(Reprodução)

Dirigido e roteirizado pela estreante Julia Leigh, “Beleza Adormecida”, é um drama que tem uma atmosfera esquisita, e mostra uma jovem completamente inconsequente que arranja um novo emprego bem suspeito. A trama tenta ser detalhista mas acaba sendo insuportável, a vontade pegar no sono ou sair da sala do cinema baterá em sua cabeça a todo instante.

Na história, temos um retrato assustador da vida de uma jovem estudante universitária que é envolvida em um mundo misterioso do prazer e sexo escondido quando arranja um emprego freelancer para trabalhar como garçonete, que tem como ‘modelito’ uma lingerie insinuante. A jovem não sabe mas é drogada com soníferos fortíssimos e toda noite é acompanhada de velinhos que se aproveitam da situação, cada um a sua maneira.

O filme não tem propósito, não tem emoção. Aos olhos da protagonista tentamos entender uma trama que é um absurdo completo. Com direito a um nu frontal (totalmente desnecessário) de um senhorzinho de mais de 70 anos de idade, o filme se torna indigesto e bem cafona em quase todas as sequências da ‘bela adormecida’.

No papel principal temos a jovem Emily Browning (“Sucker Punch - Mundo Surreal”), que interpreta Lucy (ou Melissa, ou Sara), uma jovem que trabalha como garçonete, ajudante administrativa e servente sexy de festas de senhores com grana. Personagem um tanto quanto não regulada da cabeça, dorme no chão do escritório, queima cédulas de seu salário, vai para o bar quase toda noite se insinuar aos marmanjos de plantão, que chegam a apostar uma transa com ela no cara e coroa. O trabalho da atriz australiana é muito prejudicado por uma história completamente vazia onde sua personagem tem a difícil missão de preencher muitas lacunas, fato que não ocorre.

Muitos acharão a produção metafórica e encontrarão entendimento nesse audacioso trabalho. Mas a verdade é que as peças desse quebra-cabeça não fazem parte do mesmo jogo. Como nos últimos filmes de Nicolas Cage: Fujam para as montanhas!  


Crítica do filme - 'Beleza Adormecida'

O que fazer para provar um fato que ocorreu com você e que ninguém acredita? Dirigido pelo pernambucano Heitor Dhalia, “12 Horas”, é um suspense que narra a saga de Jill (papel de Amanda Seyfried), personagem assustada (com um pé na paranóia) que luta Jiu-Jitsu e anda armada por conta de um passado traumático que envolve um serial killer que nunca foi descoberto.  O roteiro é bastante desarmônico e os diálogos muito esquisitos, em alguns momentos tensos você chega até a rir do que é dito por alguns personagens, é uma sensação estranha.

Na trama, conhecemos duas irmãs (Molly e Jill) que vivem em uma casa repleta de trancas. Uma delas é viciada em estudo (Molly), a outra é garçonete em um bar na cidade e no passado fora presa por um sequestrador num buraco (literalmente falando), sendo alimentada com comida de gato. Quando Molly desaparece, Jill está convencida de que o serial killer que a raptou há alguns anos voltou à cidade e assim ela se prepara para capturar seu sequestrador, contando mentiras e mais mentiras para conseguir informações que a coloquem na trilha do criminoso.

O início é caracterizado por um belo climão tenso, imposto pelas imagens, ações dos personagens e música características de um filme do gênero thriller, méritos para Dhalia. Mas, conforme a fita anda, somos levados para um jogo (que parece a princípio ser psicológico) de gato e rato onde as peças demoram para se encaixar. O papel dos coadjuvantes poderia ser um bom fio condutor dessa história, porém, são muito mal aproveitados. Peter Hood (Wes Bentley) e Sharon Ames (Jennifer Carpenter), por exemplo, pouco adicionam ao longa e poderiam facilmente contribuir muito mais. Amanda Seyfried tem atuação esforçada, tenta passar para a personagem toda a aflição de uma mente perturbada, não é um mal trabalho da artista de 26 anos que ficou conhecida no Brasil por seu trabalho em “Mamma Mia!”.

O que incomoda muito na fita é o fato de todo mundo que aparece na frente da personagem principal possuir memória de elefante, enchendo a jovem de informações certeiras. Se ela fosse malandra perguntava logo os números sorteados do próximo sorteio da mega sena.  

O filme tinha que estrear no dia primeiro de abril (dia da mentira), a protagonista solta uma mentira a cada sequencia. Mas a data de lançamento certa é 20 de abril. Mesmo com alguns pontos sem nó, muita gente pode gostar desse suspense que tem uma mão brasileira no comando. 

Crítica do filme - '12 Horas'

Reunindo algumas crianças e a velha história da babá que se mete em muitas confusões quando está tomando conta dos pequenos, o diretor americano David Gordon Green (o mesmo que assinou a direção de “Segurando as Pontas”) apresenta seu novo trabalho “O Babá(ca)”.  Com alguns personagens irritantes e que tiram poucas risadas do espectador, o longa se torna uma grande decepção aos olhos dos amantes da sétima arte.

Na tentativa de comédia, um estudante universitário (que está suspenso) é indicado por sua mãe para ser babá de três crianças numa noite.  Ele só não contava estar totalmente despreparado para a noite maluca que vinha pela frente ao lado desses três jovens com personalidades completamente diferentes.
Para uma história batida dessas, a única solução é tentar ser criativo e tentar ao máximo driblar todos os futuros clichês que obviamente irão existir. Os roteiristas Brian Gatewood e Alessandro Tanaka não se preocuparam com isso e só acentuaram a quantidade de clichês possíveis por sequência. Daqui a alguns anos estará naqueles programas, na hora do chá, que conhecemos muito bem. É muita bobagem em pouco tempo o que influencia na qualidade do trabalho, com toda a certeza.

Impressionante como o nível de atuação de alguns artistas caíram drasticamente nesse filme, potenciais enormes sendo gastos num longa muito ruim.  Jonah Hill decepciona após concorrer ao Oscar de melhor ator coadjuvante (merecidamente, diga-se de passagem) pelo filme “Moneyball”, totalmente sem graça com piadas que não dão certo tem uma atuação lamentável. Sam Rockwell e seu personagem Karl, excêntricos por si só, esquecem o roteiro e improvisam muito, deixando as sequências em que aparecem completamente loucas e sem rumo.

Ainda bem que tem menos de 85 minutos de fita. E outra coisa...isso é nome para se dar pra filme? Com licença!

Crítica do filme - 'O Babá(ca)'

Como superar a perda de uma pessoa que marcou a sua vida? Dirigido e escritor por Mathieu Demy (que também interpreta o papel principal na trama), “O Americano” fala sobre a dor de uma perda e as conturbações que ocorrem com a mente de um homem viajando atrás de respostas. O argumento era muito interessante mas a história é arrastada e se distancia do espectador a todo segundo.  O filme foi exibido no último Festival de Cinema do Rio, o diretor é filho dos grandes diretores franceses, Jacques Demy e Agnès Varda.

O filme tende ao depressivo. Na trama, um homem fica abalado ao saber da morte da mãe que mora nos EUA, quando voltas à sua antiga casa para resolver toda a burocracia dos bens de sua mãe, descobre que ela deixou um apartamento para uma outra mulher muito ligada a ela. Nesse retorno à América, flashbacks envolvem a mente do personagem, quando o mesmo chega na casa da mãe se depara com momentos de sua infância americana: roupas, desenhos, fotos... é um momento tenso na trama, o personagem tem um espécie de surto que leva dali pra frente até o desfecho da história.

É um longa que demora a envolver o público, muito por conta de não sabermos o porquê daquele grande sofrimento que o protagonista despeja na tela. A relação que Martin (protagonista) teve com sua mãe é contada apenas com lembranças. É tudo muito superficial, o que caracteriza uma tristeza que não dá para entender sua origem. O personagem, assim como o filme, andam sem rumo, viajando por Tijuana (México) sem dinheiro, sem carro e sem história. Quando a personagem Lola (Salma Hayek) entra na trama, o longa parece que pegará no tranco mas não é isso que acontece.

Alguns personagens coadjuvantes não são bem aproveitados e conseguiriam, talvez, dar o ritmo que a trama precisava para se tornar interessante. Linda (Geraldine Chaplin) e Claire (Chiara Mastroianni) deveriam ter papéis mais preponderantes na história, isso poderia enriquecer o espectador com informações necessárias para entendermos melhor o porquê daquela dor.

É difícil ficar acordado vendo esse filme, o olho parece querer sair correndo do cinema a todo instante. Hollyfield não pode ver esse filme, tem uma cena de orelha arrancada bem terrível (em todos os sentidos). É quase um alívio quando a fita acaba. Mathieu Demy tenta mas não consegue dirigir, roteirizar e atuar bem.

Crítica do filme - 'Americano'

Você protegeria um inimigo? No longa dirigido pelo sueco Daniel Espinosa, Ryan Reynolds dá vida ao assustado agente Matt Weston que tem a árdua missão de proteger um procurado por agências governamentais do mundo todo,  Tobin Frost, interpretado pelo ganhador do Oscar Denzel Washington. A trama é interessante, tenta prender a atenção dos espectadores com um suspense em torno de quem seria o verdadeiro traidor, porém, o longa se prolonga demais, quase se perdendo do meio para frente.

Um homem insatisfeito com seu trabalho. Assim conhecemos Matt Weston, um jovem formado em economia, por uma prestigiada faculdade, que mantém um romance caloroso com uma médica francesa. Escondendo de todos sua verdadeira profissão, vive num esconderijo da CIA atendendo telefones e jogando bolinha na parede. Toda essa monotonia muda da água pro vinho com a chegada do novo prisioneiro, Tobin Frost. Após o local ser invadido por bandidos que querem a qualquer preço a cabeça de Frost, Weston precisa fugir com o prisioneiro e aguardar ordens vindas de cima. Assim começa um jogo psicológico (o personagem principal fica perdido, sem saber em quem confiar) com um desfecho explosivo.

O personagem de Denzel é muito inteligente e tenta entrar a todo tempo na cabeça do personagem de Reynolds. Tobin Frost, ex-membro da CIA, considerado traidor por alguns, entra de repente no consulado americano, na África do Sul. Após uma sessão de torturas, com direito a agressões com toalhas molhadas começa a tentar tomar conta da situação. O veterano ator e seu brinco na orelha esquerda chamam a atenção ao mencionar o Rio de Janeiro em uma de suas falas.

O longo é altamente explosivo, muitas cenas de ação (tiros para todos os lados), destruição de barracos e carros amassados. Tem também o lado político bastante mencionado, os ótimos Vera Farmiga e Brendan Gleeson ficam nos bastidores das ações, fazem papéis coadjuvantes que tem certa importância no encerramento da história.

É um daqueles trabalhos que possui uma ótima idéia mas que poderia ter sido melhor executada. A história vai gerando expectativa mas não chega ao clímax nunca, deixando os cinéfilos decepcionados.

Crítica do filme: 'Protegendo o Inimigo'

Em tempos de guerra, se você tem poder então você tem dever.  Seguindo essa linha de chamada de guerreiros que estavam aposentados temos o pontapé do novo trabalho do Sul-Africano Jonathan Liebesman (“Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles”), “Fúria de Titãs 2”.  Na eminente guerra, onde Deuses e homens são afetados, quem acaba sofrendo é o público com atuações muito fracas e uma história apenas superficial.

Na história da era mitológica, Perseus, filho de um Deus (Zeus, que possui uma barba ao melhor estilo Gandalf) vive tranquilamente como pescador cuidando do filho em um vilarejo longe dos Deuses de outros filmes. Quando seu pai é capturado por dois ‘amigos’(Hades e Ares se juntam aos titãs contra a raça humana), galopando em seu pégasus, Perseus vai em busca da ajuda para a grande batalha, de Agenor (filho de Poseidon) e Andrômeda (uma bela guerreira) gerando muita ação em terceira dimensão. Enfrentando traições de Deuses, gigantes com apenas um olho (carinhosamente chamados de Cyclops), monstros com chifres que soltam uma baba bem melequenta, o filho de Zeus busca seu objetivo.

Algumas coisas incomodam. O cenário da grande batalha parece um labirinto construído com peças de lego que vão se encaixando e se modificando conforme o trio de guerreiros vai avançando no local. Outro fator que chama a atenção são os decibéis que chegam algumas cenas com muita gritaria em foco, parece que você está assistindo um jogo da Sharapova.

Os guerreiros que usam sandálias tem atuações bem fracas o que provocam no público um afastamento maior ainda da história.

Jake Sully, desculpe-me...Perseus, é interpretado por Sam Worthington. Ainda precisa demonstrar mais talento para viver protagonista, mas tem carisma, isso ajuda muito.

Zeus e seu dom mágico de gerar ‘hadoukens’ é figura poderosa na trama. Pena que Liam Neeson tinha um roteiro muito ruim em suas mãos.

A inglesa Rosamund Pike dá vida à Andrômeda. Não se encontra no papel em momento algum, corre um sério risco de concorrer ao framboesa de ouro do ano que vem. A atuação de Toby Kebbell também é terrível. Não consegue se conectar com a história quase nunca, tem apenas alguns lapsos de falas interessantes para à trama, tenta a todo instante ser o elo da ação com a comédia (fórmula que não dá certo) nesse longa que tem o roteiro assinado por Dan Mazeau e David Johnson.

Pode ser até que vire um grande jogo de vídeo game mas como filme deixou, novamente, muito à desejar.

Crítica do filme - 'Fúria de Titãs 2'

(Reprodução)
Carioca, 52 anos, Sérgio Britto é um dos músicos mais respeitados de todo o Brasil, compositor de grandes sucessos, como por exemplo: “Enquanto Houver Sol”, “Diversão”, “Homem Primata”, “Flores”, “Porque Eu Sei que é Amor”, “Nem Cinco Minutos Guardados” e “A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana”.

No começo da década de 80 formou a banda Titãs junto com ex-companheiros do Colégio Equipe, onde cursou o ensino médio. Em 1982 o primeiro disco, do recém formado conjunto, é lançado com grande êxito. Entre ótimas músicas, o sucesso "Sonífera Ilha” se tornaria um dos hinos do grupo que rapidamente ganhou fama nacional, que sobrevive até hoje.

Com uma longa carreira recheada de grande sucesso e integrante de uma das maiores bandas de rock do Brasil, Sérgio Britto conversou com o repórter Raphael Camacho respondendo a três perguntinhas sobre cinema. Citando Hitchcock e Marlon Brando, o veterano artista mostrou que também entende de sétima arte.


1) Qual o seu filme preferido e porquê?

Sérgio Britto: É difícil falar de um só... Vou ficar com "Janela Indiscreta" do Alfred Hitchcock. Pelo roteiro maravilhoso, a fotografia, a beleza incrível da Grace Kelly, a atuação precisa e econômica de James Stewart, etc. Acima de tudo pela mestria com que Hitchcock sabia contar uma história.


2) Qual foi o último filme que você viu?

Sérgio Britto: "Winter, o Golfinho". Com minha filha de 4 anos.


3) Qual o artista (pode ser nacional ou internacional) que você mais gosta dentro do universo do cinema?

Sérgio Britto: Marlon Brando. Por tudo. Fora o enorme carisma que tinha tanto dentro e quanto fora das telas deixou uma galeria absurda, pela variedade e riqueza, de filmes e personagens clássicos.

Sérgio Britto dos Titãs conversa sobre cinema com Raphael Camacho

Espelho, Espelho Meu existe alguém mais bonita que ‘Uma Linda Mulher’? Sim, a filha do Phil Collins! Dirigido pelo indiano Tarsem Singh, o primeiro dos filmes desse ano que falam sobre o universo da Branca de Neve (parece até que o personagem foi escolhido como conto infantil do ano), é uma visão maluca, porém, muito divertida desse clássico.

Na trama, uma princesa que já conhecemos de outros carnavais, resolve sair da fortaleza em que vive dominada por uma rainha cruel. Abandonada e em fuga, corre pela floresta sem destino, até conhecer sete anões (bem diferentes daqueles de outrora). Aos poucos vai virando líder dos pequenos ladrões mascarados, combatendo as ações maléficas da governante da região.

As atuações carismáticas ajudam a criar uma sintonia com o espectador.

A inglesa Lily Collins (filha do famoso músico Phil Collins) passa uma paz e uma tranqüilidade própria da personagem, famosa dos contos infantis. A protagonista Branca de Neve quando sai do casulo vestida de ‘chapeuzinho amarelo’ cresce na história mas é ofuscada pela grande atuação da intérprete da rainha. Em alguns momentos, mesmo nas cenas com o foco na Branca de Neve, quando Julia Roberts não está em cena, o filme parece que não anda.

Nathan Lane interpreta Brighton, o braço direito da rainha má. O famoso ator, que dá um show em “A Gaiola das Loucas” (ao lado de Robin Williams), parece improvisar muitas vezes e a fórmula dá certo em muitos momentos. Quando aparece vestido de barata gera risos de todos da platéia.

Armie Hammer (que foi muito elogiado pela crítica por sua atuação no filme “J.Edgar”) faz um príncipe bobão (bem exagerado), às vezes acerta com o personagem, outras vezes não.

Julia Roberts foge do rótulo de boazinha e rouba o filme para si. Uma rainha falida que exala loucura a cada momento, sua personagem é excêntrica e adora fazer uso de magia negra em alguns momentos, além de receber um tratamento de beleza bizarro com direito a creme facial feito de bosta de papagaio. É um dos melhores trabalhos da carreira da Srta. Roberts. Ótima atuação da ganhadora do Oscar que encontra o ponto certo da personagem se tornando o grande destaque do longa, que tem o roteiro de Melissa Wallack e Jason Keller.

Tudo no filme é muito cheio de efeitos e extravagância. Cenários programados, figurino requintado, corajosos anões em pernas de pau infláveis (às vezes, parece um show circense) muitos diálogos engraçados e uma aparição de um rei no mínimo curiosa (por conta do sucesso do mesmo no mundo das séries). Importante é que a fita diverte e promete agradar a todos os tipos de público.

Nos créditos finais, o espectador vai às gargalhadas ao saber os desfechos dos corajosos anões. Ainda, nesse momento quando sobem as letrinhas, um ‘gran finale’ à La Bollywood os aguarda.

Não deixem de conferir essa nova versão, daquela famosa historinha, que escutávamos quando éramos pequenos. Indicado para toda família!

Crítica do filme - 'Espelho, Espelho Meu'

Quem resiste a um verdadeiro amor? No mundo do cinema conhecemos muitos tipos de histórias assim. É um amor que começa na guerra e termina em Casablanca, um amor que começa de forma peculiar e bastante instintiva em um trem tornando aquele dia especial, amores entre músicos que não sabem os seus próprios nomes, amantes do círculo polar...ah...são tantos! O tempo passa e mais histórias intensas vamos descobrindo, do nosso tempo, de outros tempos, o amor é um sentimento que está em todo lugar e tem um lugarzinho especial na nossa mente cinéfila quando transferimos nosso foco ao mundo mágico da sétima arte.

Entre tantas trajetórias de amor assistidas na telona, tem uma em especial que mexe com os nossos sentimentos mais profundos, tudo por conta da metáfora, da tragédia vinculada à um romance complexo e profundamente maduro, estamos falando de “Os Amantes do Círculo Polar”.

Lançado em 2008 e dirigido pelo excelente diretor espanhol Julio Medem, “Os Amantes do Círculo Polar” é uma daquelas histórias de amor inesquecíveis. Filmado na Espanha e em alguns lugares da Finlândia, o longa conta a história de Ana e Otto, dois corações que ficam conectados logo no primeiro encontro aos 8 anos de idade e a partir daí nunca mais deixam de estarem juntos, vinculados à um forte sentimento que os guia mesmo que o destino os afaste por um longo período.

Tudo no longa é bonito e ao mesmo tempo triste. Os personagens são extremamente complexos e profundamente sensíveis, não é como em outras histórias de amor onde existe um mocinho e uma mocinha e tudo fica bem no desfecho previsível. Julio Medem muda completamente a nossa forma de ver uma grande história de amor. As circunstâncias da vida, que alternam o destino desses dois corações, não conseguem afastar os palíndromos, eles andam em paralelo, porém, a eminência de um novo reencontro é uma chama que nunca se apaga, o espectador sente isso. O desfecho é emblemático e faz o coração mais frio ficar pasmo, se emocionando profundamente.

Essa foi um dos grandes filmes de romance que o cinema já produziu, na opinião de quem vos escreve.

E para você? Qual o grande filme de amor que você já viu?

Qual o grande filme de amor que você já viu?

Grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Parafraseando o Tio Ben (paralelo ao “Homem-Aranha”), começamos falando desse filme muito interessante que fala sobre  juventude, imaturidade e poderes, propriamente dito.  O primeiro longa metragem do diretor californiano Josh Trank, surpreende por mostrar de maneira inteligente (muitas vezes com a câmera nas mãos dos personagens) como seria à conseqüência de alguns jovens com poderes fantásticos.

Na trama, três amigos que estão cursando o ensino médio, ganham super poderes depois de descobrirem um buraco onde encontra-se uma pedra luminosa que passa essas novas habilidades aos jovens. Após muitas demonstrações animadas dessas novas habilidades, eles descobrem que suas vidas acabam mudando de foco e automaticamente, um deles em especial, começa a perder o controle emocional abraçando seu lado mais escuro.

O filme é bem curto, um pouco mais de uma hora e vinte de fita, e mantém o foco, a todo instante nos três personagens principais: Matt Garetty, Steve Montgomery e Andrew Detmer. O primeiro é um garoto apaixonado desde sempre por Casey (uma blogueira que aparece pouco no filme), muito inteligente e que faz menções que vão de Arthur Schopenhauer à definição psicológica analítica de Jung. O segundo é o mais popular do trio, sendo o candidato à representante de turma, fica muito entusiasmado com as novas habilidades, sendo o primeiro a descobrir que pode voar. O terceiro é o mais complicado de todos, aos olhos de Andrew vemos um mundo caindo aos pedaços, já que o mesmo não tem muitos acertos nas suas relações sociais, assim fica eminente: o poder nas mãos de um desequilibrado gera conseqüências terríveis.

Não deixem de conferir a saga desses amigos que precisam conviver com muitos dilemas, que nem muitos super heróis.


Crítica do filme: 'Poder Sem Limites'

Dirigido pelo americano Pablo Croce, “Anderson Silva: Como Água”, promete agitar os cinemas de todo o país mostrando um pouco do dia-a-dia do campeão mundial do UFC, Anderson “The Spider” Silva.  O filme mostra alguns momentos da carreira do lutador além de alguns depoimentos de pessoas ligadas ao campeão.

O trabalho relata muito bem os bastidores dos lutadores profissionais, as críticas de alguns torcedores e do próprio chefão do evento, Dana White. Em especial, sobre uma luta de Anderson Silva contra Damien Maia que rendeu uma série de depoimentos direcionados ao brasileiro, muito, pela forma como foi conduzida a luta.

O documentário (que passou na última edição do Festival do RJ de cinema) relata a trajetória do campeão de Artes Marciais Anderson Silva para a luta contra um rival da terra do Tio Sam, Chael Sonnen. Assim entendemos melhor como são os pesados treinamentos de um lutador profissional, a vida pessoal do campeão e os bastidores do principal torneio de artes marciais do mundo, o UFC.

A ação de marketing em cima dos duelos é vista pelas ações (um tanto quanto ofensivas) do oponente de Anderson,  Chael Sonnen. O lutador americano pega muito pesado em algumas declarações (e olha que o filme só mostra algumas poucas frases dele). Alguns dizem que ele é completamente maluco, outros dizem que é um rei na arte de divulgar uma luta. De uma maneira ou de outra, a luta entre os dois, foi uma das mais comentadas da história do UFC e recentemente a revanche foi marcada pelo evento para 23 de junho desse ano, no Rio de Janeiro, e promete ser uma das grandes lutas da história.

Vale à pena dar uma conferida nesse bom documentário, principalmente se você for fã dos “gladiadores do novo milênio”, como diria aquele famoso narrador esportivo.

Crítica do filme - 'Anderson Silva: Como Água'

O novo trabalho do americano Gary Ross (“Seabiscuit - Alma de Herói”) promete levar uma legião de fãs para dentro dos cinemas. Estamos falando de “Jogos Vorazes” o primeiro longa de uma saga que conquistou o mundo jovem, recentemente. Para não deixar nenhum fanático pela trama insatisfeito, foi escolhida para dar vida à protagonista, uma atriz que transpira competência, Katniss não poderia estar em melhores mãos, Jennifer Lawrence. A trajetória da arqueira passa por um evento planejado, um programa de entrevistas daqueles bem sensacionalistas (que vemos muito na TV brasileira e americana), visuais extravagantes e diálogos programados que inflamam o público. O filme tem muitas semelhanças com “Show de Truman”, não há como negar.

A saga é situada em um futuro onde o poder governante seleciona um menino e uma menina de doze distritos para lutarem até a morte, em uma espécie de arena, ao vivo na televisão. Após sua irmã mais nova ser selecionada para a batalha, Katniss Everdeen se oferece para ir no lugar dela. Ao seu lado, embarca nessa história Peeta Mellark, com que Katniss já teve uma situação no passado.  Ambos são peças em um jogo desleal e lutam não só pela sobrevivência mas para não se transformarem como pessoas. Levando o número 12 nas costas, Katniss embarca nessa aventura que mudará para sempre sua vida e a de seu distrito.

O olhar de Jennifer Lawrence trás muita humanidade à personagem. Um dos grandes acertos da produção do longa foi a escolha dessa artista americana (já, uma vez, indicada ao Oscar) para o papel principal. Ótima atuação, mais uma vez, dessa talentosa jovem de 21 anos. Os fanáticos pelo livro de Suzanne Collins não vão ter o que se queixarem, Lawrence incorpora com perfeição a corajosa Katniss Everdeen.

O resto do elenco também brilha e exageram na composição dos personagens. Nesse caso o “exagero” é uma coisa positiva!  

Elisabeth Banks, maquiada até o pescoço, provavelmente mais enfeitada que os músicos da banda “Kiss”, tem alguns momentos hilários na trama. Donald Sutherland engrandece o elenco e pelo final desse primeiro filme, terá papel importante na sequência da franquia. Wes Bentley interpreta o impiedoso Seneca Crane, praticamente quem manda e desmanda nos “Jogos Vorazes”, tem um desfecho, no mínimo, inusitado. Stanley Tucci e seu cabelo “Katy Perry” aparecem em muitos momentos, geralmente entrevistando os protagonistas em “Talk Shows” que conhecemos muito bem. O ótimo Woody Harrelson dá vida ao personagem Haymitch Abernathy (um dos poucos que já venceu aquela árdua disputa), bem excêntrico e com momentos importantes para a história. Excentricidade é sinônimo do veterano ator, dá um show em cena. Quem aparece também é o cantor Lenny Kravitz, como Cinna, o estilista da dupla do Distrito 12, não compromete em momento algum.

A adaptação deixa um pouco a desejar na introdução dos personagens. Tudo é passado de maneira muito rápida, deixando vagas, lacunas importantes para o espectador que não conhece a história. O filme ganha muito em emoção quando a disputa na floresta começa, deixando o público atento a tudo que acontece em cena.  

Robin Hood, Legolas entre outros arqueiros famosos do mundo da sétima arte estariam orgulhosos da jovem Srta. Everdeen. Será que Gandalf arrumaria uma vaguinha para ela na próxima jornada em busca de outro anel?

A partir do dia 23 de março corra para o cinema mais próximo! Que os jogos comecem!



Crítica do filme: 'Jogos Vorazes'

O baterista da banda ‘Nenhum de Nós’, Sady Homrich, conversou com exclusividade com o repórter Raphael Camacho. A entrevista foi toda sobre cinema e o músico provou saber bastante da sétima arte. Citando o clássico "O Expresso da Meia-Noite", o filme grego/turco "O Tempero da Vida"e falando sobre o novo longa do inglês Steve McQueen, Sady provou que é um sábio da sétima arte!

(Reprodução)


1)      Qual o seu filme preferido e porquê?

SADY HOMRICH: Não tenho "um filme preferido". Tenho vários, desde "O Expresso da Meia-Noite" (que foi o primeiro que me impressionou lá nos anos 70 do século passado), são vários de diversas escolas. Um que gosto de lembrar é "O Tempero da Vida", uma história sobre emoções, aromas e sabores.


2) Qual foi o último filme que você viu?

SADY HOMRICH: Porto Alegre conta com um bom número de salas. Alguns grupos, como o Cine Guion, apresentam filmes fora do mainstream, das mais diversas procedências. Por exemplo, a produção cinematográfica argentina tem ótima aceitação aqui. Por exemplo, o excelente "Um Conto Chinês", com Ricardo Darín, está em cartaz na cidade desde agosto do ano passado! Baita filme e baita ator! Essa semana vi “Shame”, do Steve McQueen, no Cine Guion 1, pertinho de casa. Bom, mas muito denso.


3) Qual o artista (pode ser nacional ou internacional) que você mais gosta dentro do universo do cinema?

SADY HOMRICH:Também acho difícil eleger "o ator/atriz preferido". Mas gosto do estilo clássico do Tommy Lee Jones.


Abraço do batera
SADY HOMRICH

Entrevista com Sady Homrich da banda ‘Nenhum de Nós’, sobre cinema

Muitos de nós jornalistas especializados em sétima arte, somos no fundo de nossas almas, eternos cinéfilos. A paixão pelo cinema veio de várias formas, quase sempre avassaladora, transformando nosso caminho para sempre. Somente nós cinéfilos compreendemos como é satisfatório estar em uma sala de cinema (alguns nos seus lugares preferidos) e assistir a um bom filme (de preferência, rs). Quando paramos para contar quantos filmes já vimos, percebemos que a paixão às vezes pode ser um tanto quanto obsessiva. Raciocinando em cima disso, pensemos, existe o número 1! O primeiro filme visto em uma sala de cinema!

Quem vos escreve foi ao cinema quando tinha 6 anos, pela primeira vez. Viu um filme que muitos gostam outros nem tanto, "Robin Hood - O Príncipe dos Ladrões". A aventura fora estrelada por Kevin Costner e contou com a ajuda de um elenco renomado: Morgan Freeman, Alan Rickman, Sean Connery, Christian Slater, Mary Elizabeth Mastrantonio, Hugh Laurie (sim, o "House" fez esse filme).  Mais velho fui informado o quanto de curiosidade rolou por trás daquela produção.  A mais curiosa: Sean Connery ganhou 250 mil dólares por dois dias de filmagens nesse longa. Após encerrar o trabalho, o veterano artista doou a quantia que recebeu para instituições de caridade. Um cavalheiro, não?!


Aquela jovem criança, que foi ao cinema pela primeira vez, saiu da sala pasmo, maravilhado e olhando para todos os lados, andares. Sim, havia dois andares. Era um cinema chamado "América" que ficava no coração da Praça Saenz Peña no bairro da tijuca, no Rio de Janeiro (cinema que hoje virou uma igreja, a fé que eu tinha nesse cinema se converteu, ou alguém lá de cima entendeu tudo errado).

De lá pra cá, muitos filmes se passaram e a paixão daquela criança pelo cinema só cresce.

Bem, essa foi a minha curta história! E a sua? Qual o primeiro filme que você viu nos cinemas?

Qual o primeiro filme que você viu nos cinemas?


Sexo x Sonhos. Quando dois grandes nomes da psicologia se juntam. O mundo da psicanálise fica em evidência, no novo trabalho do experiente diretor David Cronenberg,Jung é o principal, Freud é um mero coadjuvante. Há um conflito interno dentro do pensador suíço, uma cessação da ética. Essa violação da regra elementar da profissão, leva-o à um mar de conflitos.

Cronenberg dá o tom (o maestro) dessa historia. O risco de se fazer um filme muito específico era o grande desafio que o experiente diretor tinha que se desviar. O diretor de ‘Videodrome’ e ‘Spider ‘ teve tudo nas mãos para fazer o grande filme do ano. Talvez, por isso, decepciona com um enredo tão específico.

A trama aborda a relação dos dois grandes nomes da Psicologia e o surgimento da corrente psicanalítica. Também é mostrado a polêmica relação de Sabina Spielrein (que depois viria ser uma das primeiras mulheres psicanalistas do mundo) com o seu mentor de dissertação e a posição de Freud nessa relação.

A peça ‘Jung e Eu’, com o grande Sergio Britto nos palcos, já fazia um paralelo entre o encontro do teatro com a psicanálise. Lembrei muito desse espetáculo quando estava hoje na cadeira do cinema vendo o longa.

Os atores estão muito bem.

Michael Fassbender , um dos grandes rostos em ascensão no mundo de Hollywood, parece que não quis arriscar muito neste personagem. Diferente de Viggo Mortensen que tenta dar a sua cara ao renomado nome da psicologia que é coadjuvante nesse longa. O ator Nova-Iorquino que ficou muito famoso após interpretar Aragorn na saga ‘O Senhor dos Anéis’deve receber uma indicação ao Oscar do ano que vem (na categoria melhor ator coadjuvante) por esse longa.  Keira Knightley tem uma atuação destacada. Seu laboratório foi deveras bem aplicado em cena. As reações de sua personagem, Sabina Spielrein, são intensas. Quem também da o ar de sua graça, é o veterano ator francês, Vincent Cassel, que interpreta um dos personagens mais confusos do filme, Otto Gross.

Apesar dos pontos negativos, recomendo. Pague o ingresso e faça sua consulta!

Um Método Perigoso - Cinema com Raphael Camacho

Na quarta-feira, dia 14 de março, aconteceu no Rio de Janeiro uma entrevista coletiva com os realizadores do esperado documentário “Raul Seixas – O Início, o Fim e o Meio”. Para atender aos jornalistas cariocas, o diretor Wálter Carvalho (que cita Francis For Coppola, Martin Ritt e dá uma verdadeira aula de cinema), o produtor Denis Feijão e Silvio Passos (fundador-presidente do Raul Rock Club) estiveram presentes e responderam a todos os profissionais com muita simpatia e contando um pouquinho como foi realizar essa grande obra sobre a vida de uma lenda da música popular brasileira, Raul Seixas.

O diretor Wálter Carvalho deu uma aula de cinema aos jornalistas

Abaixo, o que de melhor aconteceu nesse bate-papo muito informativo.
 - Há alguns anos, você participou da direção de um filme sobre o Cazuza. E agora, por que o Raul e por que um documentário?
Wálter Carvalho: Eu não escolhi o Cazuza nem escolhi o Raul, eles me escolheram. Eu fui convidado no Cazuza e no Raul. Quando fui convidado para o primeiro era um filme de ficção, era uma história da vida do Cazuza, baseado no livro da Lucinha. No caso do Raul, o convite foi para um documentário, então quando houve esse convite eu pensei que fosse uma ficção mas não, na verdade era um projeto do Denis um jovem produtor que teve a idéia de fazer um projeto sobre o Raul Seixas, assim ele trouxe o projeto para a Paramount, a mesma me indicou e me apresentou ao Denis para eu dirigir o filme e aí em 2009 começamos essa viagem.
- O que mais te interessou na história do Raul? Por que aceitou o projeto?
Wálter Carvalho: São vários aspectos: você tem um artista irreverente, um compositor, um artista de palco, você tem um tipo de artista que não acontece mais. Hoje em dia a grande maioria dos artistas que surgem na música brasileira e no mundo inteiro são artistas fabricados. Na época do Raul era exatamente a mesma época de Caetano, Gil, Geraldo Vandré, Chico e outros, era o contrário: você quem criava o artista! Você que inventava o mercado. Hoje em dia você escolhe aquele modelito, adéqua-o e inventa ele para um viés mercadológico, a prova disso é que nem todos duram tanto.  Então, Raul é isso, é o início de um momento no Brasil que coincide com a Bossa Nova, a literatura, o teatro de Zé Celso, a poesia, o cinema novo, o Raul não vem só, o Raul vem com a contracultura que era o movimento que acontecia no mundo inteiro. A primeira coisa que começa a acontecer nesse sentido, pelo menos na área do cinema é o “Sem Destino” (Easy Rider), não é à toa que eu começo o filme com “Easy Rider”, no deserto da Califórnia.


Denis Feijão, Walter Carvalho e Silvio Passos

- Como aconteceu o processo de pegar os depoimentos para o filme?
Wálter Carvalho : O depoimento é uma luta corporal de telefone, e-mail, carta de todos os elementos possíveis da produção através do centro do projeto, o Denis Feijão. Por exemplo: O Denis iniciou o trabalho de conseguir marcar uma entrevista com o Paulo Coelho e enfrentou as dificuldades de uma pessoa que já vendeu 500 milhões de livros e não tem espaço na sua agenda. No momento em que o Feijão começa a trabalhar essa solicitação de entrevista a gente foi vendo a dificuldade de entrevistar o Paulo, porque o cara tem compromissos pelo mundo inteiro. Era uma solicitação muito grande, eu já estava até pensando na possibilidade de realizar o filme sem a presença do Paulo, o que seria uma perda incomparável. Mas o Feijão não se entregou, continuou batalhando e a gente sonhando com aquilo. Um dia, um programa de televisão fez uma grande matéria sobre o Raul e nesta reportagem o Sílvio Passos falou bem de mim, falou que eu era um cara sério e fez elogios a minha maneira de trabalhar e a maneira que eu estava tratando o assunto. Coincide que o Paulo vê o programa na sua casa, pega o telefone e diz que pode falar com a gente. Eu me lembro do Feijão ligando pra mim, eu tava na esquina da minha casa quando o telefone toca e ele me pergunta: “Ta em pé ou ta sentado?” Porque o Paulo Coelho acabou de me ligar! Eu posso ainda acrescentar, tentando ser breve, quando fizemos a entrevista na casa dele, antes de eu ir pra lá a gente trocou e-mail e ele me falou que eram 45 minutos, 15 para armar o esquema (câmera, luz) e eu tinha 45 minutos para falar com ele. Aí eu falei com o Roberto Menescal, que é um grande amigo de Paulo, para ele me ajudar porque 45 minutos não ia dar. Aí no dia que a gente chegou lá, armamos tudo e ele sentou na minha frente e disse: “São 5 horas”. Aí eu disse: “você não vai querer que a gente fale 45 minutos, pelo amor de Deus, não vai dar tempo.” Como que a gente ia falar da história deles dois em 45 minutos? Assim começamos a gravar, às seis horas ele pediu para parar para ele fazer a oração dele, ele disse que ia ser rápido, até me ofereci para gravar a oração mas ele disse que eu não podia. Em 5 minutos ele estava de volta, assim continuamos. Quando deu seis e meia ele chamou a mulher dele, ele tinha um jantar e pediu pra ela ligar e atrasar o horário do jantar e assim pra encurtar a história a entrevista durou duas horas e quinze. Quando acabou, descemos todos comemorando lá no hall do prédio dele, nisso um técnico de som nosso tinha esquecido algum material na casa do Paulo e voltou para buscar e quando tocou a campainha que abriu a porta o Paulo tava botando a mesa para jantar, ou seja ,o jantar era na casa dele! Ele não atrasou que ia chegar atrasado ele atrasou as pessoas que iam chegar na casa dele, isso demonstra a generosidade que o Mago teve com a gente.

- Em relação aos arquivos de vídeo, como foi essa pesquisa?
Wálter Carvalho: Um dos grandes problemas de fazer esse filme foi na questão dos arquivos porque tinham muitos arquivos e muita coisa tava na internet e foi um trabalho de pesquisa muito longo e doloroso porque eu não queria muita coisa da internet porque já eram conhecidas, eu precisava revelar coisas que as pessoas não conhecessem.

- O Zé Ramalho aparece no filme, mas não fala nada. Algum motivo por ele não ter falado?
Wálter Carvalho: Excelente pergunta. Eu podia falar horas sobre isso. O cinema é uma linguagem que é uma junção de uma linguagem verbal e a visual, o que acontece no mundo hoje é um excesso da palavra sobre a imagem num veículo efetivamente imagético. O depoimento do Zé é sobre aquele encontro que você vê ele tocando, ele me conta sobre e  como foi aquele encontro. Quando eu fui montar o filme, aquela virada que ele dá olhando pro Raul era muito mais forte do que ele dizia, como imagem. O prazer que ele tem na cadeira se virando e olhando pra mim e ficando de costas pra ele e o Raul cantando foi uma coisa que eu descobri na montagem evidentemente, muita coisa você descobre na montagem. Posso te dar dois exemplos: No “Poderoso Chefão” na sequencia em que o pai vai saber que o filho foi assassinado num atentado numa guarita há uma economia de gestos, imagem, palavras, música, diálogos, quando o advogado diz: “O Tony foi baleado”aí ele franzi a testa e não chora e antes ele diz assim: “Você quer me contar alguma coisa…” aquilo pra mim é uma aula de cinema.  Tem um outro filme de um cara chamadoMartin Ritt que tem o Woody Allen como ator, chama-se “Testa-de-Ferro Por Acaso”, nesse filme tem uma cena em que o cara entra num hotel (o ator que ta sendo perseguido pelo macartismo) e paga um champanhe e vem assobiando feliz na vida, a câmera fica no espelho quando ele passa pra um lado, quando ele volta pra esse lado você escuta um barulho, bum! A câmera gira, a cortina ta balançando e a janela ta aberta, então o cara se mata fora do quadro. Você não vê que o cara se joga pela janela, no entanto, é de uma força estúpida aquela forma de narrar e não tem uma palavra, é a imagem que fala. Mais ainda, o absurdo da palavra falar sem estar presente o objeto de sua narração. Eu tentei fazer através da imagem para tentar passar uma emoção ao espectador que eu senti na hora quando eu vi o Zé fazer aquilo.


Poster do filme (Reprodução)

O filme estréia dia 23 de março em muitas salas do Brasil. Não percam!

Entrevista com os realizadores do documentário ‘Raul Seixas – O Início, o Fim e o Meio’

Na tarde da sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, ocorreu uma coletiva de imprensa do filme “A Novela das Oito” que contou com a presença de dois atores que estão na trama produzida, escrita e dirigida por Odilon RochaMateus Solano e Claudia Ohana, dois dos grandes destaques do filme, foram os encarregados de conversar com a imprensa sobre esse novo trabalho que chega no final do mês aos cinemas brasileiros. Falando sobre o universo da novela, a diferença entre televisão e cinema, participação da Claudia Ohana na trilha sonora e sobre os personagens, os artistas responderam à imprensa em pouco mais de meia hora de conversa.
Abaixo, confira  o que de melhor aconteceu nessa coletiva, que não teve a presença da atriz  Vanessa Giácomo [ela saiu da coletiva, antes do combinado], mas contou com os simpáticos Mateus Solano e Claudia Ohana.

Mateus Solano e Claudia Ohana (André Romano / Infoco News)
- Qual a diferença entre fazer cinema e televisão ?
Mateus Solano: No cinema você tem mais tempo. Você tem tempo para aprofundar questões, aprofundar linguagem. Na televisão precisa produzir um capítulo por dia. No cinema você tem uma liberdade que é a liberdade do diretor, é completamente diferente. No caso da televisão, é uma empresa e como toda empresa quer ganhar dinheiro e dá ao espectador o que o espectador pede para a mesma. Tem gente que fala se eu não acho um absurdo que na Tv ainda não teve beijo gay, eu não acho absurdo nenhum, o povo não quer ver o beijo gay, se o povo quiser ver o beijo gay o povo vai ver, irá aparecer em seguida. Então, funciona assim, novelas inteiras e personagens inteiros são mudados no meio porque o público não está satisfeito com aquilo.
- Como foi interpretar um personagem homossexual, qual liberdade você teve para criar o personagem ?
Mateus Solano: É claro que eu sempre tenho essa vontade de fazer esses personagens que me desafiam que sejam diferentes um do outro e tal, na Tv a gente nem sempre consegue isso porque eu já disse: a televisão dá ao público o que ela quer. Aí você me pergunta se seria muito diferente esse personagem na televisão, eu diria que não seria muito diferente, claro que ele estaria mais preso à forma da televisão, é óbvio que não teria o beijo dele como foi esse do filme, mas eu como ator tento trazer a humanidade para todos os personagens seja na TV, no teatro, no cinema.

Mateus Solano (André Romano / Infoco News)
- Seu personagem, além de ser homossexual, é de uma elite que questiona a problemática daquela época em nosso país, como foi para você fazer esse personagem?
Mateus Solano: Foi muito bacana fazer esse personagem e por ter a referência do meu pai diplomata. Essa figura internacional (diplomata), ao mesmo tempo, que representa o seu país tem uma solidão. Meu pai tem grandes amigos que se perderam por aí, de 3 em 3 anos, mudam de país, tem um tristeza junto com isso, uma solidão que eu pude trazer. Me interessa também essa época e principalmente pelo papel da arte naquele tempo que tem muito mais haver com o que eu acredito que seja o papel da arte em qualquer época, uma arte que faz a gente pensar, discutir e ir além e não uma arte que faz a gente sentar, relaxar e esquecer que é muito mais o que a gente vive hoje.
- Claudia, seu personagem é o único que percorre toda a trama interagindo com muitos personagens, como foi para você interpretar essa personagem ?
Claudia Ohana: O personagem sofre uma transformação, começa um personagem muito sofrido, que ta longe da família, tem uma perda de personalidade. É um personagem difícil porque ela não é uma militante política, ela foi presa por conta de um artigo que escreveu por amor. Ela não é empregada e começa como empregada é um personagem muito humano, uma mulher comum que por azar da vida foi colocada naquela situação e teve que abandonar a família. Aí, através dessa história, vai se contando o resto das histórias, ela sofre a transformação também muito do personagem da Amanda que é o oposto dela. É um personagem muito sutil. As histórias vão se entrelaçando meio ‘Shortcuts’ meio Altman.

Claudia Ohana (André Romano / Infoco News)
- Claudia, seu personagem no começo da trama não fala uma palavra e passa muito com o olhar. Como foi trabalhar sem fala apenas na expressão do personagem nesse início da trama?
Claudia Ohana: Eu gosto do olhar. Eu acho que o cinema é muito o olhar, que diz tudo, coisa que não tem nem na televisão, nem no teatro embora tenha a atitude do olhar que é importante mas o olhar no cinema diz tudo. Então, você dá o olhar antes e vai com o sentimento e a verdade, a gente tenta passar a verdade o máximo que pode.
- Como foi essa participação na trilha sonora do filme?
Claudia Ohana: Na verdade eu sempre cantei, eu faço musical a muito tempo, já fiz filme e já fiz uma novela musical. O Odilon (diretor do filme) me chamou e me mostrou essa musica que eu nunca tinha ouvido, que é linda, aprendi a melodia e gravei. Cantar é uma coisa que eu faço a muito tempo, faço aula de canto a muito tempo, volta e meia eu acabo cantando.

Os artistas atendendo à imprensa (André Romano / Infoco News)
- Porque uma novela não paralisa mais a gente como antigamente ?
Mateus Solano: Acho que o tempo está muito rápido, instantâneo, presente, presente, presente. Ninguém prepara nada para o futuro. A gente está vivendo o ‘carpe diem’ de uma forma muito exagerada, penso eu. Acho que não é só as novelas, poucas coisas ficam e eu acho bacana é quando a arte fica, por mais que elas nem tenham essa pretensão, as vezes. É uma coisa do nosso tempo mesmo. Às vezes me pergunto, em relação a historias do gêmeos que eu fiz e tal , Ruth e Rachel é uma coisa que está no nosso imaginário para sempre e  eu não sei se os gêmeos que eu fiz vão ficar guardados por essa geração como ficou Ruth e Rachel na nossa, não sei mesmo.
Claudia Ohana: Antigamente não tinha TV a cabo. Eu ainda peguei uma novela que foi a ‘Vamp’ que foi um marco. Naquela época não tinha TV a cabo, não tinha paparazzi, não existia nada disso. Então, assim, as pessoas viviam muito a novela, tinha 90 de audiência, era uma loucura isso. Nunca mais vai existir isso. Hoje em dia o Brasil não pára por causa de uma novela.
- Você começou fazendo figuração na novela ‘Dancyn Days’. Como foi voltar a esse universo ?
Claudia Ohana: Fazer esse filme foi voltar uma época da minha vida que é exatamente quando fiz 15 anos e minha vida mudou, comecei fazendo figuração. É impressionante como o mundo gira e a gente volta às coisas, foi incrível, foi uma volta ao passado.
- Alguma novela que marcou a sua história ?
Claudia Ohana: Me lembro muito de “Selva de Pedra” as historias eram sensacionais, essa novela era incrível. Também “Escrava Isaura”, “Gabriela”, “Saramandaia”.
Mateus Solano: Quando eu assistia novela mesmo, era noveleiro, eu não durava até as oito, eu assistia era das sete, então, fica muito mais na minha cabeça “Que Rei Sou Eu”, que pra mim era demais!
O longa “A Novela das Oito” estréia no dia 30 de março em algumas salas no Brasil.

Mateus Solano e Claudia Ohana falam sobre ‘A Novela das Oito’, no Rio de Janeiro

Em conversa exclusiva com o nosso repórter Raphael CamachoAna Carolina, uma das melhores cantoras de sua geração, falou de seus filmes preferidos; e revelou ser uma adoradora da sétima arte.
Ana Carolina é adoradora da sétima arte (Divulgação)
Abaixo, confira tudo o que rolou nesse papo sobre cinema:
- Qual o seu filme preferido? Por quê?
Ana Carolina: Olha, pra mim é impossível falar de um filme só. Gostei muito de “Cashback” tem um “que” de cinema indie mas é excelente , com Sean Biggerstaff tem uma boa fotografia, principalmente quando Ben (ator principal) congela o tempo, as imagens são belas e as câmeras captam de forma poética, como se a delicadeza, o amor e o lirismo se intercalassem nos minutos de pausa do filme. Filmaço. Lembro que assisti “Cashback” e “Shortbus” no mesmo dia e fiquei abalada com os dois. “Shortbus” é ousado , a primeira cena é de autofelação, um cara fazendo sexo oral em si mesmo, só que o filme está longe de ser só isso, os personagens são complexos e acionam a engrenagem do filme de maneira eletrizante, como é o caso da terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo.  Uma cena divertida do filme é um trio masculino cantando o hino nacional segurando seus pênis como microfone ! Dei “palas” de rir!!
- Qual foi o último filme que você assistiu?
 Ana Carolina: “Um Conto Chinês” foi o último que vi, porque vi 3 vezes rsrsrs. Ricardo Darín é um dos maiores atores argentinos sem dúvida nenhuma, depois de “O Segredo dos Seus Olhos” e “O Filho da Noiva”não resta nenhuma dúvida. Nos primeiros 5 minutos de filme, ele coloca o público no bolso, domina  a cena, fecha o sentido em si, com uma dedicação que salta aos olhos, um exemplo de ator . O filme gira em torno de “Um Conto Chinês”, onde uma vaca cai do céu, só que o filme é muito mais do que isso, Roberto (personagem de Darín no longa), um homem cheio de manias (como muitos de nós,) destrincha o personagem de uma maneira incrível e nos faz perceber a riqueza das inter-relações.
- Qual o artista (pode ser nacional ou internacional) que você mais gosta dentro do universo do cinema?
Ana Carolina: Eu gosto do Wagner Moura e do Selton Mello.
Ana Carolina se apresenta no Citibank Hall, no Rio de Janeiro, no próximo dia 23 e 24 de março.
Não deixem de conferir!

Confira uma entrevista exclusiva com a cantora Ana Carolina

Quem de vocês gosta de novela? No novo trabalho, produzido, escrito e dirigido por Odilon Rocha, “A Novela das Oito”, o universo dos noveleiros é o pano de fundo para a trama. Em uma época em que o país do samba estava aprendendo a dançar a Disco Music, percorremos por algumas histórias, em meio ao cenário político conturbado daquele tempo. Pena que os diálogos são mal estruturados e alguns artistas não se encaixam nos personagens, deixando o espectador distante da novela das oito, ou melhor, do filme em questão.

Na trama, duas mulheres completamente diferentes se envolvem em um assassinato de um policial tendo que fugir desesperadamente para outra cidade. Aos poucos vamos descobrindo que uma delas é uma mulher que teve que se distanciar da família e tem uma história com alguns militantes que são contrários ao governo da época. A partir daí, o longa muda de foco e passamos a conhecer uma nova história, com novos personagens e com direito a dancinhas coreografadas, música alta e globo de luzes girando sem parar. O Brasil da época do filme, final da década de 70 (mais precisamente o ano de 1978), vivia um momento conturbado na sua vida política. Dias também, em que a novela de Gilberto Braga, “Dancin’ Days”, fazia um tremendo sucesso em muitos lares brasileiros. Inclusive, muitos dos personagens do longa, em muitas cenas, param em frente à televisão para conferir essa novela que teve a direção de Daniel Filho.

A história demora muito para pegar e isso faz o espectador se afastar um pouco do objetivo do filme, que é contar a trajetória de Dora (Claudia Ohana), passando por muitas histórias até o seu desfecho. Muita informação é apresentada em muito pouco tempo, deixando tudo muito confuso, são muitas histórias para contar. É o famoso caso da boa idéia (o argumento tem boas questões) que não foi tão bem executada, muito por conta do roteiro.

No elenco vemos rostos famosos do grande público, como: Claudia Ohana, Vanessa Giácomo, Mateus Solano, Alexandre Nero entre outros.

A primeira é o grande destaque, sem dúvida, o ponto alto desse novo filme nacional, bela interpretação da veterana atriz. A segunda, que interpreta uma prostituta viciada em “Dancin’ Days”, usuária assídua de perucas, não está ruim na pele de Amanda o problema é que sua personagem se distancia totalmente da história, deixando de ser essencial à nova trama que vai se moldando.

Mateus Solano interpreta um homem da elite brasileira que mora em Londres e está de passagem no Brasil, quando acaba se apaixonando por outro homem. Executa uma cena de beijo homossexual bem intensa que vai demorar a vermos em uma novela. Alexandre Nero faz o vilão da trama, seu personagem (Brandão) tem o mesmo ar carregado do motorista que interpreta na atual novela das oito. Tem horas que pensamos: baixou o Nicolas Cage no Alexandre! Muito pelas caras estranhas, alucinantes, que o personagem fazia e que o ator americano fica, cada filme que passa, mais conhecido.

O compasso da trilha sonora não segue o compasso do filme, esse aspecto prejudica muito a interação do público com o que está acontecendo em cena.

Você, noveleiro ou não, mesmo com essas palavras acima tem que tirar suas próprias conclusões. Recomendo que veja o filme. Vamos prestigiar o nosso cinema, quem sabe você não curte? Estréia dia 30 de março em algumas salas do Brasil.

Crítica do filme - 'A Novela das Oito'

Em uma época onde o rock era a música que afirmava um poder fictício aos jovens, surgia no cenário mundial aquele que virou uma lenda, um mito, Raul Seixas. Dirigido pelo competente Wálter Carvalho, “Raul: O Começo, o Fim, o Meio”, é um documentário divertido e emocionante que narra a trajetória do eterno maluco beleza da música popular brasileira.

Nesse ótimo documentário fazemos uma viagem na vida profissional e pessoal de Raul. A influência de Elvis Presley, o primeiro grupo (Raulzito e seus Panteras), o disco da virada na carreira (o álbum que tem o clássico “Sociedade Alternativa”), os muitos relacionamentos e depoimentos emocionados preenchem parte das lacunas deixadas pelo ídolo de uma multidão.

O homem que classificava sua própria música de ‘Raul Seixismo’, viveu intensos relacionamentos entre as décadas de 70 e 80. Raul era um pai amoroso que amou muitas mulheres. Via depoimentos, um inclusive via Skype, entendemos um pouco melhor a vida pessoal desse artista. O amor pelo grande ídolo é mostrado em muitos momentos, mais um em especial é marcante, nas enlouquecidas vozes de fãs cantando alguns clássicos em uma comemoração do aniversário do artista.

Entrevistas antológicas são mostradas. Depoimentos memoráveis de Paulo Coelho (grande parceiro de composição de Raul, ensinou exoterismo ao Maluco Beleza e o mesmo o ensinou a fazer letra de música), Nelson Motta, Pedro Bial, Caetano Veloso, Tom Zé, entre outros. Nessa hora percebemos o quão original era esse homem que mudou para sempre a história da nossa música.

Mas nem tudo eram flores na vida de Raul Seixas. As irresponsabilidades começaram a influenciar a carreira, o alcoolismo e as drogas foram caminhos percorridos pelo cantor que já dedicou um show ao cineasta Glauber Rocha.
Por trás dos óculos escuros, uma lenda surgia. Saiba como isso aconteceu. Dia 30 de março nos cinemas de todo o Brasil. 

Crítica do filme - 'Raul: O Começo, o Fim, o Meio'