A adversidade é um trampolim para a maturidade. Sabe aquele tipo de filme que tinha tudo para dar certo mas quando acaba a projeção percebemos que algumas coisas faltaram? London Town pode ser resumido assim. Dirigido pelo cineasta alemão Derrick Borte (do peculiar filme Amor por Contrato, protagonizado por Demi Moore e David Duchovny), o longa metragem que estreou no Festival de Los Angeles desse ano (e sem previsão de estreia no Brasil) conta a história da ebulição cultural e musical de uma Londres da década de 70 aos olhos de um jovem que precisa amadurecer rapidamente para lidar com sua vida conturbada. Jonathan Rhys Meyers interpreta o lendário Joe Strummer vocalista e guitarrista turco da banda The Clash, muito pouco aproveitado pelo roteiro.

Na trama, conhecemos o jovem de 15 anos, Shay (Daniel Huttlestone), um rapazinho que ajuda seu pai Nick (Dougray Scott) em uma loja de reparos de pianos e em casa cuidando de sua irmã mais jovem. A vida que ele vive é simples mas com muita harmonia ao lado do pai e da irmã, já que a mãe é distante. Quando recebe de sua mãe uma fita de uma banda de rock and roll chamada The Clash, seu temperamento muda e ele parte em busca de novas descobertas que irão definir para sempre sua identidade guiada por uma maturidade mais forte para enfrentar alguns problemas que aparecem em sua vida.

Em uma parte do filme, já no terceiro ato, o filme ganha alguns nortes interessantes mas nada do roteiro ser mais profundo nessas direções. A paixonite do protagonista pela ótima personagem Vivian (Nell Williams) consegue sustentar algumas lacunas e faz boa ligação com o desenvolvimento que o personagem principal passa por essa etapa na vida. Mas acaba sendo muito pouco, muito pela figura do pai sendo anulada e os conflitos nessa direção sendo cada vez mais distantes. Quando a figura materna, interpretada pela experiente Natascha McElhone, entra na história já é muito tarde e pouco vemos aproveitado Jonathan Rhys Meyers e seu Joe Strummer.


O filme não é ruim, longe disso. Ele apenas se torna decepcionante de acordo com seu potencial. A trilha sonora é espetacular, os integrantes da banda The Clash permitiram o uso de suas músicas na produção. London Town não deve chegar ao circuito brasileiro, se tiver a oportunidade não deixe de tirar suas próprias conclusões.

Crítica do filme: 'London Town'

A responsabilidade de todos é o único caminho para a sobrevivência humana. Uma das maiores produções cinematográficas de a maior bilheteria da história da Coreia do Sul de todos os tempos se consolida simplesmente como um dos melhores filmes de zumbi feitos nos últimos tempos. Invasão Zumbi, Busanhaeng no original, dirigido brilhantemente pelo cineasta sul coreano Sang-ho Yeon é uma thriller de ação zumbi com sequências de tirar o fôlego. Tudo é muito bom no filme, direção, elenco, roteiro, grata surpresa para o universo cinéfilo que chega aos cinemas brasileiro no final de dezembro ainda deste ano.

Na trama, conhecemos mais a fundo o complicado e odiado por muitos analista financeiro Seok Woo ( Yoo Gong), um homem que vive com sua mãe e sua filha em um bairro nobre de um coréia do sul em desenvolvimento. Certo dia, a pedido de sua filha Soo-na (Soo-an Kim), resolve embarcar em um trem rumo ao encontro com a mãe da menina. Só que uma simples viagem acaba se tornando um grande pesadelo pois quando já estão dentro do trem, acabam sabendo que um vírus transformou pessoas em zumbis e uma grande luta pela sobrevivência começa, não só no mundo lá fora mas dentro de cada vagão do trem onde estão.

Invasão Zumbi é pura adrenalina, merecendo destaque também os inúmeros figurantes zumbis que realmente dão um grande show em muitas sequências alucinantes, de tirar o fôlego. Ao longo das quase duas horas de projeção, o espectador fica de olhos abertos, tenso a todo instante, principalmente ao saber que o destino de muitos depende demais de uma cooperação de todos, coisa que não acontece quase nunca. Esse espírito de união que precisam ter, fica em cheque por conta das personalidades bem distintas de cada um dos mais envolvidos com o protagonista (esse que é para lá de antipático mas que passa por uma bonita transformação ao longo da trama).

Os sul coreanos são craques em deixar nós cinéfilos de boca aberta quando o assunto é cinema. Seja com um drama como o excelente Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera de Ki-duk Kim, seja com a maior história de vingança dos últimos tempos, Oldboy de Chan-wook Park, seja com o inusitado O Hospedeiro de Jun-ho Bong, a Coréia do sul sempre a cada ano surpreende os cinéfilos de plantão. Invasão Zumbi não é diferente, pegaram um tema extremamente batido nos últimos tempos com a explosão de sucesso de Walking Dead principalmente, e, adicionaram pitadas eletrizantes de ação e um desenvolvimento profundo dos personagens.

Não perca Invasão Zumbi! Você não vai se arrepender!

Crítica do filme: 'Invasão Zumbi'

O erro acontece de vários modos, enquanto ser correto é possível apenas de um modo. Dirigido pelo premiadíssimo cineasta nova iorquino Oliver Stone, Snowden - Herói ou Traidor fala sobre a conhecida história do ex agente do governo norte americano Edward Snowden que resolveu entregar a jornalistas documentos secretos de ações de invasão de privacidade do governo norte americano ao longo de alguns anos. Baseado em duas obras: Time of the Octupus, de Anatoly Kucherena e The Snowden Files: The Inside Story of the World’s Most Wanted Man, de Luke Harding, o roteiro do filme foi adaptado pelo próprio Stone e Kieran Fitzgerald. Joseph Gordon-Levitt, que da vida à Snowden, tem uma atuação irretocável, domina seu personagem do início ao fim.

Na trama, conhecemos mais profundamente a história do ex- analista da Cia Edward Snowden que no ano de 2013 divulgou informações oficiais roubadas de ligações telefônicas e conversas de internet, copiadas por Snowden de um centro de dados secretos norte americano. Ao longo dos intensos 134 minutos de projeção, conhecemos também a personalidade pacata do analista, seu único grande amor e seu modo de pensar, culminando na exposição de informações que chocaram o mundo com suas revelações.

O drama faz uma abordagem muito profunda sobre todas as informações coletadas por Snowden ao longo de seus anos trabalhando para o governo norte americano, só por isso e também por isso podemos dizer logo de cara que esse projeto é bastante corajoso pois traz detalhadamente tudo o que aconteceu desde o treinamento de Snowden até a decisão de expor os fatos. O longa metragem abre margens argumentativas para definirmos se Snowden – é mais herói ou mais vilão.

Na composição da vida pessoal do personagem principal, o filme não alcança tanta profundidade, o relacionamento de internet, que vira amor de vida real com Lindsey (Shailene Woodley), é bastante explorado, porém, focando nas decisões de Snowden a partir de atos conseqüentes de seu relacionamento como as inúmeras mudanças de moradia e seu inconstante temperamento por conta de seu temperamento workholic. As questões externas, opiniões de outros países a partir das revelações de Snowden também ganham pouco foco.


Snowden - Herói ou Traidor na média é um bom filme. Muito pelas atuações e pelo roteiro. Por mais que não alcance à profundidade em alguns pontos, consegue deixar o público com base suficiente para argumentar sobre o fato que chocou milhões de pessoas no mundo a fora.

Crítica do filme: 'Snowden - Herói ou Traidor'

Ontem, todos os meus problemas pareciam tão distantes, agora parece que eles vieram pra ficar. Eu acredito no passado! Lançado em muitos cinemas mundo à fora em setembro passado, e com exibição na edição desse ano do Festival do Rio de Cinema,  o documentário The Beatles: Eight Days a Week - The Touring Years é um baú de recordações das mais intensas de uma época mágica onde o mundo conheceu de vez a lendária banda de Liverpool, Os Beatles. Dirigido brilhantemente pela veterano cineasta norte americano Ron Howard, que durante as filmagens ainda teve acesso à arquivos históricos da da mais famosa das bandas e gravações feitas por fãs, The Beatles: Eight Days a Week - The Touring Years é um presente para os fãs e também para quem quer conhecer melhor o porquê de tanta ‘famosidade’ em cima dos quatro rapazes britânicos.

O filme basicamente conta com detalhes um período marcante na trajetória da banda, entre os anos de 1962 e 1966, quando fizeram nada mais nada menos que 250 shows e exploraram com louvor a America. O mais legal é que conseguimos definir melhor a personalidade de cada um dos integrantes do lendário quarteto, chega a arrepiar o estado de espírito dos fãs em todos os shows lotados que fizeram nesse período. Mas a rotina cansativa e o não descanso da mídia em cima deles acabaram criando um cansaço precoce nesses jovens garotos que não tinham descanso. O documentário também mostra relatos de famosos, fãs dos Beatles, como Sigourney Weaver e Whoopi Goldberg, em histórias que puderam acompanhar naquela época. A segunda estava presente em um emblemático show da banda que uniu negros e brancos na mesma plateia em uma época que rolava um grande preconceito da sociedade norte americana.  

Recordar é viver, sempre. A função desse fantástico documentário é teletransportar o espectador a uma época onde não tinha explosões de redes sociais, onde a comunicação é muito setorizada e por conta disso que o empresário dos Beatles Brian Epstein resolveu fazer essa turnê histórica pela América. A influência de Brian perante sua banda foi enorme, propôs rapidamente uma nova maneira dos músicos se vestirem e se comportar no palco. A liberdade do quarteto vinha muito em torno da música, John e Paul escreveram nessa época músicas que tocam nossos corações e nas rádios até os dias de hoje.


Se formos pensar como seria a exposição dos Beatles surgindo nos dias de hoje, fica até difícil fazer algum paralelo mas com as forças das redes sociais e as ações de um mundo cada vez mais globalizado, o sucesso seria maior ainda. Não importa a época, Beatles sempre serão os Beatles e vai ser difícil outra banda chegar com tamanha idolatria com o público como eles conseguiram. Seja beatlemaníaco ou não, você não pode perder esse belo documentário! Bravo!

Crítica do filme: 'The Beatles: Eight Days a Week - The Touring Years'



O futuro pertence aqueles que acreditam na beleza de seus sonhos. Pré-selecionada por Cuba para concorrer à disputa ao Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro, Viva é um daqueles filmes que vão fisgando nossa atenção aos poucos e que no final nos brinda com uma linda lição de vida e busca pelo sonho.  Dirigido pelo cineasta irlandês Paddy Breathnach, o projeto conta com atuações inspiradas, principalmente de seu protagonista interpretado pelo jovem ator cubano Héctor Medina. 

Nessa grata surpresa, que estreia nos cinemas brasileiros no próximo dia 01 de dezembro, conhecemos a história de Jesús (Héctor Medina), um jovem que ganha a vida como cabeleireiro e sonha se tornar uma grande estrela do show de transformistas de um clube de Havana comandado por Mama (interpretado pelo excelente Luis Alberto García). Certo dia, após conseguir sua chance depois de uma audição, durante seu primeiro show, é agredido por um homem bem mais velho que se revela seu pai, de quem não tem notícias desde os 3 anos de idade. A partir desse inusitado encontro, ambos precisarão equilibrar suas diferenças e tentar ter uma relação verdadeira de pai e filho. 

Selecionado para o prestigiado Festival de Sundance, Viva fala sobre amores, preconceitos sonhos e família. Cada um desses tópicos são abordados pelo roteiro de maneira bastante profunda. No primeiro ato, uma apresentação encovada do protagonista, logo criamos uma empatia pelo personagem, fruto talvez da impressionante atuação de Medina. No segundo ato, o filme parecia que ia se perder com subtramas pouco exploradas e personagens buscando seu entendimento mas logo se chega nos atos seguintes onde segredos são revelados e o protagonista mostra seu amadurecimento, deixando a conclusão com fortes cargas de emoção. 

Um sonho fala mais alto que qualquer preconceito. O desenvolvimento do protagonista é impressionante. Outrora fraco, sem ambições e completamente perdido do que fazer com sua vida, se torna um ser humano mais forte, quebra preconceitos e esfrega na cara de todos que quando sonhamos e acreditamos, com a ajuda de terceiros ou não, chegamos onde queremos. Viva vale o ingresso. Não percam!

Crítica do filme: 'Viva'



O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida. Chegou aos cinemas brasileiros na última quinta-feira (24), o mais novo trabalho do excelente diretor canadense Denis Villeneuve, A Chegada. Misturando uma teoria bastante lógica com um universo imaginativo nooliano (em referência ao também genial diretor Christopher Nolan), o filme consegue prender a atenção do público do início ao fim em base de um roteiro brilhante assinado Eric Heisserer que se baseou no conto Story of Your Life, do escritor Ted Chiang, que venceu famosos prêmios dedicados à literatura de ficção científica. Além de tudo isso, o elenco da um grande show em cena, principalmente a atriz Amy Adams, fortíssima candidata a uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz na próxima cerimônia do Oscar.

O filme de abertura da edição desse ano do Festival do Rio de Cinema, conta a história de uma renomada especialista em linguística, a Dr. Louise Banks (Amy Adams) que é convocado pelo exército norte americano a fazer parte de uma operação especial quando alguns objetos enormes desembarcam na Terra, trazendo caos e insegurança ao planeta. Juntamente com o físico teórico Ian Donnelly (Jeremy Renner), Louise tentará a todo custo se comunicar com os alienígenas usando regras básicas de alfabetização. Lutando contra o tempo, pois os militares de todo o mundo só pensam em atacar os objetos voadores, Louise tentará provar que talvez eles não estejam ali para destruir a humanidade.

O que mais impressiona nesse impecável projeto - sem dúvidas já podemos considerar esse como um dos melhores filmes do ano – é a harmonia e a racionalidade argumentativa das teorias aplicadas no longa metragem. Grandes partes das peças do quebra-cabeça são jogadas em loops de linhas temporais que flutuam em falsas linearidades óbvias. Explorando o campo da teoria linguística e mais precisamente a hipótese de Sapir-Whorf, A Chegada é simplesmente fascinante em cada cena e possui um final arrebatador que podem deixar muitos de boca aberta. Tudo faz muito sentido no filme, o tempo todo, mesmo assim sobram espaços para surpresas. É o filme de ficção científica mais humano e racional dos últimos tempos. Até quando pensamos na necessidade de alguns blockbusters tem pelo clichê, que nesse filme, falando mais claramente da historinha de amor que nasce entre a física e a linguística, A Chegada consegue compor com maturidade e serenidade. 

Denis Villeneuve se consagra mais uma vez como um dos melhores diretores de sua geração e de quebra coloca Amy Adams como uma das favoritas a estatueta dourada mais famosa das premiações de cinema, que atuação fantástica dessa boa atriz. Nunca um ingresso esse ano valeu tanto a pena. Você não pode perder! Bravo!

Crítica do filme: 'A Chegada'



O sucesso é uma consequência e não um objetivo. Um dos bons documentários que podemos conferir no excelente acervo da Netflix esse ano é o curioso documentário Man vs Snake: The Long and Twisted Tale of Nibbler que basicamente fala sobre um jovem que na década de 80 conseguiu chegar aos incríveis 1 bilhão de pontos em um famoso jogo de uma cobrinha, febre nos fliperamas mundiais décadas atrás. Construindo e desconstruindo um personagem real, cheio de problemas sociais e de vida pacata, um dos grandes méritos dos diretores Tim Kinzy e Andrew Seklir é dar luz aos conflitos existenciais de um homem perto dos 40 anos mas com páginas não completas de sua trajetória. 

Na trama, acompanhamos a história de Tim McVey, um homem casado que trabalha em uma fábrica numa cidadezinha no interior dos Estados Unidos que no passado conseguiu uma incrível marca um famoso fliperama da época, o Nibbler, passando quase 2 dias de frente ao console para chegar a marca. Depois de alguns anos, Mcvey descobre que um outro jogador, na Europa, o italiano Enrico Zanetti conseguiu superar sua marca e agora, depois de velho e com uma rotina sedentária, busca mais uma vez ser o grande campeão desse jogo. O documentário acompanha Tim nessa busca desenfreada pelo seu título, seus conflitos internos, sua relação de amor com sua esposa que sempre o apoia e a opinião de grandes jogadores do passado, além, de um raio x/paralelo importante entre os jogos/jogadores mais antigos e o desenvolvimento da indústria dos games no mundo de hoje.

Um homem pacato, que possui uma má alimentação, poucos exercícios físicos e se satisfaz com a vida pacata que leva ao lado de sua esposa no interior dos Estados Unidos. Tim McVey é fruto de uma comodidade de uma parcela de pessoas que moram nos Estados Unidos por ser considerado um país de primeiro mundo. A pergunta que fazemos logo no início do bom documentário é como foi a vida de Tim após seu grande feito no universo dos games? Ele se desenvolveu como pessoa? Abriu portas para melhores empregos? Nada disso. O paralelo fica até mais claro quando o documentário vai a fundo no desenvolvimento do outro campeão de Nibbler, o italiano Zanetti, que se desenvolveu bastante não só no aspecto mental mas no aspecto social. Mas na verdade, qual a importância de conseguir mais de um bilhão de pontos em um jogo de vídeo game?

A analogia entre passado e presente dos jogos eletrônicos ganha contornos rasos mas interessantes. Hoje, em um mundo com tanta tecnologia de interação social, principalmente online, jogos de fliperamas foram ficando para trás. Através da história do protagonista vamos conseguindo entender os fatores sociais influentes e consequentes de quem viveu em uma época que ter uma ficha e jogar durante horas era algo comum.  Man vs Snake: The Long and Twisted Tale of Nibbler é um documentário que traz luz de forma interessante em cima de argumentações sobre a intensa relação de jogos e jogadores.

Crítica do filme: 'Man vs Snake: The Long and Twisted Tale of Nibbler'

Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem? Depois de duas aparições em duas produções, Bem-Vindo aos 40 (2012) e Um Domingo de Chuva (2014), o conhecido vocalista da banda Green Day, Billie Joe Armstrong estrela seu primeiro filme como protagonista e para surpresa de muitos interpreta com muita naturalidade um personagem pra lá de melancólico e com suas crises de meia idade. Escrito e dirigido pelo ainda pouco conhecido cineasta Lee Kirk, Ordinary World possui mais coisas positivas do que negativas.

Na trama, conhecemos o ajudante de uma loja de construção Perry (Billie Joe Armstrong), um homem que está chegando aos 40 anos de idade, é casado com Karen (Selma Blair) com quem tem dois filhos. Perto do seu aniversário, Perry é fisgado por sentimentos nostálgicos de quando era um vocalista de uma banda de rock e idolatrado pelos colegas, assim, resolve, em plena terça-feira de tarde promover uma festa em uma suíte presidencial e a partir das conseqüências da mesma as lacunas de sua própria identidade vão começando a aparecer.

Sem previsão para chegar nos cinemas brasileiros, Ordinary World até certo ponto chega a ser surpreendente pela maneira corajosa e criativa de expressar a naturalidade das ações de muitos de seus personagens. Há um carisma evidente na figura de Billie Joe Armstrong como um papel meio nerd, de óculos, que adora deixar o cabelo desarrumado e tocar seu violão. O roteiro é bastante eficaz no molde e montagem de características do protagonista principalmente porque há semelhanças entre personagem e intérprete nesse caso. As canções, muito bonitas por sinal, que compõem parte da trilha do filme foram assinadas pelo próprio Billy Joe, o que deixa a parte sonora do filme um complemento eficiente.


De negativo, entre alguns pontos e outros, não fica muito bem definida a estrutura emocional de Perry com sua família, principalmente o seu vínculo amoroso com sua esposa. Quando focam na crise de meia idade, esquecem um pouco de estruturarem essa relação, o que deixam lacunas abertas e que completamos com criatividade a partir das conseqüências que vemos no clímax da história.Mesmo assim,  Ordinary World é um pequeno achado na galeria de inúmeros filmes norte americanos de menor porte.  Vale a pena conferir!

Crítica do filme: 'Ordinary World'



Se o herói mudasse, se tornaria uma nova historia. Dirigido pelo mestre Clint Eastwood, baseado em fatos reais e em memórias do livro Highest Duty: My Search for What Really Matters, de Chesley ‘Sully’ Sullenberger e Jeffrey Zaslow, Sully: O Herói do Rio Hudson é um daqueles filmes que fisgam a gente não só por ter um final feliz mas pelas grandiosas interpretações de seus artistas, principalmente do protagonista, interpretado pelo cotadíssimo ao Oscar Tom Hanks. Muito bem embasado, muito bem dirigido, o longa-metragem explora todo o contexto de um dos atos heróicos mais vivos na memória dos norte americanos nos últimos anos.

Na trama, conhecemos a história do incrível do pouso heróico no Rio Hudson de um avião nos Estados Unidos, com lotação, e todos escapam ilesos. Analisando todo o contexto do acidente, e os problemas sucessivos logo após a decolagem, o longa metragem faz um completo raio-x também do comandante do avião, o piloto Chesley 'Sully' Sullenberger (Tom Hanks) e toda a burocracia que ele e o co-piloto Jeff Skiles (Aaron Eckhart) para provar que a melhor decisão foi a tomada.

Em 95 minutos de filme, Clint e Cia conseguem apresentar argumentos muito bem expostos para o público sobre tudo que girou em torno desse pouso emblemático. As investigações sobre o acidente, a conturbada exposição na mídia sobre o ocorrido, o título de herói e os conflitos emocionais do protagonista perante ao mundo, a rasa mas eficaz apresentação de um passado de longos vôos de Sully ao longo de 42 anos de experiência. Tudo no filme é apresentado de maneira muito clara ao espectador. O projeto é tão bom quanto o ótimo O Vôo com Denzel Washington que fora lançado recentemente, as produções tem algumas semelhanças. 

A interpretação de Hanks é simplesmente fantástica. Sem sair um minuto de seu complexo personagem, traumatizado pelo recente acidente, de fala mansa e sem muitos trejeitos, o duas vezes ganhador do Oscar usa e abusa de sua habilidade de convencer ao público de que ele é sim um dos melhores atores da história do cinema. Seu Sully se torna mais um na sua coleção de diversos grandes papéis na telona. 

Sully: O Herói do Rio Hudson, que estreou nos cinemas norte americanos em setembro, tem previsão para estrear somente em dezembro nos cinemas brasileiros e sem dúvidas é um daqueles filmes que você não pode perder.

Crítica do filme: 'Sully: O Herói do Rio Hudson'