Uma visão de certos fatos, pouco vista na sétima arte. O Sofrimento duplo de pais de um jovem em conflito, que entra em confronto com a razão, deixando lares devastados. No novo longa, do estreante na direção Shawn Ku, a dor e a emoção tomam conta do ambiente, com uma história já vista em outros filmes mas com um direcionamento (para mostrar a trama) bastante original. A produção acaba entrando na mesma ótica do tão comentado longa “We Need to Talk About Kevin”, porém, tem uma narrativa dos fatos um pouco diferentes. Ambos os filmes tem ótimas atuações de todo o elenco o que ajuda muito na interação com o espectador.

Na trama, uma família de classe média americana é devastada com a notícia da morte do filho em um atentado numa universidade. Para piorar a situação, são avisados de que seu próprio filho fizera tal ato, provocando um sofrimento de tamanho incalculável.

Para a missão de levar emoção ao público, foram chamados uma dupla muito competente de atores. Michael Sheen e Maria Bello. O primeiro tenta ser o porto seguro, o mais forte da dupla, tentando restabelecer uma certa rotina após os fatos que abalaram sua família. Mas aos poucos o personagem vai se perdendo em seus próprios pensamentos e a raiva da ação do familiar, vira culpa por não ter impedido a tragédia.  Já a segunda, demora a entender a situação. Redatora, é uma mãe muito controladora, que sempre impôs uma certa disciplina ao seu único filho. É devastada com a notícia no começo, aos poucos acaba virando o grande ponto forte da relação do casal e nela é que eles buscam a saída desse terror que estão vivendo.

Com um ótimo elenco, ‘Beautiful Boy’, é super recomendado aos amantes da sétima arte.

Beautiful Boy - Cinema com Raphael Camacho


Poucos diretores conseguem tratar de um assunto tão dramático e difícil com tamanha maestria. Gus Van Santé um desses. Em seu novo trabalho, ‘Inquietos’, não deixa o público tirar os olhos uma vez se quer da frente da telona. Valeu a pena conferir no último dia de sessão, praticamente encerrando a minha participação no Festival do Rio desse ano. O filme tinha que ser emblemático,Van Sant não deixou por menos. O sorriso da platéia após a sessão só comprovava a sensação que tive quando os créditos finais começaram a subir.

Henry Hopper dá vida à Enoch Brae, um rapaz com um passado muito triste que frequenta velórios, compensando sua não ida ao enterro dos pais (fato que sabemos no decorrer da trama). Isso vira uma espécie de “ritual” em sua vida. Tudo muda quando entra na história a bela Annabel Cotton (interpretada pela carismática atriz polonesaMia Wasikowska). Eles se conhecem em uma das idas de Enoch à uma dessas cerimônia e de lá nasce uma amizade, que vai virando amor, a cada take seguinte. Após saber que uma das partes dessa paixão está com câncer terminal, resolvem aproveitar cada segundo de suas vidas sendo provocativos com as idéias e o mundo, inquietos.

Henry e Mia tem uma harmonia impressionante em cena. Fruto dá ótima condução, já mencionada, do famoso diretor da produção.

Antes do longa começar, você pensa que a interação será feita por uma dupla. Porém, logo no início da 
trama, vemos que um terceiro elemento tem bastante importância na história. No caso, um personagem fruto da imaginação do jovem protagonista, um ex-militar japonês, interpretado com bastante firmeza pelo ator Ryo Kase.Hiroshi Takahashi é como se fosse um inconsciente de Enoch. Os dois mantém ótimos diálogos durante o filme.

Danny Elfman faz uma trilha fabulosa que compõe perfeitamente cada segundo do que vemos em cena. Mais um trabalho excepcional desse genial artista.

A carga emocional vai aumentando, fazendo o coração saltar até a boca. Muitos espectadores, principalmente, quando o longa ruma para seu desfecho, começam a ficar com os olhos repletos de lágrimas. Resumindo: a emoção toma conta da sala do cinema!

Curta cada segundo de sua vida, seja inquieto!

Recomendado!

Inquietos - Cinema com Raphael Camacho

A fita canadense é uma espécie de cinema para instituições ou feito mesmo para campanhas de direção perigosa. O garoto, personagem principal, faz de tudo para ferrar com sua vida: dirige sem habilitação, pratica muitos assaltos relâmpagos tudo isso somado à muitas abdominais (cenas que volta e meia aparecem nas sequências). Aos poucos, vamos vendo a decadência da juventude através das conseqüências dos atos impulsivos do protagonista.

O jovem que dá nome à produção vive basicamente à sombra do irmão. Um apaixonado por carros, não consegue tirar a licença para dirigir legalmente e volta e meia entra em pegas pela cidade onde mora. Quando entra em dívida por conta de uma aposta não paga, se une ao seu irmão para um racha que pode quitar essa situação. Mais os acontecimentos dessa corrida não saem conforme o planejado.

A câmera estacionada em alguns momentos da trama faz o imaginário cinéfilo trabalhar na eminência das conseqüências das ações. Modo muito interessante usado pelo diretor  Maxime Giroux (que também assina o roteiro ao lado de Alexandre Laferrière). O recurso é uma maneira de fazer o espectador refletir.

Uma “auto-punição” aflora em Jonathan, interpretado pelo meu xará Raphaël Lacaille. Levando a história para um mar de estranhas cenas dramáticas.

O longa lembra um pouco o filme ‘Paranoid Park’, do genial Gus Van Sant. Esses personagens que estão em ebulição em seus conflitos internos é o paralelo dessas produções.

Por conta da conscientização, mesmo tendo que ter um pouco da paciência de Jó, recomendo!

Jo de Jonathan - Cinema com Raphael Camacho


Os diálogos que eram para ser interessantes se tornam bastante vagos ao longo da trama e passam em direções distintas a da história, descaracterizando o foco à produção. A Câmera muito preguiçosa do diretor Azazel Jacobs, não consegue dar ritmo às cenas, o que atrapalha na interação com o público.

Terri Thompson cuida do seu tio (seu único parente), que tem mal de Alzheimer, e sempre usa pijamas (Imaginem o que Glória Kalil pensaria disso...). Sua única diversão é, solitariamente, colocar armadilhas para apanhar camundongos e jogá-los na floresta para digestão de outras espécies. Encontra nas conversas com o assistente social (uma espécie de conselheiro), da instituição onde estuda, um amigo e passa a encarar uma realidade diferente.

John C. Reilly faz o papel do conselheiro que se identifica (ou tenta passar essa impressão) com a história de Terri. Esse bom ator de inúmeros filmes marcantes tem altos e baixos nessa produção. Decepciona um pouco. A mente cinéfila sente falta de um doutor/psicólogo mais carismático. Alguém como Paul Weston, por exemplo (menção ao personagem principal do seriado ‘In Treatment’).

Atos impulsivos de Terri com sua amiga Heather parecem fazer mais sentido do que todas as conversas com o profissional da escola. Chad, o amigo sem cabelo, fica encarregado de encher com humor a trama. O trio novato parece muito maduro interpretando personagens com suas particularidades, em cenas difíceis.

Muitos filmes esse ano tratam dessa ‘problemática bullyingana’. O melhor deles, ‘That's What I Am’, estrelado pelo ótimo Ed Harris, é o melhor desses.

Resumindo, uma analogia à notas escolares: O filme passaria raspando na média final.

Terri - Cinema com Raphael Camacho


O esperado novo longa de Jim Sheridan tenta surpreender com a dinâmica de outro filme famoso (cujo nome é melhor não revelarmos para não estragarmos algumas surpresas dessa fita), mas não conta com uma trama sólida e nem personagens que envolvem o público, se tornando uma grande decepção.

É um filme muito difícil de comentar sobre, sem acabar revelando algum spoiler, porém não se preocupem, quem vos escreve evitará esse tipo de “estraga-surpresa”.

Daniel Craig dá vida a um profissional de sucesso que largou um grande emprego para viver junto de sua família em uma cidade no interior. Sua mulher (interpretada por Rachel Weisz) e suas filhas ficam muito contentes com essa notícia e tudo caminha para uma felicidade sem igual. Porém, a nova casa foi o cenário de um crime no qual uma mãe e suas filhas foram assassinadas. Todos na cidade desconfiam que o criminoso ainda está livre e pronto para matar de novo. Aos poucos a tensão vai tomando conta da telona, levando o personagem principal a uma busca desesperada pelo passado de sua “nova casa”.

Um fato ao decorrer da trama muda o foco do filme, transformando completamente a história. A partir dessa nova ótica, o longa se torna uma busca pela verdadeira história que move, agora, o enredo.

Estranho ver Daniel Craig rindo nos filmes, já que geralmente encarna o estilo “Bronco Bad Boy”, como quando interpreta James Bond e outros personagens. Naomi Watts faz o papel da enigmática Ann, vizinha do novo casal. A famosa atriz está irreconhecível e faz um dos piores longas de sua carreira.

É um suspense cheio de reviravoltas que confundem muito o espectador. As atuações são fracas e não condizem com os nomes em questão. A soma de tudo isso é uma saldo bastante decepcionante. Resumindo, a Casa dos Sonhos acaba se revelando um pesadelo da sétima arte.

A Casa dos Sonhos - Cinema com Raphael Camacho

No novo longa de Selton Melo, 'O Palhaço', o artista do título ganha uma grande importância, sendo visto de uma maneira diferente, em uma crise sobre o que faz da vida, seus sonhos, sua família, seus amores...


Na trama, um grupo de artistas circenses se apresenta de cidade em cidade alegrando a todos por onde passam. Ao decorrer da história, seu mais famoso representante, o palhaço Pangaré (Benjamin) entra em uma crise existencial e corre em busca de encontrar a esperança em algum lugar, sem saber que ela estava mais perto do que ele imagina. O Circo esperança é o nome do lugar onde o grupo de artistas talentosos ganham o pão de cada dia.

O filme tem muito bons diálogos, que ultrapassam à margem do simples e tornam-se originais, cada um deles. Selton, dirige e atua com bastante regularidade e consegue dar a sua marca à produção.

Muito cuidado com o cenário, notando-se grande estudo da produção para a concepção de todas as informações que ajudam o espectador a se envolver melhor com a fita. A caracterização dos artistas também faz parte desse envolvimento.

O delegado Justo, interpretado de maneira sensacional por Moacyr Franco, é um dos grandes coadjuvantes do longa. Sua breve aparição é de aplausos e risos imediatos.

Muito bom ver o nosso cinema agradando cada dia mais os amantes da sétima arte. Ria, se emocione e vá aos cinemas ver O Palhaço!

O Palhaço - Cinema com Raphael Camacho

Uma das grandes surpresas do Festival de Cannes nesse ano, Take Shelter, é intrigante e deixa o espectador comprometido com os acontecimentos. Não sabemos se o que se sucede com o protagonista são fatos relevantes ou não, deixando sempre uma dúvida em torno das questões. Cada linha do roteiro, feito por Jeff Nichols (que também dirige o longa), é brilhantemente trabalhada e a execução é muito bem feita pelo elenco.

Na trama, um homem trabalhador vive com sua mulher e sua filhinha(que é surda) num pacata cidade americana. Em um certo momento passa a ser guiado por alucinações e fica a mercê da eminência de uma grande tempestade, gerando sérias conseqüências para ele e sua própria família.

Entre pesadelos e pensamentos assustadores a figura do pai, interpretado pelo ótimo Michael Shannon, consegue deixar o clima de suspense no ar. A busca de Curtis, seu personagem, para saber o que realmente está acontecendo com ele é o que, de fato, consegue atrair a atenção do público. Há uma certa negação por parte do mesmo em relação aos seus atos e a construção do abrigo, fora os atos inconseqüentes, vão levando-o para um limite físico e mental. O desespero e vontade de falar tudo que estava sentindo, fica claro, na cena do jantar na comunidade, que é a melhor cena do filme com uma baita atuação de Shannon.

Jessica Chastain (que vimos recentemente em ‘A Árvore da Vida’ como a mãe do Sean Pen)n, constrói Sam, sua personagem, de forma muito competente. As estranhas atitudes de seu marido na trama vão transformando sua personagem.

Aos poucos vamos nos perguntando: O que estamos vendo é um breve distúrbio psicótico? O que acontece com aquele bom homem pai de família?

O desfecho é emblemático e transforma essa fita numa das melhores produções do ano! Não deixem de conferir!

Take Shelter - Cinema com Raphael Camacho


O jovem Fabricio Santiago tem 23 anos é ator, diretor, roteirista e também foi integrante do grupo Nós do Morro, desde o ano de 1998 até junho de 2010, onde cursou as disciplinas que integra a grade curricular de formação artística do grupo. Na televisão já participou do elenco de Malhação, Tv Globinho, Sitio do Pica Pau Amarelo entre outros. Atualmente, fez parte da produção Vamos Fazer um Brinde, que foi um dos filmes nacionais selecionados para o Festival do Rio de Cinema desse ano. Para falar um pouco da sua carreira no cinema e seus futuros projetos, fomos conversar com o artista carioca.  




1)      Como surgiu o convite para fazer o longa Vamos Fazer Um Brinde, selecionado para mostra Novos Rumos do festival do RJ desse ano?
     
Eu fui convidado pela própria diretora e roteirista do longa, Sabrina Rosa, ela já me conhece à mais de 10 anos, inclusive foi a minha primeira professora de teatro (junto com outro professor) e já atuamos no teatro também, então ela conhece o meu trabalho não é de hoje.




2)      Como reagiu a produção e o elenco do filme ao saber da seleção de Vamos Fazer Um Brinde para o tão aguardado Festival do RJ de Cinema 2011?
     
Nossa! Ficamos muito felizes, particularmente eu não esperava, por esses festivais serem tão concorridos. Participamos também do CINE-PE, o Festival de Pernambuco e a emoção foi a mesma.




3)      O que é cinema para você?


     Cinema é emoção, vibração, energia... Uma fonte onde eu posso explorar a minha arte da maior maneira possível, aquela tela imensa, invadindo o telespectador, fazendo com que ele sinta toda emoção (seja ela positiva ou não) e verdade que eu passo fazendo o que eu amo.




4)      Ainda é muito difícil conseguir dinheiro (incentivo/patrocínio) para rodar um projeto de cinema no Brasil? Por quê?


    Muito, aqui no nosso país não existe investimento voltado à cultura, o que é muito triste, pois assim como o esporte, cultura é fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade.




5)      Já está com futuros projetos? Tem como adiantar alguma coisa para os nossos leitores? Será que vem um outro longa-metragem por aí?


Sim, inclusive nós vivemos de futuros projetos, alguns dão certos, outros...
(Risos) Será??? Será???  Tem sim, eu acabei de filmar o Longa "Totalmente Inocentes", está fresquinho, é uma paródia dos filmes favela movie, que deve estrear no meio do ano que vem (2012).




6)      Mande uma mensagem aos cinéfilos leitores desse site e ao pessoal que quer seguir a carreira artística.


Foi um prazer essa entrevista, é sempre bom falar de cinema e eu desejo boa sorte, galera, pois vocês vão precisar, porque não é fácil esse nosso ofício. (risos). E digo também para fazerem igual aos meus amigos diretores: Cavi Borges e Sabrina Rosa. Que se auto-produziram e está dando super certo! Não fiquem esperando o trabalho bater em sua porta, façam vocês mesmo.


Entrevista com Fabricio Santiago, ator do filme Vamos Fazer um Brinde

O quase abandono de profissão de um experiente médico faz com que uma talentosa doutora Jeanne Dion (interpretada pela atriz Elise Guilbault) assuma seus deveres para com a pacata cidade de Nometal. A amizade com um padeiro da região faz com que a mesma analise melhor sobre o seu futuro após certos acontecimentos.

A relação da doutora com seus novos pacientes é muito próxima. Percebe-se muito o envolvimento da graduada para com os enfermos. A trama passa toda em volta da personagem principal. Fato que deixa o espectador poucas vezes confuso, porém, sem muita margem para surpresas ou espera de acontecimentos.

A produção tem o formato de seriado americano que tem médicos e seus dramas com aqueles que necessitam de ajuda. O monólogo/sermão do padre na missa de uma das personagens do longa, é muito bonita, uma das melhores cenas da produção canadense.

Cochilo e olhadas para o relógio são constantes nas poltronas do cinema. O espectador luta para se comunicar com a história.

Bocejos são ouvidos já ao final da sessão.

Dica: não leia a sinopse. Entrega muito do filme.

Não recomendo, dormir em sua cama é melhor!

A Doação - Cinema com Raphael Camacho

O novo trabalho de Vladimir Carvalho começa contando a chegada das famílias da turma do rock, contorna as influências da época e há relatos gravados sobre todo o movimento. O mundo jovem da época é retratado com conversas francas sobre a ideologia da época e o uso de drogas.

Renato Russo é um grande pilar nessa fita. Muito bom rever o grande gênio do cenário rock da história da música brasileira. O Badernaço, que  foi uma espécie de momento ruim da Legião Urbana é mostrado no filme com imagens capturadas no dia do ocorrido. A Formação do Aborto Elétrico com Fê Lemos, Flavio Lemos e Renato Russo e os problemas na trajetória marcante desse grupo é relatada por todos os seus integrantes.

A necessidade dos envolvidos em se comunicar daquela forma musical é um dos grandes motivos para análise ao longa da cronologia. O papel da imprensa, é visto, através da figura de Hermano Vianna, irmão do Herbert Vianna. Esse último aparece rapidamente, mas volta e meia é comentado.  Foi de grande ajuda para aquelas bandas da época.

O documentário relata alguns problemas pessoais enfrentados pelos músicos, como o corte dos pulsos do líder da Legião Urbana. Fala também sobre o acontecimento de 68, a invasão da UNB e a pressão da família sobre a profissão toma conta quase que no desfecho do documentário. A relação dos mesmos com a industria fonográfica é mostrada por depoimentos de pessoas ligados à gravadoras e os próprios músicos.

Questionamentos sobre a carreira e o Showbizz fecham praticamente o documentário e aos poucos vamos tendo idéia do que caminho cada banda tomou.

Algumas frases fortes e emocionadas, como a Dinho Ouro Preto, explicando a volta da banda Capital Inicial, após um recesso e sua importância para a continuação daquele movimento que eles começaram lá atrás: - ‘ A morte do Renato(Russo), ressuscitou o Capital(Inicial)’.

Roqueiro ou não, vale a pena conferir!

Rock Brasília - Cinema com Raphael Camacho

Eram  pouco mais que 19:00 horas, no primeiro domingo do Festival do Rio de Cinema. Vestindo uma camisa roxa e com um discurso emocionado, o diretor Raphael Aguinaga comove a platéia antes do filme começar. Suas palavras interagem tão bem que torcíamos para que o longa tivesse ao menos metade dessa qualidade. Após a sessão, a certeza dessa co-produção Brasil-Argentina ser a grande surpresa do festival não restava dúvidas.

Um grupo de idosos, que vivem em um asilo, fica sabendo que a Igreja Católica clonou Jesus, ao mesmo tempo, que é substituída a enfermeira que cuida deles. Assim a história avança em cinco partes: Uma Notícia Espetacular, Um Acontecimento Desafortunado, A Terceira Casa de Marte, Operação Voo da Águia e O Apocalipse.

O filme é muito rico em detalhes e aos poucos vamos sendo apresentados aos simpáticos protagonistas. Dolores, uma das simpáticas personagens é sensacional, dominando as partes cômicas da trama. O dia-a-dia de um lar para terceira idade é mostrada de forma inteligente, original e muito engraçada. Os contornos na vida dos idosos são feitos com muitas conversas, que rendem ótimos diálogos durante a produção. A divisão em subtítulos ao decorrer da trama melhora a percepção do espectador para com a história.

Ambientado na argentina, O Levante é basicamente Hermano, porém com muitos toques brasileiros. O longa tem cenas emblemáticas, como: a do tango, muito bem conduzida pela câmera inquieta de Aguinaga.

Um sentido à vida é a busca constante, às vezes inconsciente, desses cidadãos abandonados e que se sustentam na amizade.  A empolgação do público é a prova da incrível simpatia que o longa transpira da telona até poltrona mais próxima. Certamente agradará muitos cinéfilos.  A mensagem que o primeiro longa metragem de Raphael Aguinaga deixa é a de que sempre brotará uma esperança dentro de nós.

Se emocione, divirta-se e surpreende-se! O Levante é garantia de qualidade! Até agora é a grande surpresa do festival!

O filme ainda tem mais sessões nesse Festival do Rio. Não percam!

DOM (9/10) 12:15 Est Sesc Rio 2
DOM (9/10) 19:00 Estação Sesc Rio 2
SEG (10/10) 19:30 Cine Carioca
SAB (15/10) 21:00 Cine Santa
TER (18/10) 16:30 Kinoplex Fashion Mall 1
TER (18/10) 21:30 Kinoplex Fashion Mall 1
QUI (20/10) 17:00 Cine Sesc 2
QUI (20/10) 21:00 Cine Sesc 2

Juan e a Bailarina - Cinema com Raphael Camacho

O filme tenta criar, num futuro próximo (mais precisamente 2020) a eminência da evolução dos games. Lá, o virtual e o real estão próximos e muitas modalidades serão substituídas pelas máquinas. No novo trabalho de Shawn Levi (que dirigiu Uma Noite no Museu 1 e 2), o movimento dos robôs é para elogios, faltando apenas caírem joysticks nas poltronas do cinema para cada um controlar um personagem.

A cena inicial é uma clássica referência às arenas e seus gladiadores da antiga Roma. Com poucos minutos, vemos como esse longa de Levi é muito superior à Transformers, inevitável analogia. Shawn Levi deveria ensinar ao Michael Bay como fazer um filme de robôs.

O roteiro explica vários fragmentos temporais e o passado da trama, já que a visão é uma data pra frente de nosso atual tempo, isso ajuda o espectador a se situar e entender melhor o que se acontece nas telonas. Porém, com 11 anos, é muito difícil uma pessoa saber tanto de eletricidade como o mais jovem dos personagens. Bastante exagero do roteirista.

Um fato curioso são as muitas referências ao Brasil. Com certeza, por conta da força que temos em “esportes de arenas” lotadas. A família Gracie é mencionada.

O pequeno Max Kenton, interpretado pelo jovem Dakoto Goyo, é muito parecido com outro personagem famoso do mundo do cinema, Anakin Skywalker. O astro mirim já havia participado de outras produções hollywoodianas como Thor e Defendor. O momento ‘Justin Bieber’ ou ‘Dança com os Robôs’ é desnecessária e apenas dá um tom diferente à narrativa.

Evangeline Lilly integra o elenco principal e tenta se encaixar no mundo do cinema. Às vezes fica bem, outras nem tanto. Atuação apenas regular.

Hugh Jackman tenta criar um personagem sem sentimentos que vai se abrindo aos poucos e acaba caindo nos famosos clichês dramáticos que estamos cansados de ver em filmes americanos.

Quando o cinéfilo interage com o filme nota semelhanças com produções como: O Homem Bicentenário e A.I. Inteligência Artificial.

A fita fala sobre a situação da Exposição da mídia e bate na tecla que o evento é um show antes de ser uma luta.

O “UFC Robótico” promete levar muita gente aos cinemas. Agora o texto acabou, vou lá jogar Wii!

Gigantes de Aço - Cinema com Raphael Camacho

Para esse tipo de livro virar um filme bom, uma protagonista talentosa é sempre o mais indicado. Pena, que talento em Qual seu Número? você não encontra. O novo trabalho de Mark Mylod (que dirigiu muitos episódios de vários seriados americanos) arranca uma ou outra risada, mas é muito inconsistente como um todo.

Anna Faris faz a personagem Ally Darling e enche-a de caras e bocas. A melhor atuação de Faris é no longa Encontros e Desencontros, desde essa produção sua carreira estacionou no talento. Chris Evans (que fez recentemente o longa Capitão América), como todo ator limitado, encaixa bem nesse tipo de papel.

A produção apela para nudez em algumas cenas, totalmente desnecessárias em todos os casos. Acredito que o nu artístico é um recurso que pode ser utilizado dentro do cinema, porém, com contexto e fundamento dentro da história.

A subidinha da protagonista na bancada de um bar, com drinks e mais drinks, lembra muito certas cenas de Coyote Ugly.

Como virou moda em Hollywood recentemente, muitas menções às redes sociais são vistas no decorrer da trama.

Um dos poucos momentos, realmente engraçado do longa, ocorre quando a protagonista imita  o sotaque do Borat(personagem famoso do londrino Sacha Baron Cohen, em filme homólogo). A fita fica mais engraçada quando utiliza o recurso de flashbacks das relações passadas da confusa protagonista.

Fazendo uma analogia ao futebol, essa fita estava na zona de rebaixamento, até que alguns razoáveis minutos do meio para frente, tiraram o mesmo da zona da degola. Chegou perto de ser cravado como o pior longa do ano.

Se perguntassem: qual o número desse filme? A resposta com certeza reprovaria a produção.



Qual seu Número? - Cinema com Raphael Camacho

A Pele que Habito - Cinema com Raphael Camacho

Refilmagem do clássico de 1985, A Hora do Espanto, nos coloca de frente com um quase novato no papel de protagonista (Anton Yelchin) e nomes conhecidos como: Toni Collette e Colin Farrell.  A direção fica a cargo do diretor Craig Gillespie, que dirigiu o simpático Garota Ideal (um dos melhores filmes do Ryan Gosling como protagonista).

Na trama um jovem, ex-nerd, tem uma vida bem agradável: tem muito amigos, namora a garota mais bonita da escola e uma mãe super legal. Quando um ex-amigo dele abre os olhos do mesmo para um provável vizinho vampiro nosso amigo vai fazer de tudo para combater esse bebedor de sangue.

O longa tem um atmosfera parecida com a do filme Paranóia. Algumas cenas, como a da observação do protagonista e sua namorada às atividades do vampiro, lembram muito o longa citado. Acontece tudo muito rápido na história. O garoto popular que era Nerd e de repente acredita em vampiros... não convence muito esse roteiro apressado. O que mais estranha é que não assusta em momento nenhum.

Com tantas refilmagens em Hollywood, fica o pedido de um crítico de cinema que acima de tudo é um grande cinéfilo, gostaria muito de ver um remake do ótimo VAMPIROS do John Carpenter, será que alguém é corajoso para mexer com um dos clássicos desse gênero vampiresco?

As menções à saga Crepúsculo já estão virando clichês dos filmes do gênero. Esse longa não foge da regra.
Esse novo suspense, com pitadas de comédia e ação, estreia dia 07 de outubro nos cinemas brasileiros. Chega ao Brasil com cópias em 3D também. A indicação vai para o clássico de Tom Holland, ganha de goleada desse. 

A Hora do Espanto (2011) - Cinema com Raphael Camacho

Um filme com uma pitada política. Um grande amor (daqueles que só vemos no mundo da sétima arte) e bons diálogos. Em seu novo trabalho, A Árvore do Amor, o diretor Zhang Yimou fala sobre pessoas e a interação dos mesmos com a ideologia política da época.

Na trama, uma jovem bastante delicada tem que sobreviver em meio à revolução cultural chinesa, não podendo cometer muitos deslizes por conta dos olhares governamentais em sua família já que seu pai é da direita. No meio dessa trajetória, a personagem se apaixona perdidamente pelo filho de um general. Daí nasce um amor bastante “camarada”, transformando o decorrer dos acontecimentos num drama com muitas cargas de emoção.

O entendimento da história é ajudado com citações freqüentes, em meio às sequencias de cenas. É um ótimo método para não fazer o espectador se perder durante às duas horas de fita. Recurso louvável.

A construção cênica é muito bem encaixada aos diálogos profundos, que volta e meia contornam a produção. É ótima a mensagem de que o amor nasce até dentro de ideologias maçantes e a partir desse sentimento puro, o conforto nos surpreende e vira uma válvula de escape para qualquer sentimento.

A talentosíssima dupla de atores Shawn Dou, Dongyu Zhou (os protagonistas da história, baseada no livro de Ai Mi) possuem uma ótima química em cena e são conduzidos de maneira cirúrgica pelas mãos talentosas do diretor.

Esse é para corações fortes, já que possui uma carga considerável de emoção.

O longa chinês estará no Festival de Cinema do Rio e terá as seguintes sessões:

DOM (9/10) 19:30 Cine Carioca
DOM (16/10) 19:00 Cine Sesc 2
TER (18/10) 13:40 Est Vivo Gávea 2 [GV256]
TER (18/10) 20:10 Est Vivo Gávea 2 [GV259]

A Árvore do Amor - Cinema com Raphael Camacho

Com uma espécie de crítica ao que ficaria em torno de uma possível epidemia de escala global, principalmente, no modo como os governos lidariam com esse pânico da população é o argumento principal dessa boa trama que promete lotar as salas de cinema no mundo todo. O diretor Steven Soderbergh, dá um ritmo dinâmico à sua fita que é completado por uma trilha sonora freneticamente bem produzida (créditos para Cliff Martinez).

No longa, um vírus que é transmitido pelo ar chega rapidamente ao conhecimento da nação transformando especialistas e homens da ciência na única fonte de possibilidade para encontrar uma cura. Um caos domina o mundo e pessoas de todas as nacionalidades lutam pela sobrevivência.  

O filme relata também a exposição da comunicação, na era da tecnologia e das comunidades virtuais. O quão grande e rápido seria o vazamento da notícia e suas conseqüências. Passa nas mãos do personagem de Jude Law e seu carregado sotaque londrino (que na fita faz um blogueiro famoso) muito desse tema. A contextualização do poder das redes sociais e o poder de opinião de algumas pessoas trás a história para o nosso tempo.

Em muitas cidades um verdadeiro caos é instaurado. As ladeiras de São Francisco (cidade americana) nunca estiveram tão bagunçadas. Imagino como Adrien Monk, morador ilustre da cidade, estaria em meio a um caos dessa proporção (referência ao personagem de Tony Shalhoub , do seriado Monk, que possui problemas sérios de Transtorno Obsessivo Compulsivo).

A paranóia em volta da doença é mostrada com atitudes anti-sociais e pânico, gerado pela possibilidade de infecção.  Matt Damon (que está muito competente no papel) e seu personagem são os encarregados de nos passar isso, são os que mais sofrem na história. Com falecimentos na família, faz de tudo para proteger a única filha que lhe restou.

Classes trabalhistas, como as enfermeiras, através de greves e medo de contágio atrapalham a logística das soluções. Obstinados, homens e mulheres da ciência vão atrás da cura. Uma dessas pessoas é a Dra. Erin Mears, interpretada pela sempre sensacional Kate Winslet. Impressionante como essa talentosa atriz fica bem em qualquer papel.

Ao mesmo tempo à busca pelo paciente zero (que deu origem a epidemia) é feita muito pela personagem de Marion Cotillard. Um destino interessante é dado à mesma. Sequestrada, vira professora de um vilarejo (que também é uma espécie de refúgio) e moeda de troca para recebimento de vacina.

Conflitos éticos são muito bem abordados durante todo o decorrer da história. Laurence Fishburne interpreta o Dr. Ellis Cheever, responsável por expor esses conflitos e chegar à uma redenção perto dos créditos finais.

A dor de não poder enterrar seus entes queridos (por conta do medo de contágio), cobaias de origem animais usadas desesperadamente por especialistas em busca de mais informações sobre a doença, o desespero por comida (questão básica de sobrevivência), atendimento de serviços de segurança à população(o famoso 911) com opções para quem quer remover um corpo, são amostras do que é passado ao longo dos 100 minutos da produção.

Já vimos o Passageiro 57 em outros verões. Esse número volta ao imaginário cinéfilo dando o nome à vacina com possibilidades de cura. 

Imaginando uma versão brasileira dos fatos, se tivesse um filme nacional com essa temática, a música A Cura do Lulu Santos, cairia como uma luva.

O filme estréia por aqui no dia 28 de outubro. Lave bem as mãos e vá ao cinema!



Contágio - Cinema com Raphael Camacho

Reunindo um ator do aclamado Brothers, com coadjuvantes de altíssimo nível, o novo longa do diretor Martin Zandvliet, por mais que tenha uma duração um pouco grande demais, deve agradar aos gostos cinéfilos nas salas em que for exibido.

A grande expectativa em torno da produção, acontece, por conta do histórico recente do cinema dinamarquês, sempre com boas produções. O Roteiro é bem estruturado, bem ao estilo da “escola dinamarquesa”. Porém, ao longo da fita percebemos que o ator principal é o grande impulsionador para que o filme dê certo.

O ator Nikolaj Lie Kaas (que interpreta Dirch Passer, principal estrela do longa) dá um show, literalmente, do início ao fim da trama. Conhecemos esse grande talento de filmes como Brothers e Corações Livres. Esse último, uma obra da sétima arte memorável. Nikolaj parece, esteticamente, um mistura de Fábio Assunção e Thomas Haden Church (que fez o ótimo Sideways). Nesse filme ele dança, canta e interpreta de maneira eletrizante deixando os amantes da sétima arte com um grande sorriso na cara. O veterano ator, teve uma tarefa complexa ao interpretar muitos papéis nessa biografia cinematográfica. O personagem era difícil, com muitas incertezas e pouca confiança sobre seu trabalho, além de ter uma vida pessoal que era uma bagunça tremenda: Mulheres, bebidas, todo tipo de situação conflituosa. Aos poucos, vemos sua decadência pessoal em meio ao sucesso estrondoso de qualquer show que faça.

A história fala sobre o dom da comédia. A busca de um ator por atuações em outros tipos de trabalho. A trama, que é passada nos anos 60, na Dinamarca, é baseada em fatos reais nos narrando a história do comediante Dirch Passer, que por mais que fosse um gênio no que fazia, tinha sérios problemas pessoais e desejos não apoiados, profissionalmente falando.

Uma dupla no teatro é uniforme tecnicamente e emocionalmente falando. Dirch tinha um show com seu parceiro Kjeld Petersen que era um grande sucesso. A eminência à ruptura da dupla, por conta dos donos do show, enfraquece a amizade, deixando o personagem principal completamente sem rumo.

Um Homem Engraçado tem muita coisa positiva. A cena do sofá invertido é bem feita e produz risadas do espectador. A última sequência é muito bem dirigida e maravilhosamente interpretada por todos os atores.

O filme foi selecionado e passará no festival do Rio de Cinema desse ano, que começa no dia 06 de outubro, atenção às sessões dele na mostra:

SAB (8/10) 17:20 Est Sesc BarraPoint 1 [BP108]
QUI (13/10) 14:00 Kinoplex Fashion Mall 1 [KF025]
QUI (13/10) 19:00 Kinoplex Fashion Mall 1 [KF027]
SEX (14/10) 14:30 Est Sesc Rio 2 [ER244]
SEX (14/10) 21:15 Est Sesc Rio 2 [ER247]

Compre seu ingresso nas bilheterias, prestigie nosso festival e veja um ótimo filme! 

Um Homem Engraçado - Cinema com Raphael Camacho

O novo longa de comédia estrelado por Ryan Reynolds e Jason Bateman tem alguns momentos desnecessários e diálogos sem graça, dirigido por David Dobkin (que fez também a comédia Penetras Bons de Bico) bate o recorde de clichês em uma produção nesse ano.

Na trama, dois amigos (que vivem a vida de maneira bem diferente) conseguem, a partir de um pedido a uma fonte, que suas vidas sejam trocadas. Para o desespero dos cinéfilos e entusiastas de boas atuações, isso acontece, transformando a fita numa desorganizada confusão com direito a cenas bem cafonas e um desejo para que o mesmo termine o mais cedo possível.

O contexto geral do filme e principalmente a cena da ‘troca’, lembram muito o longa Quero ser Grande.
Jason Bateman é um ator que possui boas atuações no curriculum, mas brincar com crianças na tela, ninguém supera Jim Carrey e sua “garra” (referência ao filme O Mentiroso). Sempre que há uma cena semelhante é inevitável essa comparação.

Em vários momentos, parece que Ryan Reynolds volta à pele do personagem que ficara famoso no filme O Dono da Festa, Van Wilde. Uma grande decepção essa atuação, desse bom ator. Ele tinha evoluído muito desde seu primeiro filme, recentemente Enterrado Vivo provara isso.

Olivia Wilde (que está fazendo muitos filmes esse ano, pegando carona no sucesso de sua personagem no seriado House) aparece como coadjuvante e par romântico de um dos amigos na história. A personagem não aparece muito e Olivia ainda continua à espera de uma grande chance como protagonista.

Alan Arkin e Leslie Mann completam a lista dos coadjuvantes. O primeiro poderia ter sido muito melhor aproveitado e a segunda soma mais um filme tenebroso em sua carreira.

Para os cinéfilos que ainda tem esperança, Eu Queria ter a sua vida, estréia em nossas salas de cinema no dia 07 de outubro.

Eu Queria ter a Sua Vida - Cinema com Raphael Camacho

Começo falando como é ótimo ver Suely Franco e Chico Anysio em cena. Esse último é um craque nas atuações, sempre tem uma grande presença e originalidade.
Mas o novo longa de Andre Alves Pinto e César Rodrigues, não agrada de uma maneira geral. O filme tem algumas atuações fracas e que comprometem em determinadas cenas. Falta um certo carisma para alguns desses. O Roteiro é muito corrido e deixa a continuação da trama com muitos erros, sendo difícil a ligação espectador/história.

Na trama, uma jovem professora tem a missão de ensinar um grupo de crianças, com regras e maneiras que fogem do tradicional da época.

O conceito para o que vemos nas telonas parece ser idealizado a partir de filmes: como Mr.Holland e Escritores da Liberdade. É uma espécie de Sociedade dos Poetas Mortos para criança. Só faltou algo, do tipo: “Oh Teacher, My Teacher...”

O vislumbramento das crianças com à sua mestre é feito de maneira um tanto quanto forçada. Paola Olivera tenta quebrar o recorde de sorrisos forçados em um filme que pertence à carismática Julia Roberts.

Durante uma das cenas (com um visual muito bonito, diga-se de passagem) encaixam a música “As Time Goes  by” totalmente fora de contexto. Mexer com músicas, filmes clássicos é um grande problema pois gera uma inevitável comparação. Me senti vendo “Casablanca for the Kids”. O longa também faz menção ao clássico Cleópatra(1934) da lendária Claudette Colbert.

A caracterização das personagens é feitas de maneira bem indutiva, sendo adotados cortes de cabelos tenebrosos nas personagens “Vilãs”; e maravilhosos vestidos e cabelos arrumados nos “Bonzinhos”.

O formato é muito mais voltando para mini-série do que para cinema, propriamente dito.

Ziraldo (autor da história) aparece como Seu Floriano, dono do cinema da cidade.

A parte musical é o ponto mais alto do filme. Canções bem legais compõem à trilha.

Esse nova produção brasileira estréia nos cinemas dia 07 de outubro e deve levar muitas crianças para às salas de cinema.


Uma Professora Muito Maluquinha - Cinema com Raphael Camacho