O que fazer quando você percebe que a sua vida não é nada correta? De volta ao mundo do drama e dos conflitos pessoais, o diretor americano Robert Zemeckis (De Volta para o Futuro) assumiu o comando de um projeto que precisava de um grande ator no papel principal para conseguir dominar o filme de uma forma que passasse toda a veracidade daqueles conflitos internos que as situações trariam para o personagem.  Zemeckis conseguiu tudo isso e muito mais na fantástica atuação de Denzel Washington (Dia de Treinamento). Mas não é só o famoso cineasta, nem o astro hollywoodiano que brilham nesse longa excelente, um roteiro envolvente e imprevisível de John Gatins (Hardball - O Jogo da Vida) deixa o público com os olhos fixos na telona do começo ao fim.

Na trama, acompanhamos a trajetória conflituosa de Whip Whitaker (Denzel Washington) um piloto de aviões comerciais, alcoólatra, usuário de drogas, que se torna o grande queridinho da mídia colocado, como um herói norte-americano, quando consegue pousar uma aeronave em inúmeras condições adversas, após uma pane no sistema. Quando passam alguns dias, a ficha cai para outras versões dos fatos: ele estava sobre a influência de drogas e álcool no momento do acidente e agora precisa lutar contra si mesmo por não aceitar seu novo status de grande salvador da pátria.

O grande centro das atenções do filme fica por conta das indagações e dúvidas sobre a vida que o personagem principal leva. Seus conflitos afloram após o acidente aéreo. Whip sabe que a vida que leva é errada e que pode colocar muitos em risco. A grande questão é: será que ele quer mudar? Há a tentativa óbvia de abandonar esse passado cheio de álcool e drogas mas algumas situações o levam ao caos emocional o que gera mais consequências. Denzel  Washington leva o público para dentro dessa jornada melancolia com tremenda maestria, desossa seu personagem de uma maneira que todo mundo consegue ver e sentir aquele sofrimento. Mais uma atuação fantástica desse grande ator que deve levá-lo a uma indicação ao próximo Oscar.

Os coadjuvantes preenchem muitas lacunas importantes para o filme ir além de uma excelente atuação de seu protagonista. A personagem da desconhecida atriz inglesa Kelly Reilly (Sherlock Holmes) é jogada para dentro da trama de maneira interessante e acaba contribuindo muito para a história, bela atuação dessa atriz, olho nela cinéfilos! John Goodman (Argo) e seus personagens nada normais também dá o ar de sua graça. John, como poucos, sabe contribuir muito bem com um filme com carga carregada de emoção, sempre quebrando o clima com suas piadas e trejeitos engraçados. O excelente veterano Don Cheadle (Hotel Ruanda) e seu Hugh Lang aparecem para o protagonista como a salvação e tentativa de entendimento sobre todos os fatos que o levaram nessa jornada de descobrimento de si mesmo. Outro que merece nosso aplauso é o ex-doutor de Grey’s Anatomy James Badge Dale (Shame), que aparece pouco mas em um papel forte que contribui de certa maneira para entendermos melhor situações emocionais extremas.

Herói dos outros, vilão de si mesmo? Ajude Whip Whitaker a encontrar essa resposta a partir do dia 8 de fevereiro, nos cinemas. 

Crítica do filme: 'Flight'


Nosso destino é a gente que faz. Escrito e dirigido por Marcelo Galvão (que também faz uma pontinha no filme) Colegas algumas pitadas dramáticas mas não pode ser considerado do gênero drama e sim, comédia. É um filme inocente que tenta satirizar as situações dos carismáticos amigos a todo instante. Pena que o roteiro é bem fraco, confuso, e aos poucos vai se perdendo com personagens coadjuvantes caricatos que não conseguem se encaixar na história. A trilha sonora e a fotografias são os grandes destaques do longa que estreia em março nos cinemas.

O Indiana Jones, Lima Duarte, narra a história de três amigos que possuem Síndrome de Down e que vivem a muitos anos em um Instituto chamado Santa Lucia. Por passarem parte do tempo vendo diversos filmes, um dia resolvem realizar o sonho deles de ter uma grande aventura com três desejos: ver o mar, casar e voar. Assim, partem rumo ao desconhecido, assaltando estabelecimentos utilizando frases de filmes, cruzando a fronteira existente entre o Paraná e Santa Catarina sempre distribuindo muitos abraços.

A abertura com citações de conhecidas produções de cinema era um bom sinal para todos os amantes da sétima arte que estavam sentados assistindo à projeção. Mas tudo cai por terra, pois, o roteiro é bem fraco, confuso. Muitas referências estranhas como ônibus antigos ao lado de carros importados, cenários que não mostram tempo nem espaço definidos e em muitas cenas, gratuitamente, armas são sacadas completamente fora de contexto. O filme entra em loop e muitos assuntos se repetem ao longo da trama. Isso pode ser uma saída do diretor para explicar a história várias vezes, de muitas maneiras, porém, é muito arriscado pois pode se tornar repetitivo aos olhos de muitos.

Às vezes você se sente nos dramas americanos de décadas passadas, muitos elementos levam o público a essa analogia (tem uma menção ao clássico Psicose, no mínimo estranha).  O filme tem alma mesmo que com problemas técnicos e em sua execução, as mensagens positivas são inúmeras e isso deve comover parte do público.

Em dúvida? Assista! Às vezes o longa consegue te prender a atenção pois uma mensagem bonita realmente existe.

Crítica do filme: 'Colegas'


O que fazer quando eu sei de tudo e mesmo assim quase perco a batalha para o vilão (interrogação) Em A Sombra do Inimigo somos levados a um jogo de gato e rato pelas ruas de uma metrópole onde tiros e transações suspeitas são comuns no dia-a-dia. Dirigido por Rob Cohen (Triplo X) e estrelado por Tyler Perry, o mais novo longa-metragem de ação (baseado na obra de James Pattinson) a entrar em nosso circuito, deixa muita a desejar em relação a seu roteiro, confuso toda vida. Talvez o livro seja melhor.

Na trama, conhecemos o detetive (investigador, policial, psicólogo, psiquiatra...) Alex Cross (Perry), um homem querido por todos que vive com sua família feliz da vida. Certo dia é chamado para investigar um quádruplo assassinato em uma luxuosa mansão. A partir daí, sua vida toma novos rumos quando precisa encontrar um assassino profissional muito perigoso.

O ritmo the flash do roteiro se perde totalmente em várias sequências. Em 7 minutos o personagem principal corre, mostra que é um homem de família, descobre que a mulher está grávida... é muita informação para o espectador em tão pouco tempo. Tudo é muito superficial, o que atrapalha o entendimento de algumas partes da trama. Quer fazer um filme com muitos detalhes a apresentar, por favor,  aumente o tempo de projeção, divida em dois ou não faça filme nenhum.

A grande expectativa dessa produção era a atuação do ator americano Matthew Fox (O Jack do seriado Lost) que teve que perder muitos quilos e malhar pesado para dar vida ao seu personagem. No maior estilo Hitman e aplicando um ótimo triângulo na cena estilo MMA, Matthew Fox se esforça para tentar dar veracidade mas acaba passando do limite, seja nos trejeitos ‘aclichezados’, seja nas caras e bocas que não assustam ninguém.

Algumas cenas de ação são bem dirigidas, tentam criar a fantasia de ação das sequências mas é muito pouco quando somamos o roteiro e os personagens. Tudo é muito previsível, o personagem principal sabe tudo, talvez a única coisa que ele não sabia (ou nunca iria confessar) é que os cinéfilos não vão gostar dessa fita. Igual a esse filme existem muitos por aí, mais um caso de mais do mesmo.

Crítica do filme: 'A Sombra do Inimigo'


A fé pode mover muito mais que montanhas. O aguardado novo trabalho de Ang Lee (O Segredo de Brokeback Moutain) é visualmente magnífico, tecnicamente perto da perfeição e seu enredo é envolvente chegando a emocionar nos momentos chaves, estamos falando do drama, As Aventuras de Pi. Falando sobre fé e recheado de personagens cativantes, o longa-metragem vai agradar a todos os tipos de público. O que, a princípio você possa achar que é um filme para criança, pode ter certeza, caro cinéfilo, que a fita passa longe de ser uma produção voltada ao público infantil.

Na trama, conhecemos o jovem Piscine que carinhosamente (e forçadamente, pelo mesmo) é chamado de Pi por todos ao redor. Uma lenda das aulas de matemática, o jovem indiano é pego pela curiosidade e se descobre praticante de três religiões, fato que o ajuda na maior aventura da sua vida: quando seus pais resolvem mudar de país (por conta de problemas político-financeiros da região), o adolescente precisa abandonar seu grande amor e se distanciar de seus poucos amigos rumo à uma terra nova e cheia de oportunidades. Seus pais possuem um zoológico e resolvem levar todos os animais juntos na viagem. Acontece que perto de chegar ao destino, acontece uma tragédia e Pi se vê em meio ao oceano com uma zebra, um macaco, uma hiena e um irritado tigre de bengala. Com poucos recursos, usando toda sua inteligente e colocando em xeque sua fé, Piscine precisa enfrentar o grande desafio de sua vida e lutar pela sobrevivência.

O fator fé é preponderante e muito bem abordado pela adaptação que fora feita. Há um certo conflito no personagem, desde que se descobriu adepto de 3 religiões completamente diferentes. Sua família em alguns momentos chega a brincar com esse fato mas Pi está convicto e se sente muito bem exercendo sua fé, das três maneiras. Tudo isso é colocado em prova em uma situação inusitada e totalmente arriscada. Talvez uma pessoa sem fé nem acreditaria no inacreditável.

Por mais que tenha uma classificação etária baixa, As Aventuras de Pi não é um filme infantil. A maturidade com que fora abordado os temas colocam os personagens em conflito constante o que torna bastante complexo todo o clímax. A direção de Ang Lee é cirúrgica, seja com imagens ricas ou diálogos filmados de maneira envolventes que conseguem levar o espectador para dentro da história.

Provável concorrente ao Oscar, esse filme é um dos grandes trabalhos feitos esse ano no mundo do cinema. Não deixem de conferir! Acredite sempre no inacreditável!

Crítica do filme: 'As Aventuras de Pi'


Aflição e realidade urbana com muita intensidade. Marcados para Morrer,  o novo filme de ação de David Ayer (Os Reis da Rua) que também escreveu o roteiro, é um longa-metragem que se caracteriza por conter cenas impactantes que transportam rapidamente o espectador para dentro da história. O projeto é corajoso e muito bem definido, fruto do ótimo roteiro que guia o público para o mundo das ruas mais perigosas dos Estados Unidos.

Na trama somos jogados em uma espécie de reality show, fruto de um trabalho de pesquisa do oficial Brian Taylor que resolve filmar o dia-a-dia de uma unidade de combate ao crime, assim a história se desenrola ao extremo depois que dois jovens oficiais estão marcados para morrer quando confiscam uma pequena quantia de dinheiro e armas de fogo poderosas pertencentes à membros de um cartel perigoso que domina a região a anos. Entrando em conflito com federais, criminosos locais, conflitos familiares eles precisarão encontrar forças para sobreviver.

A dupla protagonista possui um entrosamento ideal e conseguem passar toda a dificuldade de seus conflituosos personagens. Jake Gyllenhaal (O Segredo de Brokeback Mountain) e Michael Peña (O Poder e a Lei) merecem muitos dos créditos positivos que o filme possui. A definição de seus papéis vai de encontro à realidade, buscam o conflito, transparecem o esgotamento daquela situação caótica em que se metem. Um trabalho digno de aplausos dos cinéfilos amantes de Fogo contra Fogo, Scarface, Dia de Treinamento entre tantos outros projetos que possuem o mesmo tema.

Qual é o papel do herói (interrogação) Esse conflito é mostrado no filme, parte nos atos de coragem da dupla protagonista e outra parte nas consequências desses mesmos atos. Será que todo herói precisa ser inconsequente (interrogação)  A exposição das ações tomadas pelos oficiais os leva a um esgotamento físico e mental, um cenário perturbador onde fica difícil tomar a decisão correta no momento que precisar.

É uma produção para quem gosta de filmes do gênero. Mas não surpreenderá se agradar a quem não está acostumado com tanta adrenalina em cena. Recomendado.

Crítica do filme: 'Marcados para Morrer'



Quer saber como participar para ganhar um kit do filme "Infância Clandestina"?

Responda a pergunta: "O que você faria para conquistar o amor da sua vida?" para o email: raphaelcamacho@gmail.com , colocando no assunto: 'Promoção Infância Clandestina'

REGULAMENTO DA PROMOÇÃO

1. A Promoção é aberta aos residentes de todo Brasil.

2. A Promoção é válida entre os dias 13/12/2012 à 16/12/2012.

3. O nome do vencedor será divulgado no blog http://www.guiadocinefilo.tk a partir da data de término da Promoção.

4. O prêmio é individual e intransferível e, em nenhuma hipótese, o vencedor poderá trocá-lo ou recebê-lo
em dinheiro.

5. Caso os participantes tenham dúvidas, os mesmos poderão solicitar esclarecimentos por e-mail para raphaelcamacho@gmail.com

6. Caso vença, após o contato, entrar em contato em até 48 horas.

Promoção Infância Clandestina


Pés cabeludos? Sim! Eles estão de volta. Nessa sexta-feira (14) estreia nos nossos cinemas o aguardado novo trabalho de Peter Jackson (Almas Gêmeas), O Hobbit – Uma Viagem Inesperada. Com um roteiro feito a quatro mãos (Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, Guillermo del Toro) a história baseada na obra de J.R.R. Tolkien passa por descobertas, Orc’s nojentos, gigantes de pedras brigando, teimosos anões cantores que são definidos dentro de um ritmo alucinante de aventura passando pelos belos condados, as vilas Hobbits, até uma montanha tomada por uma entidade do mal.

Na trama, ao longo de 180 minutos, acompanhamos o Hobbit Bilbo Bolseiro que viaja até a Montanha Solitária, com um grupo vigoroso de anões para recuperar um tesouro roubado pelo dragão Smaug.

O elenco busca um entrosamento aos trancos e barrancos, se encontrando e desencontrando ao longo do longa-metragem. Martin Freeman (Guia do Mochileiro da Galáxia) é um ator bastante peculiar, consegue grande êxito nas partes cômicas do filme nas dramáticas deixa um pouco a desejar, para que não consegue chegar ao limite de seu importante personagem. Andy Serkis volta à pele de Gollum, o famoso monstrengo com um olhar de Steve Buscemi (Armageddon). O mago conselheiro e bom de papo está de volta. Gandalf é quase o protagonista, rouba a cena em vários momentos, Ian McKellen (X-Men) domina como poucos seus personagens.

O filme tem muitas partes que passam pelo humor, o que de fato pode gerar uma boa interação com o público, já que os diálogos são bem definidos e executados pelos carismáticos personagens. Só que também, talvez involuntariamente, acabam descaracterizando todo o clima de aventura quando esses diálogos pipocam nas cenas de ação. É um filme feito para quase todas as idades. Os adolescentes se divertem e os adultos também mas o público alvo passa muito mais pelos fãs do escritor J.R.R. Tolkien (trilogia -Senhor dos Anéis).

As comparações com a trilogia Senhor dos Anéis serão inúmeras, o que é constatado desde o início pelos paralelos existentes entre os filmes. No final das contas o resultado é o de que um complementa o outro e por isso é sempre melhor ver todos os filmes anteriores e partir para conferir essa nova aventura. O precioso anel reaparece e passamos a conhecer sua real origem. Desde outros filmes percebemos que todo Hobbit tem uma síndrome de Peter Pan, ingênuo, infantil e que sempre se mete em aventura.  O encontro entre o anel e o Hobbit é exatamente assim, curioso e aventureiro.
Alguns vão gostar, outros vão conseguir tirar uma ótima soneca nas confortáveis poltronas das salas de cinema. Qual será sua escolha? Veja o filme e conte para nós!

Crítica do filme: 'O Hobbit – Uma Viagem Inesperada'


 expectativa do público é esperar as boas e velhas piadas da dupla de humoristas. Mas nesse longa-metragem dirigido por Andrucha Waddington (Lope) vemos os comediantes mais comportados o que já de cara frusta, pois, havia o risco dos atores não conseguirem segurar o filme nos momentos dramáticos, o que de fato acontece. Estrelado por Eduardo Sterblitch e Marcelo Adnet (Muita Calma Nessa Hora), Os Penetras vai levar muita gente para o cinema, muita gente vai rir mas isso de maneira nenhuma vai caracterizar que o filme é um grande destaque dentro do nosso cinema. É apenas mais do menos.
Na trama, conhecemos um jovem apaixonado morador de Resende, no interior do Estado do Rio de Janeiro, que vai para a cidade grande em busca de uma grande paixão. Para ajudálo nessa tarefa complicada conhece Um malandro carioca, que tem um golfinho no braço e rouba shampoo’s e sabonetes líquidos de hotéis Rio à fora, e juntos vão cometer muitas loucuras atrás desse objetivo.
O filme tira algum riso mas não convence como comédia além de tentar mas não conseguir ser um longa-metragem dramático que se propõe em algumas partes. Situações forçadas, clichês aos montes, tudo que um repertório comum tem. Não mostra nenhum diferencial, nem mesmo em relação ao roteiro, o que poderia enfim contribuir positivamente para uma nova virada nas comédias nacionais. As vezes passa a impressão que o formato escolhido (cinema) não era o mais ideal, funcionaria bem melhor como um seriado de televisão ou uma peça de teatro.
Não chega a ser uma decepção mas fica muito a quem de ser um bom filme.

Crítica do filme: 'Os Penetras'


Escrito e dirigido pela cineasta Juliana Reis Disparos é uma grande surpresa dentro do atual cinema nacional, foca em temas polêmicos, muito bem amarrados pelos sábios diálogos que são gerados. Com algumas referências ao cinema nacional, aquela noite bombástica (provavelmente baseado em fatos do cotidiano brasileiro) vai criando paralelos que são utilizados, sabiamente, como flashbacks que auxiliam na compreensão da história. Um filme que você precisa conhecer.

Na trama, somos rapidamente apresentados a um fotógrafo e seu assistente que se envolvem em um acidente que acaba gerando grandes consequências para o primeiro. Com direito a mentiras e muitos pontos de vista diferentes, no desfecho somos surpreendidos exatamente por conta dessa ótica diferenciada de cada personagem sobre aquela noite. O corajoso roteiro é bem estruturado, não parece com outros filmes que vemos no cenário brasileiro. De vez em quando é bom ir na contra mão do que todos fazem. Nesse caso, em relação ao nosso cinema, é fundamental. A originalidade sempre vence, precisamos disso.

No grande teatro reproduzido na telona, os atores comandam o dinamismo e o clima de tensão. Gustavo Machado assume o papel do protagonista e consegue passar todo o clima de suspense nas grandes reviravoltas em que seu estressado fotógrafo se mete. O ator oriundo da cena teatral, interpreta o segundo fotógrafo na sua carreira dentro do cinema, o primeiro foi no filme de Beto Brant Eu Receberia as piores Notícias dos seus Lindos Lábios.

É a volta do bom e velho cinema cabeça. É um filme que você precisa ficar atento e que lhe oferece elementos para atrair a atenção necessária. Uma das poucas vezes, no cinema nacional, em que o roteiro é o grande destaque do filme.

Crítica do filme: 'Disparos'


O conto de fadas eletrônico do vilão bonzinho

Colocando na telona uma história que tem seu epicentro na nostalgia dos games, Rich Moore tem uma missão árdua que é agradar a todos os públicos com a nova animação da Disney, Detona Ralph. Falando de amizade e trabalho em equipe, somos guiados por simpáticos personagens a uma grande viagem ao mundo dos jogos eletrônicos. Quem nunca sonhou em dar vida aqueles simpáticos bonequinhos que ocuparam boa parte de nossa infância e adolescência (interrogação) Pois é, sua chance chegou, nessa produção que mais parece um conto de fadas eletrônico do vilão bonzinho.

Na trama, logo conhecemos Ralph, um cabisbaixo personagem, vilão do jogo ‘Conserta Félix’. Insatisfeito com a falta de carinho dos outros personagens de seu jogo, que fazem festas e mais festas para o mocinho Félix, parte em busca de uma medalha heroica, fato que o faz ter que interagir e se infiltrar em outros jogos. 
A história é inteligente (quase se perde por ser feita em parte para crianças, em parte para adultos) com ótimas sacadas e com um humor leve, descontraído.  O grandão que quebra tudo tem um coração enorme e consegue se conectar com o espectador aos poucos. O personagem vai ficando mais carismático ao longo do filme, após um início desmotivante. Vivendo um jogo de cada vez, viajamos em uma ventura super divertida que vai alegrar a toda família.

Como já foi mencionado, é um desenho parte com referências aos mais velhos, parte com referências ao público infantil, assim conseguindo que todo mundo seja levado para dentro da história, exatamente quando o roteiro chega ao ponto comum de qualquer boa animação.

A lógica dos bugs é muito bem utilizada, criando uma abordagem muito carismática aos olhos do público. A história deixa de ser bobinha, erro de muitas animações que vemos por aí, e se torna papel importante para a interação do público. Nesse trabalho você vai poder conferir uma grande história, com excelentes personagens e muito bem contada.

Então é isso, cheios de argumentos positivos para você conferir na sala de cinema mais próxima de sua casa, a partir do dia 04 de janeiro. Não percam, Detona Ralph!

Crítica do filme: 'Detona Ralph'


Será que há coisas mais valiosas do que a verdade? 

Escrito e dirigido pelo cineasta americano Joseph Cedar (do excelente Beaufort), Notas de Rodapé é um filme simples que mostra de maneira muito verdadeira a relação conturbada entre um pai e um filho. A direção é detalhista, nos joga para a ótica do personagem principal com maestria. Esse último, por sua vez, é interpretado de maneira retilínea, constante e muito correta pelo ótimo ator Shlomo Bar-Aba.

Logo nos primeiros minutos já somos apresentados ao rabugento Eliezer Shkolnik e seu incômodo de estar em uma certa solenidade. Seu filho conseguiu se desenvolver muito melhor e sua profissão, recebendo vários prêmios e honrarias que jamais preencheram as mãos do velho Eliezer. O Organizado pesquisador (sempre próximo de seu protetor de ouvido amarelo), caminha a quarenta anos à pé, sempre fazendo o mesmo trajeto de sua casa à biblioteca nacional. Entre alguns fatos curiosos sobre sua vida, se recusou a cancelar sua matéria na faculdade mesmo tendo apenas um aluno matriculado. A única felicidade que percebemos foi a de ter recebido, anos atrás, uma menção em uma roda de rodapé no livro de um autor famoso. Tem um relacionamento conturbado com seu único filho, sente inveja das conquistas do mesmo. Certo dia, o telefone toca e o velho pesquisador recebe a notícia que tanto queria: irá receber o prêmio máximo de pesquisa em seu país. Porém, por conta de um erro, a história se modifica levando a todos os personagens aos limites de suas paciências.

Falamos muito do personagem principal, o pai, mas precisamos falar também do filho. A sua relação com seu pai acaba afetando também seu relacionamento em casa, com sua mulher e seu filho. Irritações, indecisões o desespero toma conta do personagem de Lior Ashkenazi, Uriel Shkolnik.

Aos poucos os argumentos do passado (porque aquelas situações estão acontecendo) são apresentados ao público de maneira atual, divertida, com bastante expertise. Assim fica fácil do público entender aquele relacionamento com problemas e automaticamente ser fisgado para dentro da história. O longa-metragem tem cenas comoventes acopladas em trilha sonora, assinada por Amit Poznansky, que lembra os filmes americanos do início do último século. Toda a parte de produção, bem detalhista, merece um sonoro elogio.

Pré-indicado ao Oscar do ano, Notas de Rodapé promete emocionar e levar ao público uma história sólida que se sustenta no relacionamento entre pai e filho e as inversões que ocorrem quando somos apresentados a fatos que mudam uma trajetória. Não deixem de conferir!



Crítica do filme: 'Notas de Rodapé'


Quando 'Agamenon' e 'Cilada' encontram seu primo distante

Despedidas de solteiro, bebidas, drogas e muita confusão. Fórmula de sucesso? Quase nunca! Escrito e dirigido pela estreante em longas-metragens Lesley Headland, Quatro Amigas e um Casamento é um daqueles filmes que você se arrepende por ter gasto seu ingresso. A trama é tão rasa que fica difícil saber por onde começar a sessão de descarrego.

A história, fraca por si só, fala sobre três amigas inseparáveis que descobrem certo dia que uma outra amiga, da qual ridicularizavam na época de colégio vai se casar com um rapaz. A partir daí, inúmeras confusões acontecem e descontroles sem fim transbordam na projeção. A Futilidade rola solta do primeiro ao último minuto da fita se tornando uma verdadeira maratona de terror, parece que nunca vai terminar. Impossível de acreditar que a roteirista (que também dirige o filme) achou que certas piadas fariam o público rir. Fala de assuntos sérios de maneira debochada (como se fosse normal em qualquer sociedade que se preze), de forma amadora.

O quarteto de atrizes está, que nem aquele jogador de futebol que marca dois gols contra numa mesma noite, terrível! Todos as piadas dão erradas, impressiona a incapacidade de fazer o outro rir. Além do mais, é tanta coisa negativa que fica muito difícil saber qual a pior atriz em cena. Uma pena pela Kirsten Dunst que parecia ter se encontrado na carreira após o trabalho sólido e deveras bem feito no longa-metragem de Lars Von Trier, Melancolia. Com certeza, desceu alguns degraus na cotação cinéfila, sem dúvidas!

O espectador que já vira muitos filmes recentemente notará que os clichês são demasiados e que a proximidade com outras historinhas famosas se tornam bem claras assim que a fita começa. No mínimo, é uma tentativa de ser o novo Missão Madrinha de Casamento (filme igualmente terrível, estrelado por Kirsten Wiig) que fracassa.

Sendo uma espécie de primo próximo de Agamenon e Cilada.com, não há mais o que falar.  Nota zero! 

Crítica do filme: 'Quatro Amigas e um Casamento'


A historinha da camisinha furada que ia bem até os 30 do segundo tempo

O que fazer quando você se apaixona pela sua melhor amiga mas acabou de se relacionar com a irmã da mesma (interrogação) Dirigido pela cineasta Lynn Shelton (Humpday), Your Sister’s Sister é uma história que conta com diálogos bem agradáveis que satisfazem o público até o meio da projeção, depois infelizmente amarga na melancolia, levando todos nós a um desfecho que não satisfaz.

Na trama, conhecemos Iris (Emily Blunt – O Diabo Veste Prada) que convida seu amigo Jack para ficar em uma casa de praia de sua família, que fica em uma ilha bem distante do grande centro, depois da morte de seu irmão com quem já teve um relacionamento no passado. Chegando lá, Jack é surpreendido pois a casa não está vazia, assim encontra a irmã de sua melhor amiga que jamais conhecera pessoalmente. Após umas doses fortes de tequila à luz de uma lâmpada de mesa antiga consequências se seguirão em dias um tanto quanto reveladores para os três personagens.

É o tipo de filme que tem que se sustentar nas atuações. Até consegue muito bem até o meio da fita, excelentes diálogos, muitos momentos hilários, certos elementos que indicavam ser este um dos grandes trabalhos independentes do ano. Porém, após as revelações que modificam o rumo da trama os personagens não conseguem se sustentar. Tudo cai na produção, o que chama a atenção, principalmente para os diálogos que se tornam sonolentos e dramáticos (além do ponto) e as atuações que já não são tão naturais. É como se clones fossem implantados para substituir aquele excelente trio da primeira parte da história.

Bateu na porta de ser um filme bom. Mas não deixa de se interessante, veja e tire suas próprias conclusões.  

Crítica do filme: 'Your Sister’s Sister'