Quando chega a hora de sair do conflituoso cotidiano. No novo trabalho do diretor Karim Ainouz (O Céu de Suely) passeamos pelas ruas de Copacabana acompanhando um desespero de um alguém surpreendentemente abandonado tentando encontrar respostas, porém, perdida em um mar de solidão sem fim. A proposta do filme, baseado em uma letra de Chico Buarque, é bem franca, detalhar o desespero da não aceitação de um término matrimonial.

Na trama, conhecemos a conflituosa Violeta, uma dentista mãe e mulher moradora de Copacabana. Certo dia, após receber uma mensagem, começa a sofrer de desespero inconseqüente, sua vida desmorona e seu marido que viajara para Porto Alegre está envolvido nesse novo destino que lhe é traçado. Correndo contra suas tristezas, decepções e solidão, Violeta embarca em uma curta jornada para tentar entender a situação que lhe foi imposta.

Abismo Prateado é praticamente um monólogo de Negrini. Conhecemos a história pelos olhos e aflições de sua personagem. A bela atriz consegue levar o filme para um lugar interessante deixando o conflito ser discutido e opinado pelo espectador. A câmera do diretor tenta captar toda aquela inconstância muito bem exemplificada na dança frenética e desesperante estilo Flashdance, na cena da boate, que mostra também um lado cinéfilo do personagem, da atriz ou do diretor.

O longa tem uma pegada européia. O roteiro, que possuía uma dificuldade enorme por ser uma adaptação de uma letra de música, não apresenta graves problemas. Se justifica na construção do personagem. Um fator que causa impactos negativos na história filmada são os erros de continuidade e alguns exageros como um nu frontal totalmente desnecessário.

O filme pode ter uma divisão de opiniões. Se o espectador conseguir se prender às execuções emocionais da personagem muito bem representada por Alessandra Negrini pode sair feliz da sala de exibição. Caso contrário, cairá no démodé e constantes interações com o visor do celular serão o seu destino.

Crítica do filme 'O Abismo Prateado'


Como amadurecer sem deixar de viver? O cineasta italiano Gabriele Muccino (À Procura da Felicidade) volta ao seu gênero preferido, drama, para falar sobre a busca de redenção de um pai que abandonara a família por conta de imaturidade. Somos levados à conflitos emocionais e aventuras amorosas (um pouco forçadas, é verdade) que ajudam a contextualizar essa boa comédia romântica.

Na trama, entramos na vida do ex-jogador de futebol escocês George (Gerard Butler) que após uma contusão não encontra outro destino sem ser deixar os gramados. O atleta tem um filho que foi fruto do relacionamento com o amor de sua vida Stacie (Jessica Biel). Só que George sempre foi muito distante e agora com mais tempo resolve-se mudar para perto de sua família e tentar consertar erros do passado, ao mesmo tempo tenta um emprego como comentarista da Espn.

Logo no início do longa, somos levados aos clichês mais usados no mundo do cinema. O galã sedutor que se relaciona com todas as mulheres, as dificuldades rasas de reconquista familiar, personagens coadjuvantes excêntricos ao extremo. A nossa sorte é que o roteirista Robbie Fox do esquecido filme Uma Noiva e Tanto (1993) consegue, pelo drama e desenvolvimento de cada personagem somar boas sequências deixando a história com a cara de um conflito existencial americano.

Recheado de personagens coadjuvantes, a maioria se encaixa com a história. Exceto o milionário Carl, interpretado pelo conhecido risonho Dennis Quaid (O Que Esperar Quando Você Está Esperando). O ator texano exagera tanto no seu papel que se torna insuportável. Talvez por isso, seu personagem some do meio para frente. Uma luz que pairou sobre a mente do roteirista que provavelmente percebeu todos os exagerados trejeitos ciumentos do personagem.

Um Bom Partido se sustenta na linha tênue que separam os clichês das comédias românticas e o bom desenvolvimento do conflito emocional existente em cada personagem, por isso, deve agradar a muitos cinéfilos.

Crítica do filme: 'Um Bom Partido'


Nunca desista dos seus sonhos. Aproveitando esse lema bastante comum nas pessoas sensíveis e sonhadoras, o diretor Matteo Garrone (Gomorra) apresenta uma história dramática, com um particular humor europeu como pano de fundo, que poderia ser muito melhor desenvolvida senão fosse a cansativa introdução. O assunto não é recente, uma espécie de crítica à sociedade alienada, pena que acaba sendo mais uma boa ideia perdida em um mar de desinformação.

Na trama, acompanhamos a trajetória de um simpático e querido administrador de uma peixaria chamado Luciano (Aniello Arena) que vive com a família no subúrbio de Nápoles, na Itália. O trabalhador busca a cada dia melhorar a situação de sua enorme família contrabandeando aparelhos eletrônicos. Certo dia, após um insistente pedido de seus filhos, Luciano participa de um processo seletivo para concorrer a uma vaga no programa Big Brother. A partir daí entra em um surto psicológico quando pensa que será um dos selecionados da próxima edição do reality show.

O público aguarda ansiosamente que o filme tenha algum sentido. O arco introdutório é muito longo, por isso cinéfilos, paciência, o filme ganha uma certa direção quando começa a ter um objetivo. Um dos fatores que atrapalham é em relação aos personagens coadjuvantes que são arremessados dentro da história sem qualquer razão, deixando o público precocemente confuso sobre o porquê da existência deles para contar essa história.

A produção ganha possibilidade de aceitação se o público conseguir fazer uma análise mais profunda sobre o comportamento fora dos padrões do protagonista. É uma fábula sobre a sociedade alienada moderna. O personagem, completamente descontrolado, começa a ter atitudes inconsequentes quando cria a ilusão de que ganhará fama e reconhecimento. Abandona sua rotina de trabalhador e começa a compor os elementos de seu cotidiano como forma de se sentir ainda com esperanças de realizar o seu sonho.

O longa tem a proposta de ser profundo mas acaba sendo raso. É arrastado, mais longo do que deveria ser. Acaba se tornando cansativo. Quando chegamos ao desfecho, a sensação que passa é de que faltou alguma coisa. É o simples caso de que nem toda boa ideia vira um bom roteiro. 

Crítica do filme 'Reality - A Grande Ilusão'

Dirigido pelo cineasta californiano Ric Roman Waugh (do desconhecido filme Felon),  O Acordo tinha tudo para ser mais um filme limitado de ação a ser lançado em nossos cinemas. Para surpresa geral da nação de cinéfilos espalhados por todo o Brasil, o longa é muito mais que isso. O grande mérito do filme é composto pela boa direção, o excelente roteiro e a inesperada maneira como Dwayne Johnson (G.I Joe: Retaliação) domina seu personagem nos momentos dramáticos, reflexivos, convencendo o público.

Baseado em fatos reais, o intrigante longa conta a história de John Matthews um empresário do ramo automotivo que vive feliz com sua família em uma cidade americana. Certo dia, seu filho mais velho, fruto de seu primeiro casamento, é preso por posse de drogas. Para tentar reduzir a pena desse, Matthews faz um acordo perigoso com a divisão de narcóticos e uma procuradora do Estado. Assim, desafiando grandes nomes do tráfico local, o pai vai em busca da redenção de seu filho.

Mesmo durão, The Rock surpreende no papel do protagonista, passa verdade nos diálogos e executa muitos bem todas as passagens emocionais do personagem na trama. O melhor trabalho, sem dúvidas, do ex-lutador em um longa metragem. A dúvida de seu personagem em se arriscar ou não, é passado ao público de maneira nua e crua, deixando o espectador de olhos atentos aos próximos acontecimentos da história.

A busca dos pais para ajudar seu filho modifica a trama para um drama jurídico policial. Os fervorosos conflitos familiares são preenchidos de maneira inteligente pelo roteiro. A transparência dos diálogos, as fragilidades dos personagens e os conflitos que nascem pelas inconsequências de alguns desses compõe muito bem a história.

As tramas paralelas, dos coadjuvantes, ajudam a completar lacunas e a encorpar esse bom filme de ação. Susan Sarandon (A Viagem), na pele Joanne Keeghan só engrandece o filme. Jon Bernthal, ex- Walking Dead, a príncípio aparece pouco mas é ponto importante para o desfecho da trama. 

Os últimos minutos são emocionantes, o público não tira os olhos da telona, um leque de possibilidades se abre deixando todos atentos para saber como o filme vai terminar. Esqueça o preconceito, não deixe de ver esse bom trabalho de The Rock. Enfim um. Bem vindo ao mundo do cinema Sr. Johnson.

Crítica do filme: 'O Acordo'


Quem nunca cantou Que País é Este?, Música Urbana ou Geração Coca-Cola ? O cineasta Antonio Carlos da Fontoura (O Gatão de Meia Idade) teve o desafio de levar para as telonas a história do maior ídolo do Rock and Roll brasileiro, Renato Manfredini Jr que se transformaria no genial Renato Russo. O processo dessa transformação, de adolescente à ídolo é exatamente o que é apresentado no filme Somos Tão Jovens que após muitos atrasos chega aos cinemas brasileiros na primeira semana do mês de maio. Engana-se quem pensa que o filme entrará a fundo na formação da Legião Urbana. O longa é claramente sobre a vida do vocalista da Legião, não sobre a banda.

Com o ator Thiago Mendonça na pele de Renato, o filme conta a trajetória de Renato Manfredini Jr, um jovem inteligente, sonhador, morador de Brasília que sofreu com uma doença na adolescência e durante esse processo conturbado projetou seu destino como músico.  O longa conta com detalhes marcantes a descoberta da importância da música em sua vida. Assim, resolve criar a banda Aborto Elétrico e se torna amigo de muitos futuros artistas influentes nos dias de hoje. Mas Renato tem um temperamento difícil e isso sempre dificulta seus relacionamentos, assim se isola até conhecer Dado e Bonfá quando forma uma das mais conhecidas bandas da história da música.

Um dos inúmeros pontos positivos do filme é a maneira como as cenas musicais do filme foram rodadas. A captação de som do show é original, Thiago Mendonça e os outros atores cantam e tocam o que reproduz o clima dos shows da época e projeta mais veracidade ao que vemos nas sequências. Thiago Mendonça dá um verdadeiro show como Renato Russo. Conflituoso e expressando-se de maneira intensa ao longo do filme, nos aproximamos cada vez mais do personagem por conta da interpretação do jovem ator que entre outras coisas é muito convincente.

Entre discussões e contestações sobre o mundo em que vive, somos guiados pelo ótimo roteiro de Marcos Bernstein para dentro do universo de criação de uma das mentes mais criativas que a música popular brasileira já teve. Ainda é Cedo, um dos clássicos de Renato Russo, é uma música fundamental na história sendo usada como referência para explicar parte da trajetória desse artista único.  

Rodado em Brasília e na cidade de Paulínia (SP) Somos Tão Jovens levaria uma legião de fãs aos cinemas mesmo se o filme fosse ruim. Mas, o habilidoso projeto bica qualquer possibilidade de insucesso sendo inteligente e franco na maneira como conta essa aguardada história tornando-se um dos grandes filmes nacionais do ano, sem dúvidas! Se a sua geração é coca-cola ou não, você não pode perder! 

Crítica do filme: 'Somos Tão Jovens'


Como trazer a emoção de uma história que está no imaginário a 45 anos? Dirigido pelo famoso roteirista Marcos Bernstein, Meu Pé de Laranja Lima consegue emocionar e reunir todos os elementos de um bom filme. Atuações, roteiro, direção são alguns dos aspectos que andam em total harmonia. O espectador é brindado com uma verdade singela que é passada de maneira muito natural por todos os personagens. Os coadjuvantes também merecem destaque sendo muito bem aproveitados pela lente inteligente do diretor.

A nova adaptação da obra de José Mauro de Vasconcelos, conta a história de um jovem chamado Zezé, arteiro por si só sempre trocar sua dura realidade ao mundo da imaginação fazendo a alegria de todos ao seu redor. Nascido no interior e de família humilde, a criança encontra refúgio em um pé de laranja onde divide seu dia a dia, as coisas boas e ruins que acontecem com ele e sua família.  Vivendo nesse universo criativo, Zezé ganha uma ajuda especial de um amigo mais velho que tenta entender e impulsionar os sonhos do menino.

Para dar vida a um emblemático personagem da literatura brasileira, Zezé, uma enorme seleção foi feita e no final a escolha pelo talentoso João Guilherme Ávila (filho do cantor sertanejo Leonardo) foi acertada. O garoto surpreende em seu primeiro trabalho no cinema mostrando uma maturidade e uma dedicação de veterano. Como a maior parte da história se passa pelos olhos e pensamentos imaginativos do personagem o ator escolhido precisava entender todo esse universo, o que acontece.

O grande mérito do filme é brincar com o abstrato e a maneira como isso é passado ao público. O roteiro, adaptado, é crucial para que a execução se desenvolva naturalmente reunindo uma grande veracidade em cima de cada fala, cada gesto, cada expressão dos envolvidos nas sequências. A história de amor e amizade é tocante e deve levar o espectador mais sensível às lágrimas facilmente. Um outro ponto importante é que o filme não se perde quando os acontecimentos trágicos ocorrem, se prendendo naquele sentimento de dor que abala um dos personagem.

Quer rir, chorar e se emocionar? Não deixe de conferir esse que será um dos grandes destaques do nosso contestado cinema neste ano. Bravo!

Crítica do filme: 'Meu Pé de Laranja Lima'


Os divertidos filmes trash, esquecidos pela nova geração de cineastas e realizadores da indústria cinematográfica, volta a ganhar fôlego com a ressuscitação do clássico filme de Sam Raimi, Evil Dead – A Morte do Demônio. Com muitos elementos desse gênero de longa, rostos bonitinhos, vomitadas nojentas, propaganda do All Star e bizarrices demoníacas, o filme tem uma boa direção do estreante Federico Alvarez, porém, falta introdução para entendermos melhor os objetivos dos personagens, uma falha grave de Diablo Cody (roteirista de Juno) que reescreveu o roteiro ao lado do diretor.

Nessa nova versão, acompanhamos a trajetória de cinco amigos que se reúnem em uma cabana abandonada para um ritual de desintoxicação de um deles. Acontece que neste lugar está enterrado um livro macabro que é aberto pelo cover do John Lennon, um dos personagens do filme. Assim, esses amigos precisam lutar pela sobrevivência nessa noite inesquecível de suas vidas.

Sam Raimi, o grande criador da história, está por trás desse projeto atuando como produtor. Quando ainda era um estudante de cinema, no ano de 1981, Raimi juntou US$ 50 mil e um grupo de amigos, rodando a primeira versão de Evil Dead (que mais tarde viraria uma trilogia de sucesso trash).  A essência da história não é perdida, mas fica claro que a primeira versão é muito superior à essa nova adaptação. O clima de tensão é mantido, sempre com muitos exageros e cenas fortes de exorcismo, um filme para Padre Quevedo nenhum botar defeito.

A ambientação segue o feijão com arroz de todo bom longa de terror. Alguns diálogos provocam risos da platéia, interações clássicas dos filmes do gênero. Na falta de bons filmes desse tipo no nosso circuito, Evil Dead – A Morte do Demônio chega invocando os demônios e a nostalgia, o que pode ser um prato cheio para os amantes de filmes que tem somente um objetivo: causar sustos.

Crítica do filme: 'A Morte do Demônio'


O que fazer quando uma ligação é a única coisa que você tem em uma situação de perigo? Com o comando do competente Brad Anderson (O Operário), o novo suspense Chamada de Emergência consegue prender o espectador do início ao fim se tornando uma boa opção para os amantes do gênero. Mesmo com um roteiro recheado de exageros e cenas desnecessárias, o longa é a grande volta de Halle Berry aos bons papéis após um hiato de contestadas atuações.   

No angustiante drama conhecemos a operadora da central de emergências 911, Jordan Turner (Berry), querida pelos amigos, experiente na função e que possui um relacionamento feliz com um policial. Em uma tarde, recebe uma ligação de uma menina que está sendo atacada por um Serial Killer e acaba cometendo um erro, levando a uma tragédia. Alguns meses depois, a corajosa mulher poderá se redimir após receber uma outra ligação de uma menina sendo atacado pelo mesmo assassino.   

“Nunca prometa nada que não sabe se vai conseguir cumprir.” Seguindo esse mandamento, conhecemos melhor uma profissão muita explorada no cinema, porém, pouco explicada. Mesmo não sendo muito profundo nos dramas pessoais dos personagens coadjuvantes, o roteiro é eficiente ao mostrar o cotidiano de um departamento da polícia americana que ajuda a população em momentos de tensão.

O entrosamento entre a eterna Miss Sunshine Abigail Breslin (Noite de Ano Novo) e a ganhadora do Oscar Halle Berry (Para Maiores) é ótima. Em relação a essa última, com toda certeza a melhor atuação da veterana atriz após ganhar seu maior prêmio. Juntas conseguem passar com verdade ao público as conflituosas conseqüências do que vemos em cena. Um detalhe que incomoda em relação aos personagens são as caras e bocas do assassino em série, interpretado por Michael Eklund (Watchmen – O Filme) que fazem o público muitas vezes rir em vez de criar qualquer tipo de tensão.

O filme, que custou cerca de U$$ 13 Milhões é um clássico thriller que deixa o público com os olhos grudados na tela, mesmo que recheado de cenas desnecessárias. Tem uma específica, na qual a personagem principal aparece em close ao lado de uma bandeira americana, beirando ao ridículo. Mesmo com algumas ressalvas, o climão de tensão é mantido do início ao fim, méritos da ótima condução do diretor.



Crítica do filme: 'Chamada de Emergência'


A crise da burguesia, que vimos a todo instante no nosso querido ensino médio, é o foco do último filme do cineasta francês Claude Miller (Feliz que Minha Mãe Esteja Viva), que faleceu no ano passado. Baseado na obra de François Mauriac e filmado em 21 dias, entre agosto e setembro de 2011, na região de Landes e em Bordeaux, Therese D. é a segunda adaptação cinematográfica da história, a primeira versão, rodada em 1962, foi dirigida por Georges Franju e estrelada por Emmanuelle Riva (Amor).

No drama, estrelado pela eterna Amelie Poulain, Audrey Tautou, voltamos ao ano de 1926 onde conhecemos Therese Larroque que é filho de um rico proprietário que lhe arranja um casamento com um representante da classe alta para unir as famílias e assim riquezas. Nessa época onde o casamento era arranjado, após um tempo a personagem principal começa a enlouquecer nessa relação e tentará se libertar de todas as maneiras possíveis.  

Com um orçamento que girou em torno dos U$$ 12 milhões, o longa que fechou o último Festival de Cannes, foca na sociedade francesa na década de 30. Seus valores, tradições conceitos são refletidos nas atitudes, às vezes inconseqüentes, dos personagens.  A loucura toma conta das ações da protagonista que em atos desesperados planeja ações psicóticas fruto de uma mente perturbada pelas imposições de seu tempo. A personagem encontra-se a todo instante em conflito com as escolhas que tomaram por ela.

A adaptação do roteiro foca claramente nos diálogos o que deixa a trama principal um pouco de lado tornando o filme sonolento em alguns instantes. Os personagens, longe de serem carismáticos, também não ajudam a contar muito bem esse drama do século passado. Gilles Lellouche é o outro protagonista, dando vida a Bernard Desqueyroux. O ator parece se perder no personagem em muitas sequências o que atrapalha na interação com o público.

Em um ano com muitas produções de qualidade sendo lançadas, Therese D. corre o risco de não ser notada. 

Crítica do filme: 'Therese D.'


Após um grande sucesso de bilheteria no primeiro filme da saga, o grupo de elite G.I.Joe, aqueles bonequinhos que brincávamos quando criança, voltam aos cinemas em 2013 dessa vez dirigidos pelo diretor responsável pelo documentário Justin Bieber: Never Say Never, o californiano Jon M. Chu. Armas de última geração e aparelhos tecnológicos tomam contam das sequências que devem agradar o público que gosta de filmes do gênero.

Nesse segundo filme da série, voltamos a reencontrar o esquadrão de elite do exército denominado G.I. Joe. Liderados, a princípio pelo Comandante Duke (Channing Tatum), se vêem envolvidos em uma conspiração onde são denunciados pelo Presidente do seu próprio País como criminosos e desertores. Assim, lutando contra tudo e todos resolvem provar sua inocência contando com uma ajuda surpreendente de um ex-inimigo.

O roteiro é raso, as informações são aceleradas. Mas, por incrível que pareça, as gracinhas dos personagens aproximam o público para a fraca história. O Capitão Colton (Bruce Willis) e seu colesterol alto possui cenas impagáveis recheadas de diversão nos diálogos. O Presidente Fake que joga Angry Birds também é um dos personagens que o público mais se diverte.

O filme despenca quando aparecem cenas dramáticas. Como não há o desenvolvimento das histórias pessoais dos personagens, nos momentos de dor, medo ou perda nenhuma gota de sentimento é passada. Isso é praticamente um padrão nos filmes de ação, muita atitude e pouco sentimento. De interessante e curioso, além das sequências de ação, G.I. Joe 2: Retaliação, tem uma grata surpresa em relação a sua trilha sonora. Uma canção inédita da banda Aerosmith, Legendary Child, poderá ser ouvida no filme. A música foi gravada em 1993 para o álbum Get a Grip, mas acabou ficando de fora e nunca foi lançada comercialmente.

Com cenas de ação a todo instante, muitos tiros e explosões o enredo acaba colocando o espectador com a sensação de estar dentro de um trailer interativo de um novo console. As cenas de luta são muito bem dirigidas, melhores que as cenas de tiroteio e explosões. O duelo de espadas no alto de uma montanha é muito bem filmada, se tornando um dos grandes destaques do longa.

Com muitos momentos cômicos G.I. Joe 2: Retaliação terá uma bilheteria positiva no mercado brasileiro mas será que é um bom filme? Veja e tire suas próprias conclusões.

  

Crítica do filme: G.I. Joe 2: Retaliação

Quantos feijões são necessários para fazer uma boa feijoada? Com um time experiente em mãos, que vai de nomes como Stanley Tucci ao eterno Trainspotting Ewan McGregor,  o cineasta responsável pela nova roupagem da trilogia dos X-Men, Bryan Singer,merece aplausos pois consegue tirar um grande sumo de uma história limitada, adaptada do famoso conto de João e o Pé de Feijão. Estamos falando da nova aventura em 3D, Jack - O Caçador de Gigantes.

Nesse novo filme produzido pela Warner Bros, conhecemos um jovem e atrapalhado lavrador chamado Jack (Nicholas Hoult) que logo em sua primeira aparição em cena, após uma negociação  ruim, salva uma linda moça das garras de uns baderneiros. A jovem em questão era a princesa Isabelle (Eleanor Tomlinson) que junto de Jack acende uma antiga guerra entre humanos e uma raça de gigantes, abrindo um portal entre os dois mundos. Quando Isabelle é levada pelo pé de feijão para o mundo novo e secreto, Jack e os cavalheiros mais valentes do Rei terão apenas uma oportunidade para salvar a donzela em perigo. 

A nova aventura 3D que chegou aos cinemas brasileiros é uma história muito bem dirigida, com personagens que conseguem dar dinamismo às quase duas horas de duração. O roteiro surpreende pela simplicidade, chega até a ser boba a história, mas o diretor americano Bryan Singer  (Os Suspeitos) consegue brilhantemente aproveitar cada elemento que tem em mãos e criar um universo de fantasia que interage com quem está na poltrona do cinema. 

Orçado em U$$ 195 Milhões o longa é todo programado para ser visto em 3D. As cenas de batalha deixam claro essa intenção, com objetos voando em perpendicular e uma câmera frenética introduzindo o público em cada sequência. O espectador é brindado com uma qualidade elevada nesses efeitos especiais, por exemplo, a terra mística dos gigantes, seus atalhos e armadilhas são deveras bem construídos pelos animadores.   

Mesmo não sendo muito profundo na história clássica dos personagens, Jack - O Caçador de Gigantes e sua simples premissa consegue entreter o público. Não percam, vale a pena conferir a saga do jovem Jack lutando contra os gigantes oriundos da terra que só se chega com certos feijões!


Crítica do filme: 'Jack - O Caçador de Gigantes'