Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme - 'L'Apollonide - Os Amores da Casa de Tolerância'

O novo trabalho do diretor Bertrand Bonello retrata os momentos glamurosos e a decadência de L'Apollonide, uma casa de prostituição que possui bastante popularidade entre os homens da França em 1899. O grande problema de filmes com essa temática é o diretor ‘perder a mão’ da produção e escandalizar com o corpo das atrizes e os enquadramentos em cena. Isso não ocorre nessa produção, não há nudez desnecessária nesse longa.

Com uma ótima música de abertura, somos apresentados a algumas mulheres que vivem nesse belo casarão. Fora as aventuras sexuais, muita bebida e histórias (das mais diversas e peculiares possíveis) são contadas ao longo dos 125 minutos de fita.

As mulheres são muito carinhosas umas com as outras, uma relação de irmandade é visto em cada cena. Entendemos um pouco melhor da vida dessas prostitutas, e sua posição na sociedade no final do século 19, com a chegada de uma jovem que mandou uma carta solicitando permissão para trabalhar no lugar. Através dos olhos de Pauline vamos entendendo como é o dia a dia da vida naquele lugar.

Gostos peculiares dos clientes ganham contornos cômicos em meio ao drama da fita. Alguns são viciados em Champagne e gostam de ter relações em uma banheira cheia dessa mesma bebida, outros gostam de encenar ter relações com uma boneca (nesse caso, a prostituta escolhida imita uma). E assim, elas vão se revezando e satisfazendo cada um dos amantes.

A personagem que se destaca é Medeleine (interpretado por Alice Barnole), que tem sua rotina quebrada por uma maldade que um de seus clientes fez (maldade à la Coringa do ‘Batman’, vejam o filme que vocês vão entender). A vingança vem com a ajuda de suas amigas e um animal feroz, já no desfecho do filme que tem o roteiro assinado pelo próprio diretor .

A narrativa lenta não agradará parte do público mas é um filme que possui uma trama que tenta envolver, ótimas atuações e uma direção quase impecável de Bonello. A partir de Fevereiro nos cinemas do Rio de Janeiro.

Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...