A cena lésbica no início esconde o que é a pífia história. Dirigido e escrito pelo espanhol Adrián García BoglianoAí vem o Diabo” é antes de qualquer coisa um filme que não se encaixa em nenhuma gênero. Tem cenas que lembram clássicos trash de décadas passada mas longe de ser uma homenagem ao gênero. É difícil o espectador ir até o fim, quando muitas cenas em que eram para dar medo as pessoas começam a rir, tem alguma coisa de errado. Mas, o maior de todos os pecados que o longa comete é tentar ser um filme de terror.

Na trama, conhecemos uma família que vive feliz em uma cidade com algumas lendas nas montanhas. Um dia, após um passeio por essas montanhas os dois filhos do casal somem, deixando os pais aterrorizados com o que poderia ter acontecido com eles. Horas mais tarde e depois de acionarem o xerife local, as crianças são encontradas e logo começam a agir de maneira esquisita. Assim, os pais resolvem investigar o que de fato ocorreu naquelas horas em que eles ficaram perdidos nas montanhas.

A fita tem muitas cenas de sexo picante. Para o que se propõe (encaixar-se no gênero terror) tem climas sexuais demais não? O roteiro é terrível, os atores não estão bem e a direção não ajuda na hora de juntar as peças e apresentar ao público. Tentaram recriar alguns efeitos de atividade paranormal, só que não conseguem, não há talento para isso. O ‘zoom’ nas expressões dos personagens parecem com aqueles momentos impactantes cômicos que vemos nos finais das novelas. É uma mistura de filmes do Zé do Caixão com aqueles que passem em alguns canais da Tv a cabo após às 00:00. Nada que se tenta no longa dá certo, é praticamente uma comédia trash de erros, misturados a uma direção bem abaixo do esperado.

Quando forem marcar seus longas para ver no Festival do Rio 2012, lembrem: cuidado! Aí vem o filme ruim!

Crítica do filme: 'Aí Vem o Diabo'


Triste e profundo quanto algumas músicas do Radiohead

Sem ligações humanas a vida não tem sentido. O longa canadense “Tudo o que Você Tem” é um drama nada superficial sobre erros de um passado triste. O filme, que é dirigido por Bernard Emond, invoca a alma dramática e a questão existencialista. Durante os poucos mais de 90 minutos de fita vamos passeando pela tristeza do protagonista e entendendo aos poucos o porquê de tamanha solidão.

Na trama, somos apresentados a Pierre Leduc um professor universitário que abandonou a arte de lecionar para traduzir a obra de um poeta polonês chamado Edward Stachura. Sujeito pacato, mal humorado, Pierre parece que traz alguns traumas do passado para seu presente triste. Sua vida nunca esteve bem, O pai (que sacaneia todo mundo a mais de 40 anos) está morrendo de câncer (os médicos não dão mais de 3 meses a ele) e quer lhe deixar uma fortuna que Pierre insiste em não aceitar. Um dia, uma garota que alega ser sua filha o procura. Pode ser que a luz no fim do túnel vem em forma de relação paternal. Mas será?

Encontrando uma razão de viver que talvez tenha posto em um bolso furado. As citações do autor polonês vão guiando a trajetória de redescoberta desse solitário ser humano. O personagem parece sentir necessidade de ficar sozinho, passou metade da vida dentro de livros, chega a ser tão triste e profundo quanto algumas músicas do Radiohead. Pequenos raios de felicidade começam a aparecer em sua vida, principalmente com a chegada de sua filha de 13 anos que ele nunca procurou (o gosto pela literatura é um elo que aos poucos vai unindo essas duas almas). Essa nova relação mexe com ele e o leva a forçar uma mudança que novamente o levará ao passado mas dessa vez para tentar trilhar um novo caminho.

Pequenos flashbacks no passado confuso de Pierre vão tentando preencher lacunas e direcionando os caminhos do seu destino ao público. É um típico filme Cult, muita gente vai gostar muito gente vai se entediar. Tudo que você leitor tem é a chance de conferir esse bom trabalho que está em cartaz em algumas sessões do Festival do RJ 2012. 

Crítica do filme: 'Tudo o que Você Tem'


Encontrarás Thalia

Escrito e dirigido pelo famoso diretor inglês Roland Joffé (“A Missão”), “Encontrarás Dragões” é uma fita que fala sobre a religião e o conflito em uma Espanha devastada pela guerra civil. O contexto (premissa) é interessante mas infelizmente Joffé não consegue criar uma boa diversão. O filme tem ritmo de trailer, não há profundidade em nada. O grande vazio existencial vai de encontro ao extremismo do drama, parece que estamos em uma novela mexicana. Aquelas mesmo que passavam de tarde e de noite naquela emissora paulista que conhecemos. A trilha mal encaixada tira o sentido de quase todas as cenas do filme. É um trem sonoro desgovernado que acompanha a história do início ao fim. O que perguntamos é o porque não desligaram a discoteca das cenas?

Na trama, nesse encontro entre a fé e a guerra, somos guiados para uma outra época por Roberto Torres (Dougray Scott), um jornalista e escritor que percorre a Europa em busca de informações sobre uma figura religiosa emblemática que está para ser canonizado. Já investigando a história, no passado desse homem, descobre que seu próprio pai o conheceu e tem muitos segredos para contar sobre aquela época, auge do conflito civil que ocorreu na Europa em décadas passadas. Entre confissões e relatos emocionados Roberto cada vez mais é forçado a tentar uma reconciliação com o pai que não vê faz oito anos.

Aos poucos a trama tenta se encaixar mas mesmo assim tudo fica muito confuso como se não houvesse uma ordem específica, com certeza apresenta problemas sérios na montagem. No ritmo de novela mexicana, o filme tinha que se chamar “Encontrarás Thalia”. Tudo é muito exposto, sem explicações, rasas são as características dos personagens que deixam o público confuso em cada corte de cena. A amizade que existia entre Josemaría Escrivá e Manolo Torres é pouco explorada ficando difícil juntar as peças para aquele desfecho de demonstração de amizade.

Sobre o fundador da “Opus Dei”, pelo filme, sabemos apenas que enfrentou problemáticas cristãs e sofreu perseguição dos rebeldes esquerdistas na Espanha de outrora.  Sobre a instituição hierárquica da Igreja Católica apenas uma menção já no desfecho da trama, o que é um não atrativo aos cinéfilos, já que a maioria das pessoas se interessará pelo filme por conta da menção dessa instituição.

Resumindo, não houve encaixe e sim muito de nada. Nesse caso, é melhor encontrar a Thalia do que dragões.

Crítica do filme: 'Encontrarás Dragões'


A não gravidez da sócia do Frodo gay que curte simular orgasmos com objetos 


Com uma abertura trivial mas criativa “Celine e Jesse – Para Sempre” dava a entender que seria mais um filminho bobinho sobre casais e seus problemas amorosos afetivos. Bem, se enganará quem pensar assim. O novo trabalho do cineasta Lee Toland Krieger é um drama com pitadas de humor mais profundo do que parece a princípio. Existem histórias de amor ‘cult’ comuns e outras apenas ‘light’, essa fita se encaixa eu todas essas características pois tem um roteiro maduro que transforma os personagens ao longo da fita.

Na trama, conhecemos a relação de divórcio esquisita entre ex-pombinhos Celine e Jesse que estão se separando mas vão juntos a todos os lugares, fora as brincadeirinhas infantis típico de muitos relacionamentos. Celeste é uma mulher bonita, inteligente que é analista de tendência e possui uma empresa de marketing. Já Jessie é um designer que não gosta muito de trabalhar  e adora ficar em casa, abrindo salgadinhos embalados e chorando vendo os ‘Vt’s’ das olimpíadas de Pequim. Com o passar do tempo e com novas pessoas circulando na vida social da dupla, perguntas e muitos conflitos vão começando a se formar. Ao subestimar a relação de anos em que vivia Celeste aos poucos percebe que cometeu um erro e tenta consertá-lo a todo instante. Entre um encontro e outro o espectador fica com um leque aberto de opções para chegar até o desfecho.

Esse filme marca a volta dos videokês às comédias românticas. Foi uma boa sacada, combina com o filme, o casal está sempre cantando alguma canção. Tem méritos, por isso não cai nas armadilhas dos clichês de outras comédias românticas. Não é a visão do casal que fica em evidência, a vida conturbada da protagonista toma conta da história. Rashida Jones e Andy Samberg conseguem um belo entrosamento em cena, ótimo trabalho da dupla. Na primeira, percebemos uma curiosidade, em alguns takes parece e muito com a também atriz Catherine Zeta-Jones.

Não vai agradar aos mais superficiais. Tem cinéfilo que só curte tramas e historinhas batidas, é a tal da comodidade, vício no respirar cinema. Esse longa é mais profundo, tem diálogos mais inteligentes e maduros. Uma ótima sugestão para quem está no Rio de Janeiro nessa semana, o filme está passando no Festival do Rio 2012. Afinal, que não gosta de uma boa comédia dramática romântica? Fica a dica!


Crítica do filme: 'Celine e Jesse – Para Sempre'


O consultório carismático de um casal gente boa

O que fazer para manter a felicidade tão próxima por tanto tempo? O longa inglês “Um Ano a Mais” é um filme muito simpático que tem diálogos sensacionais, fato que faz lembrar de cara no clássico “Invasões Bárbaras”. Assim começamos relatando a primeira impressão que fica desse trabalho do famoso cineasta Mike Leigh (diretor dos excelentes: “O Segredo de Vera Drake” e “Segredos e Mentiras”).

Na trama, um casal muito gente boa (interpretados pelos ótimos: Jim Broadbent e Ruth Sheen) sempre tentam ajudar amigos a saírem de problemas. Durante um período, que definimos como ciclos em estações do ano, a casa deles vira um verdadeiro consultório para ajuda  e conselhos que contam com diálogos muito bem escritos e interessantes. Mas quem rouba a cena é Leslie Manville, uma dessas “pacientes” (talvez a pior de todas) consegue dar um ritmo alucinante a sua personagem e ao mesmo tempo a torna muito carismática. Ótimas risadas, naquela linha de piadas inteligentes que Leigh escreve com maestria.

A originalidade desse ponto de visto familiar é a grande chave para o sucesso da trama. O filme tem um ritmo próprio, que às vezes é lento, isso pode atrapalhar a conexão com alguns cinéfilos impacientes. Mas quem conseguir entrar de cabeça na história sairá do cinema leve e descontraído e falará dessa fita nas rodinhas cinéfilas.

Sem dúvidas é um longa, com a cara da Academia (Oscar). Baixo orçamento, atores experientes, que dão a dinâmica na medida certa para o andamento da história. Todos esses elementos poderiam ser brindados com algumas indicações, e sem querer ser exagerado, até para melhor filme, porque não?! Mas como sabemos, filmes de baixo orçamento geralmente só tem uma única vaga na lista dos 10 melhores, no ano em que podia concorrer, ficou com “Minhas Mães e meu Pai” (que é bastante super estimado pela mídia).

Dê uma chance a esse consultório carismático de um casal muito gente boa! Confira nos cinemas! 

Crítica do filme: 'Um Ano a Mais' (Another Year)

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Me chamo Raphael Camacho, tenho 27 anos e larguei uma vida de gente rica para poder fazer o que amo e mais gosto que é ajudar, empreender e falar sobre cinema.

Isso não quer dizer que não serei rico novamente, isso quer dizer apenas que serei rico da maneira que meu coração sempre desejou, fazendo o que ama.

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Quando a mágica faz todo mundo querer sair correndo do cinema


Qual o objetivo de um filme que não tem um objetivo? Dirigido pelo experiente cineasta Steven Soderbergh, “Magic Mike” em poucas sequências prova que é possível você não gostar de um filme com apenas 10 minutos de projeção. Não há nada de interessante relacionado à cinema nessa fita. Tudo é muito ruim: direção, atuações, trilha sonora, diálogos fúteis e indigestos. O que adianta reunir uma nova geração de atores que estão em ascendência em Hollywood se não há talento para segurar uma história?

Na trama, conhecemos Magic Mike (interpretado por Channing Tatum) um rapaz que vive uma vida agitada conquistando mulheres e ganhando dinheiro sendo stripper em um clube comandado Dallas (papel de Matthew McConaughey). Certo dia, Mike conhece Adam (Alex Pettyfer), rapaz que está procurando um rumo para sua vida e encontra em Mike um professor que lhe ensina como ganhar dinheiro e conquistar lindas mulheres através de um clube de strip.

É muito difícil analisar um longa desses com tantos problemas de interação. Para ser pior só faltava o Nicolas Cage. Aliás, como que esse roteiro terrível não passou nas mãos de quem adora escolher as piores produções do ano? Os cinéfilos não merecem. É uma produção feita para o universo feminino por conta da exposição dos corpos dos jovens atores. A profundidade dos personagens não existe, tudo é fácil e simples. A tentativa de ser uma comédia fracassa quando há também uma tentativa de ser um drama. Impressiona como conseguiram juntar tanta gente e fazer uma grande confusão, ninguém se entende em cena.

O grande desafio cinéfilo é conseguir ficar acordado até o final dessa fraquíssima trama. Um dos piores filmes do ano, sem dúvida.

Crítica do filme: 'Magic Mike'


O dia em que o cinema salvou vidas

O que pensar de um filme que verdadeiramente salva pessoas? Baseado em fatos reais, “Argo”, é uma história inacreditável que mistura piadinhas hollywoodianas à uma tensão política que ocorreu entre Irã e EUA no final da década de 70 e início dos anos 80. Dirigido pelo ator e também diretor (graças a Deus) Ben Affleck, o drama consegue prender a atenção do público, do início ao fim, nos poucos mais de 110 minutos de fita e tem tudo para ganhar muitos Oscars na próxima cerimônia dessa grande festa.

Na trama, somos guiados para o dia 4 de novembro de 1979 quando a embaixada americana no Irã foi atacada por militantes, fazendo inúmeros reféns. No meio desse caos, seis americanos conseguiram fugir por uma saída secreta e se refugiaram na casa do então embaixador canadense. Após acharem fotos de todos que estavam na embaixada, os militantes descobrem que faltam 6 pessoas e vão à caça dos mesmos. A CIA, sabendo disso, chama o especialista em "exfiltração" Tony Mendez (Ben Affleck) que arruma um plano incrível, inventar a gravação de um filme (uma ficção científica, à la “Duna”, talvez) e fazer os seis se passarem por parte dessa produção e assim retirar todos dessa zona de perigo.

Quem diria que um filme dentro de uma guerra gerasse uma trama tão inteligente inserido nessa revolta mundial. O país todo dependia daquele ato, só alguns sabiam. O roteiro é bem amarrado, consegue utilizar clichês mas de maneira superficial, o que ajudará o longa a ter muita aceitação do mundo cinéfilo. O público não tira os olhos da telona, torce a cada instante para um desfecho positivo sempre guiados, dentro dessa tensão, pela fabulosa trilha sonora do genial Alexandre Desplat. Entre partidas de xadrez, cigarros e discussões a tensão aumenta a cada dia na vida daquelas seis pessoas. Os dramas individuais vão se unificando, totalmente reféns daquela situação que não tem fim. Destinam suas vidas a um homem com uma ideia mirabolante, fato que os deixam preocupados e em saber que decisão tomar (também, não era pra menos , né?).

Além de problemas políticos, vidas em risco, Cia, Governos, Eua e Irã, o filme tem um grande espaço para falar sobre cinema. Nessa ótica temos que aplaudir esse terceiro filme dirigido por Affleck e toda sua produção que fora impecável na retratação dessa grande história, principalmente o lado em que bate nessa grande indústria e seus envolvidos. Falando nisso, precisamos destacar os excelentes John Goodman e Alan Arkin. O primeiro interpreta o lendário John Chambers, artista famoso no mundo do cinema (ganhador do Oscar de melhor maquiagem por "Planeta dos Macacos" em 1968) que tem papel primordial para que a missão aconteça. Goodman consegue dar uma veracidade impressionante ao personagem sempre com ótimas sacadas. Já o segundo interpreta Lester Siegel, produtor famoso de décadas atrás, que junto com Chambers eram os únicos civis que sabiam de todo o plano. Arkin dá um show, humor, tensão e excelentes diálogos, merece todos os prêmios de coadjuvante no ano que vem. As duas atuações, marcantes, junto com o roteiro e a direção são os grandes pilares do filme.

Com tantos elogios, está feito o convite. O cinema salva vidas! Você duvida? Vá conferir nos cinemas!

Crítica do filme: 'Argo'


O pequeno Harry Potter e a menina do binóculo em um ótimo conto de fadas cinematográfico

O que fazer quando você perde tudo mas só tem pouca idade? Escrito por Wes Anderson, Roman Coppola, “Moonrise Kingdom”, acima de tudo, é um longa deveras inteligente. É uma história que não foca mas fala de amizade, companheirismo, coragem e sobretudo de família. Entre muitos destaques, a trilha sonora é entusiasmada e acaba virando um personagem coadjuvante em muitas sequencias. A apresentação dos personagens é muito criativa, levando o público a uma perspectiva diferente dessa peculiar narrativa.

Na trama, conhecemos Sam e Suzy dois jovens bem diferentes que começam uma grande amizade e unem seus destinos na fuga de suas vidas sem sentido. Um certo dia, essa pequena dupla resolve ir embora sem rastros, deixando a cidade virada de cabeça pro alto à procura desses dois. Inicia-se então uma grande busca organizada pelo chefe da polícia local (interpretado por Bruce Willis) e pelo chefe dos escoteiros (papel de Edward Norton), sempre acompanhados dos pais complicados da menina e uma assistente social que pousa na trama perto do desfecho. Assim, utilizando técnicas de escoteiros a todo instante, a jovem e apaixonada dupla começa uma aventura de descobertas e surpresas.

A pequena Suzie e seu inseparável binóculo (mais tarde acompanhada também de um brinco de besouro e uma tesoura). Um esperto menino que perdeu os pais a pouco tempo e se vê sem rumo em sua triste vida. Esses dois destinos se encontram justamente por estarem, ou se sentirem, fora do vinculo social existente na cidade. Sem amizades por perto, um enxerga no outro uma razão para viverem juntos uma grande aventura.

O filme diverte, é pensado e executado de maneira inovadora, bastante original. Uma marca desse grande diretor. Seus filmes parecem iguais em sua essência, porém, cada um deles tem detalhes que os diferenciam. Menções engraçadas e criativas a uma eminente tecnologia, a profundidade dos excêntricos personagens, a narrativa esperta não deixando o público tirar os olhos da telona são algumas boas razões para você conferir esse novo trabalho de Anderson.

O espectador é apresentado a uma trama leve com pitadas de humor inteligente, não chega a emocionar mas o sentimento trivial está contido em cada diálogo dessa ótima fita. O novo trabalho do cineasta texano Wes Anderson vem forte para ser um dos destaques do Festival do RJ de cinema desse ano.

Crítica do filme: 'Moonrise Kingdom'


A sobrinha de Billy the Kid em uma jornada a la forrest gump em busca de sua alter ego, Hit Girl


Baseado na obra de Andrea Portes (que também assina o roteiro do longa), “Hick”, tinha tudo para ser uma boa história se tivesse personagens mais interessantes, a protagonista tenta mas não consegue dar o ritmo que o filme precisa para conseguir a atenção dos cinéfilos. Não é um filme ruim, é apenas uma fita mais ou menos que infelizmente não constará na lista dos melhores de ninguém nesse ano, vai passar desapercebido e ficar encalhado cheio de poeira nas corajosas e poucas locadoras existentes no planeta.

Na trama, somos guiados pela jovem protagonista a uma jornada triste de descobertas, encontros inusitados e a busca de uma felicidade não encontrada no lar onde vive. Praticamente ignorada pelos pais, Luli McMullen (Chloë Grace Moretz) desiste da mesmice que vive, portadora de uma personalidade forte, madura, resolve viajar quase sem rumo e nessa trajetória encontra personagens que vão ajudá-la (ou não) a mudar o rumo de seu destino.

Começamos a curta análise na questão existencial de Luli. Uma menina, por mais madura que seja, em formação que possui uma maturidade difícil de encontrar em jovens nessa idade. Seus pais não ajudaram em nada nessa formação, sempre arrumando brigas e deixando a jovem Luli longe de ser prioridade nas suas vidas conturbadas. Um lado aventureiro (extremamente forçado pelo roteiro) sobressai em suas escolhas deixando a personagem à deriva de um desfecho desfavorável. Os personagens coadjuvantes não agregam muito à história, tentam direcionar a protagonista e tudo fica muito confuso com algumas ligações que acontecem entre esses coadjuvantes levando o espectador a um desfecho superficial e que não agrada.

O mirabolante roteiro não se torna agradável aos olhos cinéfilos. O que é de se estranhar, geralmente quando a própria autora passa sua história para moldes cinematográficos a trama tende a se encaixar mais facilmente na telona. Nesse caso, isso não aconteceu.

Não é um filme que você vai ouvir alguém indicando. Talvez, em uma promoção pague 3 leve 4 essa pode ser sua quarta escolha, quem sabe não curtes?!


Crítica do filme: 'Hick'


A nua traição desejável da moça do xixi azul com sabor de frango

Como não gostar de um casal que comemora o aniversário de casamento indo ao cinema? Com uma abertura detalhista, a rainha do drama Sarah Polley une a ex-Marilyn Monroe, Michelle Williams e o ator de comédias Seth Rogen em um filme profundo em busca da verdadeira essência da felicidade, assim começamos falando do ótimo “Entre o Amor e a Paixão”.

Na trama somos apresentados a Margot e Lou, um casal muito simpático que enfrenta uma crise definida pela mesmice. O público é guiado para dentro desse relacionamento que logo fica exposto que há um tipo de solidão, tristeza que insiste em tomar conta do ambiente. Com a entrada de um novo vizinho na história, Margot não sabe o que fazer, se fica fiel ao marido que escreve livros sobre cozinhar frangos ou se entrega a uma paixão avassaladora.

O filme tenta quebrar o clima sofrido/melancólico com alguma hidroginástica feminina, brincadeiras infantis entre o casal protagonista e metáforas guiadas por uma trilha fabulosa. Olhar aquele relacionamento à olho nu leva literalmente à diretora a takes polêmicos.  Alguns nus frontais totalmente desnecessários, outros se justificam, em partes. O jogo sedutor começa. Declamações sexuais, desejos escondidos, o proibido vai se tornando cada vez mais real, eminente. A trilha sonora é excelente. Se encaixa perfeitamente em toda essa profunda trajetória.

Os atores estão muito bem. Seus personagens são intensos, apontados para o melodrama. Seth Rogen não consegue esconder seu lado cômico mas nesse trabalho diferente de outros, vemos um gigante, engraçado, controlado e gentil. Melhor papel dele no cinema. Às vezes ingênua, às vezes sonhadora, a personagem de Michelle Williams fica a um passo da traição, do novo, da paixão. Medo de aeroporto, medo de estar entre duas coisas, tem até medo de ter medo. Mais uma excelente interpretação dessa jovem talentosa. O desconhecido Luke Kirby (também muito bem em seu papel) é o outro ângulo desse triângulo. Seu personagem é um artista medroso que não consegue mostrar sua arte ao mundo e ganha a vida levando um carrinho de passeio na lagoa, até se apaixonar por sua vizinha.

Será que um olhar vale mais que mil palavras? Somos testemunhas de uma grande direção. Cenas belíssimas vão compondo o longa. A cena da piscina é ótima, praticamente coloca o espectador em um novo capítulo. Isso é um fator positivo, pois, é como se uma mágica é quebrada ao toque daqueles pés molhados. Só mesmo vendo para entender.

O estilo meio paradão pode afastar alguns cinéfilos. Por isso o aviso: não corram! Deem uma chance dessa história chegar até você. Cenas de sexo em panoramas 360 graus, pensamentos que se esbarram em metáforas, o desfecho se constrói com base na premissa: entre amores e paixões faça a escolha certa! Confira esse filme.

Crítica do filme: 'Entre o Amor e a Paixão'


O que esperar de um filme ruim quando você está esperando um filme horrível? 

Com o intuito de divertir a plateia mundo à fora “O que esperar quando você está esperando?” poderia ser um bom filme, poderia. É uma fita chata (não há outra palavra).Muitas histórias sem graça, personagens apáticos, exagerados, estereotipados, etc. A falta de diálogos mais profundos é um dos graves problemas encontrados nessa fita dirigida pelo cineasta inglês Kirk Jones.

Na trama, conhecemos cinco casais que estão prestes a entrar na galeria de pais do ano. Cada casal reage de uma maneira diferente à expectativa da primeira gravidez e algumas vezes vemos essas histórias serem interligadas. Tem o casal jovem que inesperadamente recebe a notícia da gravidez, um casal de famosos que buscam a melhor maneira de se entender quando o assunto é gravidez, uma mulher que se dedica a ensinar mamães mas na verdade reage bem escandalosamente à gravidez, entre outras histórias.

O filme, às vezes, tenta fugir da eventual mesmice do gênero mas chega na metade da fita meio que cansado desse objetivo, liberando os mais famosos clichês do cinema americano. Talvez a microtrama mais interessante seja a do jovem casal, que fica bastante unido e focados na gravidez não planejada, enfrentando uma grande barra quando perdem a criança. Infelizmente é muito pouco para uma fita podia contribuir muito mais para o divertimento do espectador.

A única coisa constante na fita é o desfile de astros que não deixam de aparecer um segundo sequer. Cameron Diaz, Jennifer Lopez, Elizabeth Banks, Anna Kendrick, Dennis Quaid, Matthew Morrison, Chris Rock e o brasileiro Rodrigo Santoro são alguns dos nomes famosos que aparecem no longa. O que adianta ter gente famosa se não tem história?

O longa, baseado no bestseller da escritora Heidi Murkoff, passa muito longe de ser um filme interessante sobre o tema maternidade. Na dúvida? Escolha o livro, deve ser melhor que o filme. Hollywood precisa parar de tentar empurrar tramas cafonas aos cinéfilos de plantão. 

Crítica do filme: 'O que esperar quando você está esperando?'


Um filme que transborda alegria em vez de lágrimas

Uma amizade improvável de duas pessoas que vivem em dois mundos diferentes. “Os Intocáveis (2012)” - o novo trabalho da dupla de diretores franceses Olivier Nakache, Eric Toledano vem colecionando recordes de bilheteria ao redor do mundo. Com uma narrativa leve e descontraída o filme foge a todo tempo do clima pesado (que poderia facilmente ter), assim, agradando a todo tipo de público. É uma história bonita, muito bem estruturada e adaptada para o mundo do cinema. Mas nada muito além disso. Muito foi dito mas é apenas um filme bom, não extraordinário.

Na trama, conhecemos Philippe um homem já de idade que ficou tetraplégico após um acidente de parapente anos atrás. Com grande dificuldade de relacionamento com sua família, principalmente sua filha adolescente, convoca muitas vezes ao ano candidatos para a vaga (que sempre fica desocupada) de assistente pessoal. Em uma dessas seleções conhece o carismático Driss, que fora expulso de casa pela mãe, e fica totalmente sem rumo, até conhecer Philippe. Assim, aos poucos, uma grande amizade vai surgindo levando os dois a importantes descobertas sobre o viver.

Conforme caminhamos nessa história vemos por todo lado sofrimentos, de ambas as partes. Um busca respostas, o outro busca saídas para as dificuldades que enfrenta. A relação não é de dor nem culpa (meio que um clichê em filmes do gênero) é de gratidão pela amizade. Quando um entra no universo do outro, mesmo que superficialmente, o entendimento fica mais fácil para os dois seguirem seus próprios caminhos. Nessa amizade o valor é revertido em preenchimento de lacunas um do outro. François Cluzet e Omar Sy, os dois atores estão excelentes, conseguem um ótimo entrosamento gerando um ganho instantâneo de simpatia com o espectador.

Nesse ano, filmes melhores tiveram bilheteria muito aquém em comparação à essa fita francesa. O boca a boca foi o grande trunfo, levou as pessoas ao cinema. Mas não há como se opor ao carisma que o filme transborda, merecidamente, faz sucesso no mundo todo. O longa é agradável e o cinéfilo poucas vezes vê o tempo passar.

Se você pensa que é um drama, esqueça. É um filme que transborda alegria em vez de lágrimas. Não deixe de conferir, será um dos filmes mais falados do ano!

Crítica do filme: 'Intocáveis' (2012)


A gata e o portador do problema escrotal em uma grande caça aos clichês


Com a tentativa de agradar aos cinéfilos, com um tema recorrente em Hollywood, "The Babymakers” apresenta como protagonistas dois atores que simplesmente não se encontram em cena. Com personagens longe de terem algum carisma e um entrosamento que não existe, levam todos nós a crer que estão em filmes diferentes. Falta muito sintonia à dupla Paul Schneider e Olivia Munn. Tudo parece robótico. Personagens sem alma, emoção, humor. Atiram para todos os lados e não acertam em alvo nenhum. Logo digo é o clássico filme chato. Entediantes 10 minutos iniciais já indicam a qualidade do longa de Jay Chandrasekhar (diretor também do horroroso "Os Gatões - Uma Nova Balada").

Na trama , conhecemos um casal que sofre muito (principalmente o homem) por não conseguir obter a gravidez tão esperada. Após muito escutar as fofocas nocivas alheias e meio já de saco cheio de ser dado como o grande responsável de não conseguirem engravidar o rapaz (que comprou o anel de noivado com dinheiro de masturbações) recebe uma grande ajuda de seus amigos com o único objetivo de ir até um depósito e roubar o esperma que ele deixou em um banco de esperma alguns anos no passado.

A premissa tinha potencial: ‘vida de casal é afetada por não conseguirem ter filhos’. A abordagem precisava ter um tempero original, coisa que não ocorre. Uma ou outra piada tem certa competência mas no geral os diálogos pecam muito caindo sempre nas armadilhas dos clichês que parecem ser procurados frequentemente pela câmera do diretor.

Não consegue agradar nem o mais otimista cinéfilo. Procure algum outro filme para ver, com tanto filme bom sendo lançado mundo à fora é quase um pecado perder seu tempo dormindo durante essa fita.

Crítica do filme: 'The Babymakers'


A deusa ucraniana, seu óculos Óticas do povo e o encontro para os fãs de um 3D vídeo game cinematográfico.

Dirigido pelo cineasta inglês Paul W.S. AndersonResident Evil 5: Retribuição” dá um show na sua abertura em slow down, trocando de perspectiva (totalmente inversa), de trás pra frente. São 5 minutos empolgantes, a desconstrução dos fatos é inteligente e marcante. Pena que de coisas boas (fora a presença sempre bela de Milla Jovovich), só isso. Lutando contra a extinção da raça humana, somos guiados por Alice a um mundo semi-real cheio de tiros, monstrengos e armadilhas. Cenas muito forçadas, tentativas de comédia totalmente sem noção e o raio-x de cada golpe são alguns pontos baixos do filme que passa longe de ser uma boa diversão para o grande público.

Na trama, voltamos a ser guiados por Alice (personagem da belíssima ucraniana Milla Jovovich) em uma luta, dessa vez, a favor de um movimento de resistência da raça humana contra os poderosos trunfos da Corporação Umbrella. Alice e sua roupa masoquista mais os humanos que restaram se envolvem em uma guerra implacável contra aliens, mortos-vivos, parasitas que soltam balas pelas unhas, clones e muitas outras criaturas do mal.

No começo há uma explicação rápida deixando o filme aberto a todos que nunca viram os quatro primeiros. Aos poucos, vamos entendendo que se trata (mais uma vez) de um grande vídeo game cinematográfico. A história teima em não acompanhar a qualidade dos efeitos, o que já afasta metade do público. Claramente foi optado pela preferência aos efeitos, ao invés da história. Em algumas sequencias o público é até envolvido mas, em geral, tudo é muito vago, criando um grande vazio existencial.

Não irá agradar a todo o público cinéfilo. Na verdade, o longa é somente indicado para quem curte filmes de ação e/ou se tornou fã da franquia. Para esses últimos, levem os joysticks, a aventura vai começar. Para os primeiros, levem os travesseiros o sono vai te pegar!

Crítica do filme: 'Resident Evil 5: Retribuição'


Abe, o tio presidente que Buffy não conheceu

Dirigido pelo cineasta cazaquistão Timur Bekmambetov (“O Procurado (2008)”), “Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros” é um filme que possui um jeito fictício e inteligente de rever a história de uma figura emblemática de séculos passados. Baseado no livro de Seth Jared Greenberg (que também assina o roteiro), a produção surpreende pela qualidade acima da média. A parte técnica tem momentos eletrizantes e sequências muito bem feitas, beirando ao impecável. Mesmo um pouco acelerado em certos momentos, é uma ótima diversão para quem curte filmes do gênero.

Na trama, somos guiados pelos olhos do décimo sexto presidente americano a um mundo misterioso de sanguessugas que desejam tomar o lugar dos vivos. Desde a infância vamos acompanhando a trajetória de Abraham Lincoln, que recebe treinamento específico para se desenvolver e virar o maior matador de vampiros do planeta. Com muitas amizades pelo caminho e descobertas macabras, Lincoln vai chegando aos poucos ao poder, posição perfeita para liderar e comandar um exército contra os mortos vivos.

A ingenuidade do jovem Lincoln é um contraponto interessante para criar uma grande empatia com o público. Sempre demonstrando suas fraquezas, se desenvolve muito ao longo da trama descobrindo com o espectador todos os mistérios do mundo dos mortos vivos que bebem sangue.  A ideia de transformar Abraham Lincoln em um caçador de vampiros é bizarra, sim, mas porque não pode dar certo? Temerosos cinéfilos já criticam o filme mesmo antes de assistir, provavelmente por conta de um comentário ou outro, espalhados pela grande rede. Além de ser um bom filme “Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros” tem um potencial gigante para virar um seriado de sucesso.

Conseguiram criar uma maneira inteligente de contar uma história que nunca existiu. Nessa versão de antigos fatos, Lincoln lutava não só por palavras e ideais mas com um machado poderoso (detalhado em prata) cortando cabeças e mais cabeças de vampiros sedentos por sangue. O filme é direto, entra rapidamente no núcleo dos assuntos fundamentais para preenchimento de eventuais lacunas. Todo o clima é preparado para a batalha final, para sabermos quem comandará a nação, os vivos ou os mortos. Em curtos flashbacks, entre uma cena e outra, vamos conhecendo o passado de alguns personagens. Essa maneira trivial de contar a história é fundamental para o sucesso do longa.

Se surpreenda, dê uma chance ao presidente contar uma história que não existiu mas que garante o divertimento do mundo cinéfilo!

Crítica do filme: 'Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros'


"...Gavião aranha em busca de sua autonomia na terra do comprimido azul e verde..."

Inspirado no célebre personagem de Robert Ludlum e dirigido por nova iorquino Tony Gilroy (que conduziu o excelente “Conduta de Risco”), chegou aos cinemas de todo o Brasil na última sexta-feira (07) o novo filme da franquia Bourne, “O Legado Bourne”. Para quem esperava ver novamente Matt Damon na pele do protagonista, pode esquecer. Infelizmente para muitos, Jason Bourne parece um fantasma que é mencionado durante muitos minutos na fita. Quem comanda a história agora é o ator Jeremy Renner, com seu personagem Aaron Cross. O roteiro, deveras complexo, faz toda hora menções a acontecimentos nos outros filmes em forma de histórias que correm em paralelo à trama central. Pena que muita coisa não se encaixa (é um tal de comprimidos pra lá, comprimidos pra cá), os clichês tomam conta e assim o espectador vai se afastando aos poucos, mantendo a atenção apenas nas ótimas cenas de ação que recheiam o longa.

Na trama, conhecemos um homem programado para ser um soldado, a favor de uma grande nação, que passou pelo mesmo treinamento que Jason Bourne. Quando o programa Treadstone se coloca em problemas, todos os soldados que fazem parte dele precisam ser eliminados, só restando um único sobrevivente, Aaron Cross. Assim, ao lado de uma médica especialista em vírus, Cross precisa rodar o planeta atrás de um composto que complete a experiência a qual foi alvo além de fugir das tentativas de assassinato que volta e meia o rodeia.

Às vezes nos sentimos naqueles aulões de biologia que cursos preparatórios cansam de ministrar. É célula programada, reações físicas/químicas metabólicas, praticamente saímos do cinema (isso se você não dormir) PHD’S em Biologia. Será que não tinha uma maneira mais fácil de abordar algumas questões? O filme não consegue ser uma boa diversão para quem não viu os outros filmes. Por mais que a história tenha um novo protagonista, sem ter visto os outros filmes da franquia fica difícil analisar e entender o longa em sua totalidade. Então cinéfilo, fica logo a dica, veja os outros três filmes para sentar na cadeira do cinema e conferir essa quarta produção.

Será que o treinamento de Jeremy Renner foi para ser o novo Homem Aranha? O que o ator escala de parede (com a maior facilidade) não é brincadeira. Falta carisma ao ‘novo Bourne’. Jeremy Renner (que já fora indicado ao Oscar) se esforça, transpira, pula, luta mas não consegue criar aquela empatia que Matt Damon fazia sem esforço.

Cansativo, barulhento e decepcionante. Por favor, tragam o Jason Bourne de volta!  



Crítica do filme: 'O Legado Bourne'


Sue Johanson, Dr. Jairo Bauer, até mesmo antes de Babi falar de sexo nos meios de comunicação, Steven Soderbergh brindou os cinéfilos com um drama que se propõe a ser um grande divã sexual, “Sexo, Mentiras e Videotape”. As desilusões além dos jogos emocionais contidos em um relacionamento que só existe no papel é o estopim para uma série de descobertas, atrações, sexo, muitas mentiras e inúmeros videotapes.

Na trama, conhecemos John Mullany (Peter Gallagher) e Ann Bishop Mullany (Andie MacDowell) um casal que está à beira do caos, muito por conta da vida sexual inexistente. John é um advogado, com um ‘ar poderoso’ que trai a mulher com a própria cunhada, Cynthia. Essa última, vive suas excentricidades onde sempre fica claro a necessidade de ser melhor que a irmã. Para o triângulo virar um quadrado, faltava um elemento. A chegada de um antigo amigo de John (Graham, interpretado por James Spader) abala as estruturas do que sobrara desses relacionamentos, uma atração contagiante vai tomando conta do ambiente, deixando Ann completamente envolvida com esse misterioso homem.

A personagem mais intrigante da história é Ann. Declarações que indicam uma frigidez são meramente especulações de seu furioso e infeliz marido. Começamos mesmo a entender a  personagem quando ela se encontra primeira vez com Graham. Ali começa o jogo de sedução que definitivamente consegue tirar aquela mulher da mesmice. A disputa com a irmã que antes era impossível agora se torna desleal tamanho o envolvimento de Ann com o novo personagem.

As construções dos ótimos diálogos dão consistência à trama. Sempre é muito complicado falar de sexo no cinema. Steven Soderbergh merece todo o crédito, pois, seu roteiro (sim, ele também assina o filme) é acima de tudo, inteligente e atemporal. As sequências de depoimentos no videotape são ótimas e entregam ao público um pouco de cada uma das pessoas que passam pela fita.

Intenso, provocante e com ar de genial. Não deixem de conferir essa atemporal obra de Steven Soderbergh.

Crítica do filme: 'Sexo, Mentiras e Videotape'


Festival de bundas, chá verde e infidelidade da turma que comanda o ‘boi’

Reunindo dois ótimos atores franceses, uma boa direção e um roteiro com altos e baixos, “Os Infiéis” estreou no circuito nacional nessa última sexta-feira (07). Dirigido por Emmanuelle Bercot, Fred Cavayé, Alexandre Courtès, Jean Dujardin, Michel Hazanavicius, Jan Kounen,Eric Lartigau,Gilles Lellouche o longa é dividido em muitas partes (esquetes), como se fossem pequenos pedaços, que giram ao redor (em relação à temática) da trama que começa e termina o filme. Mesmo parecendo confuso à primeira vista, a produção é muito interessante tendo partes brilhantes e outras nem tanto assim.  Jean Dujardin e Gilles Lellouche interpretam cinco personagens cada um, os dois estão excelentes em cada um desses, risos e mais risos chegaram até o cinéfilo muito facilmente.

Na trama conhecemos diversos personagens que estão em dívida amorosa com suas parceiras por serem infiéis. Tem a dupla de amigos que pegam várias mulheres em uma simples balada e com um sonho de ir pra Las Vegas curtir a vida, tem o masoquista que gosta de velhinhas, tem o ‘educadinho’ que não consegue se segurar e trai sua mulher o tempo todo, tem o dentista que pega uma ninfeta mas não consegue acompanhar a geração dela, entre tantos outros.

O filme tem um ritmo que vai se modificando ao longo da fita. Mistura histórias de flagras, discussões sobre traição e o pesar da consciência que volta e meia paira sobre a cabeça de alguns personagens. O grande mérito é abordar as diversas maneiras de traição de forma simples, objetiva e muito engraçada. As sequências das reuniões dos ‘traidores anônimos’ é riso na certa (Guillaume Canet, marido de Marion Cotillard, está espetacular na pele do hilário Thibault)! A trilha sonora também merece destaque, consegue ter um espaço marcante no meio dos risos e dramas que o longa aborda, méritos para Pino D'Angiò e Evgueni Galperine.            

O show mesmo vai para os 10 personagens interpretados pela dupla dinâmica do cinema francês Jean Dujardin e Gilles Lellouche. Cenas hilárias e muito bem dirigidas são vistas em cada uma dessas sequencias. O entrosamento dos dois é algo que impressiona, fator muito visto no teatro, quando os atores estão sempre trabalhando à longo prazo.

Como em toda comédia tem seus exageros, como o momento ‘Mel Gibson’ e um festival de bundas que aparecem sem nenhuma necessidade. O fato de ser muito ‘cortado’ atrapalha um pouco o andamento do filme, é como se fosse perder pontos naquela categoria de votação das escolas de samba, evolução. Mas nada que atrapalhe a diversão do espectador.

Quer se divertir? Não perca tempo, corra para o cinema e veja essa agradável película francesa! 

Crítica do filme: 'Os Infiéis'


'...um retrato devastador de uma família após uma tragédia...'

Até aonde vai a dor de uma família após uma tragédia devastadora? Em meados de 2002 estreou em nossa terra verde e amarela o longa italiano “O Quarto do Filho”. Escrito, dirigido e interpretado por Nanni Moretti, o filme vai além de todas as questões levantadas em produções semelhantes focando do início ao fim em um homem e as escolhas que fizera em uma tarde agradável ao que parecia ser mais um fim de semana como todos os outros.  O longa é profundo, entra no drama de uma família e seu modo de viver diferente após uma enorme tragédia.

Na trama, somos apresentados a um psicanalista chamado Giovanni e a sua simpática família. Sua linda mulher é uma profissional ativa, extremamente carinhosa com os dois filhos do casal. Giovanni trabalha em casa, em uma área reservada para atender seus pacientes, e sempre que pode tenta interagir à sua maneira com os filhos. Logo de início, o psicólogo é chamado à escola por conta de uma acusação à seu filho. Sequencias mais tarde percebemos que o relacionamento dos dois não é muito próximo, fato que se complica e se torna irreversível após uma triste situação que abala toda essa família para sempre.

Escrever o que acontece para a mudança da história é praticamente estragar o filme para você leitor, saiba apenas que é algo muito triste e que essa situação impacta efetivamente na mudança dos personagens a partir do ocorrido. O longa tenta mencionar a família mas claramente é focado no pai desse lar de classe média. Todos os movimentos da trama giram aos olhos de Giovanni: seu relacionamento deveras difícil com seus pacientes, sua relação com a mulher e a falta de entendimento com o filho, além, do pequeno (porém evidente) distanciamento para com a filha. Assim, entramos na vida dessa família. Tristezas intrínsecas vão tomando conta da trajetória, a possibilidade de felicidade, a partir da catástrofe, se torna uma tentativa cada vez mais distante. O cinéfilo se pergunta: será que eles vão conseguir superar?

Um retrato devastador de uma família após uma tragédia, não há outra maneira definir essa maravilhosa fita italiana. Um dos detalhes marcantes que vemos é uma direção iluminada de Nani Moretti. Pra quem tem coração forte e gosta de filmes bons, recomendado fortemente.

Crítica do filme: 'O Quarto do Filho'


'Cuidado bigodinho! Se o apartamento da megera falasse...'

Um erro fatal é passivo de perdão? Com uma espécie de filme trágico/cômico o texano Richard Linklater (que dirigiu o inesquecível “Antes do Amanhecer”) retorna às telonas, após um descanso de 3 anos, com seu novo trabalho “Bernie”. Nesse drama que se mistura na comédia, sempre em medidas certas, agrada pela simplicidade e nos carismáticos personagens, principalmente seu protagonista, um homem com muitas facetas e talentos que possui um ‘status’ alto dentro da comunidade onde vive mesmo após um terrível assassinato cometido.

Na trama, conhecemos o educado Bernie Tiede um homem altruísta e querido por todos na região onde mora. Certa vez conhece Marjorie Nugent uma idosa com muito dinheiro que passa a tratar Bernie como um grande amigo. Só que, após algum tempo de relação, Marjorie mostra sua verdadeira face (conhecida por todos na região): megera, chata, insuportável essa personagem da veterana Shirley Maclaine. Não agüentando mais a situação em que vive, Bernie, em um ato impensável mata Marjorie e esconde por algum tempo o fato na cidade. O ponto alto do filme é depois do ocorrido e a descoberta do mesmo. A mobilização da cidade a favor do protagonista é um trunfo poderoso que as autoridades, representadas pelo promotor Danny Buck (Matthew McConaughey), tentam a todo instante combater.

Jack Black canta, dança e interpreta de maneira muito segura seu pacato personagem. A liberdade de criação para o intenso artista é controlado sabiamente pelo diretor (que também o dirigiu no sucesso “Escola do Rock”). Consegue ter o personagem em suas mãos o tempo todo se tornando um dos melhores trabalhos do ator californiano.

Por meio de entrevistas conhecemos um pouco a opinião das pessoas que conviveram com Bernie. Os coadjuvantes idosos, aqueles que aparecem por meio dessas entrevistas, são ótimos. Preenchem as lacunas do roteiro com humor, simplicidade e sutileza.

Para grande surpresa, ao final do longa, sabemos que se trata de uma história real. Imagens do verdadeiro Bernie são mostradas (até um encontro dele com o ator que o interpreta nesse filme, Jack Black).

Não deixem de conferir esse bom filme que garante ótimos minutos de diversão.

Crítica do filme: 'Bernie'


'...o epicentro do riso são auto-piadas de personagens de outros tempos...'

Dirigido pelo cineasta inglês Simon West (diretor de “Con Air – A Rota da Fuga”), “Os Mercenários 2” é um filme de ação que conta com um recheio generoso e nostálgico de comédia onde o epicentro do riso são auto-piadas de personagens de outros tempos que também foram interpretados por esses famosos atores de longas de ação. Empolga a platéia gerando risos aos montes, vai agradar uma legião de cinéfilos.

Na trama, novamente somos guiados por Barney Ross e sua gangue de sanguinários mercenários bonzinhos a mais uma missão vingativa que envolve um terrorista que pretende vender plutônio para pessoas com intenções perversas. Após a contratação de mais um integrante à equipe, Bill, os mercenários seguem uma missão atrás de outra conseguindo com êxito eliminar seus objetivos. Mas, quando uma das missões falha e o jovem Bill é capturado pelo vilão ‘Grande Dragão’, Barney e seus amigos partem um busca de vingança e contam com a ajuda de John McClane, do ‘Terminator’, além de Braddock.  

O filme consegue ser superior ao primeiro em muitos aspectos. O roteiro não é nada diferente do que já vimos em outras fitas de ação, a grande sacada é a maneira como as ‘piadinhas’ conseguem um grande efeito nos diálogos dos personagens. É como se ‘Os Mercenários 2” fosse uma grande união de antigos astros falando: ”Nós estamos mais velhos mas sabemos fazer um filme deste tipo”!

Muitos podem dizer que é um longa de ‘ação/pastelão’ mas não é bem assim. Tem história, tem fortes personagens, tem uma boa direção. É muito mais do que uma simples reunião de atores que marcaram uma geração. É uma grande oportunidade para uma recente geração conferir nas telonas esses vovôs que sempre prendem a atenção quando aparecem! Diverte e por isso vale a pena ser conferido!  

Crítica do filme: 'Os Mercenários 2'


'...A inteligência de uma viagem ultrareal da Próstata assimétrica...'

Baseado em um livro de Don DeLillo, chega aos cinemas no próximo 7 de setembro o novo filme do cineasta canadense David Cronenberg, "Cosmópolis". Metáforas e mais metáforas em diálogos profundos e deveras inteligentes marcam o longa que é estrelado pelo vampiro (de outros filmes terríveis) Robert Pattinson. Falando sobre o tempo e os avanços da tecnologia, em suas elucubrações sobre o destino da sociedade, Cronenberg cria uma fita feita para ser atemporal. Pela profundidade de seus ótimos personagens, o filme pode gerar desconforto ao espectador por conta da variedade de informações a cada minuto.

Na trama, conhecemos Eric Packer (Robert Pattinson) que faz uma viagem de descobertas perigosas, a bordo de uma limusine, para conseguir um corte de cabelo - ter ameaças contra sua vida traz ao personagem a sensação de liberdade. Seguindo rumo a seu objetivo, encontra os mais excêntricos e brilhantes personagens que, de certa forma, contribuem para que mudanças ocorram no seu entendimento sobre a vida e a sociedade.

Com muitas personalidades e uma alta profundidade nos diálogos, este é um longa para quem gosta e entende o cinema de Cronenberg. A história gira em torno do supracitado personagem principal: um bilionário, inconsequente, que gosta de números e ‘ama’ muitas mulheres nessa sua caminhada. Para dar vida a tal excentricidade, qualquer ator poderia ter sido escolhido. Pattinson se esforça, mas quem comanda o show é o veterano diretor David Cronenberg.

Mesmo que você goste e entenda as ideias originais do cineasta, alguns diálogos dificultam o entendimento da trama, às vezes mais difícil que definir a extensão do número PI (destaca-se a alma matemática deste roteiro). Rumores são gerados para definir as conclusões de ações e seus impactos. São conversas profundas, difíceis de digerir; se faz necessária muito atenção a cada detalhe. Uma dica, se você se sentir perdido pense: o impacto da tecnologia é destrutivo, esse é o cenário!

Síndromes x Complexos. Esse combate, proposto brilhantemente já no desfecho da trama, leva o público a entender melhor o protagonista, de ‘próstata assimétrica’, e o mundo de desespero em que os outros vivem, não ele. Sua debochada alienação à realidade faz nascer importante revolta dentro do mesmo, trazendo-lhe um espírito de liberdade totalmente inconsequente.

Tecnicamente excelente, “Cosmópolis” receberá muitas críticas negativas, mas sem dúvidas é um dos grandes trabalhos desse visionário diretor canadense.

Crítica do filme: 'Cosmópolis'