Pô, sempre mais do mesmo! Em mais uma tentativa de moldar comédias nacionais a partir de estruturas hollywoodianas de roteiro, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (26.02) a comedia Superpai. Repleto de piadinhas sem graças, o que causa mais choros de tristeza pelos blockbusters do cinema nacional do que qualquer outra coisa, Superpai possui ainda personagens mal desenvolvidos e principalmente um protagonista de dar pena. Já podemos considerer esse, como um dos piores filmes que vão chegar ao nosso circuito nesse ano.

Na trama, conhecemos o complicado Diogo (Danton Mello), um homem de meia idade desempregado, e metido a jogador de pôquer, que vive um momento familiar muito ruim pois todo dia briga com sua mulher e ainda por cima não consegue criar um forte vínculo paterno com seu único filho. Certo dia, na noite de uma festa de veteranos de sua ex-escola, resolve deixar seu filho em uma creche e acaba se metendo em grandes confusões.

Com direito a vômitos a la O Exorcista, diálogos bisonhos e atuações terríveis, nos sentimos no meio do deserto do Saara. Não existe Oásis, tudo é muito ruim. As poucas piadas que encaixam e dão certo chegam da turma do stand up comedy que faz uma participação no filme. O roteiro possui sua certa estrutura, moldados por padrões norte-americanizados mas falta muita força cênica para o filme decolar.

Superpai peca também por não possuir pontos de interação com o público por conta dos inúmeros absurdos gratuitos que vemos nas sequências. É um grande pacote de exageros que descaracterizam qualquer tipo de obra cinematográfica que quer passar algum tipo de mensagem. Em muitos momentos durante o filme, que cisma em não acabar, pensamos que esse projeto só serviu para virar ponto de propaganda do Telecine Play. Nós cinéfilos ficamos tristes, o cinema nacional merece mais.


Crítica do filme: 'Superpai'

Jack Bauer? James Bond? Jason Bourne? Depois dos ótimos filmes Kick-Ass e X-Men: First Class, o cineasta britânico Matthew Vaughn volta as telonas com um filme recheado de grandes e competentes astros que se reúnem para mais uma vez provar que existem blockbusters de qualidade. A mentirada rola solta como nos filmes mais impossíveis já produzidos: homens sendo cortados ao meio, egocêntricos vilões, enormes explosões mas tudo isso feito com um grande charme que conquista o público rapidamente.

Na trama, conhecemos a história de Harry Hart (Colin Firth) um homem elegante que faz parte da organização de espionagem secreta denominada Kingsman. Anos atrás, durante uma rotina de treinamentos, um de seus homens morre salvando sua vida. Anos se passam e o filho desse homem que falecera é escolhido por Harry para adentrar ao Kingsman, só que para isso precisará completar um treinamento insamente difícil ao lado de outros concorrentes. Em paralelo a isso, Harry e toda Kingsman começam a investigar um milionário do ramo da tecnologia que pretende dominar o mundo.

Kingsman – Serviço Secreto é um filme violento mas elegante. O roteiro tem um dinamismo enorme. Dois clímaxs correndo em paralelo é a grande sacada do diretor. Enquanto assistimos aos clímaxs do treinamento que o personagem principal passa, o outro personagem importante, Harry (Colin Firth), investiga o futuro vilão da história, interpretado pelo sempre excelente Samuel L. Jackson (que tira vários risos da plateia sempre que em cena). O filme é feito para você não tirar os olhos da telona, ação, comédia e emoção na medida certa.

O público não consegue tirar os olhos da tela, a cada nova cena um riso novo. Cheio de piadas inteligentes e recheada de sarcasmos em sua execução, Kingman – Serviço Secreto ainda é super bem interpretado, possui personagens excelentes e que ainda incorporam toda a classe e elegância da terra da rainha. Nomes de personagens como Merlin e Lancelot, mostra como o filme é uma grande excursão britânica com todos os moldes das comédias blockbusters norte-americanas.

Com giros ao melhor estilo Matrix, vilã de pernas metálicas, surpresas, traições. Kingsman – Serviço Secreto é um dos melhores blockbusters que serão lançados nesse ano em nosso circuito, não percam!

Crítica do filme: 'Kingsman – Serviço Secreto'

Como controlar os impulsos da pós-adolescência? Dirigido pelo norte-americano, estreante em longas-metragens, Max Nichols e com um roteiro assinado por Mark Hammer, Two Night Stand é uma comédia adolescente com uma pegada independente. Os atores Miles Teller (do espetacular Whiplash) e Analeigh Tipton possuem uma bela harmonia em cena o que releva os inúmeros clichês e a falta de profundidade em alguns diálogos. Two Night Stand é o típico filme aguinha com açúcar.

Na trama, conhecemos Megan (Analeigh Tipton), uma ex-estudante de medicina que terminara com o noivo recentemente e não consegue se desgrudar da solidão. Certo dia, resolve se cadastrar em um dos inúmeros portais de relacionamentos que existem na internet. Assim, conhece Alec (Miles Teller) um jovem que adora uma piada e que irá passar 48 horas ao lado de Megan. No começo, eles não se entendem mas aos poucos vão começando a descobrir a história de cada um deles.

A falta de profundidade nos diálogos, incomodam até certo ponto. O que salva é a naturalidade e improviso da dupla de protagonistas ao longo de toda a fita. O que gera uma decepção é o roteiro, pois, dá várias deixas para entrarem em assuntos complexos e mais interessantes mas os personagens parecem mesmo querer levar o filme como se estivessem em uma consulta com o Doutor Jairo Bouer ou fazendo perguntas no Altas Horas para a sexóloga Laura Muller.

Two Night Stand pode ser considerado um filme ‘sessão da tarde’ e apenas em alguns raros momentos tenta ser diferente ou maduro. É um filme que vai ser difícil encontrar espaço nas concorridas grades de cinema de todo nosso país, o provável caminho são as prateleiras das locadoras que ainda existem.



Crítica do filme: 'Two Night Stand'

Amor e desejo são coisas diferentes. Nem tudo o que se ama se deseja e nem tudo o que se deseja se ama. Baseado no best-seller mundialmente famoso de E.L. James, chegou aos cinemas brasileiros na última semana o aguardado longa-metragem 50 Tons de Cinza. Para comandar esse trabalho, foi chamada a cineasta britânica Sam Taylor-Johnson (que havia feito ótimo trabalho no excelente filme O Garoto de Liverpool) e os quase desconhecidos atores Dakota Johnson e Jamie Dornan para protagonizar o casal chave da trama. Ao longo dos sonolentos 125 minutos de fita, vemos uma direção totalmente perdida na hora de captar as emoções/objetivos dos personagens, o casal de protagonistas parecendo robôs de transformers (tamanha falta de carisma e emoção) e um roteiro (adaptado) de Kelly Marcel que esconde, ou praticamente some, com qualquer vestígio dos personagens contidos nos livros. 50 Tons de Cinza é o mais novo Titanic (o navio) do cinema.

Na trama, conhecemos a bela e tímida Anastasia Steele (Dakota Johnson), uma jovem virgem que após ir para uma entrevista no lugar de uma amiga, acaba conhecendo o misterioso empresário Christian Grey (Jamie Dornan). Logo de cara, os dois futuros pombinhos se atraem e logo começam a embarcar em uma relação peculiar, com contratos e pedidos exclusivos, tudo por conta de um segredo que Grey esconde em um quarto secreto dentro de sua casa. Lendo essa sinopse parece até um filme de mistério, né? Mas na verdade, 50 Tons de Cinza em vez de provocar acaba gerando uma outra coisa: sono.

Para um filme baseado em um livro dar certo, sabemos muito bem que a química entre os protagonistas precisa estar super afiada, o que nem de longe acontece com essa fita. A norte-americana Dakota Johnson e irlandês Jamie Dornan não conseguem se entender em momento algum na história. Movimentos robóticos (principalmente nas cenas mais aguardadas), falta de carisma, diálogos fracos que não geram quase nenhum tipo de interação com o público. Com certeza, a maioria das pessoas que adentrarem as salas de cinema para assistirem a este trabalho sairão decepcionadas, não só pela falta de harmonia em cena, mas por inúmeros motivos. Tentaram transformar uma história impactante na leitura (o número de adeptos pelo menos mostra isso), em um filme romântico com os mais caricatos clichês hollywoodianos.


Com o absurdo lançamento em 1079 salas de cinema de todo o Brasil, o que prejudica os verdadeiros filmes bons chegarem aos nossos cinemas, 50 Tons de Cinza corre um sério risco de estar em muitas categorias no próximo Framboesa de Ouro. Os leitores não foram premiados com uma boa adaptação, a indignação deve ser grande. Como cinema, simplesmente não funcionou.  Como diria nosso querido dramaturgo e poeta William Shakespeare: “É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada.”

Crítica do filme: '50 Tons de Cinza'

Eu dando dicas de filmes na Rádio CBN ao vivo hoje :)

No ano de 2002, a brilhante cineasta dinamarquesa Susanne Bier, brindou os cinéfilos de todo o planeta com mais um filme que defende as tradições do movimento revolucionário cinematográfico dinamarquês, denominado Dogma 95. Estamos falando do emocionante filme Corações Livres. Relançado no circuito carioca nas últimas semanas, o filme protagonizado pelo sempre espetacular Mads Mikkelsen causa um forte sentimento em nossos corações, é o tipo de projeto que volta e meia estaremos pensando sobre. Há uma humanidade profunda em cada situação complexa que acontece nessa grande história.

Na trama, conhecemos um casal de namorados apaixonados, Cæcilie e Joachim, que vivem tranquilamente em uma grande cidade na Dinamarca. Certo dia, após um grave acidente, Joachim perde os movimentos da cintura para baixo e isso causa uma série de transtornos para Cæcilie que não consegue se adaptar a essa nova situação. Joachim, fora atropelado por Marie (Paprika Steen) que é casada com o médico Niels (Mads Mikkelsen) e trabalha no mesmo hospital onde Joachim é internado. O que acontece? Cæcilie começa a se aproximar de Niels e um intenso relacionamento amoroso acontece, deixando o destino de cada personagem incerto.

O filme fala sobre relacionamentos e escolhas. Até que ponto a personagem Cæcilie pode ser apontada como uma vilã da história? Ela não pode se apaixonar novamente? Mas o namorado depois do acidente não precisa dela? O conceito de liberdade aos sentimentos dá a esse roteiro uma humanidade sem tamanho, nos sentimos próximos da história e dos personagens a toda hora. Tiramos nossas próprias conclusões a todo instante, é uma mescla de compreensão, raiva, angústia, agonia. Os sentimentos, oriundo das ações dos personagens, saltam da tela e chegam em cheio em nossos corações.


Esse quarteto fantástico do cinema dinamarquês (Mads Mikkelsen, Paprika Steen, Nikolaj Lie Kaas e Sonja Richter) são geniais. Juntos, transformam uma história complexa em uma trama inesquecível. A transparência dos personagens impressiona, conseguimos ler os sentimentos pelas intensas expressões e ações de todos em cena. É um trabalho brilhante de Susanne Bier na condução desses craques. Quem ganha com isso é o público que tem a oportunidade de ver um filmaço europeu que mas do que nunca mostra que filme bom é atemporal. 

Crítica do filme: 'Corações Livres'

E vem diretamente do Canadá um dos filmes mais divertidos do ano. The Grand Seduction, novo trabalho do desconhecido diretor Don McKellar, é uma aula de cinema em muitos aspectos. Primeiro, conseguiu reunir um elenco maravilhoso (de conhecidos e desconhecidos artistas), segundo porque possui um roteiro brilhante que transforma o filme em diversão para todas as idades e terceiro porque no final da história você quer conhecer pessoalmente aquela comunidade que tanto emociona nossos corações.

Na trama, conhecemos Murray French (interpretado pelo sempre fantástico Brendan Gleeson), um senhor de idade quase avançada que vive em uma vila de pescadores isolada dos grandes centros. Totalmente ilhados, os moradores passam por grandes dificuldades financeiras. Para tentar mudar esse quadro,  Murray precisa achar um médico fixo para a comunidade para que uma grande empresa se hospede no lugar e modifique a vida de todos os moradores. O felizardo é o Dr. Lewis (Taylor Kitsch) que será surpreendido por todos no local.

Esse filme tem tantas cenas legais que fica difícil definir uma só como a melhor. A criatividade de Murray e Cia para tentar convencer o jovem doutor a ficar na vila de pescadores é enorme. Vestindo a carapuça de Dick Vigarista, Murray começa a inventar hábitos nunca vistos naquela comunidade mas que o doutor se identifica. A rotina de todos os moradores é afetada completamente com a chegada do médico, e isso é totalmente renovador para os envolvidos.


O público torce o tempo todo para que o protagonista consiga chegar em seu objetivo, não importando os métodos aplicados. É um anti-herói, um homem comum, cheio de defeitos e qualidades que conseguimos nos identificar facilmente. A história, por ser docemente realista, conquista a todos nós deixando um gostinho de quero mais quando o filme acaba. Deveria e poderia virar um seriado, daria muito certo também.  

Crítica do filme: 'The Grand Seduction'

Após dirigir um curta-metragem chamado Paris Shanghai, 4 anos atrás, o diretor Thomas Cailley embarca numa história sobre a juventude na França, em seu primeiro longa-metragem que chega ao Brasil no próximo mês Amor à Primeira Briga. Os protagonistas da história, possuem um entrosamento perfeito para nos guiar em uma jornada peculiar em busca de um sentido para a vida. Você, de alguma forma, se sente conectado a história e torce pelos personagens a todo instante.

Na trama, conhecemos Arnaud Labrède (Kévin Azaïs), um jovem carpinteiro que após o falecimento do pai precisa ajudar nos negócios da família ao lado de sua mãe e seu irmão mais velho. Certo dia, em um Stand militar na região praieira onde vive, conhece a bela Madeleine Beaulieu (Adèle Haenel), uma jovem pouco sociável que possui atitudes  grosseiras com todos a sua volta. Por força do destino, Arnaud é contratado para um trabalho na casa de Madeleine e assim nasci uma amizade onde ambos irão aprender o real sentido de suas vidas.

O filme é modelado a partir da visão do mundo de dois jovens que estão em dúvidas e em caminhos diferentes sobre o que fazer com a vida deles na fase adulta, o ponto de interseção entre eles é uma curiosa amizade colorida que surge a partir de algumas coincidências do destino. Arnaud é calmo, inteligente e de alguma forma se sente atraído pela beleza rústica de Madeleine. Já ela, é o inverso do que faz. Tem uma dificuldade em entender as pessoas ao seu redor, odeia trabalhos em grupo e sempre consegue arrumar algum tipo de confusão para sair de delicadas situações que não possuem respostas lógicas.


O roteiro de Amor à Primeira Briga, assinado pelo próprio diretor e por Claude Le Pape, é construído de maneira delicada, tentando fugir a todo tempo de qualquer clichê que poderia incomodar o cinéfilo mais rigoroso. Falar sobre a juventude e conseguir fazer uma certa crítica social é uma missão muito difícil de ser realizada, por isso, Thomas Cailley e companhia merecem todo o mérito pois conseguem criar uma história envolvente e que diz muito sobre o planeta em que vivemos.

Crítica do filme: 'Amor à Primeira Briga'

Dirigido pelos cineastas e irmãos alemães Michael e Peter Spierig, O Predestinado é algo como o primo mais velho do espetacular A Origem (de Nolan) e tio de terceiro grau de todos os bons filmes sobre viagem no tempo que já foram produzidos até hoje. A criatividade e inteligência dos irmãos na direção desse filme é algo fabuloso, raramente um filme prende sua atenção todos os segundos de projeção. Nolan aplaudiria de pé.  Ethan Hawke dá um verdadeiro show na pele do protagonista, um dos melhores e mais enigmáticos papéis de sua vasta carreira.

Na trama, conhecemos uma agente de viagens no tempo (Hawke) que precisa impedir que um criminoso extremamente perigoso cometa os atos que executou no passado. Para isso, passa por uma grande viagem no tempo para tentar mudar o rumo dessa história que é cheia de armadilhas e surpresas. Os quebra-cabeças contidos nessa trama são geniais, já no desfecho o público fica de boca aberta ao saber o destino dos personagens que aparecem na trama.

Nada é o que parece nessa história. É o tipo de filme que se você perder o começo, não irá entender absolutamente nada do final. O roteiro flerta com os mais possíveis e lógicos erros de viagens no tempo mas consegue de uma forma fabulosa levar o público a uma história de suspense que surpreende demais. Os diálogos entre os personagens são charadas que chegam ao espectador como pistas para irmos aos poucos juntando as peças desse complicado quebra-cabeça.


O inacreditável é um belo trabalho como esse não chegar aos cinemas brasileiros e ir direto para as locadoras. Praticamente um absurdo. O público merecia ver um filmaço desses nos cinemas.

Crítica do filme: 'O Predestinado'

A criatividade é a maior rebelião na existência. Dirigido por Edu Felistoque e com um roteiro da atriz, e protagonista desta história, Silvia Lourenço, um dos próximos filmes nacionais ao chegar ao circuito é o reflexivo Insubordinados. O que chama  a atenção logo de cara é a estética tão bonita que assistimos, cada cena tem identidade e cada elemento, do mais simples ao mais complexo, possuem um sentido na mensagem que a história passa. Os personagens vão se tornando envolventes aos poucos e vai crescendo, ao longo dos 82 minutos de fita, um desejo do público em saber qual será o desfecho de cada um deles.

Na trama, conhecemos Janete (Silvia Lourenço) uma mulher solitária que está passando por mais um momento difícil em sua vida, já que seu pai, um coronel aposentado da polícia militar, está em coma. Todo dia ela vai ao hospital visitá-lo, parece nunca sair de lá. Em meio a espera de alguma mudança no quadro em que seu pai se encontra, Janete deixa a imaginação tomar conta de suas ações e começa a criar uma história que acaba sendo um paralelo de tudo que enfrentou em sua vida.

O princípio da autonomia versus o direito de viver. O filme se aproxima de assuntos polêmicos, argumentos são lançados e chegam ao espectador com a força de um soco no estômago. Saudades do pai, da época em que acordava ao som do rádio transmitindo as primeiras notícias do dia e aquele cheirinho de café que dominava o ambiente. A solidão da protagonista é um dos principais temas da trama, entendemos melhor os personagens quando juntamos essa variável a tudo que a trama apresenta como consequência das ações executadas pelos poucos mas ricos personagens que a trama possui.


Com uma trilha sonora hipnotizante, o filme parece não ter sentido muitas vezes, precisamos acoplar os paralelos que são apresentados em formas de metáforas oriundas de tudo que a protagonista já viu ou ouviu. É praticamente uma fuga da realidade, executada de maneira competente por Silvia Lourenço. No fim, percebemos que tudo, que é contraditório na atual realidade, cria vida e sentido virando um belo trabalho de nosso cinema.

Crítica do filme: 'Insubordinados'

Brasil, terra do futebol, das lindas mulheres, da corrupção, dos governos festeiros, e, óbvio, a terra do carnaval. Uma data festiva, que todos comemoram, vista por muitos como importante para o turismo em nosso país. Agitos dos trios elétricos mais barulhentos do planeta, bundas rebolando, curtição, bebedeira, pegação, Ivete, Claudia, calor e uma ressaca terrível no dia seguinte. Legal! #sqn.

Para quem foge de momentos como esse, vista o seu abadá cinéfilo, vá ao cinema, alugue um montão de filmes, entre no ar condicionado e faça a sua folia! 




Abaixo, 10 filmes para você curtir o carnaval se deliciando como todo e bom cinéfilo:


10. Selma: Uma Luta Pela Igualdade

Ser profundamente amado por alguém nos dá força, amar alguém profundamente nos dá coragem. Dirigido pela cineasta norte-americana Ava DuVernay, um dos filmes concorrentes ao Oscar de Melhor Filme esse ano no Oscar, chega as nossas telonas, estamos falando do ótimo Selma: Uma Luta Pela Igualdade. Tendo como principal tema central em seu roteiro a luta pelo direito a votação dos negros nas eleições norte-americanas, o filme de 128 minutos possui uma excelente direção, além de discursos fervorosos, empolgantes e uma atuação brilhante e inspirada do ator David Oyelowo que interpreta o protagonista Martin Luther King Jr.

Os diálogos entre Luther King e sua esposa são maravilhosos, fazem o público ficar com os olhos fixos na telona. Há tanta verdade nas interpretações dos artistas. A diretora nessa hora, também merece receber os méritos, nos sentimos sentados ao lado dos personagens, cada palavra, cada cena mostrada, nos fazem borbulhar em raciocínios, opiniões e lembranças. Selma: Uma Luta Pela Igualdade emociona do início ao fim, e merecidamente teve seu reconhecimento com diversas nomeações à festivais de cinema ano passado. É um filme que todos nós devemos assistir e conhecer um pouco mais sobre a história da humanidade.


09. Whiplash – Em Busca da Perfeição

O preço da perfeição é a prática constante. Escrito e dirigido pelo cineasta, de apenas 29 anos, Damien Chazelle, Whiplash – Em Busca da Perfeição é o tipo de filme que vai levar o espectador a um grande sorriso assim que os créditos começarem a subir. Eletrizante, emocionante, magnífico, espetacular. Impossível você sair da sala de cinema e não estar arrepiado com tamanha força que essa história possui, e, pra completar essa busca pela perfeição, o filme conta com a grande interpretação de um ator no ano passado: J.K. Simmons está simplesmente espetacular!


08. Violette

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. Em seu quinto longa-metragem, o cineasta francês Martin Provost resolve contar uma história real, forte e cheia de detalhes que impactaram o modo de pensar francês durante todo o século passado. Com um grande desfile de astros da literatura e filosofia, um roteiro primoroso e a dupla Emmanuelle Devos e Sandrine Kiberlain inspiradas, Violette se transforma ao longo dos 139 minutos de fita um retrato contundente sobre uma figura ímpar em uma sociedade careta que recebe um tapa em cada linha de seus polêmicos textos.

Na história, roteirizada pelo próprio diretor, conhecemos mais profundamente a vida da escritora Violette Leduc, uma mulher guerreira que encontrou a salvação através da escrita. Sua amizade e sua paixão por Simone de Beauvoir também é meticulosamente bem mostrada. Se sentindo em um deserto que monologa, desafiando o convencional da época, quebrando tabus, sendo admirada por ilustres escritores do século XX, a protagonista é muito poderosa. Emmanuelle Devos embute uma energia vigorosa que é fundamental para que tenhamos empatia por Violette. Uma grande atuação dessa excelente atriz, talvez, pouco conhecida aqui no Brasil.


07. Canção para Marion

E se acontecer de você vir a garota mais bonita do mundo? Cante para ela! Explodindo carisma e alegria, principalmente do elenco da terceira idade, um dos projetos mais legais do ano, o drama com pitadas cômicas Canção para Marion. A simpatia e a alegria de todos no coral vão gerar lindos sorrisos na maioria dos espectadores. O filme trata de um tema duro, denso, complicado mas a história se desenrola de maneira tão doce e amável que chega bem forte em nossos corações.

Terrence Stamp e seu Arthur, e a eterna dama Vanessa Redgrave e sua Marion possuem uma sintonia afiada em todas as cenas deste belo projeto. Para complementar e ser o chantilly dessa deliciosa história, Gemma Arterton e sua delicada personagem Elisabeth dão o toque, o elo, que a trama necessitava, deixando essa fita bem mais especial. Há carisma em todos os curtos 90 minutos de fita, os diálogos são profundos, as músicas emocionantes. O filme ainda tem o mérito de colocar os artistas para cantar e isso aparecer no filme, diferente do medroso filme de Dustin Hoffman, O Quarteto.



06. Allegro

O passado nunca reconhece o seu lugar, está sempre presente. Dirigido pelo competente cineasta dinamarquês Christoffer Boe (do ótimo thriller Alting bliver godt igen), e praticamente desconhecido do público brasileiro, o complexo filme Allegro é uma mistura de realidades utópicas, definidas pela paixão de um homem, que se perde em seus mais secretos desejos de amar. Protagonizado pelo espetacular ator Ulrich Thomsen, o longa-metragem de modestos 88 minutos é uma versão metafórica do amor com vários toques de Matrix.

A direção de Boe é algo fabuloso. Tenta cercar o espectador de angústia e mistérios com captação de imagens belíssimas que descascam todas as emoções dos personagens. O corajoso roteiro, percorre o consciente humano e se aproxima da lógica que vimos em filmes como Matrix e A Origem. Taxado como Sci-fi pela crítica internacional, Allegro é muito mais que ideias inovadoras na arte de figurar o sentimento, é uma história sólida sobre a redescoberta das emoções. Há uma raiz filosófica e dá muita margem para discussão.


05. A Alegria de Emma

As delicadezas do ser humano podem ser descobertas das maneiras mais duras ou inusitadas pelas pessoas. Depois de 8 anos sumido do circuito carioca de cinema, estreou no Rio de Janeiro na quinta-feira (06.11), o maravilhoso filme alemão A Alegria de Emma. Essa produção do ano de 2006, dirigida pelo ótimo diretor Sven Taddicken, é uma lição de como nossos sonhos podem estar guardados tão profundamente dentro de nós e que, às vezes, só partimos para realizá-los quando um fato impactante acontece em nossas vidas. O filme incomoda, é duro, mostra com muita verdade os dilemas de seus personagens principais, interpretados muito bem pelos atores Jördis Triebel e Jürgen Vogel.

As peculiares características dos personagens principais são o grande charme do filme. Começamos a análise com Max, um ser humano calado que nunca se arriscou por nada em sua vida. Vive seu cotidiano reprimindo, trabalhando com algo que não gosta e sem conseguir chamar sua secretária para sair. Quando recebe uma terrível notícia, desperta, percebe que não tem mais tempo e embarca em uma viagem de descobertas, dessa vez nada com nada pré-planejado, sai totalmente de sua zona de conforto e conhece o real significado de viver. Emma também vive em seu próprio mundinho, possui um certo carinho pelos porquinhos que é obrigada a cortar, faz questão de ser dura com o único homem que a procura, um policial da região, e esconde sua delicadeza e ternura para si até a chegada de Max em sua vida. Esse encontro realmente era algo que os dois necessitavam para descobrirem de fato o que é se sentir vivo.

A Alegria de Emma é um desafogo na alma de qualquer pessoa que acredita no sonhar.



04. O Batismo

A amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento, duplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor. Falando sobre o sofrimento mundo das escolhas e do passado que volta e meia retorna assombrando, o filme polonês O Batismo é uma aula de como deixar o público incomodado e com os olhos perplexos a todo instante. Dirigido por Marcin Wrona, esse filme conta com excelentes atuações, principalmente do espetacular ator Wojciech Zielinski que dá vida à Michal, personagem principal dessa forte história.

São singelos 86 minutos eletrizantes de muitos dramas, escolhas e onde a arte do viver é posta em cheque a cada momento. As fortes sequências deixam o público incomodado mas com certeza faz parte da história e nada é tão gratuito assim. O espectador que conseguir se conectar à trama principal da amizade e das escolhas que todos os personagens precisam tomar, chegará a conclusão que está diante de um dos melhores filmes do ano. Não tenham dúvidas.


03. Uma Lição de Vida

A educação é uma baita escolha no caminho para você ser feliz. Com um hiato de 3 anos, chegou ao circuito de cinema no Brasil ,esse mês, o maravilhoso filme Uma Lição de Vida. Contando a saga de um homem em busca do simples objetivo em aprender a ler e escrever – isso aos 84 anos – o diretor britânico Justin Chadwick (que dirigiu o interessante A Outra) conseguiu reunir todos os elementos para transformar esse trabalho em algo que emociona até os corações mais duros que possam existir. A atuação de Oliver Litondo, que interpreta o protagonista Maruge, é uma das coisas mais lindas que vimos no cinema neste ano.

Esse trabalho entra naquelas longas listas de filmes que devem ser usados por educadores de todo o mundo como forma de inspirar o aprender. Rompendo barreiras, mostrando uma realidade distante de muitos nesse planeta, o sentimento fala tão mais forte que ao final das sessões a emoção toma conta da gente de uma maneira que vira algo marcante. Alguns se incomodam pelos clichês que existem no filme e da maneira como foi conduzida essa história. Mas meus amigos, acreditem, vocês precisam abrir o coração e deixar a história contagiar vocês por inteiro. A direção é competente, preenche todas as lacunas do passado do protagonista o que nos ajuda a entender a cada minuto melhor essa grande história de superação.


02. Tudo Acontece em Nova York

Se sonhar um pouco é perigoso, a solução não é sonhar menos é sonhar mais. Lembram do filme, sucesso de público e crítica aqui no Brasil e no mundo, Pequena Miss Sunshine? Então, agora somem a uma história incrível como aquela, mais personagens carismáticos e uma direção primorosa da dupla Ruben Amar, Lola Bessis. Tudo Acontece em NY, ou para quem preferir o simpático título original Swim Little Fish Swim é uma comédia dramática que possui um paralelo com a realidade da sociedade sonhadora que impressiona. Há uma forte e profunda relação de afeto e carinho nos pontos de interseções de cada personagem. Esse é um daqueles filmes que conquistam logo de cara nossos corações.

O filme poderia cair na mesmice de diversos outros títulos que sugerem crônicas de Nova Iorque mas não conseguem chegar a fundo nos debates que surgem. Tudo Acontece em NY faz o caminho mais trivial possível para trazer à luz discussões profundas sobre a sociedade moderna. Se prende nas figuras emblemáticas das famílias e dão uma leitura diferente mas que você pode encontrar em qualquer esquina do mundo. O pai de família Leeward é o epicentro da trama, é nele que conseguimos enxergar uma humanidade louvável que fazem todos se deliciar com cada ação desse rico personagem.

A Nova Iorque do filme, não é muito diferente da realidade. Na verdade, é igualzinha. Uma terra de oportunidades, repleta de jovens estrangeiros sonhadores (hoje em dia 36% da população da terceira maior cidade da América é gringa), todos correndo atrás de suas realizações. Muito por encontrar vários traços comuns com a realidade, por mais que leves clichês contornem esse trabalho, Tudo Acontece em NY se torna aos poucos um filme tão delicioso que ao término da fita sentimos aquela emoção gostosa, respiramos fundo e pensamos: vimos uma pequena obra-prima!



01 – The Lunchbox

As pessoas entram em nossas vidas por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem. E vem da Índia o filme mais delicado do ano até o momento. Escrito e dirigido pelo cineasta indiano Ritesh Batra, em seu primeiro longa-metragem na carreira, The Lunchbox teve uma estreia surpresa no circuito carioca o que fez com que editorias especializadas em sétima arte corressem em pleno fim de semana para as salas de cinema para poder dizer ao público o que esperar dessa surpreendente história. Mesclando comédia, romance e um drama muito bem estruturado, o filme merece aplausos de pé de todo mundo que ama cinema.

A narrativa é sensível, gostosa, leve, engraçada, conquista o primeiro do primeiro ao último minuto com elegância e competência. Nos sentimos nos delicados filmes de Fellini, nas conturbadas situações nos dramas de Truffaut, nas boas e delicadas cenas cômicas de diversas comédias francesas. Ritesh Batra consegue encontrar uma fórmula muito interessante de direção e roteiro encaixando cada personagem de maneira harmoniosa com a história. Esse filme é um daqueles que você paga para ver de novo.

The Lunchbox chegou ao circuito nacional para dizer definitivamente aos preconceituosos de plantão que o cinema indiano pode ser espetacular e não necessariamente precisa de dancinhas esquisitas no final de suas histórias. Mas e se tivesse dancinhas? Qual o problema? É da cultura alegre deles, isso é louvável. Vai dizer que vocês nunca pensaram em dançar junto com o elenco ao final de Quem quer ser um Milionário?

O filósofo alemão Schopenhauer costumava dizer que o destino embaralha as cartas, e nós jogamos. Não é verdade? O filme mostra exatamente isso. Há uma ação do destino mas quem dá o final da história são ações dos personagens. Esse ótimo longa-metragem indiano merece ser conferido por todo mundo que acredita nos seus sonhos. Às vezes, o trem errado vai para a estação certa. Nunca deixe de acreditar nisso!

10 Filmes para você assistir e fugir do carnaval 2015

Até na pessoa mais confusa emocionalmente, o amor é um despertar. Para falar sobre a crise de imaturidade de uma mulher na casa dos 30 anos, a cineasta Lynn Shelton volta as telonas com seu novo trabalho Laggies. Com um roteiro assinado pela estreante Andrea Seigel, o filme, bem água com açúcar por sinal, navega entre diálogos inteligentes e bobíssimos clichês que às vezes nem mesmo o carisma que exalam alguns personagens conseguem superar. A protagonista Keira Knightley faz de tudo para criar uma identidade de sua personagem mas acaba naufragando nessa tentativa, a boa atuação mesmo vem do craque Sam Rockwell que faz o filme despertar quando aparece na trama.

Na história, conhecemos Megan (Keira Knightley), uma mulher de meia idade que parece não ter conseguido se estabelecer profissionalmente e vive uma rotina tediosa ao lado do noivo, que conhecera ainda no colégio. Quando alguns estopins, como a traição do pai, despertam Megan para vida, ela resolve passar uma semana longe de casa e assim acaba conhecendo a jovem Annika (Chloë Grace Moretz), uma menina que lembra muito como ela era na fase adolescente. Ambas irão percorrer uma jornada de amizade em busca da felicidade.

Podendo ser o mundo de alguém, a protagonista se afoga em conflitos e vira apenas um alguém no mundo. Essa crise de meia idade pela qual percorre, ao longo dos 99 minutos de fita, tem momentos que despertam o interesse do público mas na maioria das sequências a personagem não é convincente. Não adianta um sotaque britânico camuflado de inglês americano fluente, falta um pouco de carisma a Keira Knightley. Os diálogos com a personagem de Chloë Grace Moretz deveriam ser o grande clímax da história mas isso não acontece. Nos divertimos e interagimos bem mais com a trama quando o pai de Annika, interpretado pelo ótimo Sam Rockwell aparece na história.


Laggies, ainda sem tradução para o português, tinha tudo para ser mais profundo (por mais que seja uma história nada diferente de outras vistas por aí) mas acaba sendo superficial. É o tipo de filme que você logo esquece, não cria identidade com o público. Falta carisma, é como se o filme não tivesse força suficiente para conquistar nossa atenção.  

Crítica do filme: 'Laggies'

Ser profundamente amado por alguém nos dá força, amar alguém profundamente nos dá coragem. Dirigido pela cineasta norte-americana Ava DuVernay, um dos filmes concorrentes ao Oscar de Melhor Filme esse ano no Oscar, chega as nossas telonas, estamos falando do ótimo Selma: Uma Luta Pela Igualdade. Tendo como principal tema central em seu roteiro a  luta pelo direito a votação dos negros nas eleições norte-americanas, o filme de 128 minutos possui uma excelente direção, além de discursos fervorosos, empolgantes e uma atuação brilhante e inspirada do ator David Oyelowo que interpreta o protagonista Martin Luther King Jr.

Na trama, voltamos a década de 60, onde o ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Martin Luther King Jr. (David Oyelowo), luta pelos direitos dos negros ao voto. O filme retrata toda sua trajetória nessa causa: seus conflitos familiares, por conta das ameaças que sofria, seus discursos emocionados e uma coragem e força que eram sua maior marca. Figuras políticas de um Estados Unidos fervilhando de conflitos: O presidente Lyndon B. Johnson, interpretado pelo bom ator britânico Tom Wilkinson,  J. Edgar Hoover (Chefão e criador do FBI) são alguns dos nomes que circulam pela trama, que tem o roteiro assinado por Paul Webb.

Sua família vivia sob tensão e o próprio Dr. King não sabia direito como melhorar essa situação. Parecia um predestinado a encarar seu destino, seja ele qual fosse, em busca do objetivo que modelou sua vida. Em uma cena, buscando forças para seguir em frente em sua caminhada, Luther King liga para uma cantora sua amiga e pede para ela cantar e o abençoar com uma canção, é uma das cenas mais lindas e emocionantes deste belo trabalho.


Os diálogos entre Luther King e sua esposa são maravilhosos, fazem o público ficar com os olhos fixos na telona. Há tanta verdade nas interpretações dos artistas. A diretora nessa hora, também merece receber os méritos, nos sentimos sentados ao lado dos personagens, cada palavra, cada cena mostrada, nos fazem borbulhar em raciocínios, opiniões e lembranças.  Selma: Uma Luta Pela Igualdade emociona do início ao fim, e merecidamente teve seu reconhecimento com diversas nomeações à festivais de cinema ano passado. É um filme que todos nós devemos assistir e conhecer um pouco mais sobre a história da humanidade.  

Crítica do filme: 'Selma: Uma Luta Pela Igualdade'

Em seu primeiro projeto como diretor, Nick Powell não poderia ter começado com mais força e de pé esquerdo. O Imperador, é uma sucessão de erros. Diálogos deprimentes, cenas de ação feitas de forma desleixadas, nenhum tipo de entrosamento entre os atores em cena, planos bisonhos, atuações que beiram ao amadorismo. Nicolas Cage aparece bem pouco mas o suficiente para ajudar a derrubar o filme.

Na trama, conhecemos Jacob (Hayden Christensen) e Gallain (Nicolas Cage), dois guerreiros, vinculados aos templários, que destroem tudo e a todos que encontram pelo caminho. Os anos se passam e avançamos até o norte do oriente, onde Jacob reaparece dessa vez viciado em ópio e precisa ajudar uma dupla de irmãos que lutam para manter a dinastia deixada pelo recém assassinado pai deles. Para ajudar o trio no longo caminho que precisam percorrer, Gallain também reaparece e todos reunidos combatem as forças do mal.

Roteiro, direção, elenco, difícil saber qual desses itens é a pior parte deste projeto. O longa-metragem, é uma comédia de erros do primeiro ao último minuto. Não dá para entender o que o roteirista James Dormer quis dizer com esse filme. Nada que o diretor tenta executar com seus planos dá certo. É um filme muito mal roteirizado e dirigido.

Além disso tudo, precisamos falar de atuações. Nicolas Cage se supera em cada novo projeto. Perdeu de vez o rumo de sua carreira. Dá pena de ver. Nesse filme está cada cena mais bizarro, fica caolho sem muitas explicações, falas de seu personagem sendo ditas como se ele fosse o Darth Vadder da nova era e para brindar essa atuação caótica, uma sequência segurando uma cobra que deve virar meme na internet muito em breve.


Tanto filme bom que não consegue chegar até os nossos cinemas e algumas distribuidoras teimam em comprar filmes ruins como esse. O público merece mais. Esse trabalho é quase uma falta de respeito com a nossa inteligência.

Crítica do filme: 'O Imperador'

Em seu primeiro longa-metragem na carreira, o diretor Yann Demange não podia ter começado de maneira mais certeira. Seu trabalho em ’71, filme ganhador de uma menção honrosa no último Festival de Berlim, é elogiado por crítica e público, mostrando a realidade nua e crua por trás de uma guerra.  Estrelado pelo bom ator Jack O'Connell (que estrelou o último e terrível trabalho de Angelina Jolie como diretora, O Invencível), ’71 promete deixar o publico impactado com essa história cheia de dor e sofrimento.

Na trama, durante o início da década de 70, o soldado Gary Hook (Jack O'Connell), do exército britânico, é abandonado pelo pelotão que pertence em meio a uma zona de conflito. Totalmente perdido e sem saber como voltar para casa ou ao menos se proteger, percorre as tensas ruas de uma Belfast em plena guerra civil. Inúmeros personagens cruzam seu caminho, alguns tentando ajudar, outros querendo eliminá-lo.

Uma eterna briga entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte, conflito que é oriundo desde a idade média, é o estopim dessa grande história. O roteiro, assinado pelo desconhecido Gregory Burke, leva ao público um retrato marcante de um conflito que já dura décadas. Consigamos entender melhor todo esse contexto por meio dos ótimos personagens coadjuvantes que circulam pela trama. Belfast é apresentada como uma cidade destruída pela guerra, carros incendiados usados como barricadas, ruas destruídas e famílias vivendo com medo e sob tensão absoluta 24 horas por dia.

Um clima de tensão e suspense percorre os 98 minutos de fita. O cineasta Yann Demange realiza um trabalho primoroso, apresenta ao público as sofridas e dolorosas verdades por trás dessa inacabável guerra.  ’71 é um filme extremamente forte, com cenas impactantes, que se juntam a outros ótimos filmes que já mencionaram situações em Belfast.


Traições, espionagem e um final eletrizante. Pena que esse filmaço tem pouquíssimas chances de chegar nos nossos cinemas. Quem sabe algum dia, com novas distribuidoras no mercado brasileiro, esse cenário mude e consigam trazer mais e melhores filmes de todas as partes do mundo. O público quer ver filme bom, e merece. Se tiverem a oportunidade, nãod eixem de conferir esse espetacular filme. 

Crítica do filme: ' '71 '

O inimigo é a imagem que temos do herói. O cineasta sueco Ruben Östlund resolve voltar as telonas de todo mundo para contar uma história tensa sobre medos, constrangimentos e uma relação deteriorada por uma ação inconsequente. Com uma trilha sonora moldada a partir de solos intensos de violinos, Força Maior é um daqueles filmes que causam um grande impacto em todos nós durante as duas horas de fita. O diretor, que também assina o roteiro, dá um show atrás das câmeras, a cena da avalanche, epicentro da trama, é simplesmente eletrizante.

Na trama, conhecemos uma família sueca que vai para uma estação de esqui para passar um período de férias. Tudo ia bem até que um dia, almoçando em um restaurante ao ar livre, uma avalanche inesperada surge, dando um grande susto. Na hora em que estava se aproximando o fenômeno natural, o pai pega suas luvas e celular e sai correndo, deixando o restante da família para trás. Agora, a partir desse ato, terá que viver as consequências que impulsionarão brigas e desconfianças com sua mulher.

O sofrimento causado pela inusitada situação é enorme,  atinge todos os membros da família com a mesma intensidade. A mulher, Ebba (Lisa Loven Kongsli), não se conforma que o marido não admita que saiu correndo por medo da avalanche. O homem, Tomas (Johannes Kuhnke), fica constrangido toda vez que o assunto volta a tona em conversas, parece lutar para não admitir sua ação no trauma em que passaram, é uma vítima de seus próprios instintos. Outros casais (e seus outros problemas) vão passeando pela história e os protagonistas precisam segurar seus pensamentos e tentam blindar a família a todo instante. Porém, o assunto da atitude durante a avalanche nunca perde espaço e propaga uma série de reações inesperadas.   

O diretor realiza um trabalho muito competente atrás das câmeras. Ajuda a compor várias cenas emblemáticas como: a forçada não troca de olhares no espelho do banheiro, a tentativa de sexo entre o casal de protagonistas visto pelo reflexo de uma janela, entre outras. A capacidade de gerar ao público um raio-x completo sobre os problemas que um relacionamento pode enfrentar é feito com louvor.


O longa-metragem, que figurou entre os melhores filmes do cinema europeu ano passado, chega ao Brasil em março e promete deixar a plateia satisfeita pelo belo trabalho de Östlund e todo o elenco. É um grande filme, sem dúvidas.

Crítica do filme: 'Força Maior'

A letra da canção é o que pensamos entender, mas o que faz com que acreditemos, ou não, é a melodia, do dia a dia. Após uma série de curtas, a jovem cineasta Kate Barker-Froyland dirige e assina o roteiro de uma história protagonizada por uma das grandes revelações do cinema da última década, que fala sobre amor, música e a intensa vontade de buscar fazer o bem a alguém. Song One, ainda sem tradução para o português, tenta fugir dos clichês de forma admirável, principalmente com seu desfecho aberto que deixará o público imaginando mil e uma opções de final.

Na trama, conhecemos a doutoranda em Antropologia, Franny (Anne Hathaway), uma jovem solitária que roda o mundo fazendo suas pesquisas. Certo dia, recebe um telefonema de sua mãe dizendo que seu único irmão sofrera um grave acidente e está em coma. Assim, pega o primeiro avião para casa e passar a tentar conhecer melhor a vida desse irmão que se tornara distante. Após andar de um lugar a outro que o irmão frequentava, o destino coloca em sua frente James Forester (interpretado pelo artista sul-africano Johnny Flynn), um famoso cantor indie, ídolo de seu irmão.

A indomável e valente irmã tenta recriar todos os passos e gostos do irmão, lutando contra a dor que sente no momento. Seus lugares preferidos, suas músicas inesquecíveis, é uma grande busca e descoberta para nunca deixar de esquecer o irmão. Anne Hathaway parace que assumiu de vez o posto de sorriso mais impactante do cinema desses tempos, posto que era de Julia Roberts nos anos 90. Impressiona a profundidade que leva sua sofrida personagem. O público é refém da atuação dessa ótima atriz, não conseguimos tirar os olhos de sua personagem.

Um outro destaque deste ótimo filme é a trilha sonora invejável, navega pelas sequências em impressionante harmonia com o que vemos em cena. Entre grandes composições ao som de guitarras, violões, acordeões e violinos, vale a lembrança da passagem, muito bonita por sinal, onde ouvimos ‘leãozinho’ do Caetano Veloso sendo interpretado por um músico local.


Sem previsão de estreia ainda no Brasil, Song One é um daqueles trabalhos simples mas que tocam demais nossos corações. 

Crítica do filme: 'Song One'

Os únicos limites das nossas realizações de amanhã são as nossas dúvidas e hesitações de hoje. Baseado na obra homônima de Laura Kasischke, Pássaro Branco na Nevasca é um drama com uma narrativa lenta que possui leves pitadas de suspense. O diretor Gregg Araki, que também assina o roteiro adaptado, tem méritos por reunir um bom elenco mas o roteiro deixa a desejar, tornando o filme em algumas partes bem maçante.

Na trama, conhecemos um pouco melhor a história de Katrina (Shailene Woodley), uma jovem que vive no final dos anos 80 com os pais em um bairro de classe média no interior dos Estados Unidos. Kat tem inúmeras barreiras provocadas pela difícil relação com os pais. Quando sua mãe desaparece sua vida e a de todos ao seu redor, anos se passam e Kat ainda se vê envolvida por esse misterioso sumiço. É uma atuação forte e corajosa de Shailene Woodley. Muitas cenas envolvendo sexo são vistas, onde o diretor Gregg Araki faz um excelente trabalho nessas sequências, mostrando a sensualidade sem ser ofensivo em nenhum momento.

O filme se molda como uma confissão de uma adolescente provocada pelos estragos emocionais de sua família problemática e nada convencional. Kat expõe o que pensa e vive, principalmente suas aventuras sexuais com o namorado e um homem mais velho. Muitas dessas confissões são feitas durante sessões de terapia e nos inúmeros e longos bate papos com seus amigos mais próximos.

A relação de Kat com sua mãe era desgastante. A insanidade da figura materna levava a protagonista pra dentro de diálogos fervorosos. Eve, mãe de Kat (interpretada pela bela Eva Green), parece ter inveja da filha que vira seu principal alvo nos surtos depressivos que passa ao longo do tempo. Já a relação entre Kat e seu pai Brock (interpretado pelo ótimo Christopher Meloni) é muito carinhosa mas vai se tornando muito esquisita por conta de uma mistério que ronda a família.


Apesar das boas atuações que vemos ao longo dos 95 minutos de fita, a fórmula de misturar a lentidão das cenas dramáticas com um ritmo mais acelerado quando há um mistério a ser resolvido, deixa o trabalho sem identidade, não chegando a envolver o público como deveria, apesar do arco final surpreendente. Pássaro Branco na Nevasca é o tipo de filme mais ou menos que logo sairá da memória dos cinéfilos.

Crítica do filme: 'Pássaro Branco na Nevasca'

E pensar que nesta noite na Terra, milhares de pessoas se sentem sozinhas, assim como eu. Estimado em cerca de 7 Milhões de Euros, o novo trabalho dos geniais cineastas belgas Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, é uma história angustiante de luta e constrangimentos em busca da manutenção de um emprego. Estrelado pela magnífica Marion Cotillard (o filme não seria o mesmo sem ela), Dois Dias, Uma Noite é uma fábula urbana que deve gerar todos os tipos de reações do público já que torcemos pela personagem principal a todo instante. Mais um trabalho impecável da nossa eterna Piaf.

Na trama, somos apresentados a Sandra (Marion Cotillard), uma mulher com grave crise de depressão que tem uma única chance de convencer seus colegas de trabalho a abdicar um bônus de 1000 Euros para ela ser mantida no trabalho. Assim, percorrendo os seus dramas e a de todos os outros colegas de trabalho, parte em busca de uma redenção que pode não ser necessariamente a manutenção de seu emprego.

Sandra navega nas dores dos outros personagens. Indo de porta em porta na busca de um final feliz para sua saga. Pagamento do colégio, recomeço com novo noivo, pagamentos de despesas básicas como luz e gás, os motivos são inúmeros. Cada personagem possui seu drama mas nenhum deles é maior que o de Sandra que topa uma luta desesperada para manter seu emprego. Uma humilhação, o resgate de uma força além dos seus próprios limites físicos e mentais para chegar em uma certa coragem necessária.

Seu marido a ajuda viver essas intermináveis horas antes da nova votação. A partir disso, problemas e dúvidas sobre o casamento acabam sendo atraídos e verdades tiradas de debaixo do tapete. É uma situação incômoda e um caminho extremamente solitário. Ter seu destino nas mãos dos outros é algo que ninguém gostaria de pensar.

Uma das melhores atrizes do mundo, a musa francesa Marion Cotillard, enche a tela de emoção. Impressiona tamanha verdade que ela passa com o seu desnorteado olhar. Somos reféns da dor e do sofrimento de sua personagem. Cotillard merecidamente foi indicada a mais um Oscar, por essa baita atuação.


Com uma Europa em crise nos tempos atuais, o grande mérito dos irmãos Dardenne é trazer à tona essa história que beira ao absurdo mas que pode realmente acontecer a todos nós e de diversas formas algum dia.

Crítica do filme: 'Dois Dias, uma Noite'

Só nos curamos de um sofrimento depois de o haver suportado até ao fim.  Falando sobre a dor da perda e uma incrível distância sobre a arte do despertar novamente à vida, o diretor Daniel Barnz (do maravilhoso Menina no País das Maravilhas) consegue realizar um trabalho bastante competente, cheias de sentenças verdadeiras que acontecem em nosso mundo mas as vezes não enxergamos. Cake – Uma Razão para Viver, é uma jornada rumo às profundezas de um mar sem fim, sem melodramas, com muita verdade e que conta com uma baita atuação de Jennifer Aniston.

Na trama, conhecemos a sofrida e mal humorada Claire (Jennifer Aniston), uma advogada de meia idade que passou por um enorme trauma em sua vida, não conseguindo se reerguer. Chata, ranzinza, vazia, vive pelos canteiros do mundo que criou, prefere se afogar nas tristezas e lembranças escondidas do que respirar a busca por uma nova felicidade.Certo dia, passa a ser atormentada pelo fantasma de uma mulher que conheceu em um grupo de apoio e sua vida começa a tomar outros rumos quando conhece a família dela.

Viciada em remédios contra a dor que sente em seu corpo e em seu coração, Claire, parece levar sua vida de maneira inconsequente, rumo a uma zona de dor e sofrimento. Sem amigos, sem marido, sem família, ela consegue se fechar uma concha sem ter a oportunidade do despertar. É impactante a atuação de Aniston. A atriz, bastante contestada por muitos de nós cinéfilos, dessa vez prende a atenção do público cada vez que aparece em cena.

Silvana (interpretada pela ótima Adriana Barraza), empregada de Claire, também é um belo personagem na trama. Braço direito para as loucuras da protagonista, tenta preservar a saúde mental de sua chefe a protegendo de inevitáveis exageros. Os melhores diálogos do filme são entre essas duas personagens fortes que conquistam o público a cada nova sequência.


Perder o dom de acreditar, desistir dos novos rumos em nossas vidas, viver as dores o máximo que podemos. Quantos de nós já não conhecemos histórias de pessoas que entraram nessa jornada? Cake – Uma Razão para Viver nada mais é que a verdade sobre a dor, escancarada em nossa cara, o que nos faz refletir e comove demais nossos corações. 

Crítica do filme: 'Cake - Uma Razão para Viver'

Produzido pelo astro do Rock, Mick Jagger, que tem sua famosa banda mencionada em um contexto deste trabalho, Get on up, ou na tradução James Brown, é uma quase emocionante homenagem a um ícone artista norte-americano mas um filme apenas mediano. O roteiro assinado por Jez Butterworth e John-Henry Butterworth tem diversas falhas principalmente quando começam a brincar com a linha temporal, mostrando flashbacks da ascensão do protagonista e deixando de lado uma construção mais profunda da personalidade forte que tinha um dos grandes reis dos palcos americanos das últimas décadas. De ponto positivo, a intensa interpretação/doação do bom ator Chadwick Boseman que dá vida ao protagonista. Como um todo, o filme termina deixando um gostinho de que poderia oferecer mais ao público.

Na trama, acompanhamos a trajetória de vida do futuro músico de sucesso James Joseph Brown Jr, o James Brown, um dos únicos artistas do planeta a vender mais de 100 milhões de cópias em toda sua carreira. Nesse trabalho, dirigido por Tate Taylor (Histórias Cruzadas), acompanhamos muitas fases da conturbada vida do protagonista, desde sua infância extremamente pobre na Carolina do Sul, passando pelo estrondoso sucesso nas décadas de 50, 60 e 70, até a decadência de sua carreira.

O rei do Soul, como era conhecido Brown, teve uma infância complicada. Filho de uma mãe que abandonou a família e um pai que não queria cuidar dele, acabou tendo que viver na casa de uma tia. Esteve preso durante um período e lá conseguiu encontrar outros músicos e assim montar uma primeira banda chamada The Famous Flames. Porém, sua voz e seu carisma eram preponderantes e James Brown acabou tendo que ficar mais em evidência o que gerou mal estar com os outros integrantes da banda. Essa parte no filme é mostrada de maneira rápida mas objetiva.


Os conflitos pessoais que levaram James Brown a ter uma vida até certo ponto mais difícil se dão ao fato de ter uma personalidade extremamente forte, o que o deixava em evidência e em conflito a todo instante. A sua genialidade era posta em prática durante as gravações, as ideias magníficas para os shows e com seu gingado que até hoje recebe adeptos mundo à fora. A atuação de Chadwick Boseman é louvável se doa ao máximo para mostrar cada detalhe desse furacão que era James Brown por mais que o roteiro não o ajude o tempo todo. Talvez falte um pouco mais de profundidade ao roteiro para entendermos melhor o homenageado, em certos pontos do filme não conseguimos interagir com a história, deixando o público até certo ponto decepcionado.

Crítica do filme: 'James Brown'