Gosto dos versos do senhor que a minha professora de literatura não aprecia. Dirigido por Mirela Kruel, O Último Poema é um daqueles documentários bem interessantes, que parece tentar inovar na maneira como apresenta a história ao espectador, falando sobre uma grande figura da literatura brasileira, Carlos Drummond de Andrade. Por meio de lembranças, vamos entendendo melhor esta história de amizade, ternura e muita poesia.

Um documentário que busca em sua narrativa criativa nos contar um pouco da influência do grande escritor Carlos Drummond de Andrade na vida de fiéis leitores. Por meio de paralelos que nos trazem uma curiosa história de uma troca de cartas com uma assídua leitora, Helena Maria Balbinot Viccari, vamos sendo transportados para o delicioso mundo da poesia.

Declamações de lindos trechos, relatos pessoais sobre a época, reflexões sobre a vida e a sociedade que vai se desenvolvendo ao longo dos anos, curiosidades sobre a mente brilhante por trás dos textos mais do que marcantes. Ao longo dos curtos 70 minutos de projeção e com uma trilha sonora bastante especial, O Último Poema, mostra a latente sensibilidade literária de Drummond.


O cinema, assim como a poesia, é alimentada das nossas camadas mais secretas. Esse belo documentário atinge exatamente esse ponto: nos faz sonhar e querer conhecer cada vez mais a obra deste grande escritor.

Crítica do filme: 'O Último Poema'

O segredo da felicidade é escolher a comédia e largar o drama. Dirigido pela debutante dupla John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein, Férias Frustradas é quase uma espécie de continuação do homônimo clássico dos anos oitenta estrelado pelo lendário Chevy Chase. Dessa vez, com muitas situações constrangedoras, diálogos que vão ao extremo em segundos e uma série de sequências muito loucas, essa comédia parece não ter tanta personalidade como o primeiro filme mas com certeza faz o espectador rir bastante durante toda a fita.

Na trama, somos rapidamente apresentados ao casal Rusty Griswold (Ed Helms) e Debbie Griswold (Christina Applegate) que resolvem viajar de férias com os dois filhos para um lugar que nunca foram. Ao longo dessa jornada, vão se meter em muitas confusões com direito a natação no esgoto, um inusitado resgate de uma montanha russa e diversas situações constrangedoras.

Férias Frustradas (2015) é o tipo de tentativa de voltar com as antigas narrativas de filmes de comédia onde tudo dá errado no objetivo dos personagens e várias cenas que envolvem constrangimentos e situações sem noção. É um molde que conhecemos também como ‘filmes sessão da tarde’, em sua maioria, produções feitas para você se divertir sem pensar.

Estimado em mais de 30 Milhões de Dólares, a comédia, que estreou no Brasil esse mês, é o típico filme do gênero ‘enlatado norte-americano de fazer rir’. Só que nesse caso (e ainda bem) há uma empatia pelos personagens captada logo de início. Isso faz com que o filme tenha um certo sentido, por incrível que pareça. Talvez seja pelas expressões dos protagonistas, talvez seja pelo trivial roteiro que nos leva a uma série de situações inusitadas que fogem muito de uma comum realidade. É uma fórmula que funciona mesmo que não tanto quanto no clássico dos anos 80.



Crítica do filme: 'Férias Frustradas' (2015)



Dirigido pela cineasta holandesa Paula van der Oest, A Acusada é um daqueles impactantes filmes de tribunal onde a cada sequência vamos tendo novas argumentações, e, segredos são revelados. Com uma atuação beirando ao espetacular da experiente atriz Ariane Schluter, o longa-metragem (indicado pela Holanda ao Último Oscar na categoria Melhor Filme Estrangeiro) cria um clima de tensão profundo ao longo desses seus objetivos minutos de projeção.  

Na trama, somos convidados a explorar a história da enfermeira Lucia de Berk (Ariane Schluter) uma mulher condenada à prisão perpétua em 2003 pela morte de sete pacientes. Ao longo da trama, vamos descobrindo segredos sobre o controverso processo de acusação feito pela promotoria, apenas baseado em dados estatísticos contra a réu. Sempre alegando ser inocente e sendo tratada como uma das maiores assassinas da história da Holanda, Lucia de Berk precisou enfrentar a desconfiança de quase todos para poder provar sua inocência. 

O filme muda sua perspectiva a cada instante, consegue ser dinâmico e muito denso ao mesmo tempo. É extremamente fiel a seu intuito e revelador na arte de apresentar seus segredos ao espectador. Após a apresentação dos personagens, um enorme dilema jurídico é instaurado no filme. Nessa parte é que a fita cresce bastante, deixando até leigos em direito com enorme interesse em saber as conclusões desta forte história. 

A atuação da atriz Ariane Schluter é avultada, compõe sua personagem de maneira cravejada, buscando o tempo todo transmitir suas angústias, medos e incertezas ao público. Ao longo dessa singular jornada, tiramos muitas conclusões da enfermeira Lucia de Berk. Ficamos com raiva e de repente estamos indignados. O roteiro, escrito por Moniek Kramer e Tijs van Marle merecem todos os méritos por esse conflito de conclusões.

A Acusada (Lucia de B.) estreia no mês de novembro nos cinemas brasileiros e, além de fundamental para todos os professores, estudantes e interessados em direito, é um filme que muita gente deve gostar bastante.

Crítica do filme: 'A Acusada' (Lucia de B.)



Depois de dirigir episódios dos sucessos American Horror Story, Glee e Red Band Society, o cineasta Alfonso Gomez-Rejon, com muita delicadeza e objetividade chega aos cinemas com seu novo projeto Eu, Você e a Garota que vai Morrer. Baseado na obra homônima de Jesse Andrews (que curiosamente também escreveu a adaptação para o cinema) e com uma narrativa deveras peculiar, em menos de 15 minutos temos um excelente raio-x do protagonista e somos conquistados pela história. O filme com certeza tem um ‘q’ de Wes Anderson, diretor que todos nós amamos.

Na trama, conhecemos Greg (Thomas Mann), um amante de filmes cults que adora utilizar seu leque de piadinhas estranhas, além de diariamente lutar para ser invisível sendo um raro mas conhecido habitante de todos os grupinhos da escola. Seu único amigo é Earl (RJ Cyler), um outro jovem bem solitário, juntos adoram passar seus tempos vagos produzindo estranhas adaptações cinematográficas. Apocalipse Now, Laranja Mecânica, muitos clássicos do cinema ganham suas versões na mente dos jovens amigos. Certo dia, a mãe de Greg dá a notícia que uma amiga dele da escola, Rachel (Olivia Cooke) está com câncer e pede para que ele se aproxime dela para ajudar neste momento difícil. A partir daí nasce uma grande amizade e várias descobertas sobre a vida vão acontecer.

A questão do convívio diário com os amigos de colégio é um pano de fundo para essa rica trama. Conhecemos a fundo o personagem principal e seu espírito solitário de se defender contra qualquer tipo de bullying que possa existir. Aterrorizado pela palavra ‘amigo’ busca abrigo em uma espécie de intenso posicionamento que inventou. O mais legal é quando ele se abre, por sua nova amizade com Rachel, e começa a ser desafiado a enfrentar sem suas ‘técnicas de socialização’ o cotidiano no colégio. O filme é brilhante nessas sequências. 

O longa-metragem fala sobre um tema pesado mas tratado com muito carinho e sentimentos bons. Eu, Você e a Garota que vai Morrer parece ter identidade própria, foge a todo instante dos possíveis clichês além de possuir algumas pausas dramáticas bem particulares. Exala simpatia também por conta de seus ótimos personagens coadjuvante, como o pai de Greg, um professor de sociologia que passa a maior parte do tempo em casa pensando sobre a vida, e também, do professor Mr. McCarthy (Jon Bernthal) com quem Greg consegue desabafar muito de seu dia a dia.

O filme estreia no Brasil no mês de novembro e, sem dúvidas, possui uma das mais criativas construções de personagens do ano. Não percam!

Crítica do filme: 'Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer'



A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais. Um dos mais aguardados blockbusters do ano, finalmente chegou semanas atrás aos nossos cinemas, Perdido em Marte, filme que marca o retorno do aclamado criador de Alien, o Oitavo Passageiro para trás das câmeras. Baseado na obra de Andy Weir, o longa-metragem estimado em mais de 100 Milhões de Dólares, é uma aventura com toques de suspense e drama que promete agradar demais os cinéfilos de plantão. Mexendo com várias variáveis emocionais, praticamente um raio-x do protagonista é instaurado, o filme cresce exatamente nos raciocínios das argumentação para as tomadas de decisões de sobrevivência. Uma pequena obra-prima cinematográfica dessa lenda do cinema chamada Ridley Scott.

Na trama, conhecemos a tripulação da Ares, uma equipe de astronautas que faz uma expedição no distante planeta Marte ao comando da toda poderosa NASA. Após serem surpreendidos por uma tempestade violenta, um dos astronautas, Mark Watney (Matt Damon), é dado como morto. Para surpresa de todos, e com a tripulação restante já fora de Marte, o astronauta em questão acaba sobrevivendo e agora vai precisar de toda sua inteligência como botânico de formação para tentar sobreviver durante muitos dias até um improvável mas possível resgate. A inteligência e a concentração para não entrar em pânico dão a Mark um respiro de esperança mesmo estando em uma situação extremamente complicada. Já, as questões políticas, principalmente nas decisões sobre as possibilidades de resgate dão um tom de aflição e medo à trama. Há uma grande tensão no ar, tanto em Marte, quanto na Terra. Nessa hora cresce em cena os ótimos Jeff Daniels e Chiwetel Ejiofor.

O roteiro beira ao espetacular, a direção é brilhante. Muitos detalhes são vistos e revistos para uma total explicação consciente sobre os mistérios do universo. Às vezes, para os leigos, falando grego nos cálculos e lógicas aerodinâmicas que volta e meia se metem entre os diálogos durante toda a projeção, por incrível que pareça acabamos o filme com uma dezena de curiosidades respondidas sobre o espaço. Com erros e acertos que provavelmente cientistas apontarão a partir do momento em que assistirem a essa fita, uma coisa não podemos negar: é um grande filme que emociona e nos prende desde o primeiro minuto.

Uma história envolvente que mexe com nosso imaginário sobre a existência e faz nossos corações respirarem cada vez mais esperança na luta pela nossa sobrevivência. Os efeitos especiais são mágicos, nos transportam para dentro da situação com uma realidade nas ações dignas dos grandes trabalhos do britânico Ridley Scott. Nos sentimos em Marte durante boa parte do filme. A interação que consegue Matt Damon nas cenas que precisa atuar sozinho (quase em todas) é fantástica (fundamental para o filme), prende nossa atenção e instiga um desejo de curiosidade sobre o destino de seu personagem. 

Não perca tempo! Corra e veja esse filmaço!

Crítica do filme: 'Perdido em Marte'

O cão não ladra por valentia e sim por medo. Baseado na obra de Dick Lehr e Gerard O'Neill e dirigido pelo cineasta norte-americano Scott Cooper (Tudo por Justiça e Coração Louco), Aliança do Crime é mais um filme que fala sobre o mundo da máfia, só que dessa vez com um olhar diferente, utilizando muitos paralelos que se chocam, principalmente entre a ética e o crime no perigoso jogo de alianças que vai se moldando ao longo dos 122 minutos de projeção. Na pele do protagonista: um psicopata, frio, calculista e assassino sem piedade, o mundialmente conhecido Johnny Depp, que há tempos estava devendo aos cinéfilos uma atuação de tirar o chapéu, executa com louvor o expressivo personagem. Uma baita atuação.

Década de 70, Sul dos Estados Unidos, mais precisamente em Boston. Na trama, conhecemos parte da história de James 'Whitey' Bulger (Johnny Depp) um criminoso audacioso que após fazer uma espécie de aliança com o FBI, acabou se tornando, além de informante desta instituição, um dos senhores do crime mais poderosos de todo os Estados Unidos. Cavalos, drogas, apostas, não tinha limite de negócios que Bulger fazia a todo instante. Sua relação com o irmão, Billy Bulger (Benedict Cumberbatch), é o que mais chamava a atenção, já que esse último foi eleito senador e alguns diálogos com certa ambigüidade davam ou não a entender que o irmão o protegia. O filme relata com muita inteligência essa curiosa relação.

O que chama atenção logo de cara são seus dentes podres e sua expressão aterrorizante. James 'Whitey' Bulger, gângster descendente de irlandeses, essencialmente um criminoso: controlou policiais, federais, todo mundo foi ganhando suborno e sendo controlado pela mente doentia de um dos criminosos mais sanguinários que Estados Unidos já viu. A voz mansa, as ações inesperadamente explosivas, um sarcasmo que arrepia. Sem dúvidas, é a volta de Depp aos grandes trabalhos! Um outro bom destaque é a atuação do ator australiano Joel Edgerton (Warrior), na pele do policial do FBI John Connolly, principal responsável pelas regalias que Bulger teve durante o período que foi informante da polícia.


Estimado em mais de 50 milhões de dólares, Aliança do Crime é impactante muito por seu forte protagonista e por isso, com toda a justiça, Johnny Depp está bem cotado para ser um dos cinco indicados ao prêmio de melhor ator no próximo Oscar. Para quem curte filmes de gângsteres, espionagem, suspense e ação, este bom longa-metragem é um prato cheio! 

Crítica do filme: 'Aliança do Crime'

Nunca houve uma guerra boa nem uma paz ruim. Nomeado para a Palma de ouro deste ano na categoria melhor diretor, o longa-metragem de ação estimado em mais de 30 Milhões de Dólares, Sicario: Terra de Ninguém é adrenalina pura, do início ao fim. Pelos olhos da forte protagonista, interpretada pela bela e competente Emily Blunt, vamos sendo apresentados a um mundo violento e sanguinário dos cartéis mexicanos. Além de Blunt, Benício Del Toro e Josh Brolin, os dois muito competentes em seus respectivos papéis, ajudam a contar essa ótima história que estreia no Brasil já na próxima quinta-feira (22).

Na trama, conhecemos a agente da divisão anti-sequestros do FBI Kate Macer (Emily Blunt), uma mulher com grande determinação que depois de uma batida a uma casa onde houve perdas de agentes após uma explosão, é chamada para fazer parte de um grupo especial que envolve vários departamentos da justiça norte-americana com o objetivo maior de parar as ações de um cartel mexicano. Nesta equipe, liderada por Matt Graven (Josh Brolin), está o misterioso Alejandro (Benício Del Toro) um homem que resolve as situações da maneira mais extrema possível.

A criatividade na direção é um dos destaques deste filme. Mapas aéreos, visões noturnas, cenas de tiroteio com uma quase realidade impressionante. Após o brilhante Incêndios, o misterioso Os suspeitos (2013), o cineasta canadense Denis Villeneuve se jogou no gênero de ação adicionando ao seu projeto um detalhamento muito perspicaz de cada ação dos personagens. Em diversas impactantes cenas de ação que vemos ao longo da projeção, a que mais chama a atenção é a sequência dentro do túnel, simplesmente sensacional.

Falando um pouco sobre as características dos personagens. A humanização da protagonista, não chega a ser cafona nem forçada, é muito bem definida dentro da trama. Totalmente novata nos tipos de operações que enfrenta ao longo de sua caminhada neste filme, a personagem, carregada de princípios éticos, se vê dividida em seus próprios pensamentos depois de tudo que assiste. Outro personagem que gera curiosidade é Alejandro. Cada diálogo contido parece que se evaporam com força em todas as ações do brilhante personagem. Benício del Toro dá um verdadeiro show em cena.


Sicario: Terra de Ninguém já pinta em algumas listas de favoritos para algumas categorias do próximo Oscar. Entrando na grande cerimônia do cinema ou não, uma coisa é certa: não deixem de ver este ótimo filme de ação!

Crítica do filme: 'Sicario: Terra de Ninguém'