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Crítica do filme: 'Violette'

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. Em seu quinto longa-metragem, o cineasta francês Martin Provost resolve contar uma história real, forte e cheia de detalhes que impactaram o modo de pensar francês durante todo o século passado. Com um grande desfile de astros da literatura e filosofia, um roteiro primoroso e a dupla Emmanuelle Devos e Sandrine Kiberlain inspiradas, Violette se transforma ao longo dos 139 minutos de fita um retrato contundente sobre uma figura ímpar em uma sociedade careta que recebe um tapa em cada linha de seus polêmicos textos. Na história, roteirizada pelo próprio diretor, conhecemos mais profundamente a vida da escritora Violette Leduc, uma mulher guerreira que encontrou a salvação através da escrita. Sua amizade e sua paixão por Simone de Beauvoir também é meticulosamente bem mostrada. Se sentindo em um deserto que monologa, desafiando o convencional da época, quebrando tabus, sendo admirada por ilustres escritor...

Crítica do filme: 'Para Sempre Alice'

E se todas as lembranças de nossas vidas simplesmente sumissem ou nunca mais conseguíssemos lembrá-las mais? Para falar sobre o terrível Mal de Alzheimer nas telonas, os diretores Richard Glatzer e Wash Westmoreland criam uma história forte, convincente e comovente que envolve problemas existenciais de uma impactante mulher. Para Sempre Alice é muito mais que um drama tocante, é uma lição de vida onde o público presencia uma das grandes atrizes em atividade no auge do seu talento. Na trama, conhecemos Alice (Julianne Moore), uma conceituada professora e autora de livros que se encontra em uma fase conturbada de sua vida ao ser diagnosticada com Mal de Alzheimer aos 50 anos. Tentando não enlouquecer e espantando a tristeza, encontra um desafogo para suas dores na tentativa de reaproximação com sua filha mais nova, com quem sempre teve muitos problemas e discussões.  O roteiro, que é baseado na obra de Lisa Genova, aborda a vida da protagonista no trabalho e na famíli...

Crítica do filme: 'Um Santo Vizinho'

Quando a casa do vizinho está pegando fogo, a minha casa está em perigo. Escrita e dirigida por Theodore Melfi, em seu primeiro longa-metragem na carreira, Um Santo Vizinho é uma comédia dramática que tinha tudo para ser uma cópia de Um Grande Garoto ou outro filmes que mostram a relação de amizade entre adultos e crianças. Porém, por conta de seu protagonista, basicamente um anti-herói, interpretado pelo genial Bill Murray, o filme se transforma em uma grande jornada sobre a arte de recomeçar. Na trama, conhecemos o peculiar ranzinza Vincent (Murray), um homem que leva uma vida sem sentido. Vincent é um homem ex-herói de guerra norte-americano que vive sozinho com seu gato persa passando o dia bebendo e apostando em corridas de cavalo. Dançando bêbado em frente à jukebox, discutindo arduamente com o gerente do banco, maltratando a muitas pessoas gratuitamente, Vincent parece não ter mais solução. Certo dia, novos vizinhos chegam para morar ao lado dele e assim conhece o j...

Crítica do filme: 'The Salvation'

  “A vingança é uma espécie de justiça selvagem”. Essa frase emblemática do filósofo britânico Francis Bacon, encaixa como uma luva quando pensamos na definição para o novo filme do competente diretor dinamarquês Kristian Levring, o faroeste The Salvation. Protagonizado pelo camaleão Mads Mikkelsen, o filme possui um roteiro bem simples, assinado pelo excelente Anders Thomas Jensen (que também assinou   roteiro do espetacular Brothers (2004)), mas que permite o brilho de todos os personagens nas sequências.  Na trama, voltamos ao ano de 1870 em uma América indefinida, naqueles tempos onde os vilões bigodudos dominavam as estradas de areia que andavam os cavalos. Assim, conhecemos o dinamarquês Jon (Mikkelsen) que chegara há algum tempo na América junto a seu irmão e ambos conseguiram crescer em seus empreendimentos, permitindo a vinda da esposa de Jon e de único filho para a terra das oportunidades. Porém, assim que sua família chega, são assassinados brutalm...

Crítica do filme: 'As Duas Faces de Janeiro'

Malandro se soubesse quanto é bom ser honesto, seria honesto só por Malandragem. Após um curta-metragem no longínquo ano de 1989, o cineasta iraniano Hossein Amini, que adaptou o roteiro elogiado de Drive (do Refn), deve ter lido muito Georges Simenon e Agatha Christie para criar e dirigir a confusa, e nada atraente, trama de As Duas Faces de Janeiro . O filme é ambientado em uma Grécia na década de 60 mas para irritação dos cinéfilos, não consegue criar elementos para aproveitar todo o charme do lugar, fora os personagens fracos e com péssimas atuações de Viggo Mortensen e Kirsten Dunst. Um dos piores filmes do ano, não tenham dúvidas. Na trama, somos apresentados rapidamente ao vigarista Chester MacFarland (Mortensen), um homem cheio de segredos que deixou para trás um passado de roubos em pessoas importantes e resolveu fugir para uma “trip” com sua linda esposa Colette MacFarland (Kirsten Dunst). Após uma noite agradável em Athenas, um homem confronta Chester para retoma...