Com muitas cenas de ação, clichês, endeusamento de jovem atriz, abelhas voadoras, aranhas gigantes, pequenos elefantes e outros, chega aos cinemas no dia 03 de fevereiro o novo trabalho do canadense Brad Peyton, “Viagem 2 – A Ilha Misteriosa”. O filme é feito para o público infantil/adolescente e conta com a ilustre presença do vencedor do Oscar, Michael Caine, com um figurino ao melhor estilo “Indiana Jones”, interpreta Alexander Anderson, avô do jovem aventureiro e personagem principal da trama.

Na história (que começa com o ótimo som de Green Day), somos apresentados ao adolescente rebelde Sean Anderson que vai em busca de informações sobre um certo sinal, que chega até ele para ser decifrado. Com a ajuda de seu padrasto Hank, que tenta uma aproximação para ser o pai que ele não tem, descobre que esse sinal é o de uma ilha misteriosa onde tesouros, aranhas gigantes e pequenos elefantes existem. Para conseguir chegar até lá, Sean e Hank contam com a ajuda de um piloto de helicóptero e sua linda filha.

O protagonista, vivido por Josh Hutcherson, parece um Wikipédia ambulante”, sabe todas as informações sobre tudo de esquisito que aparece em cena e vai guiando o espectador para dentro daquele novo universo. O grande trabalho de Hutcherson que os cinéfilos querem ver esse ano é o longa “Jogos Vorazes”, onde dará vida ao importante personagem Peeta Mellark.

Dwayne Johnson, ou como preferir, ‘The Rock’, e seu ‘punho demolidor’ é Hank. Tem uma cena bizarra onde mexe os músculos e joga uma espécie de ping-pong com o peito. Totalmente desnecessário. Mas não é só isso. Com a teoria de que música é um analgésico natural, The Rock, pega um pequeno instrumento (que nas mãos dele quase some) e emenda uma melodia ao som de What Wonderful World... o quê Louis Armstrong estaria pensando se visse uma cena dessas?

Luiz Gusmán dá um show na pele de Gabato. Seu personagem consegue boas cenas, com frases hilárias, e acaba se tornando um dos pontos positivos da fita.  A filha de Gabato, Kailani, é interpretada por Vanessa Hudgens que é bastante endeusada durante todo o longa.

Percorrendo a história baseada na aventura escrita por Julio Verne, viajamos em fatos, figuras e menções a alguns clássicos da literatura. É um filme que tenta ser dinâmico na onda do 3D mas esbarra em pequenos exageros, não duvide se daqui a alguns anos esse filme for figurinha carimbada na sessão da tarde. 

Crítica do filme - 'Viagem 2 – A Ilha Misteriosa'

A fita inglesa ‘Livre para Voar’ é um drama que mostra um peculiar relacionamento de amizade entre duas almas em fúria, por circunstâncias da vida. O filme conta com a ótima direção de Paul Greengrass (‘O Ultimato Bourne’) e tem no elenco dois grandes artistas que juntos em cena elevam a qualidade do longa. Uma grata surpresa direto da terra da Rainha.

O longa, que foi lançado em janeiro de 1999 nos EUA, conta a história de Richard um sonhador que é fascinado por aviação. Um certo dia, decide tentar voar (com uma bugiganga inventada por ele) no prédio onde trabalha sua namorada; o desfecho é de um total fiasco. Após o ocorrido, perde a namorada e começa a ter uma crise emocional muito forte e decide se mudar de Londres (cidade onde residia). Em um novo lugar, cheio de montanhas, dedica-se à algumas horas de serviços comunitários (para compensar o incidente do Vôo). Assim, entra em sua vida Jane Hatchard, uma jovem de apenas 25 anos que possui uma doença degenerativa. A função de Richard agora é cuidar dessa jovem e aos poucos uma grande amizade vai sendo criada mesmo após um pedido peculiar da corajosa jovem.

As atuações do elenco preenchem cada lacuna de seus personagens amargurados.

Kenneth Branagh interpreta o protagonista Richard. Exalando competência e carisma, transforma seu personagem num alegre sonhador e possui ótimos diálogos com Jane Hatchard. Essa última é interpretada pela talentosa (e às vezes esquisita) Helena Bonham Carter, nesse filme prova mais uma vez que é uma das grandes atrizes inglesas de sua geração. Um papel extremamente difícil que aos poucos vai comovendo o espectador. Os dois juntos, tem cenas maravilhosas em diálogos cômicos e às vezes com uma carga emocional pesada. Vale lembrar também das ótimas coadjuvantes: Gemma Jones e Holly Aird, que fazem um belíssimo trabalho com suas personagens.

Você vai rir, se emocionar e alugar com certeza esse maravilhoso trabalho que tem o roteiro assinado por Richard Hawkins.   

Crítica do filme - 'Livre para Voar'

No primeiro trabalho do diretor Michael Morrissey no mundo do cinema, ‘Boy Wonder’, relata o estrago que um trauma no passado pode fazer na mente de uma pessoa. O filme, que fala sobre a busca de vingança e atos heróicos, lembra em alguns aspectos ‘Defensor’ e ‘Kick-Ass’, só que não tem um pingo de comédia, é bem puxado para o lado do drama e do caos psicológico de seu protagonista.

O papel principal foi dado ao ator Caleb Steinmeyer, que entre os poucos trabalhos que fez, interpretou John Locke (aos 16 anos) no seriado ‘Lost’, em um dos mais famosos episódios da série, ‘Cabin Fever’. Sua atuação é muito segura e consegue passar a atmosfera perturbadora que o adolescente aflora, principalmente no desfecho da trama. É o primeiro trabalho de Steinmeyer nos cinemas, começou com o pé direito.

Na trama, acompanhamos a trajetória de vida de Sean Donavan. À primeira vista, um menino muito bom, que é um aluno exemplar e querido por todos. Porém, por trás desse ‘modelo de adolescente’ existe um ser humano amargurado e obcecado por vingança. Quando era pequeno, viu sua mãe ser brutalmente assassinada dentro de um carro e essa imagem nunca sairia de sua cabeça. Consegue a amizade de um policial, que foi o encarregado das investigações sobre o ocorrido com sua mãe, e passa a frequentar a delegacia atrás de pistas sobre o assassino dela. À noite, quando todos dormem, ele faz justiça com as próprias mãos utilizando apenas um casaco com capuz e algumas noções de artes marciais. Com a desconfiança de uma nova policial, transferida de outro distrito, o plano de Sean fica prestes a ser descoberto.

A relação com seu pai é conturbada, há uma desconfiança evidente em suas ações, mesmo com as inúmeras tentativas de aproximação do pai. Aos poucos vamos descobrindo que por conta de problemas no passado (principalmente com a mãe Sean) o relacionamento entre os dois chegou a esse ponto. O desfecho chega a surpreender e vemos toda uma descarga emocional ser despejada de maneira fria e calculista pelo personagem principal. A obsessão pela vingança é o principal sentimento que nutre na mente do protagonista.

O longa, que tem o roteiro assinado pelo próprio diretor, peca na composição dos personagens. Tinha tudo para ser um filme no estilo ‘Thriller Psicológico’ mas acaba caindo nos clichês, principalmente pela falta carisma e função em muitas peças do elenco, principalmente na policial Teresa Ames, interpretada pela colombiana Zulay Henao.

É um filme que possui uma trama pouco envolvente e com alguns personagens que pouco somam à história, porém, retrata muito bem o lado psicológico e as conseqüências avassaladoras na vida de uma mente perturbada. Recomendo!

Crítica do filme - 'Boy Wonder'

Um filme aclamado pela crítica lá fora, surpreendeu os cinéfilos tendo sido indicado na categoria ‘Melhor Ator’ (Demián Bichir) no Oscar desse ano. A fita fala sobre a problemática dos imigrantes ilegais de forma bem emocionante aos olhos de Carlos Galindo (Demián Bichir), um mexicano que vive com seu filho adolescente Luis Galindo (José Julián) em uma cidade americana. O medo de ser deportado (por estarem ilegais naquele país) e os sonhos de uma vida melhor tomam conta da trama, que tem o roteiro assinado por Eric Eason baseado na história de Roger L. Simon.

Fato a ser analisado mais de perto é a relação de pai e filho em meio às situações que a história coloca. No começo, vemos um pai trabalhador sonhando algum dia dar uma vida melhor ao seu filho. Esse último namora uma jovem que é parente de um temido criminoso, de uma gangue da região. Pai e filho são distantes, muito por conta do jovem que parece não gostar muito do homem que cuidou dele durante toda a vida. A grande virada nessa história se dá quando a Família Galindo tem seus novos pertences roubados, a partir daí, a relação muda e ambos percorrem vários lugares procurando o que havia sido perdido e acabam descobrindo uma maneira de se comunicarem melhor.

O ator mexicano Demián Bichir talvez tenha sido a grande surpresa do Oscar 2012 com sua indicação pelo seu papel nesse filme. Realmente é um trabalho muito interessante do artista de 48 anos. Dá o tom amargurado e passa uma verdade em seus tensos diálogos com o filho. Mereceu ser indicado ao prêmio pela academia. Outro destaque vai para José Julian e seu Luis Galindo. O jovem ator mostrou muita personalidade na pele do complicado personagem e emociona nos momentos finais da trama.

O longa dirigido por Chris Weitz (que estava na direção de um dos filmes da franquia dos vampiros, ‘A Saga Crepúsculo: Lua Nova’) não é o melhor filme com a temática ‘Imigração’ já feito.  Recentemente teve um longa chamado ‘O Visitante’ (que tem uma atuação magistral de Richard Jenkins) que ainda considero o melhor com essa temática feita nos últimos anos.

Mesmo não sendo o melhor filme de drama feito recentemente vale à pena conferir a saga da Família Galindo por uma vida melhor. Não deixe de conferir ‘A Better Life’!

Crítica do filme - 'A Better Life'

Em um filme confuso, que tenta surpreender (naufragando nesse quesito), o diretor australiano Roger Donaldson (de ótimos longas, como: ‘Efeito Dominó’ e ‘Treze Dias Que Abalaram o Mundo’) reúne um elenco conhecido para contar esse Thriller que não deve agradar a maioria do público cinéfilo.

Na trama, um professor do ensino médio vive uma vida feliz e apaixonada com uma musicista loira, muito bonita. Até que um dia a paz e a felicidade deles é abalada. Quando está indo para casa após um ensaio, a mulher é atacada e violentada por um criminoso. Confuso e desnorteado, o marido aceita receber ajuda de um homem misterioso (para uma espécie de vingança encomendada) sem saber direito onde estava se metendo.

Nicolas Cage continua deixando os cinéfilos com dor de cabeça, com filmes que nem de longe lembram clássicos de sua filmografia, como: ‘Adaptação’, ‘Despedida em Las Vegas’, ‘O Senhor das Armas’

January Jones mais uma vez muito fria em um papel, sem saber demonstrar emoção. Já é o segundo trabalho dessa atriz (muito bonita, diga-se de passagem) que seu personagem não consegue passar veracidade, com suas emoções ao público (o primeiro foi em ‘O Desconhecido’). Guy Pearce aparece como o vilão e tenta dar um algo a mais para a embolada história, infelizmente não consegue levar o filme nas costas.

No elenco, nomes conhecidos do público que acompanha seriados americanos.

Harold Perrineau (ex- ‘Lost’) faz o melhor amigo do personagem de Cage, tem importância fundamental para o desfecho da trama. Jennifer Carpenter (do seriado de sucesso ‘Dexter’) aparece muito pouco e tem raríssimas falas, poderia ter sido melhor aproveitada e a história mais focada na amizade com a personagem de Jones.

O grave problema que o longa apresenta é a questão da ‘teoria da conspiração’ evidenciada a cada passagem de minuto da fita. Explicando: de repente todos os personagens que aparecem fazem parte da tal organização (que corre em paralelo do mundo da polícia e da justiça) e não é explicado o sentido dessa irmandade. As informações chegam sem nenhum propósito e o espectador fica refém de uma história sem fundamento.

O que muitos amantes da sétima arte temiam acontece: Cage erra de novo!

Crítica do filme - 'O Pacto'

O esperado longa da inglesa Phyllida Lloyd, ‘A Dama de Ferro’, é um filme irregular em sua montagem, porém, com boas atuações. No papel principal, a número um das mais queridas atrizes do cinema atual, a “Pelé de saias da sétima arte”, Meryl Streep, em uma atuação que deve dar a ela o seu terceiro Oscar.

Em seu início somos apresentados a uma Margaret Thatcher fraca, já idosa e que vive praticamente solitária, sob vigilância rígida de seus empregados e da sua filha. A luta para combater suas alucinações são constantes (no desfecho ‘metafórico’ é encontrado uma solução para esse caso, lembra um pouco Russell Crowe e seu John Nash em ‘Uma Mente Brilhante’) nem parecia aquela famosa mulher, figura controversa do cenário político britânico, que ficou 11 anos no poder.

Ao longo dos 105 minutos de fita, através de lembranças, vamos conhecendo aquela forte personalidade (cheia de ‘caras e bocas’) que escreveria para sempre seu nome na história. Desde sempre, possuía um repertório de frases de efeito, tinha carisma e o dom da prosa. Para ter êxito em sua caminhada política, tem que abandonar o papel de mãe para assumir o poder de uma nação grandiosa. Deixando o chapéu de lado, aulas de postura e outras dicas são ministradas pelos seus assessores, tudo para moldar a nova governante. 
Seguindo o conselho de seu pai, trilhou o seu caminho vitorioso, triunfando em uma posição dominada pelos homens. Tornou-se Líder do Partido Conservador e assumiu o Status de Primeira Ministra Britânica (a única mulher no posto até hoje), enfrentando em seu mandato: problemas com a Argentina, com o desemprego em alta, com o IRA e um sentimento às vezes dividido, em relação à ela, de sua nação.

Todos os atores (de todas as fases da vida de Thatcher) fazem elevar o nível da fita em cena.

Jim Broadbent é um coadjuvante de luxo. O veterano ator inglês interpreta Denis Thatcher, fiel marido da mulher de punho firme que dá vida à trama, tem ótimos diálogos e atua com bastante naturalidade de forma firme.

Meryl Streep é um caso raro na história do cinema. Tem mais uma atuação sensacional. Todos os elogios são poucos para expressar o quão excelente foi esse trabalho. Por debaixo daquela maquiagem pesada, às vezes apenas mexendo o olho, vemos que ela tenta a todo o momento se conectar com o espectador. Merece levar o Oscar mais uma vez.

Com o discurso “Se quiser mudar o partido, lidere; Se quiser mudar o país, lidere” e executando-o à risca, Margaret Thatcher é uma figura importante do século passado e você cinéfilo: precisa ver essa história! Que conta com uma interpretação de gala da atriz preferida de vários amantes da sétima arte. Dia 17 de fevereiro nas salas de cinema de todo o Brasil.

Crítica do filme - 'A Dama de Ferro'

Dirigido por Ariel Winograd, ‘Meu Primeiro Casamento’ é um filme argentino de comédia que fez um tremendo sucesso ano passado, conseguindo o posto de número um no ranking dos hermanos, em relação à bilheteria. Lembra a dinâmica e as sucessivas confusões que ocorrem em filmes como: ‘Morte no Funeral’ (filme inglês de comédia) e outros. Pena que é recheado de clichês americanos.

Na trama, um homem e uma mulher, no dia do casamento deles, se metem em diversas confusões que começam com a perda do anel por uma das partes. Fora isso, dois amores do passado (Mica e Miguel Ángel) tentam confundir os sentimentos dos noivos. A primeira foi um rápido romance que o noivo teve há tempos atrás. Já o segundo, é um ex-professor da noiva, na Universidade de Buenos Aires, que dá em cima dela descaradamente durante toda a festividade. A abertura trivial e original (muita criatividade de quem produziu) é feita através de tirinhas de quadrinhos e que acabam entregam um pouquinho da história, que tem o roteiro assinado por Patricio Vega.

Leonora é a noiva. Ama seu noivo mas dá a entender que no fundo, desconfia se ele é o cara certo para ela. Seus impulsos aos pensamentos de Lacan misturados ao seu gênio forte ficam claramente expostos em muitas cenas, principalmente quando começa a perder o controle da situação. Natalia Oreiro, a intérprete de Leonora, é um colírio para os olhos cinéfilos.

Daniel Hendler é Adrián Meier, o noivo. Rapaz muito atrapalhado que compromete todo o dia festivo (seu casamento, no caso) após um ato de tremenda ingenuidade. Conta com a ajuda de seus primos para recuperar o objeto precioso perdido (isso tudo durante a festa).

Longe das confusões que rolam no sítio aonde acontece a festança, um padre e um rabino estão à caminho da cerimônia, já que cada personagem quer a presença religiosa que são adeptos na hora de dizer o tão sonhado ‘sim’. Como se perdem no meio da estrada, um papo religioso longo é bastante cômico e provocativo ocorre entre os religiosos. É um dos pontos altos do longa, sem dúvidas!

O filme estréia por aqui no Brasil dia 16 de março. Diverte, mas sempre esperamos muita originalidade nas produções dos nossos hermanos, fato que não ocorre com essa fita.

Crítica do filme - ‘Meu Primeiro Casamento'

O novo trabalho do diretor Bertrand Bonello retrata os momentos glamurosos e a decadência de L'Apollonide, uma casa de prostituição que possui bastante popularidade entre os homens da França em 1899. O grande problema de filmes com essa temática é o diretor ‘perder a mão’ da produção e escandalizar com o corpo das atrizes e os enquadramentos em cena. Isso não ocorre nessa produção, não há nudez desnecessária nesse longa.

Com uma ótima música de abertura, somos apresentados a algumas mulheres que vivem nesse belo casarão. Fora as aventuras sexuais, muita bebida e histórias (das mais diversas e peculiares possíveis) são contadas ao longo dos 125 minutos de fita.

As mulheres são muito carinhosas umas com as outras, uma relação de irmandade é visto em cada cena. Entendemos um pouco melhor da vida dessas prostitutas, e sua posição na sociedade no final do século 19, com a chegada de uma jovem que mandou uma carta solicitando permissão para trabalhar no lugar. Através dos olhos de Pauline vamos entendendo como é o dia a dia da vida naquele lugar.

Gostos peculiares dos clientes ganham contornos cômicos em meio ao drama da fita. Alguns são viciados em Champagne e gostam de ter relações em uma banheira cheia dessa mesma bebida, outros gostam de encenar ter relações com uma boneca (nesse caso, a prostituta escolhida imita uma). E assim, elas vão se revezando e satisfazendo cada um dos amantes.

A personagem que se destaca é Medeleine (interpretado por Alice Barnole), que tem sua rotina quebrada por uma maldade que um de seus clientes fez (maldade à la Coringa do ‘Batman’, vejam o filme que vocês vão entender). A vingança vem com a ajuda de suas amigas e um animal feroz, já no desfecho do filme que tem o roteiro assinado pelo próprio diretor .

A narrativa lenta não agradará parte do público mas é um filme que possui uma trama que tenta envolver, ótimas atuações e uma direção quase impecável de Bonello. A partir de Fevereiro nos cinemas do Rio de Janeiro.

Crítica do filme - 'L'Apollonide - Os Amores da Casa de Tolerância'

Com um drama familiar repleto de bons personagens com um paraíso tropical como pano de fundo, Alexander Payne (‘Sideways’) comove o público com a história de um homem em busca de um recomeço após uma série de acontecimentos que mudarão sua vida e a de sua família para sempre.

Matt King é um homem com muitas decisões nas mãos. Vive no Havaí, sustenta sua família com seu trabalho de advogado e seu uniforme de trabalho é Short, chinelo e camisa florida. Tem uma vida que muita gente pede a Deus. Mas não é bem assim, a situação dele não é tão boa como parece: a mulher está internada, ele não consegue se entender com suas duas filhas, os primos o pressionam para vender as terras da família (de olho na bolada do negócio) e acaba descobrindo que a mulher estava em um caso extra-conjugal com o salsicha (personagem de trabalhos anterior do ator Matthew Lillard).

George Clooney tem uma atuação muito boa. Foi bastante elogiado por críticos de todo o mundo. Com esse personagem bastante real, comove e transporta o espectador para dentro da tela. Não sei se é o melhor trabalho dele mas está entre os grandes papéis do veterano ator com certeza. Ganha o Oscar com a cena de despedida à esposa na cama do hospital.

O relacionamento do personagem principal com suas duas filhas é péssimo. Não sabe ser mãe e acaba muitas vezes não sendo pai. A situação melhora com a inclusão de um personagem inesperado que dá um grande ritmo à trama. Sid é hilário. Acompanha a família em todos os lugares. Tem cenas impagáveis com o sogro de Matt King. Esse personagem é um ponto fundamental para o sucesso de público e crítica desse longa que é baseado no livro de Kaui Hart Hemmings. Méritos também para o jovem ator Nick Krause.

Alexander Payne sabe contar um drama comovente, sempre tem uma maneira de amarrar o público com suas doses de emoções cirúrgicas.  A história é narrada com a ajuda de um visual sensacional de um dos lugares mais bonitos dos EUA.

O ouvido cinéfilo é premiado com a participação super especial de Morgan Freeman já na subida dos créditos.

A partir do dia 27 de janeiro, o público se emocionará, se divertirá e sairá feliz das salas de cinema de todo o Brasil.

Crítica do filme - 'Os Descendentes'

A idéia era interessante: reunir personagens excêntricos em um ambiente pré golpe militar no Brasil. Porém, Mauro Lima (diretor de ‘Meu nome não é Johnny’) faz um filme com o qual é difícil se conectar. O longa, que tem o roteiro assinado pelo próprio diretor, tenta envolver o público através de diálogos com toques de comédia escancarada (fórmula que poucas vezes dá certo). Com uma trama que tem espiões, um locutor muito esquisito, militares e outros personagens curiosos reunidos em uma época onde a palavra ‘Comuna’ era de uso diário das autoridades, as melhores partes do filme acontecem mesmo nas excelentes conversas entre Selton Mello e Otavio Muller.

‘Reis e Ratos’ é um longa Noir Brasileiro. Filmado em apenas 17 dias, a fita em P&B é uma mistura de filmes do Leslie Nielsen com o ambiente Noir de pano de fundo - pena que o roteiro não ajuda muito o andamento da história. Na trama, em meio a um cenário político conturbado, alguns personagens são envolvidos em um clima de conspiração.

Gregório Duvivier e Marcelo Adnet aparecem logo nas cenas iniciais e o público já os projeta para mais algumas cenas ao longo da fita. Os dois humoristas oriundos do Stand Up Comedy são sempre adorados pela platéia - pena ter ficado só no pensamento uma presença mais marcante deles na história. A primeira participação de Seu Jorge no longa é sensacional. Uma entrada triunfal, vestido de mulher, e nos vocais, parecendo uma Whitney Houston à brasileira.

Selton Mello fala um português arranhado no filme (com algumas expressões em inglês embutidas). Interpreta Troy Somerset, um americano (espião da CIA) casado com uma brasileira, que adora conversas sobre cultura e joga na tela raciocínios hilários sobre o mundo em que vive. 

O personagem de Cauã Raymond se perde na história. Aos poucos o público vai se distanciando do entendimento e da necessidade dele para a história. O desfecho é o de um Viking Espadachim completamente insano que não agrega qualquer sentido à trama - já é o segundo longa nacional do ano em que aparece uma espada gigante (a la ‘Kill Bill’) sendo manipulada por um dos personagens.

Rafaela Mandelli combina com a atmosfera Noir. Suas expressões e seu jeito de conduzir Amélia Castanho se destacam, o que faz a personagem permanecer em evidência praticamente em todas as cenas.
Rodrigo Santoro aparece pouco em sua interpretação de Roni Rato, um vigarista, ex-cafetão e viciado, cuja importância para a trama beira a inexistência.

Vale destacar também Otavio Muller e seu Major Esdras que possui boas sequências com o personagem de Selton Mello, em cenas que chegam a ser um Oásis para o espectador.

Ou seja, pôde-se perceber que talvez a pressa tenha atrapalhado um pouco essa produção que estréia dia 17 de fevereiro em muitos cinemas no Brasil. E que não reste dúvida: filmar em pouco tempo é um risco! 

Crítica do filme - 'Reis e Ratos'

Com um roteiro bastante afiado (mesmo sendo um pouco complicado), assinado por Paul Schrader (um dos roteiristas do fantástico ‘Touro Indomável’), nos surpreendemos a cada cena, entre os bons diálogos que o personagem principal possui. A trama é envolvente, temperada com pitadas de clima Noir. Para dar vida ao protagonista, um veterano artista que sempre surpreende com seus personagens fantásticos, tornando essa fita um caso onde a interpretação chama mais atenção do que o filme propriamente dito.

A história é focada em Carter Page III que é uma espécie de playboy que tem como passatempo preferido acompanhar mulheres (com esposos importantes) na compra de um tapete ou simplesmente em partidas de baralho. Homossexual, vive em clima de romance com um paparazzi da cidade. Quando é envolvido em um caso de assassinato, exatamente por confiar demais em uma dessas mulheres que sempre está junto, tem que provar sua inocência custe o que custar.

Woody Harrelson praticamente toma ao filme para ele. Entre um diálogo melhor que o outro seu personagem, debochado por si só, rouba a cena sempre que aparece. O modo de falar e o jeito de se expressar são muito bem conduzidos pelo grande ator em cada tomada. ‘O Acompanhante’ é um dos melhores trabalhos do artista americano.

Kirsten Scott Thomas é a coadjuvante de luxo. Sempre faz a alegria de cinéfilos, com ótimas atuações em seus personagens enigmáticos e cheios de sentimentos guardados (na maioria dos casos). Dessa vez não é diferente, sua personagem Lynn Lockner possui a chave para o entendimento completo da história. Coloca o personagem de Harrelson em uma trama que não sabemos se é de propósito ou por defesa. É um grande conflito que é levado até o desfecho, bastante simbólico, da fita dirigida por Paul Schrader

É um longa que reúne ótimas atuações, esquecidas nos imensos acervos de algumas das melhores locadoras de sua cidade. Alugue e comprove! Recomendado!

Crítica do filme: 'O Acompanhante'

Em uma época onde a Informação é poder, Clint Eastwood constrói os caminhos para nos mostrar a vida e a mais importante realização do criador do FBI, J.Edgar Hoover. Aos poucos vamos andando pelos grandes fatos da história americana. Impulsivo e muitas vezes difícil de lidar, J.Edgar é interpretado por Leonardo DiCaprio. A obsessão pelo trabalho e as idéias criadas para o mesmo, além de outras características, mereciam ser adaptados para a telona. Mas será que valeu a pena?

Na trama, que conta com o roteiro de Dustin Lance Black (‘Milk’), mostra a longa trajetória do criador do Federal Bureau Investigation (FBI), J.Edgar Hoover, e os anos 48 anos de serviços prestados à órgãos federais americanos. Com o auxílio de lembranças, já que somos apresentados no início à um J.Edgar idoso e escrevendo sua biografia, percebemos o quão conturbada foi a vida desse homem. Quando o Sr. Tolson entra na história à trama ganha contornos emotivos e inesperados. Adepto de vitaminas após certa idade, encara difíceis perdas, e nesse ponto é onde o personagem mais cresce.

O foco do novo trabalho de Clint Eastwood era a vida pessoal desse complicado personagem. O grande ponto a se analisar, a partir dessa premissa é: Se o foco era esse, porque a trama parece ser tão superficial quando olhamos para a vida íntima dele?

É uma atuação muito segura e convincente de DiCaprio. O ‘veterano jovem ator’, pega com maestria os trejeitos e o modo de falar desse conturbado personagem da história americana. A personificação de sua mãe, vestido com as roupas daquela que foi sempre sua leal companheira é um momento marcante na história do personagem. Com repetidas frases de ódio ao acontecido, pronuncia sem parar “Eu mato tudo que amo”... Ali vemos que o artista cresce e se torna o grande ponto alto da interpretação do ator americano que já foi namorado da Top Model Gisele Bundchen.

O restante do elenco também esbanja competência nessa trama de altos e baixos.

Naomi Watts aparece bastante com sua Helen Gandy, tinha tudo para ser a mulher da vida do personagem título (se essa fosse a preferência dele), é leal e tem papel interessante no desfecho da trama. Judi Dench é a mãe de J.Edgar, Anna Marie Hoover, uma mulher recheada de princípios ligados à moral e os bons costumes, atrapalha bastante a mente conturbada de seu filho, é uma barreira para assumir sua homossexualidade. Armie Hammer divide com DiCaprio a maioria das cenas importantes dando vida ao Sr. Tolson e tem uma atuação bastante interessante (às vezes ofuscando o próprio protagonista), merecia ter sido lembrado nas premiações desse ano.

Mesmo com algumas observações, vale à pena conferir a trajetória marcante do homem que tinha o sonho de ter a eterna admiração do seu país. Dia 27 de janeiro na sala de cinema mais próxima de sua casa!

Crítica do filme - 'J.Edgar'


Após o ótimo 'Elsa e Fred', o diretor argentino Marcos Carnevale volta às telonas com um longa que fala sobre uma relação incomum que acontece por conta de uma tragédia. A temática familiar e toda as conseqüências de uma traição de anos é levado ao público de maneira, às vezes, pouco convincente.

Elena vive uma vida tumultuada gravando a todo instante, emendando um trabalho atrás do outro. Ela é documentarista, casada há anos e ama muito o marido. Quando o mesmo sofre um acidente, é conduzido ao hospital por uma outra mulher, Adela. Já sabendo que aqueles serão seus últimos momentos em vida, o marido pede à Elena uma coisa muito difícil, para que cuide da amante mais jovem dele. A partir daí uma relação dramática e de descobertas vai contornando a fita.

A relação entre as duas personagens centrais dessa trama é bastante peculiar. Elena (Graciela Borges) é uma cineasta documentarista e evita a presença da amante mais jovem de seu marido (logo após saber da existência dela), Adela (Valeria Bertuccelli), que em seu ponto de vista, tenta descobrir uma maneira de entrar na vida da esposa de seu grande amor e assim conhecer melhor a vida do homem por quem se apaixonou.

O filme possui alguns exageros, principalmente na parte dramática da história, e que muitas vezes fazem o público se distanciar da história. Aconselho a ver o filme sabendo que não é o melhor longa de Marcos Carnevale, nem a melhor fita Argentina que já se fora feita. A baixa expectativa pode fazer com que você curta esse trabalho.

É uma história que poderia ter sido melhor contada e encenada. Não ficará no meu top 20 de filmes argentinos do ano, tenho certeza.

Crítica do filme - 'Viúvas'

Com direito a muita Coca-Cola e Mc Lanche Feliz, David Fincher retorna ao comando de um longa metragem de forma magistral (seu último trabalho tinha sido ‘A Rede Social’), conseguindo reunir elementos que conseguem agregar sem mudar o foco da intrigante, envolvente e muito objetiva história de Stieg Larsson. Fincher consegue o improvável, criar um remake tão bom quanto à fita original sueca.

Na história, uma jovem desapareceu em uma ilha da Suécia, há mais de 30 anos atrás sem deixar rastros. Seu tio ainda pensa nela todos os dias e resolve reabrir a investigação e chama o jornalista investigativo Mikael Blomkvist para ser o encarregado por essa nova busca. Mikael está passando por um momento ruim, sendo processado por difamação e calúnia e como não tem muito mais a perder resolve aceitar o caso com o acordo de que iria conseguir provas para provar a verdade sobre o caso que está sendo processado. Como sozinho Mikael não consegue andar muitas casas, resolve procurar uma assistente para ajudá-lo a desvendar esse mistério. Aí que entra na história Lisbeth Salander, uma garota muito inteligente que sofre com um passado de tristezas e um presente de abusos por conta de ter a sua custódia vinculada ao Estado.  Juntos vão descobrindo aos poucos que a família da desaparecida é o centro de tudo.

A trama é grande e cheia de detalhes (O filme fica muito mais fácil de se entender, caso já tenha visto a versão original ou tenha lido o livro.), na primeira parte as histórias de Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander correm em paralelo mostrando a vida de cada um desses personagens e como esses dois destinos se juntam. Tudo é muito bem feito, sequencialmente em seu tempo. Méritos para o ótimo roteirista Steven Zaillian (que fez o roteiro do aclamado ‘A Lista de Schindler’). Nos momentos tensos a trama cresce, o desconforto que propõem algumas cenas dão espaço para o brilhantismo do diretor e seu elenco.

Todos os atores estão bem e elevam a qualidade da fita.

Lisbeth Salander é um dos personagens literários (que foram adaptados para às telonas) mais marcantes e interessantes de todos os tempos. Para essa difícil missão, que fora cumprido com maestria pela atriz sueca Noomi Rapace na primeira versão, David Fincher chamou a jovem de 26 anos, Rooney Mara. A escolha não poderia ter sido mais certeira. Desde os primeiros takes percebemos que Mara consegue pegar a essência de sua personagem além de deixar a sua marca em cada cena que participa. A jovem atriz americana foi indicada ao Globo de Ouro esse ano por esse trabalho e, senão fosse a grande concorrência desse ano, poderia facilmente figurar entre as cinco indicadas ao Oscar.

Christopher Plummer sempre muito bem, no desfecho da trama comove e emociona com os sentimentos verdadeiros de seu personagem (deve vencer o Oscar nesse ano pelo maravilhoso trabalho no filme ‘Toda Forma de Amor’).

Daniel Craig, o atual James Bond, não inventa muito na pele do personagem principal Mikael Blomkvist. Faz aquele famoso ‘feijão com arroz’ e não compromete em nenhum momento. Tinha que mostrar ao público um pouco de paixão pela arte após a péssima atuação como Will Atenton, no tenebroso ‘A Casa dos Sonhos’ de Jim Sheridan.

Com uma abertura sensacional e uma trama que se conecta com o público ao longo dos 158 minutos de duração, ‘Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres’, é um prato cheio para os amantes da sétima arte! Dia 27 de janeiro, corra para o cinema e descubra o final dessa história!

Crítica do filme - 'Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres'

O representante da Finlândia, na tentativa de conseguir uma vaguinha no Oscar, trás um tema que já vimos nas salas de cinema esse ano, a problemática da imigração. Reunindo um elenco experiente e com uma condução do diretor finlandês Aki Kaurismäki bastante interessante, ‘O Porto’ tem muitas chances de ser indicado ao Oscar esse ano.

Na história, Marcel Marx um homem na faixa dos 60 anos de idade, vive uma vida simples trabalhando como engraxate, mora com sua mulher e sua cadelinha Laila. Sua pacata vida muda completamente com a chegada de Idrissa, um jovem imigrante ilegal que está precisando de ajuda para fugir da polícia que está atrás dele. Marcel e seus vizinhos decidem ajudá-lo a encontrar um familiar que mora em outro país e para isso enfrentam a força policial e o Comissário Monet que está encarregado do caso.

Uma relação paternal é vista pelos espectadores desde o início. Entre um cigarro e outro, o personagem principal dá a impressão de não se importar com o mundo até a chegada de Idrissa. Essa relação realmente muda essa primeira impressão. O longa é muito parecido, sua trama, com a produção italiana (que também tenta uma vaga entre os cinco filmes no Oscar deste ano) ‘Terraferma’.

O Comissário Monet é o personagem mais intrigante de toda a trama. Ele fica com um abacaxi para descascar quando o prefeito da cidade pede para ele ser o encarregado em achar o imigrante que fugiu do contêiner. Não sabemos se ele vai ou não ajudar em algum momento, deixando todos surpresos com o papel dele no desfecho da história. É uma ótima interpretação do ator francês Jean-Pierre Darroussin.

Mais nem tudo são flores, a lentidão e um certo vazio em algumas sequências podem atrapalhar a interação com o espectador.

É um prato cheio para todos que curtem os filmes denominados ‘cults’ e esse vem com uma novidade, um Rock and Roll idoso sensacional. Corra e confira! Dia 20 de janeiro nos cinemas!

Crítica do filme - 'O Porto'

Com uma simpática trama e personagens carismáticos, o diretor ___ apresenta seu novo trabalho, ‘As Mulheres do Sexto Andar’. Contando com mais uma ótima atuação do veterano ator francês Fabrice Luchini (‘Confidências Muito Íntimas’), essa grata surpresa da terra dos perfumes vai fazer muito sucesso nos nossos cinemas a partir do dia 30 de janeiro.

Um homem de meia idade e sua ‘madame’ moram com os filhos em Paris, no início da década de 60. O casal mora em um prédio onde no sexto andar dormem todas as empregadas domésticas da vizinhança. Quando mandam a sua empregada (de anos na família) embora, resolvem contratar uma mais nova, recém chegada, de origem espanhola. Assim, um mundo novo começa a aparecer para o personagem principal desta história.

O personagem principal, Jean-Louis Jouberté é um homem detalhista e muito tradicional, infernizou a vida das duas empregas que teve para ter um ovo quente perfeito, segundo ele: “Um ovo perfeito e o dia será muito bom”. Exageros à parte, aos poucos, vai começando a entender melhor o drama daquelas mulheres que trabalham muito e nunca faltam ao serviço, que moram no mesmo prédio dele e o mesmo nem sabia. A cada novo drama com alguma delas, o agora bondoso e bem visto senhor ajuda a superar todos os problemas. Até na hora de investir o dinheiro, o economista faz com que todas entendam sobre o assunto e sejam ferrenhas leitoras das colunas financeiras dos jornais. Dança, canta e se apaixona e percebe que a felicidade estava mais perto do que imaginava.

‘O biquíni de bolinha amarelinho tão pequenininho de Ana Maria’ (em versão francesa, obviamente) é pano de fundo para uma cena bem legal logo no primeiro dia de trabalho da carismática Maria. A ótima trilha do longa é assinada pela chileno Jorge Arriagada.

Recomendo com louvor essa fita francesa animada e divertida, afinal, todos nós precisamos encontrar um sexto andar! 

Crítica do filme - 'As Mulheres do Sexto Andar'

Você já parou para pensar sobre o sentido de sua vida? O novo trabalho do diretor Afonso Poyart nos faz refletir sobre a sociedade e as conseqüências de nossos atos, através de seu personagem principal que possui um plano mirabolante para matar dois coelhos com uma cajadada só. Contornando a rota de colisão entre corruptos e criminosos, o longa aborda uma temática atual e possui muitos efeitos nas suas sequências de ação, com direito a cenas à laSucker Punch’ e outros filmes do gênero.

Na trama, um justiceiro nerd (Edgar, interpretado por Fernando Alves Pinto) elabora um plano nada trivial para acabar com bandidos e profissionais corruptos utilizando muita tecnologia. Aos poucos, vemos seus segredos sendo revelados montando assim um quebra-cabeça engenhoso, com um final surpreendente.

O roteiro boomerang tenta deixar todas as lacunas preenchidas, uma pena que chega a ser confuso em determinados momentos. A história vai se formando aos poucos, é muita informação no início do filme, isso atrapalha a ligação com o espectador.

Os personagens que contam essa história são bem ecléticos.

Francisco Alves Pinto tem a missão de dar vida à Edgar, nerd desde os tempos da escola, altamente ligado em vídeo-games e tecnologia. Conforme vamos conhecendo-o percebemos que um ato errado no passado pode mudar todo o sentido de sua vida.  Tem uma relação bastante próxima com todos os personagens da trama.

A personagem Júlia (Alessandra Negrini) é bastante referenciada. Promotora duvidosa, ‘Portadora’ da Síndrome do Pânico, faz uso de medicamentos fortes (sim, aquele remedinho bem famoso é citado em uma das cenas), está grávida e conhece o personagem principal num consultório médico.

Como toda boa trama de ação tem que ter um vilão competente, nesse caso a responsabilidade fica com Marat Descartes (que fez o ótimo ‘Trabalhar Cansa’) que interpreta Maicom, bandido cruel que adora perturbar suas vítimas com uma espada (bem parecida com aquele de ‘Kill Bill’). Completa o vértice do triângulo amoroso que se forma.

O trailer dessa produção rodou pela internet e agradou à muitos cinéfilos, fato que gera grandes expectativas. Isso, às vezes, pode se tornar uma coisa negativa se a fita não corresponder às expectativas que cada um criou. O filme também abusa dos efeitos. O grande barato dessa produção são as técnicas utilizadas na hora da ação, porém, como isso vira prática freqüente durante os 108 minutos de fita algumas pessoas podem sentir-se incomodadas. Exageros à parte... Vale pela originalidade.

Muito bom conhecermos novas idéias e diretores que seguem uma convicção, que acreditam ser o ideal para contar uma boa história.

Uma trama original e um desfecho explosivo aguardam o público nos cinemas a partir do dia 30 de janeiro.  

Dois Coelhos - Crítica de filme

Contato

Como está sua sede de aventura? Com uma história muito divertida, repleta de cenas de ação e peripécia, o diretor Steven Spielberg chega com uma das melhores animações de todos os tempos. Baseado na obra de Hergé, o personagem título é um simpático repórter que tem em seu ofício ir atrás de uma boa história. Repleto de figuras cativantes, ‘As Aventuras de Tintin – O Segredo de Licorne’, é um longa indicado para todas as idades.

Na trama, nosso ruivo e topetudo amigo é envolvido numa história de mistério e ação atrás de um dos maiores segredos da história. Para ter êxito nessa ‘caça ao tesouro’ conta com a ajuda de seu cãozinho Milu e do famoso Capitão Haddock. Enfrentando aviões desgovernados, uma longa caminhada no deserto e muitos perigos em um barco em alto mar, Tintin e sua turma precisam deter o inimigo da vez, Sakharine.

Na abertura já percebemos que teremos duas horas de muita diversão - é de tirar o fôlego! A produção milionária lançou mão de trajes com pontos eletrônicos para reproduzir os movimentos dos atores nos personagens digitais. O elenco conta com nomes conhecidos do grande público: o jovem Jamie Bell, que tem a responsabilidade de dar vida a Tintin, assim como Andy Serkis, Daniel Craig e Simon Pegg, que contribuem positivamente para a obra se tornar única entre as animações.

O longa impressiona pela qualidade: cada detalhe é muito bem feito, tornando impressionante o que vemos em cena. Além disso, o público que for ao cinema será contemplado com uma trilha sonora fantástica, do sempre brilhante John Williams.

Liguem os motores, virem a estibordo... O show vai começar! Dia 20 de janeiro nas salas de todo o Brasil. Embarque nessa aventura!




As Aventuras de Tintin – O Segredo de Licorne

Na história escrita por Greg Latter, a ficção e os fatos reais se misturam num clima literário e romântico. Com uma fotografia muito elogiada pela crítica e uma alta aceitação dos cinéfilos, ‘Borboletas Negras’ é aquele tipo de filme que todo mundo quer ver.

A trama conta a vida de uma Sul-Africana, com muitos problemas, que em seus momentos de lucidez é uma escritora muito famosa. Tem um relacionamento muito difícil com o pai (Abraham Jonker, muito bem interpretado pelo sumido Rutger Hauer), que começou a criação dela após a internação seguida de falecimento da mãe. Após ser salva no mar, bem no início do longa, começa um relacionamento com um escritor também muito famoso e juntos enfrentam os movimentos políticos da época, a bebida, o desejo sexual e a loucura que vão tomando conta da personagem principal de maneira intensa.

O longa dirigido pela cineasta Paula van der Oest é um drama carregado com base histórica. Em certos momentos a personagem principal, uma mulher muito a frente de seu tempo, perde um pouco de credibilidade com o público por conta dos seus atos. Com tantos problemas jogados na tela, o desfecho é eminente. É uma intensa, grandiosa e difícil atuação, méritos para a atriz Carice van Houten. Liam Cunningham faz Jack Cope, o amor da vida da jovem escritora. Faz de tudo para ajudá-la, até mesmo quando é abertamente prejudicado pelos atos impensáveis de Ingrid. É um amor de cinema, que eles vivem intensamente nas pouco mais de uma hora e meia de fita.

Com um orçamento que girou em torno de um milhão e duzentos mil dólares, a produção teve locações na Alemanha, na Holanda e na África do Sul. A beleza nas imagens se torna um dos pontos altos desse trabalho, tudo é muito bonito em cena.

Recomendado para aqueles que gostam de um bom filme do gênero drama.

Borboletas Negras - Crítica

Até onde você iria para proteger seu filho? O filme de Erick Zonca, ‘Julia’, analisa essa questão de maneira invertida e coloca uma mulher, longe de ser a mulher mais perfeita do mundo, em uma situação onde sentimentos inexistentes nascem da maneira mais humana que existe, através do amor. A irresponsabilidade dos atos a levam num caminho árduo, tendo que superar obstáculos que ela mesma criou.

Julia é uma mulher amargurada pela vida. Busca compensação se divertindo, indo sempre muito arrumada aos bares populares e dormindo com homens que mal conhece. Vive a vida de maneira inconsequente, nutrindo cada dia que passa seu vício pelo álcool. Sem família e demitida do emprego, tem em seu único porto seguro a amizade com Mitc (Saul Rubinek), um homem também machucado por traumas que a bebida fez com seu passado. Aconselhada por esse amigo, Julia vai ao encontro dos Alcoólicos Anônimos e lá conhece uma jovem mexicana que a envolve numa história de seqüestro, roubo e muito drama, à procura de uma criança.

O longa consegue prender o espectador, mudando de foco a cada instante, provocando a análise dos diferentes prismas de um seqüestro. O comportamento da personagem principal (que dá nome a fita) é bastante polêmico e totalmente à margem de conseqüências. De Drama, a produção vira Thriller e, nesse ritmo alucinante imposto, o espectador não tira os olhos da telona. Com mais de duas horas e vinte de duração, algumas vezes vemos cenas desnecessárias, mas nada que incomode muito o público.

O grande destaque é para mais uma brilhante atuação da atriz Tilda Swinton. Impressionante o alcance emocional que consegue chegar com seus personagens, intensa e eletrizante nessa produção. Vale a pena ver todos os filmes dessa exuberante artista.

Altamente recomendado aos cinéfilos que gostam de filmes com muitas surpresas.


Julia

A grande virtude da humanidade é seguir em frente, haja o que houver. Com um raciocínio parecido com esse, o novo trabalho do diretor David Mackenzie explora ao extremo a maioria dos nossos sentidos, sob a ótica do amor. O comovente drama é um filme bastante original que leva o espectador a pensar em cima de tudo aquilo que está ocorrendo no planeta.

Na trama, uma cientista especialista em epidemias e um chef de cozinha (ambos vivendo na Inglaterra) começam a escrever uma história de amor após os traumas no passado de cada um deles. Porém, como prova dessa união, enfrentarão uma epidemia de escala global: as pessoas estão perdendo, um por um, os sentidos levando todos ao colapso de suas emoções. Será que esse amor é mais forte que tudo?

O ‘aprender a viver’ sob novas condições é o grande ponto de debate do filme escrito por Kim Fupz Aakeson. O primeiro sentido que se perde é o olfato, depois o paladar e os personagens ficam sem saber o que fazer. Alguns pensam positivamente, outros abandonam totalmente a ‘normalidade urbana’, um verdadeiro caos é montado em muitas cidades. Como Darwin falava em seus textos em séculos passados: Somente os mais fortes vão sobreviver. Mas será que há sobrevivência em um mundo sem sentido, literalmente falando?

Acompanhamos a história sob a ótica dos amantes Michael e Susan (Ewan McGregor e Eva Green). Assim que perdem o primeiro dos sentidos, mudanças ocorrem nas suas vidas. Oportunidades de conhecer novas coisas também, a cena na banheira onde comem creme de barbear e um sabonete exemplifica bem essa teoria. Conforme a raiva (sentimento que é uma espécie de interseção entre as perdas de sentido) chega, o casal apaixonado sabe que mais um sentido foi perdido e tem que recomeçar de novo, aprendendo novas maneiras de se viver.

A reflexão quando termina a fita é a prova que o filme toca em pontos importantes e de tamanho interesse pelo público. Não deixem de conferir a saga amorosa desses dois corações, aprendendo a viver num mundo sem sentido.


Crítica do filme: 'Sentidos do Amor'

“Leve-me para a lua e Deixe-me brincar entre as estrelas, deixe-me ver como é a primavera, em Júpiter e Marte...” Quem de nós, meros mortais, já não sonhamos em voar até a lua? O longa de Lasse Hallstrom (diretor também do excelente ‘Regras da Vida’) nos aproxima dessa experiência ao som de uma canção muito famosa que se torna o grande destaque do filme. As confusões aprontadas por Sam são interpretadas de maneiras distintas pelo público, alguns entendem outros não.

Na trama, uma jovem sonhadora vai em busca de uma nova oportunidade de trabalho numa cidade longe de sua família. Como é muito ligada aos pais, se sente muito solitária no começo, até conhecer Sam, um homem mais velho e com ele viver uma intensa e divertida história de amor. No começo as experiências são positivas mas a peculiaridade de como Sam vive sua vida geram graves problemas de relacionamento com a família de sua noiva.

O grande ponto que o filme toca é o relacionamento familiar e a chegada desse novo membro à família. Muitos atritos, oriundos principalmente da ‘demasia do agrado’ imposta pelo novo genro, e confusões ganham contornos muitas vezes dramáticos. O longa escrito por Malia Scotch Marmo diverte e emociona ao mesmo tempo. O engraçado, para quem não leu a sinopse, é que o rumo da história em muitos momentos parece que será outro. O personagem excêntrico de Richard Dreyfuss gera uma certa incógnita durante boa parte dos 100 minutos de duração da fita.

Com um ótimo elenco e uma história cheia de amor e sentimentos, que giram ao redor de relacionamentos em tons de comédia e drama, ‘Meu Querido Intruso’ agrada a qualquer tipo de público. É uma ótima dica para alugar na locadora mais próxima!
  

Meu Querido Intruso

Hoje falaremos de um dos atores mais queridos pelos cinéfilos mundo à fora. Dono de uma técnica cênica bastante peculiar consegue fazer o público se identificar com seus personagens com uma facilidade impressionante. É defensor da legalização do uso da maconha e é militante em causas ecológicas, apoiando alguns grupos ambientalistas. Estamos falando do ator texano, Woddy Harrelson.

Woody nasceu em Midland, no Texas no final do mês de junho, no ano de 1961. Seu pai, Charles Harrelson Voyde, era um assassino de aluguel que foi preso pelo assassinato do juiz federal John H. Wood. Sendo condenado tempo depois, morreu durante a sua sentença de prisão perpétua. Que doideira não é mesmo pessoal? Daria um belo roteiro de filme essa história, não acham?

Em 1973 se mudou com sua mãe e seus irmãos para a cidade de Ohio. Estudou, viveu a adolescência e trabalhou em um parque de diversões. Em 1983 se tornou bacharel em Artes Cênicas e Inglês.
Seu primeiro trabalho de expressão na Tv foi no seriado ‘Cheers’, Sitcom americano que durou mais de 10 temporadas e revelou alguns atores para o cinema. Durante o tempo em que estivera trabalhando em ‘Cheers’, Harrelson começou a buscar uma carreira no mundo cinema. Seu primeiro trabalho foi há 25 anos atrás, em ‘Wildcats’, uma comédia de futebol que é do ano de 1986, onde contracenou com a famosa atriz Goldie Hawn. Após esse trabalho, fez seis filmes ‘Made for Tv’ até assinar para fazer o personagem Hank Gordon em ‘Dr. Hollywood’, comédia estrelado por Michael J. Fox.

Conforme o tempo ia passando, Woody Harrelson foi começando a fazer muitas amizades no mundo do cinema. Harrelson se tornou amigo de Wesley Snipes e em 1992 estrelaram o sucesso de bilheteria 'Homens Brancos Não Sabem Enterrar'. A comédia mostra a rivalidade entre brancos e negros nas quadras de basquete de Los Angeles. Até que uma dupla de jogadores (Woody Harrelson e Wesley Snipes) começa a aplicar vários truques durante as partidas. O longa rendeu muita visibilidade ao artista e a carreira no mundo cinematográfico estava começando a decolar. Logo depois da comédia de sucesso, em 1993, foi convidado para ser o par romântico de Demi Moore no filme ‘Proposta Indecente’. O público gostou mais a crítica caiu em cima do ator que até ganhou o indesejável Framboesa de Ouro na categoria ator coadjuvante.

O bacharel em artes não se abateu com as críticas e emendou 3 filmes no ano de 1994. O último deles, dirigido por Oliver Stone, se tornaria um marco em sua carreira, ‘Assassinos por Natureza’. A harmonia com Juliette Lewis em cena era demais, na história que falava sobre um casal altamente violento que rodou várias cidades fazendo dezenas de vítimas e virando assim atração da mídia sensacionalista. Um filme que vale a pena ser conferido pelos cinéfilos!

No ano seguinte voltou com a parceria com seu amigo Wesley Snipes e juntos protagonizaram mais um sucesso de bilheteria, ‘Assalto Sobre Trilhos’, filme que também tinha Jennifer Lopez no elenco.
Mas para Harrelson ser um astro de Hollywood, uma grande interpretação deveria fazer parte de seu currículo.  Dois anos mais tarde, sua obra-prima estava prestes a ser contemplada, o polêmico e eletrizante ‘O Povo Contra Larry Flint’. No filme, que é o melhor da carreira desse ótimo ator, Woody interpretou Larry Flint, homem que tornou a pornografia explícita de sua revista (Hustler) nos EUA dos anos 70. Esse filme cinéfilos, é pra ter na sua cabeceira! Até hoje não se sabe porque ele não venceu o Oscar daquele ano.
Indo para frente com sua carreira, após o grandioso sucesso de 1996, o ator fez bons filmes como: ‘Welcome to Sarajevo’, ‘Mera Coincidência’, ‘Crime em Palmetto’, ‘Além da Linha Vermelha’, ‘Ed TV’, ‘Tratamento de Choque’, ‘Onde os Fracos não Têm Vez’, ‘Sete Vidas’ e muitos outros.
Em 2009 voltou a figurar no gosto cinéfilo!  Concorreu ao Oscar por sua excelente interpretação no filme de Oren Moverman, ‘O Mensageiro’. Interpretou um maluco com pinta de super-herói no aclamado pelo público ‘Defendor’. Ainda, para fechar o ano com muito estilo, deu vida ao ótimo personagem Tallahassee no filme adorado por todos, ‘Zumbilândia’.

No ano passado (2011) estrelou o longa ‘Rampart’ (ainda não lançado no Brasil) que conta a história do veterano policial Dave Brown (Woody Harrelson), o último dos policiais renegados, que trabalha para cuidar de sua família, e luta pela sua própria sobrevivência. Esse é um filme aguardado por todos, mais uma explosiva atuação de Harrelson, não resta dúvidas.

Em 2012 será lançado o último filme que participou, ‘Jogos Vorazes’, longa que gera tremenda ansiedade dos cinéfilos por todo o planeta. O roteiro adaptado do livro de Suzanne Collins se passa em um futuro apocalíptico, onde dois adolescentes precisam competir em um reality show de sobrevivência.

É Aguardar para conferir!

Woddy Harrelson! Ator que sempre consegue fazer o público se identificar com seus personagens


O criador e único membro deste blog chama-se Raphael Camacho, analista de sistemas, economista, jornalista morador do Rio de Janeiro, tem 26 anos. Cinéfilo desde que se conhece por gente, tem esse blog a mais de três anos onde publica quase que diariamente.

Atualmente escreve sobre a sétima arte em algumas editorias de cinema na internet: Cinepop, Cinema.com.br, Salada de Cinema, Portal Plus TV, Infoco News e Revista Gypsy. Além de ter uma coluna mensal na revista da PUC-RJ (‘Pilotis’, até a presente data), ainda é colunista do Jornal ‘Folha Zona Sul’ e da Revista ‘Básica’. Publicou dois livros sobre a sétima arte: ‘Guia do Cinéfilo – Volume 1’ e ‘2’, respectivamente. Vendeu os dois volumes, todas as cópias, pela internet usando o grande volume de pessoas que o seguem nas redes sociais (mais precisamente: Twitter e Facebook).

Totalmente viciado em cinema europeu e asiático. Fã de David Lynch, Alexander Sokurov, Christopher Nolan, Darren Aronofsky e Gus Van Sant.

Entre seus preferidos: 'Um Sonho de Liberdade', 'A Vida Secreta das Palavras', 'A Regra do Jogo', 'Corações Livres', 'Um Lugar ao Sol', 'A Arca Russa', 'Veludo Azul', 'Brothers', 'Crepúsculo dos Deuses', 'Ben-Hur' e muitos outros.

Sobre

Rio de Janeiro, 02:42, do dia 04/01/12 - Hoje após perder o sono vim aqui humildemente fazer o que mais gosto nessa vida que é escrever sobre cinema. Vagando pela madrugada à dentro e pensando sobre o quê falar, um post no Facebook de um amigo, me deu à luz que eu precisava. As linhas abaixo demonstram o porquê que o cinema dinamarquês é sempre vivo nas memórias de nós cinéfilos.  


O dinamarquês Nicolas Winding Refn é um nome ainda um pouco conhecido pelo grande público, que freqüentam as salas de cinema de todo o mundo. Seus filmes são diferentes, possuem alma, paixão e um propósito como visão única para a violência.  Refn nasceu em Copenhagen no início da década de 70 e se mudou com menos de 10 anos para Nova York, lá viveu até antes dos 18, quando voltou para a terra natal para terminar o ensino médio.

Quando se formou, voltou à famosa cidade americana aonde tinha vivido e um episódio bastante peculiar marcou para sempre a vida desse jovem cineasta: Quando freqüentava a Academia Americana de Artes Dramáticas, Refn, simplesmente jogou uma mesa em uma parede da sala de aula e foi expulso da Academia (sinistro, né?). Após esse lamentável episódio, voltou para a Dinamarca.

Com a chance de um curta-metragem de sua autoria passar numa Tv à Cabo Local, o talento tinha sido descoberto, pouco tempo depois Nicolas Winding Refn escrevia sua obra-prima, o violento ‘Pusher’. O filme que fala sobre o submundo do crime em Copenhagen (e acabou se tornando a primeira parte de uma trilogia) ganhou fama no mundo todo e Nicolas começou a ser chamado para outros projetos. Alguns anos depois, estreou em Sundance seu novo filme ‘Medo X’, que tinha no elenco o grande ator americano John Turturro e que conta a história de um homem que por meio de visões vai chegando à solução do misterioso assassinato da esposa.

Após mais esse sucesso, em apenas dois anos conseguiu escrever, dirigir e produzir as duas seqüências para ‘Pusher’, Pusher II (2004) e Pusher 3 (2005).

Em 2008, quando os fãs já estavam carentes de sua genialidade, Refn lança o aclamado ‘Bronson’, com o até aquele momento desconhecido ator Tom Hardy. Esse filme cinéfilos, é um daqueles que vocês precisam ver, comprar e colocar na cabeceira. Na trama surreal, criada pelo genial artista dinamarquês, um homem bem ‘cabeça-quente’ assalta uma agência dos correios e é preso, sendo condenado a mais de 7 anos de prisão, mas acaba cumprindo uma pena mais de três vezes superior (e a maior parte do tempo trancado na solitária) e nessa loucura um alter-ego é criado, Charles Bronson. Reza a lenda que Tom Hardy (que veríamos depois em ‘A Origem’) teve que fazer 2.500 flexões por dia, durante cinco semanas, para fazer o papel.

Após o estrondoso sucesso de ‘Bronson’, Refn faz o seu filme mais fraco (na opinião de quem vos escreve), ‘Valhalla Rising’ (2009) (sem tradução para o português) , que tem no elenco o famoso ator conterrâneo de Nicolas, Mads Mikkelsen. A trama fala sobre um escravo mudo, cego de um olho e com força sobrenatural que tenta fugir de um grupo que o dominava. Como vocês perceberam a história não é, digamos, das mais chamativas.

Depois desse último trabalho, parte dos cinéfilos começavam a ficar desconfiados. Será que a criatividade acabou? Bem, a volta por cima não poderia ser melhor. No ano passado (2011) nosso amigo dinamarquês, agora com quase 42 anos lança o sensacional ‘Drive’. O longa que tem como protagonista Ryan Gosling (que dá um show no filme) entrou em cartaz e rapidamente alcançou ótimas críticas e saudosos comentários do grande público. Na trama, um jovem que é dublê, mecânico e à noite faz trabalhos como motorista de assaltos diversos, se aproxima de sua vizinha e começa a fazer parte de sua vida. Com a saída do marido da mesma da prisão, o personagem principal do drama tem que ajudar o rapaz (e ao mesmo tempo sua nova amiga) em um roubo que pode não sair como planejado, levando todas as conseqüências à um desfecho vingativo. Um trabalho único, que merece aplausos de pé.

E no futuro? O que podemos esperar? O próximo projeto de Refn será mais um em parceria com Ryan Gosling. ‘Only God Forgives’ (que está em Pré-produção) contará a história de um tenente da polícia e um gangster resolvendo suas diferenças em uma partida de boxe tailandês. O elenco também conta com a presença da ótima Kristin Scott Thomas

É aguardar e conferir!

O Cinema Genial de Nicolas Winding Refn! Viva a Dinamarca! Viva o Cinema!

Preparem as gargalhadas e o fôlego, o detetive mais famoso do mundo literário está de volta às telonas, para delírio de fanáticos pelas grandes histórias de mistério que o mesmo enfrenta. O longa começa a ‘200 km/h’ e não perde esse ritmo em nenhum momento. Com uma fórmula objetiva de manter tudo que deu certo no primeiro filme e utilizar da criatividade para apresentar novos elementos, o diretor inglês Guy Ritchie, conta ainda com a ótima harmonia em cena de Robert Downey Jr. e Jude Law.

As vésperas do seu casamento, o Dr. Watson se junta ao seu fiel amigo Holmes e ambos embarcam em mais uma aventura recheada de cenas de ação contra uma mente tão brilhante quanto o célebre personagem de Conan Doyle. Entre Goulash de Ouriços, lutas calculadas e experiências químicas no pobre Gladstone, Holmes e Cia rodam a Europa enfrentando o mais difícil dos inimigos, o Professor Moriarty (interpretado pelo competente Jared Harris), um matemático brilhante que deseja criar um colapso na civilização ocidental.

Aproveitando a deixa do primeiro longa, Guy Ritchie e sua câmera frenética levam o espectador para dentro do espetáculo. A sequência de ação na floresta, já no desfecho da trama, é de tirar o fôlego. O famoso diretor consegue realizar um filme ainda melhor que o primeiro.

Em ‘O Jogo das Sombras’, Downey Jr. e seu modo único de interpretação, novamente convence o público com uma atuação de se tirar o chapéu. O veterano artista Nova-Iorquino consegue explorar muito bem a maldição de Holmes, ‘a arte de observar’. Arranca risos freqüentes da platéia e rouba a cena sempre que aparece. O ator americano está chegando ao Brasil na próxima semana para participar da pré-estréia brasileira do longa, que ocorrerá em um cinema na zona sul do Rio de Janeiro.
Em relação ao roteiro, o longa deixa a desejar nas resoluções dos mistérios. Tudo é resolvido trivialmente e acaba sendo um ponto negativo nessa mega produção. Faltou uma maior interação com o público nesse aspecto.

Com um final instigante e muito engraçado, ‘Sherlock Holmes – O Jogo das Sombras’, deve agradar aos cinéfilos. O filme estréia por aqui no dia 13 de janeiro e com certeza levará um grande público para as salas de cinema de todo o Brasil.

Não deixem de conferir mais uma divertida historia do clássico personagem!


Sherlock Holmes – O Jogo das Sombras

A apresentação do sentimento mais puro que temos, para duas pessoas longe da normalidade, é feita de maneira bem recheada com açúcar, nessa simpática fita francesa. Na emocional história dirigida por Jean-Pierre Améris, que promete agradar a muitos cinéfilos, o mundo dos doces volta a ser tema de uma comédia romântica.

Uma moça com um dom de criar maravilhas de sobremesas através do chocolate e um gerente de uma fábrica com dificuldades. Duas almas perturbadas por uma série de conflitos emocionais. Como unir esses dois corações? O amor está presente em cada calda, cobertura, pedaço do filme e a maneira como chegamos até a união desse casal é a grande sacada do longa escrito por Jean-Pierre Améris e Philippe Blasband.

Uma fábrica de chocolates, que anda mal das pernas, contrata uma jovem muito simpática para ser a nova consultora de vendas. Por trás de toda essa simpatia esconde-se uma pessoa que sabe lidar pouco com as tensões da vida. Aos poucos essa nova consultora vai se relacionando, de forma bem peculiar, com o gerente da fábrica. Assim, nasce um amor onde todos se entendem e ninguém se compreende. Ambos utilizam o auxílio de terceiros para resolverem seus conflitos internos: ela é integrante dos Emotivos Anônimos e ele desabafa todos os seus traumas com seu psicólogo. O amor vai nascendo da maneira mais singela. As neuroses, por serem semelhantes, vão encurtando os obstáculos do amor.

Um filme curto (aproximadamente 71 minutos) com ótimos diálogos que você deve assistir! 

Românticos Anônimos - Crítica de Cinema

O novo trabalho de Lynne Ramsay é um daqueles filmes que precisam ser vistos pelos amantes da sétima arte. Um relato aterrorizante sobre o relacionamento entre mãe e filho que deve figurar com algumas menções nas premiações que o sucedem.

Na história, baseada no livro Lionel Shriver, somos apresentados (logo nas primeiras cenas) à Eva Khatchadourian, aparentemente atormentada por algum acontecimento no passado. Se escondendo e muito mal tratada nas ruas por onde passa, têm sua casa toda pintada de vermelho. Conforme os minutos vão passando, começamos a interagir com determinadas fases da vida dessa mulher e aos poucos pelos olhos dessa angustiada personagem descobrimos os acontecimentos que a levaram a tal situação. A cada segundo que passa, o espectador se pergunta: O que aconteceu com a família daquela mulher?

O longa demora um pouco para acontecer, nós cinéfilos, jornalistas e estudantes da sétima arte sabemos que demora em média uns 20 minutos para o filme apresentar sua história e o espectador começar a se envolver com o que ocorre em cena. Esse atraso na relação com público pode incomodar algumas pessoas, então, para essas, peço que aguardem e dêem uma chance a essa trama.

Eva é uma solitária e amargurada mulher, luta para conseguir um emprego e não tem vida social, mora numa casa simples e aparentemente não tem família nem amigos. O motivo de viver assim vem do seu passado, da época em que foi casada com Franklin (interpretado por John C. Reilly) com quem teve duas crianças, um menino e uma menina. O filme foca basicamente no relacionamento de Eva e seu primogênito Kevin (interpretado de maneira espetacular por Ezra Miller e Jasper Newell) . É um relacionamento extremamente desgastante entre mãe e filho, desde a infância. Após tantos episódios de desentendimentos paternais a eminência não era positiva mas o desfecho dessa relação é mais perturbador do que todos imaginávamos.

Tilda Swinton tem uma atuação fabulosa e marcante. Não é de hoje que a vemos interpretar com bastante firmeza personagens carregados de emoções e com altos graus de dificuldade. Com certeza, por mais esse excelente trabalho, seu nome estará na lista das indicadas ao próximo Oscar na categoria Melhor Atriz.

Com ótimas questões levantadas, esse novo longa é mais que um simples drama, é uma chance para mais debates sobre educação entre pais e professores. O quanto de culpa uma mãe tem na educação de um filho? Essa pergunta envolve o público já em seu final e deve ser tema de muitos desses debates que vão haver.

Não deixe de conferir essa fita de quase duas horas que conta com ótimas atuações e uma história que incomoda mas precisa ser vista.

Precisamos Falar Sobre o Kevin - Crítica do Filme