista que sempre gera expectativas positivas.

O filme estreia no próximo dia 03 de setembro aqui no Brasil, e, provavelmente, irá levar uma boa quantidade de pessoas aos cinemas por conta do elenco conhecido que tem. Mas, Rick and The Flash, já pode muito bem ser considerado com uma das grandes decepções do ano. Os cinéfilos mereciam um trabalho com mais força, estamos cansados de ‘blockbusters sessões da tarde’, queremos filmes de qualidade cada vez mais.



Crítica do filme: 'Rick and the Flash - De Volta para Casa'

O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente. Um dos grandes destaques do último festival de cinema de Gramado, O Último Cine Drive-In marca a estréia do diretor Iberê Carvalho na direção e com muita delicadeza faz uma bela homenagem ao mundo perdido dos 35 mm e dos Drive-in, praticamente extintos no Brasil e que antes faziam parte do circuito cinematográfico brasileiro. Com uma poderosa atuação do experiente Othon Bastos e com as ótimas interpretações de Fernanda Rocha , Breno Nina , o filme cria um entrosado clima para desfrute dos cinéfilos de plantão.

Na trama, conhecemos o jovem  Marlombrando (Breno Nina), um rapaz de menos da meia idade que se vê perdido em um caos emocional enorme com a ida da mãe a um hospital, os conflitos do passado que precisa enfrentar e as lembranças lindas de uma vida antiga mas que ainda o traz boas lembranças. Seu pai, Almeida (Othon Bastos) é dono de um quase abandonado Drive-in em Brasília e lá o futuro de todos será decidido a partir das escolhas que são muito mais do coração do que da razão.

Em meio a 35 mms, uma crítica (não muito profunda) a indústria cinematográfica e aos governantes que muitas vezes preferem construir prédios em vez de investir na cultura, o longa-metragem de 100 minutos é um drama carregado de emoção que possui um primeiro ato praticamente perfeito que deixam o espectador com os olhos grudados nos acontecimentos. A carga emocional embutida em cada conflito de cada personagem ajudam e muito a história de tornar interessante a todos.  O Último Cine Drive-In , de uma maneira geral, é, sem dúvidas, um dos trabalhos mais consistentes do nosso cinema nos últimos anos.


O único fator que pode causar algum ponto negativo com o filme, é que a trama arma todo seu conteúdo para um grande final, ou alguma surpreendente ideia que a história possa apresentar, porém, as conclusões que se chega ao final são bem pés no chão e nem de longe há um clímax impactante. Mas, como já mencionado, a delicadeza com que os personagens são interpretados gera uma empatia instantânea com o público, que deve gostar bastante desse belo trabalho nacional.   

Crítica do filme: 'O Último Cine Drive-In'

A personalidade criadora deve pensar e julgar por si mesma, porque o progresso moral da sociedade depende exclusivamente da sua independência. Transformando uma história simples em um fabuloso roteiro, chega aos cinemas dia 27 de agosto um dos filmes mais elogiados dos últimos tempos de nosso cinema, Que Horas ela Volta? Sensação por onde foi exibido e contando com uma direção inspirada de Anna Muylaert, o longa-metragem de 112 minutos é cativante do início ao fim. Para dar vida à forte protagonista, parece não haver dúvidas que a escolha pela atriz e apresentadora Regina Casé foi mais do que certeira, uma atuação espetacular que vai fisga o espectador desde os primeiros diálogos.

Na trama, acompanhamos a carismática empregada Val (Regina Casé), uma mulher que vive já há anos com uma família de classe alta em São Paulo. A personagem é detalhada, um raio-x completo de sua personalidade é apresentado ao público de maneira muito eficiente. Val possui um grande conflito mal resolvido em seu passado, com sua única filha que precisou abandonar há mais de 10 anos. Toda essa junção de emoções chega como uma erupção sentimental quando a antes jovem, agora vestibulanda Jéssica (interpretada pela excelente Camila Márdila), bate em sua porta. Seu único contato em Sp, onde quer prestar o vestibular, é a própria mãe. Assim, numa leque de situações, algumas um tanto quanto constrangedoras, mãe e filha precisam definir para sempre seu destino. 

Estimado em cerca de 4 Milhões de reais, esse possível concorrente brasileiro ao próximo Oscar, escancara ao público situações que acontecem frequentemente em nossa sociedade, muito por conta do desmotivador senso comum que algumas pessoas utilizam, as vezes sem nem perceberem no seu cotidiano. Val é a simplicidade em pessoa, ingênua, amorosa, que faz de tudo para cumprir fielmente seus afazeres no lar de seus patrões. A relação maternal que possui com Fabinho (Michel Joelsas), filho de seus patrões, em vários momentos geram emoção. Ela é quase a mãe que ele não teve presente, e ele é quase o filho que ela se distanciou. Há um complemento muito bonito nas conclusões de todos os personagens, entendemos isso melhor já no desfecho da trama.

Que Horas ela Volta? traduz, usando o cinema como linguagem, a questão do ser se sentir livre novamente, quase um exercício do recomeçar. A relação entre mãe e filha chega nesse ponto. A vida de Val era tão vaga, tão pequena que precisou chegar sua filha que não via há anos para mostrar a Val que o indivíduo vive melhor perto da família e quando o sonhar volta a aparecer em nossas vidas. Nessa hora, Regina Casé mostra todo seu talento e posiciona de vez sua personagem como uma das melhores do cinema nacional dos últimos anos. 


O filme deixa uma lição muito importante, um raciocínio que Ernesto Guevara de La Serna, o Che, já proclamava aos montes por onde passava: Sonha e serás livre de espírito... luta e serás livre na vida. 

Crítica do filme: 'Que Horas ela Volta?'

Em seu primeiro longa-metragem feito para cinema, o cineasta Morgan Matthews percorre as dificuldades e o dia a dia de uma família que enfrenta um grande desafio atrás do outro. X + Y – A Brilliant Young Mind é uma produção britânica bastante interessante que fala sobre uma mãe que busca a melhor maneira de se comunicar com o filho, um menino especial que adora matemática e um professor desiludido que tentar conseguir respirar na sua visão caótica de tudo que o cerca.

Na trama, acompanhamos a saga do jovem Nathan Ellis (Asa Butterfield), um jovem prodígio da matemática que busca a ajuda de Martin Humphreys (Rafe Spall), um professor brilhante mas desmotivado com a vida, para conseguir buscar uma vaga na olimpíada mundial de matemática. Ao mesmo tempo, precisa lidar com a dor da perda do pai (seu grande amigo) e tentar se comunicar melhor com sua mãe Julie Ellis (Sally Hawkins), por quem sempre teve uma certa distância.  

O personagem principal da história, Nathan, um adolescente recluso que não consegue pensar nada diferente do que matemática aplicada. Possui muitas lacunas de sociabilidade deixadas em aberto que ao longo do filme vão começando a serem preenchidas, muito pela chegada da amizade, do amor, e de uma força constante de sentimentos bons vindos de sua mãe.

A figura maternal, interpretada pela competente Sally Hawkins, é o retrato da solidão de uma mãe que vive a infelicidade diária após a perda, de maneira trágica, do marido e também por não conseguir se comunicar direito com seu único filho. Somos testemunhas das inúmeras situações onde ambos não sabem como agir. Alguns impulsos de melhorias nessa relação vem muito pela mãe, até estudar matemática ela vai. A chegada do professor Humphreys na vida da família, ajuda demais na maturidade e relação dos personagens.


Em X + Y – A Brilliant Young Mind, que dificilmente chegará aos cinemas brasileiros, a matemática pura fica em segundo plano. O que vamos decifrando aos poucos são as complicadas equações do amor, da família, dos relacionamentos de amizade, das perdas e da esperança.

Crítica do filme: 'X + Y – A Brilliant Young Mind'

Se você ama alguém isso te permite não achar perfeição em outra pessoa. Seguindo a linha do clássico de Linklater, Antes do Amanhecer, o projeto Before We Go, primeira experiência do capitão América Chris Evans na direção de um filme, é uma história romântica de duas almas que se encontram mas não necessariamente terminarão essa jornada juntos. Evans se arriscou bastante atrás das câmeras, teve lados positivos e negativos oriundos dessa coragem como diretor. Before We Go , de apenas 89 minutos, foi exibido no último festival de Toronto e ainda não tem data para estrear no Brasil.

Na trama, conhecemos o trompetista Nick Vaughan (Chris Evans), um homem com dores de um amor do passado que encontra-se próximo de uma grande chance na carreira e para isso toca seu instrumento numa movimentada estação de trem nos Eua. Certo dia, já perto de ir embora, acaba conhecendo a bela Brooke Dalton (Alice Eve), uma mulher que acabara de ser furtada e precisa voltar para casa. Assim, as duas almas embarcam em uma curta aventura, pelas ruas de uma grande cidade, em busca de respostas para diversas perguntas.

O roteiro, escrito pelo experiente Ronald Bass (Rain Man) tenta achar seu caminho batendo na tecla da maturidade de pessoas e seus modos objetivos de entender seus respectivos relacionamentos. Em um primeiro momento, parece que a fita vai cair no senso comum de outros filmes com a mesma premissa, porém, se arrisca o tempo todo gerando séries de reflexões talvez um pouco mal construídas pelo problema de construção dos personagens.  


Ao longo da projeção, vamos vendo algumas situações extremamente forçadas que atrapalham pouco a simpática química dos personagens. Existem bons diálogos e raras mas não comprometedoras coadjuvantes que aparecem na história. Porém, um dos pecados do filme é tentar ser profundo demais sem antes caminhar na construção/características de cada personagem. Nos sentimos em um grande quebra-cabeça com peças misturadas entre o possível e o impossível. A licença poética que o roteiro pede, às vezes, pode ser confundida com uma certa tolerância que o espectador precisa ter com a história. 

Crítica do filme: 'Before We Go'

Após o ótimo Olhos Azuis, que possui em tema bastante parecido com esse novo trabalho, o cineasta paraibano José Joffily volta para atrás das câmeras em um projeto delicado que mostra um rápido cotidiano de brasileiros distante há tempos do Brasil. O documentário, Caminho de Volta, de maneira muito inteligente, aborda histórias interessantes de brasileiros que moram no exterior e de alguma forma nutrem um desejo de algum dia voltar a sua pátria mãe. 

Estados Unidos, Inglaterra, Brasil. Essas três conexões são o pano de fundo deste ótimo trabalho que não deixa de bater firme na tecla da burocracia vital na hora do pensamento em voltar para casa. Assim acompanhamos uma mãe com quase 90 anos que mora há 24 anos com seu filho em Nova Iorque e resolve voltar ao brasil para ficar mais perto do resto de sua família. Também acompanhamos a história de um fotógrafo que vive em Londres e está em um desenrolar financeiro no antigo casamento mas pretende voltar a morar no Brasil com a nova esposa.

Umas dos inúmeras pontos altos do longa-metragem é mostrar um certo paralelismo da vida fora do Brasil com a vivência e as dificuldades que temos por aqui. Por meio de conversas, vídeos pessoais, vamos conhecendo as histórias dos protagonistas. Em um dos relatos mais fortes da trama, a esposa do fotógrafo expõe sua relação, e o fato financeiro vigente nas contas da casa que ela absorve, na frente das câmeras sem nenhum tipo de cerimônia. Ao longo dos pouco menos de 90 minutos de projeção vamos caminhando em um mar de curiosidade por dentro das histórias.


Já no arco final, o desejo, os planos e as expectativas de voltarem para casa ganham sinais de ansiedade e em muitos momentos, os personagens parecem esquecer que as câmeras estão ligadas. Caminho de Volta é um projeto que muitos espectadores vão se identificar, seja por parentes que estão longe, ou seja por experiências próprias. Afinal, uma das palavras que só existe no português, saudade, não pode ser um eterno filme em cartaz. 

Crítica do filme: 'Caminho de Volta'

Depois de inúmeros bons trabalhos no mundo do cinema, o cineasta brasileiro Jorge Furtado volta as telas grandes com o reflexivo Real Beleza. O filme é um grande exercício do perfeccionismo humano. Na maior parte do tempo focado em seu protagonista, Jorge Furtado arrisca ao se jogar em um drama com bom potencial mas sem um protagonista forte, Vladimir Brichta deixa muito a desejar em cena. Cuoco quando entra em cena, parece que vai salvar o filme mas os primeiros e empolgantes minutos dele em cena ficam por aí. 

Na trama, somos envolvidos na vida do fotógrafo João (Vladimir Brichta), um homem em decadência profissional que parte para o sul do país em busca de um novo rosto para trabalhos internacionais. Durante essa busca, acaba conhecendo a mãe de uma das candidatas, Anita (Adriana Esteves), e logo se apaixona perdidamente. Próximo do fim de sua estadia na cidade, João busca soluções para resolver seus conflitos.

O longa-metragem tem ares teatrais, uma trilha sonora que faz questão de se tornar presente quase que o tempo todo, diálogos que pouco se aproveitam do improviso. As duas almas que se apaixonam parecem não demonstrar ao espectador o sentido dessa relação, os acontecimentos são muito rápidos e não houve contexto para demonstrar o amor miojo (3 minutos tá pronto).


Para uma análise mais ampla, tentamos a todo instante entender o personagem principal. Um andarilho em busca das belezas do mundo, um observador da rotina, dos lugares, das pessoas. Parece estar em conflito diariamente com seu próprio eu. Os possíveis clímax como o processo de escolha de uma nova modelo ou até mesmo o peculiar triângulo amoroso que é projetado ficam em segundo plano. Quem conseguir fisgar essa ideia pode conseguir se conectar melhor com o filme como um todo. 

Crítica do filme: 'Real Beleza'

O coração da mulher, como muitos instrumentos depende de quem o toca. Um dos criadores do famoso movimento cinematográfico dinamarquês Dogma 95, Thomas Vinterberg, volta às telonas dessa vez em uma história de época, baseada na obra de Thomas Hardy. Longe Deste Insensato Mundo é uma acanhada trama sobre uma mulher e suas fortes decisões tanto para sobreviver, quanto para o amor. No roteiro adaptado assinado por David Nicholls (Um Dia) há um contexto amplo na parte introdutória que deixa a trama um pouco difícil de se tornar atraente por mais que a protagonista, interpretada pela sempre ótima Carey Mulligan, tenha muitas qualidades ao longo das quase duas horas de projeção.

Em uma época onde não existia o Tinder, conhecemos a indecisa e corajosa Bathsheba Everdene (Carey Mulligan), uma jovem que após o destino a premiar com a herança total de um tio bem de vida, se vê em dúvida entre o amor, a paixão, o desejo, e suas convicções, por três homens completamente distintos. Ao longo das semanas, vários acontecimentos vão se moldando a partir das escolhas, muitas delas equivocadas, da personagem principal. Às vezes profunda, as vezes rasa, a história é premiada apenas pela força da protagonista.

A trama, que já teve um projeto anterior em 1967, com Julie Christie no papel principal, vai se moldando de forma lenta, sempre guiado por uma forte e preponderante trilha sonora, assinada pelo escocês Craig Armstrong (O Grande Gatsby). Carey Mulligan interpreta uma mulher a frente de seu tempo que luta diariamente pela liberdade de suas ações. Mais uma interpretação poderosa dessa baita atriz britânica. Uma das cenas mais bonitas do filme, Milligan usa e abusa de sua habilidade no canto, exatamente como fez em Shame.


Longe Deste Insensato Mundo é o tipo de filme que a crítica gosta mas o espectador nem tanto. Quem curte filmes de época, esse pode ser um prato cheio com tudo que tem direito, além da belíssima fotografia, direção de arte e figurino.  Mas infelizmente fica bem abaixo de um filme que o grande Vinterberg pode realizar.

Crítica do filme: 'Longe Deste Insensato Mundo'

Depois de dois anos afastado do mundo mágico do cinema, o famoso ator britânico Hugh Grant volta às telonas da melhor maneira possível interpretando um papel bem a sua cara que vai tirar diversas risadas do público. Dirigido pelo cineasta nova-iorquino Marc Lawrence (do ótimo Letra e Música e do péssimo Cadê os Morgan?), Virando a Página é uma comédia bem água com açúcar mas que cresce bastante com o entrosamento e a força cênica que o elenco possui. Os ótimos J.K Simmons (atual vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo espetacular Whiplash) e a sempre bela Marisa Tomei são coadjuvantes de luxo nesse bom trabalho.

Na trama, acompanhamos a trajetória do roteirista, vencedor do Oscar, Keith Michaels (Hugh Grant), um trabalhador do mundo do cinema que após um grande sucesso, sua carreira nunca mais foi a mesma e ele foi esquecido por estúdios em toda Hollywood. Sem dinheiro nem para pagar a conta de luz de sua casa, resolve aceitar uma oferta inusitada: dar aula de roteiros em uma faculdade no interior dos Estados Unidos. Chegando na desconhecida cidadezinha começa a tentar reconstruir sua vida. Para isso, ele vai contar com a ajuda da Holly Carpenter (Marisa Tomei) um estudante do curso de roteiro.

O mérito deste projeto, a princípio, é do roteiro, que consegue demonstrar uma inteligente forma de apresentação da situação principal e dos personagens, sempre com uma leveza que gera de cara uma empatia do público. A direção de Lawrence é bastante competente e obviamente abriu em muitas cenas, a opção do improviso que é uma das boas características do seu protagonista britânico.


Hugh Grant é conhecido pelas comédias que levemente tocam em dramas existenciais ou algo muito profundo. Tem gente que acha que o Sr.Grant interpreta sempre o mesmo papel nos filmes, mas Hugh, principalmente nesse trabalho, mostra que é um ator maduro e consegue adentrar ao drama sem esquecer de sua veia cômica. Virando a Página nada mais é que um grupo de pessoas que estão virando a página de suas vidas, a situação não se limita ao protagonista, e isso é bem legal, dá um certo ritmo à história. 

Crítica do filme: 'Virando a Página'

Novamente dirigido pelo ator, comediante e cineasta Seth MacFarlane, Ted 2 volta a apresentar a mesma proposta de um humor um tanto quanto ofensivo e sem muito bom senso. Estrelado pelo famoso ator Mark Wahlberg (que teve em Os Infiltrados seu auge) e com um característico ritmo ‘sem noção’ de acontecimentos, o longa-metragem deve conseguir uma boa bilheteria mundo a fora, repetindo o sucesso do primeiro filme. Mas, é um filme bom? Isso, Ted 2 passa longe de ser classificado.

Na trama, voltamos a conhecer as histórias do ursinho de pelúcia Ted (Seth MacFarlane) que emplacou um namoro com sua amiga de trabalho Tami (Jessica Barth) e o próximo passo desse quase extraterrestre bichinho de pelúcia é ter um filho. Assim, em uma série de situações para lá de constrangedoras, Ted e sua namorada querem ter o direito a realizar o procedimento de inseminação artificial, e para tal, precisarão provar na justiça que Ted é um ser humano.  Seu eterno e fiel escudeiro amigo John (Mark Wahlberg) o ajudará em todo esse processo.

As situações que se mete Ted nessa sequência são para lá de absurdas. É muito difícil entender a lógica de uma história que tem como protagonista um bichinho de pelúcia falante e maconheiro que busca viver normalmente como um ser humano. São os cúmulos dos absurdos jogados em linhas belicosas do roteiro que deixam o público meio sem reação para tanta bobagem em cena. Ted 2 passa longe de ser um filme para pensar ou mesmo de ser um filme que serve para se divertir. Há um exagero em quase todas as linhas do roteiro.


Com um orçamento na casa dos 80 milhões de dólares, o blockbuster estreia em 27 de agosto aqui no Brasil, quase dois meses após o lançamento do filme nos Estados Unidos. Será que o filme conseguirá repetir o sucesso do primeiro filme (que foi a nona maior bilheteria no ano de 2012)? Será que o público vai conseguir suportar as piadinhas e o ambiente totalmente sem noção que Seth MacFarlane criou nessa história? 

Crítica do filme: 'Ted 2'

Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do homem, mas não para a sua ambição. Baseado na obra de Stephen Amidon, o surpreendente longa-metragem italiano dirigido pelo cineasta Paolo Virzì, Capital Humano, possui atuações acima da média, uma direção muito instigante que destaca a força cênica do ótimo elenco além de um roteiro muito inteligente que deixam o espectador com os olhos vidrados na telona. Dividido em capítulos, onde conhecemos versões diferentes de uma situação trágica em um certo período de tempo, o filme é um drama que de repente vira um suspense eletrizante.

Na trama, somos apresentados a um acidente numa estrada logo nos primeiros minutos iniciais e aos poucos vamos conhecendo personagens que de alguma forma, uns mais outros menos, estão diretamente envolvidos com o ocorrido. Dino Ossola (Fabrizio Bentivoglio) é um agente imobiliário que quer se dar bem na vida de alguma forma e resolve juntar seu único dinheiro em um fundo que parecia rentável, não se dá nada bem e tenta contornar a situação. Serena Ossola (Matilde Gioli) é uma jovem inteligente que namorava Massi Bernaschi (Guglielmo Pinelli) e acaba se apaixonando por Luca (Giovanni Anzaldo). Carla Bernaschi (interpretada pela belíssima Valeria Bruni Tedeschi) é uma mulher que vive as custas do marido milionário Giovani Bernaschi (Fabrizio Gifuni) e sonha em poder voltar a estar perto do que gostava no passado, o teatro.  

O roteiro é muito bom. Brinca de deliciar o espectador sempre com ótimas surpresas e ainda é bastante respeitado pelas ótimas captações do diretor. Todos os personagens são bem apresentados e caracterizados. Conhecemos a personalidade de cada um dos em cena de maneira objetiva e recheados de detalhes que ajudam o espectador a dominar as razões e os impulsos de alguns perante ao acidente em que a trama gira.

O paralelismo entre cotações, bolsa de valores, e as relações humanas é uma análise provocativa e com muito fundamento. O personagem que melhor representa esse jogo de valores é Dino, um atrapalhado e metido a malandro que trabalha no ramo imobiliário. O filme não deixa de ser uma crítica aos instintos dos seres humanos quando o assunto é a ambição.


Estimado em cerca de 6 milhões de euros, ótimos artistas, uma direção exemplar, um roteiro criativo e com uma trilha sonora bastante requintada (uma das faixas assinada por Antonio Vivaldi), Capital Humano estreia no Brasil em breve e deve agradar ao público.

Crítica do filme: 'Capital Humano'