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03/03/2026

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Critica do filme: 'Hierarquia do Crime'


Percorrendo alguns dias que antecedem um grande assalto milionário que logo de cara – de forma rápida e objetiva até demais - nos apresenta seus personagens, o novo longa-metragem de ação que chegou na Netflix, Hierarquia do Crime, coloca em um tabuleiro explosivo forças policiais, mafiosos russos e dois amigos que insistem em seguir no caminho do crime. Há clichês, uma certa previsibilidade e personagens com lacunas importantes não preenchidas, mas convence na maior parte de sua trama ao apresentar a ação com pitadas generosas de conflitos morais.

Buscando circular a ganância como ponto alto de um discurso inflamável, ligando dilemas a questões sociais de uma região atingida desde sempre pela violência, o projeto dirigido por Russell K Reed e com roteiro assinado por Chiderah Uzowulu – que também é um dos protagonistas do filme – transforma o conflito de valores morais em um desenrolar na qual as consequências alcançam os responsáveis pelas próprias escolhas.

Stone (Chiderah Uzowulu) e Reach (Xavier Alvarado) são dois amigos criados como irmãos em um lar adotivo. Um deles é engenheiro; o outro, contador. Isso em uma parte do tempo. No restante, elaboram planos mirabolantes para conseguir grana. Às vésperas do maior roubo de suas vidas, outro integrante do lar em que viviam – que assumiu a culpa de uma ação executada com insucesso no passado – deixa a prisão, provocando uma série de situações que vão atrapalhar o plano da dupla de protagonistas.  

Há algumas questões que ajudam a narrativa a criar um certo clima de tensão – não rompe camadas, mas pelo menos não se joga à ação sem propósito. Uma delas é uma adição a zona cinzenta da moral que se apresenta. Um narrador-personagem busca amplitude nesse alcance emocional, introduzindo a série de conflitos que se amontoam no destino dos personagens. Aos poucos, vai se revelando sentimentos conflitantes que funcionam como um mea culpa na ambiguidade que acompanha os personagens de caráter moralmente ambivalente.

O roteiro é corrido em seu primeiro ato, o público demora a se situar completamente sobre o que é essa história. Quando entendemos questões em torno dessa corrida ao clímax, arcos paralelos surgem à espera de um desenvolvimento que pouco acontece. Os personagens não ficam à margem dos acontecimentos, mas alguns permanecem acomodados no campo sugestivo.  

A maior frustração de quem assiste ao projeto é um surpreendente desfecho e totalmente aberto, com inúmeras pontas soltas. Esse fato, deixa margem para uma continuação, mas não resolve importantes situações que se destacam. Essa ação corajosa pode ser uma aposta em futuros filmes, mas frustra mais do que causa impacto.  

 

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Crítica do filme: 'Irmãos de Orfanato'


Inserir reflexões sobre uma dinâmica familiar nada tradicional, marcada por mágoas do passado, é um dos objetivos do filme francês Irmãos de Orfanato. A questão é que o foco total na ação acaba deixando as camadas dramáticas em segundo plano, sacrificando o desenvolvimento dos personagens. A narrativa insiste em seguir em uma reta de lutas, explosões e heróis tentando salvar o dia. Muito pouco para convencer - ou mesmo prender – a nossa atenção.

Gab (Alban Lenoir) e Driss (Dali Benssalah) são dois homens que seguiram rumos diferentes na vida. Criados na infância como irmãos em um orfanato, após tragédias marcarem o início de suas trajetórias, eles retornam ao lugar após um acidente fatal com uma amiga – amor de ambos no passado - deixar órfã a jovem Leila (Sonia Faidi). Com a possibilidade de um deles ser o pai da garota e de recentes descobertas sobre o acidente, eles precisam fazer de tudo para protegê-la.   

Marcando o segundo filme solo como diretor, do conhecido coordenador de dublês Olivier Schneider – com trabalhos marcantes em 007 - Sem Tempo para Morrer e outras produções do gênero – o projeto parece uma vitrine de habilidades em cenas acrobáticas, alta carga de tensão na ação e com aquela sensação frequente de risco. Essa é parte que funciona na narrativa: essas cenas explosivas são muito bem executadas. Pena que só isso não basta.

Passando como uma flecha em dilemas morais e nas relações interpessoais, a obra busca flertar com questões familiares, se atropelando em ações convenientes. Os heróis e os vilões entram no modelo de definição clássica – aquele arquétipo já conhecido -, se distanciando de qualquer possibilidade ambígua e deixando o recorte estático no comodismo de um roteiro que não se arrisca em nenhum momento.  

O ponto-chave para a derrocada - e que pode ser uma das explicações da narrativa não romper camadas – é que poucas vezes vemos vilões tão mal utilizados dentro de uma trama. As motivações não são exploradas, mesmo com uma deixa importante na relação mãe e filho. Personagens são deixados de lado e aparecendo somente para ‘grandes aparições’ que não extrai um pingo de emoção, caindo na mesmice de um lugar-comum, sem impacto evidente na narrativa.

Irmãos de Orfanato logo na semana de estreia na Netflix chegou ao top 10 da plataforma. Esse gênero, a ação, sempre desperta o interesse do público, mas isso não quer dizer que tramas sólidas e interessantes são garantias.  

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