Depois de cinco anos longe das telonas e tendo no currículo o excelente filme Meninos Não Choram (que deu o primeiro Oscar para a atriz Hilary Swank), a cineasta norte-americana Kimberly Peirce topou o desafio de recriar o universo de uma das histórias mais famosas de Stephen King, Carrie, a Estranha. Com pequenas adaptações para a nossa época, fato que já diferencia esse remake do seu original dirigido por Brian de Palma em 1976, e uma atuação convincente de Chloë Grace Moretz (Kics-Ass 2) essa nova releitura possui bons argumentos para convencer o público a partir do dia 06 de dezembro nos cinemas.

Na história, conhecemos Carrie White (Chloë Grace Moretz) uma jovem que entrou no colégio recentemente a pedido da justiça já que antes recebia apenas aulas em casa. Sua mãe Margaret White (Julianne Moore) é uma costureira e fanática religiosa que impõe uma severa disciplina de sua jovem filha. Certo dia, Carrie sofre um intenso bullying de sua classe dentro da banheiro e a partir deste fato vai descobrindo que possui poderes especiais que culminam no terrível dia de sua formatura na escola.

O conflito familiar na casa 47 é mostrado de forma intensa, com direito a agressões verbais e físicas. Carrie começa a bater de frente com sua mãe e a argumentar com eficácia, principalmente quando a personagem amadurece começando a estudar e entender melhor seus poderes. A questão é que ela ainda é jovem e confusa, tendo apenas como porto seguro e desabafo algumas conversas com sua professora de educação física, Ms. Desjardin (Judy Greer).

Chloë Grace Moretz volta a atuar bem em um remake. No ano de 2010, a jovem atriz norte americana de apenas 16 anos surpreendeu os cinéfilos com uma bela atuação na pele da vampira Abby, no suspense Deixe-me Entrar, baseado na fita sueca de Tomas Alfredson (O Espião Que Sabia Demais), Deixe Ela Entrar. Um dos pontos negativos é a atuação de Julianne Moore (Amor a Toda Prova) que exagera na composição de sua personagem mas não compromete a história.

Como qualquer remake, nem tudo é igualzinho ao original. Nesse caso, a essência da história é preservada, além de algumas cenas clássicas. Os efeitos especiais, detalhe que não tinha na fita original, são muito bem executados e acrescentam, sem exageros, bastante às sequências. Carrie, a Estranha 2013, é um bom filme de terror camuflado de suspense sobrenatural.  Pra quem gosta do gênero, deve agradar.


Crítica do filme: 'Carrie, a Estranha' (2013)

E vem da terra de Godard o filme mais quente deste ano, Azul é a Cor mais Quente. Dirigido pelo tunisiano Abdellatif Kechiche,  ganhador da Palma de Cannes neste ano, o drama francês é uma excepcional e comovente história recheada de diálogos árduos, cenas picantes e uma inteligente análise dos sentimentos humanos, feita de forma transparente, real e bastante atual. O longa metragem é provocante, chocante e ao mesmo tempo apresenta contornos dramáticos em forma de gestos de ternura e carinho de suas personagens. Esse é um filme que ficará na sua memória por muito tempo.

Nesse polêmico filme, que estreia na sexta-feira que vem (06 de dezembro) aqui no Brasil, somos apresentados a Adèle (Adèle Exarchopoulos), uma jovem charmosa (principalmente quando prende o cabelo) que está passando por uma época de descobertas em sua vida pessoal. Adèle é gulosa e gosta de dançar, utiliza esse movimento corporal como forma de fugir dos conflitos que prefere não enfrentar. Após uma experiência homossexual traumática, acaba conhecendo Emma (Léa Seydoux) uma jovem artista que possui um lindo sorriso com dentinhos separados e chamativos cabelos azuis. As duas logo se apaixonam e enfrentam todos os dramas de um relacionamento conturbado.

A construção da protagonista é maravilhosa, em certo momento do filme, motivada por inseguranças e ciúmes, a personagem enfrenta uma crise existencial. Admiradora de Kubrick, Scorsese e do cinema norte americano Adèle se constrói e desconstrói durante os 180 minutos de fita. Na primeira fase da história, confusa e com desejos reprimidos sofre pressão do grupinho de amigas que faz parte.  Já na segunda fase, mais madura e completamente apaixonada, precisa enfrentar as dores de um amor que nasceu de forma bonita e se encaminha para um desfecho melancólico por conta das atitudes inconseqüentes da própria personagem.

As cenas de sexo são extremamente fortes, intensas, picantes. É uma doação fora do comum das duas atrizes em cena. A câmera do diretor captura todos os detalhes da aventura sexual que é mostrada ao público. Mesmo com essas sequências, que vão dar no que falar, Azul é a Cor mais Quente é muito mais que um simples filme que contém cenas intensas de sexo. Fala sobre as descobertas da vida adulta, não só no campo emocional, como no familiar e profissional. Os diálogos são cirúrgicos, muito bem dosados. Somos envolvidos rapidamente pela carismática história.

As conversas em alto nível intelectual vão agradar o público. As amantes dão um show de conhecimento das artes argumentando sobre quadros de Picasso e conversando sobre teorias de Sartre. Os cinéfilos são abençoados com duas grandes interpretações. Todos os prêmios do mundo para as atrizes Léa Seydoux (Adeus, Minha Rainha) e Adèle Exarchopoulos. Vocês não podem perder esse lindo trabalho. Um dos melhores filmes do ano, sem dúvidas! Bravo!





Crítica do filme: 'Azul é a Cor mais Quente'

Nossos vizinhos argentinos utilizando técnicas de animação é uma coisa que não vemos todo ano aqui no Brasil. Juntando o amor pelo futebol que unem os dois países e com personagens que lembram ex-jogadores latinos, o ganhador do Oscar Juan José Campanella (O Segredo dos Seus Olhos) se junta a Gastón Gorali, Roberto Fontanarrosa e Eduardo Sacheri (roteirista de O Segredos Seus Olhos) para criar uma história rica em ensinamentos para cinéfilos de todas as idades.

Um Time Show de Bola conta a história de Amadeo, um adolescente que vive e trabalha como garçom em num bar de pouco movimento numa pequena cidade na Argentina. O tímido jovem é um exímio jogador de pebolim (também conhecido como Totó em algumas regiões brasileiras) e morre de amores por sua amiga de infância Laura. Certo dia, é desafiado pelo jovem mais malandro do vilarejo, Colosso, para uma partida e acaba vencendo dando um show. Anos mais tarde, Colosso se transforma no melhor jogador de futebol do mundo, e volta para casa disposto a se vingar da única derrota que sofreu em sua vida. Como num passe de mágica, seus eternos amiguinhos do seu jogo de Pebolim ganham vida e juntos embarcam numa emocionante viagem cheia de aventuras para salvar Laura e o vilarejo onde moram.

O filme desenvolve muito bem situações relacionadas à amizade, trabalho em equipe, companheirismo e confiança. É uma grande aula de cinema para a molecada aplicada pelo genial diretor argentino Juan José Campanella (O Segredo dos Seus Olhos). A técnica de animação é um mero detalhe dentro da película. Os personagens são fascinantes. Beto, com suas trancinhas, que lembram o ex-jogador de futebol profissional colombiano Carlos Valderrama, é, sem dúvidas nenhuma, o personagem mais carismático da trama. Seu complexo com a beleza e seu ego aguçado, tornam uma delícia os diálogos com seus companheiros de time.

O vilão da trama é bem mais complexo que em outros filmes bobocas hollywoodianos a que estamos acostumados. O objetivo do personagem é buscar uma forma de redenção para seu único fracasso da vida: uma derrota em uma mesa de pebolim quando criança. Assim, estruturou toda sua vida para um retorno triunfal, desleal e maquiavélico. O desenrolar do personagem é brilhante, ele chega ao objetivo mas não da maneira que sonhou ou mesmo imaginava.

Uma das críticas mais contundentes aparece já no desfecho da história com uma brincadeira em relação aos inúmeros patrocínios que alguns times possuem no futebol e a dúvida que passam certos indivíduos que dominam o futebol fora das quatro linhas. A pergunta que fazemos quando se encerra essa ótima história gira em torno de uma questão que muitos de nós já pensamos. O futebol é um negócio, uma diversão ou as duas coisas? Veja o filme e tire suas conclusões. Bravo!  




Crítica do filme: 'Um Time Show de Bola'

Parece que a dança misturada com dramaturgia vem ganhando cada vez mais espaço nos nossos cinemas. Depois do interessante Esse Amor que nos Consome, chega aos cinemas na próxima sexta-feira (29) o trabalho da diretora Tânia Lamarca, Ensaio. Elementos de dança, teatro e cinema se misturam de maneira desencontrada transformando uma simples história em uma experiência profunda e com uma beleza poética fruto dos belos movimentos corporais dos personagens principais. Rodado todo em Florianópolis, o longa metragem parece um aulão pré-vestibular sobre a revolução Farropilha.

Ensaio, rodado no longínquo ano de 2010, conta a história de um excêntrico diretor de um espetáculo de dança chamado Caio (Chico Caprario) que esta preste a estrear seu novo projeto, um trabalho meticuloso sobre Anita e Garibaldi. Seus dois bailarinos principais, Eva (Lavínia Bizzotto) e Daniel (Bruno Cezario) que dão vida aos protagonistas, demonstram toda suas dores e conflitos pessoais durante esses ensaios. Eva enfrenta uma gravidez indesejada e o seu parceiro de palco, lembranças do passado em sua terra natal aterrorizada pela ditadura militar décadas atrás.

As poderosas batidas nas teclas do piano e o som envolvente dos violinos, fruto da trilha sonora do pianista e compositor Alberto Andrés Heller, tentam rechear o filme de tensão e emoção. O problema é que em alguns momentos o que acontece em cena não é compatível com as melodias, confundindo o espectador. Não há profundidade nos papéis e o roteiro é falho em não conseguir construir com bom senso a ponte entre as danças e a história. Resumindo, o filme passa longe de ser harmônico se perdendo na tentativa de ser uma obra feita para cinema.  

Um dos grandes pecados do projeto é a falta de objetivos dos elementos que aparecem em cena mesmo com as visíveis doações emocionais dos artistas. O personagem Caio, diretor do espetáculo, é um eterno descontrolado dentro da trama deixando o público confuso muitas vezes. Um breve oásis quando pensamos em competência cênica é a atriz Lavínia Bizzotto, intérprete de Eva, que mostra uma entrega intensa de corpo, alma e coração, levando o filme nas costas em quase todos os momentos.


Na tentativa de ser um filme com os padrões cinematográficos, propriamente dito, Ensaio acaba sendo uma experiência que testa o público em interações não muito comuns quando pensamos em sétima arte. É um trabalho que será elogiado por Ana Botafogo, Deborah Colker e Carlinhos de Jesus pois convence muito mais sendo um espetáculo de dança do que sendo um filme para cinema. 

Crítica do filme: 'Ensaio'

Tentando criar uma atmosfera de suspense do início ao fim, o cineasta Jim Mickle (Stake Land - Anoitecer Violento) chega aos nossos cinemas na próxima sexta-feira (29) com seu mais recente trabalho. Somos o que Somos é um filme em que não existem risos. Caras sisudas, ambientes lúgubres e diálogos com citações religiosas fervorosas recheiam essa sonolenta fita, um remake de um longa-metragem mexicano escrito e dirigido por Jorge Michel Grau, que peca por não conseguir desenvolver muito bem os personagens principais da história.

Na trama, conhecemos a família Parker que logo de cara sofre com o falecimento suspeito da matriarca e com a chegada de uma tempestade terrível. Esses dois acontecimentos mexem com a rotina da pacata família que esconde segredos inimagináveis do resto da população da cidadezinha em que vivem. A figura do pai, interpretado de maneira preguiçosa pelo ator Bill Sage (Preciosa - Uma História de Esperança), não consegue avultar-se sobre a história. Toda a trama gira em torno deste personagem que passa o tempo todo com a cara fechada, amargurada, cozinhando e tentando esconder os segredos de sua família a qualquer preço.

O roteiro do filme é aquele quebra-cabeça dos mais difíceis de encontrar as peças certas nos encaixes corretos. O público percebe que está prestes a se surpreender nas próximas cenas e analisa com cuidado todas as dicas que os personagens deixam em suas atitudes suspeitas. Um ritual de passagem, uma tradição familiar sinistra, o confronto ideológico entre o certo e errado das duas jovens irmãs são abordados de maneira superficial deixando de criar uma sintonia entre trama e público.   

Em alguns momentos, as cenas geram um certo calafrio e indigestão. As surpresas macabras vão sendo mostradas e deixando o espectador aterrorizado com o ritual da família Parker. Mas o filme não consegue ser mais do que uma trama misteriosa, deixa tantas lacunas para serem completadas que chega ao desfecho com o público sentindo falta de maiores explicações e mais desenvolvimento da história e dos personagens. Entre um desses personagens mal desenvolvidos, Marge a vizinha da família, papel da eterna top gun girl, a sumida atriz Kelly McGillis (Top Gun: Ases Indomáveis).


A tentativa de criar uma família que Hannibal adoraria conhecer gera ao longo dos 110 minutos de filme uma frustração gigante. Não existe qualquer sintonia entre personagens, história e cinema. Porém, vale o aviso: se for assistir a esse filme não vá logo depois do almoço. Sem dúvidas, Somos o que Somos é uma sobremesa indigesta em muitos sentidos. 

Crítica do filme 'Somos o que Somos'

Com tanta violência no mundo em que vivemos: arrastões nas praias cariocas, corrupção, roubo de dinheiro público por meio de merenda escolar, políticos corruptos e seus falsos infartos, sempre que for possível olhar para um novo horizonte e usar o cinema para tal devemos e faremos isso. Precisamos fazer um bem maior ao nosso coração!

Sabe aquele filme que nos faz respirar fundo e abrir um lindo sorriso quando termina sua exibição? Se formos colocar nossa memória cinéfila para funcionar, lembraremos de obras-primas que emocionaram e fizeram um grande bem ao maior músculo de nosso corpo. Não importa a nacionalidade, não importa o diretor, não importa que são os atores que estão em cena, existem filmes que ficam marcados para toda uma vida em nossos corações. Você sabia que quando tivermos 70 anos de idade, nosso coração já bateu cerca de 2,5 bilhões de vezes e muitas dessas batidas foram provocadas pela sétima arte?

Pensando nisso tudo escrito acima, uma listinha com 10 filmes indicado por esse metido a cardilogista cinéfilo que quer fazer bem ao seu coração!


10. O Que Traz Boas Novas (Monsieur Lazhar, 2011)

Ganhador de mais de 26 prêmios internacionais, chegou aos cinemas brasileiros neste ano o novo e elogiado trabalho do cineasta Philippe Falardeau (do excelente C'est pas moi, je le jure! ), O Que Traz Boas Novas. Qual o papel do professor? Educar ou ensinar? O longa levanta essa questão básica da educação centralizado nos interessantes diálogos entre pais, educadores e alunos. Além disso, o filme é delicado, transborda ao mesmo tempo pureza e maturidade. Na trama, após uma tragédia inestimável, uma escola enfrenta um grande problema com seus alunos. Abalados, pais e orientadores buscam uma saída para a superação de toda uma classe até a chegada do novo professor de origem argelina, interpretado pelo ótimo ator Mohamed Fellag (O Gato do Rabino). Esse é o tipo de filme para ver ao lado de quem você ama e quem sabe fazer uma sessão dupla e iluminar a sala de cinema com brilho no olhar, de ter encontrado alguém que te entende e gosta das mesmas coisas que você.

09. As Palavras (The Words, 2012)

Olhares perdidos, sonhos e desejos. Dirigido pela dupla Brian Klugman, Lee Sternthal, As Palavras chega aos nossos cinemas nessa semana com o objetivo de emocionar o público. Com uma abordagem que foge do tradicional conquista o espectador já nas primeiras cenas recheando o restante da trama com muitas surpresas e atuações de tirar o fôlego. O belíssimo trabalho fala sobre amor, literatura e o poder que as palavras possuem. Um filme que muitos cinéfilos vão adorar, com toda a razão. Esse é o tipo de longa-metragem que você corre para uma locadora onde vende filme, enquanto o amor da sua vida está no banheiro, é a presenteia, pois sabe que esse filme tem muito a dizer a um coração apaixonado.

08. Questão de Tempo (About Time, 2013)

Um pôster do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain preso na parede de um quarto já era o primeiro indicador que iríamos conhecer um sonhador, romântico e que faz de tudo para ser feliz. Em Questão de Tempo, o diretor e roteirista neo zelandês Richard Curtis (Um Lugar Chamado Notting Hill) nos leva a conhecer Tim e sua incrível jornada à procura de um futuro ao lado de um grande amor. Uma trilha sonora jovem e popular embala esse ótimo trabalho que é aquele tipo de filme que todo mundo na sala de cinema faz uma corrente imaginária positiva para que o desfecho seja feliz. Esse é o tipo de filme que você quer ver com a pessoa que ama. Se ela não puder ir, por ter provas no dia seguinte a exibição, vá com sua prima e pense nela. Fale do filme, mande mensagens no whatsapp, indique e faça o coração dela saber que precisa ver esse filme para entender cada dia mais que o amor de cinema está presente também na vida real.

07. Ruby Sparks – A Namorada Perfeita (Ruby Sparks, 2012)

Para ela, com ela, sem ela. Dirigido pelos cineastas Jonathan Dayton e Valerie Faris, Ruby Ruby Sparks – A Namorada Perfeita aborda o amor como tema central, de uma maneira inusitada, transformando o espectador, desde o primeiro minuto, torcedor para o casal dos sonhos ter um final feliz. À bordo de uma máquina de escrever antiga, o público é levado para dentro dessa grande história, metáforas misturadas em sonhos preenchem a trama. Os diretores de Pequena Miss Sunshine acertam outra vez. O longa chega bem próximo da perfeição. É uma grande diversão além de um ótimo filme. Veja mil vezes, só não conte o final!

06. A Grande Beleza (La Grande Bellezza, 2013)

Um dos diretores mais fantásticos do cinema atual Paolo Sorrentino (que dirigiu a ótima atuaçao de Sean Penn no filme Aqui é o Meu Lugar) chega novamente aos cinemas brasileiros apresentando um personagem e seu conflito. Dessa vez, criticando assiduamente a alta sociedade europeia, seus altos e baixos, coloca um recheio de exuberância, luxo, dança e glamour através do olhar do amadurecimento de um homem e seus passeios nas memórias. Aos amantes de obras de arte, A Grande Beleza permite um grande tour, exclusivo para príncipes e princesas, por dentro de corredores memoráveis lembrando muito – nestas sequências - o clássico filme do russo Aleksander Sokurov, A Arca Russa. O protagonista fascina pois conhece tudo e todos. Molda seus raciocínios através da larga experiência que possui dentro dessa burguesia dominadora em que vive. É o tipo de filme que vemos no chão do cinema, por não ter mais lugar na plateia, ao lado do amor de sua vida que pode reclamar um pouquinho pelo filme ser muito longo.

05. A Delicadeza do Amor (La Délicatesse, 2011)

Dirigido pela dupla David Foenkinos, Stéphane Foenkinos A Delicadeza do Amor chegou aos nossos cinemas no final de maio com o compromisso de manter a tradição de filmes água com açúcar que a França exporta aos montes durante todo o ano. Delicado como seu título, o filme consegue agradar todo tipo de público, por meio de canções, por rodadas de câmeras em 360 graus e diálogos muito bem construídos. O entrosamento em cena de François Damiens e Audrey Tautou (Bem me quer, Mal me Quer) é um ponto fundamental para que o carisma transborde na tela. O amor em sua forma mais delicada e o sofrimento em sua forma mais profunda são elementos que se misturam nesse romance.

04. Meu Pé de Laranja Lima (Meu Pé de Laranja Lima, 2013)

Como trazer a emoção de uma história que está no imaginário a 45 anos? Dirigido pelo famoso roteirista Marcos Bernstein, Meu Pé de Laranja Lima consegue emocionar e reunir todos os elementos de um bom filme. Atuações, roteiro, direção são alguns dos aspectos que andam em total harmonia. O espectador é brindado com uma verdade singela que é passada de maneira muito natural por todos os personagens. Os coadjuvantes também merecem destaque sendo muito bem aproveitados pela lente inteligente do diretor. O grande mérito do filme é brincar com o abstrato e a maneira como isso é passado ao público. O roteiro, adaptado, é crucial para que a execução se desenvolva naturalmente reunindo uma grande veracidade em cima de cada fala, cada gesto, cada expressão dos envolvidos nas sequências. Quer rir, chorar e se emocionar? Não deixe de conferir esse que será um dos grandes destaques do nosso contestado cinema neste ano. Bravo!

03. Meu Adorável Intruso (Once Around, 1991)

Quem de nós, meros mortais, já não sonhamos em voar até a lua? O longa de Lasse Hallstrom (diretor também do excelente Regras da Vida) nos aproxima dessa experiência ao som de uma canção muito famosa que se torna o grande destaque do filme. Na trama, uma jovem sonhadora vai em busca de uma nova oportunidade de trabalho numa cidade longe de sua família. Como é muito ligada aos pais, se sente muito solitária no começo, até conhecer Sam, um homem mais velho e com ele viver uma intensa e divertida história de amor. Com um ótimo elenco e uma história cheia de amor e sentimentos, que giram ao redor de relacionamentos em tons de comédia e drama, Meu Querido Intruso agrada a qualquer tipo de público. É uma ótima dica para alugar na locadora mais próxima!

02. O Sonho de Wadjda (Wadjda, 2012)

Ganhador de elogios ao redor do mundo, desembarcou no Brasil o drama O Sonho de Wadjda. Tendo influência do clássico da década de 40, O Ladrão de Bicicletas, de Vittorio De Sica (Desejos Proibidos), o longa fala sobre a destemida juventude que calça All Star e com uma mescla de inteligência e sabedoria consegue burlar qualquer símbolo de prepotência de uma sociedade machista no tempos atuais. É no mínimo um filme ousado, aguerrido e alentado. Talvez chocante para alguns. Pelos diálogos nos identificamos e torcemos para que mais Wadjda apareçam nesse mundo tão perto e conservador. Bravo! É o tipo de filme que procuramos em dezenas de sites, inúmeras lojas, sites estrangeiros, pois queremos dar de presente para alguém que amamos e nutre a mesma paixão que temos pelo cinema. 

01. Paraíso (Paradise, 2013)


“Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde, amo-te simplesmente sem problemas nem orgulho: amo-te assim porque não sei amar de outra maneira.” Com essa frase do grande Pablo Neruda (que explica muito desse filme), o nosso líder dessa lista foi uma das grandes surpresas do Festival do Rio 2013. Produzido por Gael García Bernal (No), Paraíso é, antes de tudo, uma grande lição de como o amor é importante para nossas vidas. Guiados pela estética e inteligência da cineasta Mariana Chenillo, o drama mexicano possui uma grande pitada de humor que faz o público se emocionar em muitos momentos. É o tipo de filme que assistimos, como mero palpite em festivais de cinema,  ao lado de quem amamos. Quando a fita termina, os olhinhos verdes mais bonitos da face da terra estão cheios de lágrimas pois sentiu o coração bater mais forte nessa linda história de amor. Vejam e sintam essa experiência maravilhosa que só o cinema pode proporcionar. 

10 Filmes que fazem bem ao coração

Do que sentimos falta no fim de nossas vidas? Dirigido pelo veterano cineasta dinamarquês Bille August (A Casa dos Espíritos) e com um roteiro adaptado do best seller homônimo de Pascal Mercier, Trem Noturno para Lisboa poderia ser um filme qualquer sobre revoluções, amor e mistérios. A questão é que seu protagonista é fascinante, contando com uma das maiores atuações da carreira do excelente ator britânico Jeremy Irons (Dezesseis Luas). 

Certo dia em sua vida monótona, o Professor Raimund Gregorius caminha a passos largos em direção a escola onde dá aula. Ao se ver diante de uma bela donzela a caminho do suicídio, intervém e a salva da eminente fatalidade. Com pressa para não perder o horário, convida a moça para assistir sua aula. Após alguns minutos, a ex-suicída vai embora deixando seu casaco vermelho e um livro do desconhecido escritor Amadeu do Prado. Fascinando pelas palavras que descobre a cada página virada, o Professor Gregorius embarca em uma aventura para descobrir a história desse fascinante autor.   

O filme vale muito ser conferido pela atuação magistral de Irons. O ganhador do Oscar está fabuloso na pele do professor Raimund Gregorius, protagonista da história. Sensível, passando uma verdade que impressiona e com um espírito aventureiro aguçado, convence o público desde o primeiro segundo em cena.  Entre os coadjuvantes, nomes poderosos do cinema mundial, como: Christopher Lee (O Hobbit: Uma Jornada Inesperada), Charlotte Rampling (Jovem e Bela) e Bruno Ganz (O Conselheiro do Crime) dão o ar de sua graça, ajudando o personagem principal a encontrar suas respostas.

O roteiro cinematográfico, adaptado do famoso livro de Pascal Mercier é focado em flashbacks que são utilizados para preencher as lacunas que são deixadas pelo personagens que aparecem no presente. A busca do protagonista por respostas a todo custo empolga o espectador que fica ansioso em descobrir os segredos dessa misteriosa e romântica trama. Sendo guiado pelos pensamentos e historias de Amadeu do Prado, o tímido professor vai atrás dos verdadeiros fatos que deram origem aquelas palavras.

Com o protagonista falando em inglês com todo mundo em plena Portugal dos dias atuais, talvez uma licença poética que nós cinéfilos fingimos que não vemos, acompanhamos com os olhos grudados na telona os acontecimentos, até o seu final indefinido, deixando para o público escolher o desfecho dessa curiosa história. Pegue seu carro, vá de ônibus, entre no metrô ou até mesmo, para entrar no clima, vá de trem correndo para os cinemas conferir esse belo trabalho de Irons e companhia.



Crítica do filme: 'Trem Noturno para Lisboa'

Existem dias que estamos tristes, sem vontade de sair de casa e muitos problemas nos cercam de maneira tão profunda que só queremos ficar deitadinhos debaixo daquele aconchegante cobertor. A vida é dura (ninguém disse que era fácil), nossa rotina as vezes cansa, chegamos a um limite onde não sabemos ao certo a direção que devemos seguir. Mas, em vez de ficar deprimido (a), porque você não assiste a um filme que pode mudar o seu dia, sua semana, sua vida?

O escritor francês Romain Rolland já dizia:  “A vida não é triste. Tem horas tristes.” Certos filmes nos fazem sonhar, nos fazem acreditar, nos tiram da realidade que em certos momentos pode ser muito dura. Produções de diversos países, inúmeros diretores , atores diversos produziram determinadas obras que podem ajudar você a sair desse desalento. Pensando nisso e pesquisando em nossa vasta memória cinéfila, resolvi criar uma lista de 10 filmes que possuem ingredientes mágicos que tiram qualquer pessoa da tristeza.

Topam o desafio? Vamos animar!? Abaixo nossa lista:

10. The Go-Getter (The Go-Getter, 2007)

Para começar nossa lista, um filme cult, indie, classificado em todas as peculiaridades e subgêneros que o cinema pode ter. The Go-Getter (sem tradução para o português) é um filme que poucos conhecem. Dirigido pelo cineasta Martin Hynes, a produção conta com uma das atrizes mais queridinhas do cinema norte-americano, Zooey Deschanel (Sua Alteza?). O filme é basicamente a história de Mercer White (Lou Taylor Pucci), um jovem de 19 anos que rouba um carro e sai em busca de seu meio irmão mais velho. Quando deixa a cidade um celular deixado dentro do carro toca e ele se acha falando com sua dona, Kate (Zooey Deschanel). Daí em diante, surpresas, amor e descobertas comandam o roteiro.


09. A Vida Começa aos 40 (Heartbreak Hotel, 2006)
Nosso nono lugar vem das terras geladas da Suécia. A hilária comédia A Vida Começa aos 40 tinha tudo para ser uma cópia de todos os filmes fúteis Hollywoodiano. Porém, com duas atuações sensacionais e um roteiro ultramente envolvente, o filme acaba se tornando uma experiência maravilhosa.  Na excelente história, conhecemos Elisabeth (Helena Bergström), que está se divorciando do marido Henrik (Johan Rabaeus) e tem uma grande discussão com a policial de trânsito Gudrun (Maria Lundqvist). Gudrun vive com a filha adolescente Liselotte (Erica Braun), que tenta convencer a mãe a sair da frente da TV, do ataque à geladeira e procurar viver a vida. Quando Gudrun se queixa de dores no estômago, Liselotte marca uma consulta com sua ginecologista. Que, no caso, é Elisabeth. Esse encontro vai mudar a vida delas e levar o espectador uma história onde a grande graça é recomeçar.


08. O Closet (Le Placard, 2000)
Vem diretamente da terra de Truffaut o nosso oitavo lugar! Considerada uma das mais divertidas comédias do cinema francês, O Closet conta a história de François Pignon (Daniel Auteuil), um homem desprezado pelos colegas de trabalho, divorciado e com um filho que não gosta dele. Tudo muda em sua vida quando, à beira do desemprego, resolve ‘sair do armário’ de mentirinha transformando sua vida e a de todos os outros ao seu redor. O longa-metragem conta com a participação especial do grande ator Gérard Depardieu (As Aventuras de Pi).


07. Sideways - Entre Umas e Outras (Sideways, 2004)
Quem diria que uma grande bebedeira daria uma rica história? Vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado e dirigido pelo excelente diretor Alexander Payne (Nebraska), Sideways – Entre Umas e Outras é uma grande viagem de auto descobrimento de um homem de meia idade cheio de conflitos internos. Na trama, viajamos juntos com uma dupla de amigos, um homem fascinado por vinhos e seu melhor amigo que saem para uma viagem de uma semana, de despedida de solteiro, pelas vinícolas da Califórnia e acabam conhecendo duas mulheres que mudam suas vidas para sempre.


06. A Solidão dos Números Primos (La Solitudine Dei Numeri Primi, 2010)
Indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza no ano de 2010, vem da Itália o nosso sexto lugar. A Solidão dos Números Primos não é um filme fácil de assistir mas se você conseguir entrar na história, será uma experiência revigorante. Alice (Alba Rohrwacher) e Mattia (Luca Marinelli) desde crianças, lidam com traumas que os tornam indivíduos singulares. Ao se encontrarem na adolescência, se reconhecem na dor um do outro e desenvolvem um forte laço. Eles crescem e, apesar de levarem vidas paralelas, seus destinos sempre se cruzam levando a um filme emocionante e surpreendente.


05. Os Amantes do Círculo Polar (Los Amantes Del Círculo Polar, 1998)
Amor, destino, tragédias, natureza e o círculo da vida. Elementos jogados no liquidificador criativo do excelente diretor espanhol Julio Medem (7 Dias em Havana) , transformam Os Amantes do Círculo Polar em uma experiência rica para qualquer espectador. Na romântica história, somos apresentados a Ana (Najwa Nimri) e Otto (Fele Martínez), que se conhecem a partir de um ocasional encontro ao saírem da escola, quando tinham oito anos de idade, desde aquele momento começa a ser desenhado um círculo que se completa quando eles se reencontram muitos anos depois na Lapônia. Os elementos e o lirismo adotados pelo diretor transformam esse filme em uma experiência avassaladora. Esse é um daqueles filmes que jamais sairá de sua memória.


04. Gigantesco (Gigantic, 2008)
Protagonzado por uma das mais queridinha de Hollywood (Zooey Deschanel), Gigatesco conta a história de Brian Weathersby (Paul Dano), um tímido e atrapalhado vendedor de colchões que planeja adotar uma criança chinesa. Certo dia, ele se depara com uma bela jovem, que inusitadamente adormeceu em um dos seus colchões e por quem ele acaba se apaixonando. Com isso, o desejo anterior que ele tinha de adotar uma criança aumenta. O final é interpretativo e diz muito sobre os personagens.


03. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001)
Para sair da tristeza, Amélie é uma grande amiga para tal. Em um dos maiores clássicos dos últimos tempos do cinema francês, embarcamos em um mundo de fantasia e realidade comandado pela Srta. Poulain (Audrey Tautou). Na curiosa trama, Amelie Poulain muda-se para um novo lugar e lá encontra uma caixa escondida no banheiro de sua casa e assim decide procurar o antigo morador. Ao encontrar esse emocionado novo personagem e ver que ele chora de alegria ao reaver o seu objeto, a moça fica impressionada e adquire uma nova visão do mundo. A partir deste fato, passa a ajudar as pessoas que a rodeiam, vendo nisto um novo sentido para sua existência. Um filme lindo que merece estar na sua escrivaninha.


02. A Felicidade não se Compra (1946)
Para sair da tristeza, precisamos nos borbulhar em lágrimas de felicidade. Pensando assim, nosso segundo colocado é um dos clássicos do genial Frank Capra (Aconteceu Naquela Noite) e protagonizado pelo eterno James Stewart (Um Corpo que Cai). Em, A Felicidade não se Compra conhecemos um empresário que está a ponto de se suicidar quando um anjo o encontra com a missão de ajudar e mostrar para esse homem de negócios como seria o mundo sem ele. Uma história linda, natalina e que fará você acreditar cada vez mais na felicidade.  


01. Peixe Grande e Suas Maravilhosas Histórias
Quem diria que depois de sombrios, frios, personagens caricatos e roteiros mirabolantes o eterno cabeludo despenteado Tim Burton (Sombras da Noite) nos brindaria com uma história cativante onde nunca sabemos se estamos na realidade ou na fantasia. Baseado no livro de Daniel Wallace (Big Fish: A Novel of Mythic Proportions), o filme conta a trajetória mágica de Ed Bloom (Albert Finney/Ewan Mcgregor), uma espécie de Forrest Gump dos tempos modernos. Quando jovem, Ed saiu de sua pequena cidade para realizar uma volta ao mundo cheia de descobertas. A diversão predileta de Ed, sempre foi contar sobre as aventuras que viveu neste período, mesclando realidade com fantasia. As histórias fascinam todos que as ouvem, menos seu filho Will (Billy Crudup). Quando Ed descobre estar perto da morte, sua mulher Sandra (Jessica Lange) faz de tudo para reconcociliar pai e filho. O final do filme é algo que faz tão bem ao coração que só de lembrar, esse mero cinéfilo que vos escreve se emociona nessas linhas finais. Esse filme não é o número um dessa lista por acaso.



Espero que tenham gostado. Sugestões para os próximos artigos? Críticas sobre meus textos esquisitos? Rs. Mandem e-mail e/ou comentem no post. Saudações Cinéfilas! 

10 Filmes para assistir e espantar a tristeza


Baseado em uma emocionante carta de despedida do jovem Guy Môquet, O Mar ao Amanhecer é mais uma das dezenas produções anuais sobre a Segunda Guerra Mundial. Dirigido pelo cineasta alemão Volker Schlöndorff , que dirigiu John Malkovich (Red 2: Aposentados e ainda mais perigosos) e Dustin Hoffman (O Concerto) no emocionante filme da década de 70, Morte do Caixeiro Viajante, o longa-metragem é uma sonolenta viagem ao terror que os nazistas colocaram na França tempos atrás. A falta de foco em algum dos personagens pode ser a chave do insucesso da fita.

Na trama, voltamos ao dia 21 de outubro de 1941,  na França, onde três integrantes do batalhão da juventude do Partido Comunista atiraram em um tenente-coronel nazista de alta patente no centro de Paris. Como retaliação, Hitler ordena a execução de 150 franceses, que eram mantidos prisioneiros. Entre os condenados está o jovem Guy Môquet (Léo-Paul Salmain), que escreveu uma carta de despedida tão impactante que passou a ser estudada nas escolas francesas.

A contextualização da história, baseada em fatos reais, como roteiro de cinema, peca por não criar um enredo onde um protagonista se sobressaia em relação aos outros personagens. O público se sente perdido quando a história começa a dar voltas e não ir a lugar nenhum.  Geralmente, quando isso ocorre, os olhos do público buscam uma referência, que nesse caso não existe. O próprio personagem já citado, Guy Môquet, poderia ser bem mais bem explorado dentro do filme.

 A eminência da execução dos listados constrói uma desnecessária acomodação da direção e das características dos personagens. Muitos detalhes não são captados pelas lentes do diretor, entre eles: um pouco da história de cada personagem, o desespero que certamente essas pessoas viveram, as burocratizações do embaralhado político que a França se submeteu na Segunda Guerra Mundial, entre outros.

Mesmo com a presença do excelente ator Jean-Pierre Darroussin (As Neves de Kilimanjaro), O Mar ao Amanhecer é um filme frio que em nenhum momento tem a coragem de se arriscar e realmente ir a fundo nos acontecimentos desta triste história europeia. Com tantos filmes bons em cartaz, fica difícil alguém parar noventa minutos e assistir esse.


Crítica do filme: 'O Mar ao Amanhecer'


Dois anos depois de ser lançado mundo à fora, o novo filme do estreante cineasta argentino Pablo Giorgelli desembarca em nossa terra e promete ganhar a simpatia de muita gente nas salas de cinema por mais que a narrativa seja extremamente lenta e sonolenta em alguns momentos. O carisma dos personagens salvam o filme de uma possível reprovação pelo público.

Na trama, escrita pela dupla Pablo Giorgelli e Salvador Roselli, conhecemos o solitário viajante Rubén (Germán de Silva), um motorista de caminhão que transporta madeira como meio de sobrevivência. Certo dia, presta um favor a seu chefe e concorda em levar até Buenos Aires a paraguaia Jacinta (Hebe Duarte) e sua filhinha de 8 meses. A partir desse encontro e os quilômetros passando, uma relação muito forte e com poucas palavras é instaurada dentro do veículo.

Las Acácias já recebeu diversos elogios de público e crítica por todo o planeta. O prêmio Caméra d'Or (para o diretor Pablo Giorgelli) em Cannes, foi o prêmio mais importante e significativo que venceu. O cinema argentino mais uma vez consegue envolver o espectador de maneira muito honesta passando em cada sequência a pureza e a essência de seus complexos e profundos personagens. Os nossos Hermanos possuem uma receita de bolo daqueles bem gostosos que sempre agradam o espectador.

O pequeno ato de encontrar alguém se torna muito significativo nas mãos de Giorgelli que sabe captar toda pureza, sentimentos profundos e as almas dos personagens que são de uma simplicidade muito verdadeira. Como já dizia o escritor francês Georges Bernanos: ”Saber encontrar a alegria na alegria dos outros, é o segredo da felicidade.” Vá ao cinema, dê uma chance a essa história, quem sabe não acha o segredo da sua felicidade?

Crítica do filme: "Las Acacias"


Com muita futilidade, inutilidade e cenas horrorosas o novo trabalho dos cineastas Shari Springer Berman, e Robert Pulcini (Os Acompanhantes) é um filme ao melhor estilo conversa para boi dormir.  Um dos atrativos do filme poderia ser a presença da ganhadora do Oscar Annette Bening (Ginger & Rosa) porém a veterana artista consegue, para grande surpresa negativa, uma de suas piores atuações da carreira.

No pífio roteiro escrito por Michelle Morgan, acompanhamos a vida tumultuada de Imogene (interpretada terrivelmente por Kristen Wiig). Entre seus atuais desastres: acaba de terminar o seu longo relacionamento e sua carreira está em ladeira abaixo. Sem dinheiro, ela é obrigada a voltar a morar com sua excêntrica mãe (Annette Bening), que vive com um jovem ambicioso e mentiroso.

Cenas escrachadas, de muito mal gosto recheiam a grande confusão na tela. A história não segue uma lógica, deixando o espectador perdido em diversos momentos. A atriz Kristen Wiig (Solteiros com Filhos) modela sua personagem de maneira bisonha e pouco inteligente. Provavelmente, com essa fraca atuação, conseguiu seu lugar na próxima cerimônia do Framboesa de Ouro. 

A direção é outro ponto que deixa muito a desejar. Adotando algumas técnicas peculiares na composição das cenas e não preenchendo as lacunas deixadas pelo roteiro. A câmera subjetiva (quando vemos o que o personagem vê) logo no início já indicava que seríamos transformados em jogadores de um modelo experimental de besteirol americano. Terríveis escolhas da dupla de cineastas.

Quem escreveu o roteiro deveria saber que o público hoje em dia está cansado de besteiras e cada vez mais se torna exigente, principalmente com filmes hollywoodianos. Mesmo com o sucesso de Missão Madrinha de Casamento, Kristen Wiig não conseguirá bons comentários desta vez, talvez por falta de competência, talvez por falta de talento. Ou ambos. 

Crítica do filme: "Minha Vida dava um Filme"