23/01/2012

Crítica do filme - 'Reis e Ratos'

A idéia era interessante: reunir personagens excêntricos em um ambiente pré golpe militar no Brasil. Porém, Mauro Lima (diretor de ‘Meu nome não é Johnny’) faz um filme com o qual é difícil se conectar. O longa, que tem o roteiro assinado pelo próprio diretor, tenta envolver o público através de diálogos com toques de comédia escancarada (fórmula que poucas vezes dá certo). Com uma trama que tem espiões, um locutor muito esquisito, militares e outros personagens curiosos reunidos em uma época onde a palavra ‘Comuna’ era de uso diário das autoridades, as melhores partes do filme acontecem mesmo nas excelentes conversas entre Selton Mello e Otavio Muller.

‘Reis e Ratos’ é um longa Noir Brasileiro. Filmado em apenas 17 dias, a fita em P&B é uma mistura de filmes do Leslie Nielsen com o ambiente Noir de pano de fundo - pena que o roteiro não ajuda muito o andamento da história. Na trama, em meio a um cenário político conturbado, alguns personagens são envolvidos em um clima de conspiração.

Gregório Duvivier e Marcelo Adnet aparecem logo nas cenas iniciais e o público já os projeta para mais algumas cenas ao longo da fita. Os dois humoristas oriundos do Stand Up Comedy são sempre adorados pela platéia - pena ter ficado só no pensamento uma presença mais marcante deles na história. A primeira participação de Seu Jorge no longa é sensacional. Uma entrada triunfal, vestido de mulher, e nos vocais, parecendo uma Whitney Houston à brasileira.

Selton Mello fala um português arranhado no filme (com algumas expressões em inglês embutidas). Interpreta Troy Somerset, um americano (espião da CIA) casado com uma brasileira, que adora conversas sobre cultura e joga na tela raciocínios hilários sobre o mundo em que vive. 

O personagem de Cauã Raymond se perde na história. Aos poucos o público vai se distanciando do entendimento e da necessidade dele para a história. O desfecho é o de um Viking Espadachim completamente insano que não agrega qualquer sentido à trama - já é o segundo longa nacional do ano em que aparece uma espada gigante (a la ‘Kill Bill’) sendo manipulada por um dos personagens.

Rafaela Mandelli combina com a atmosfera Noir. Suas expressões e seu jeito de conduzir Amélia Castanho se destacam, o que faz a personagem permanecer em evidência praticamente em todas as cenas.
Rodrigo Santoro aparece pouco em sua interpretação de Roni Rato, um vigarista, ex-cafetão e viciado, cuja importância para a trama beira a inexistência.

Vale destacar também Otavio Muller e seu Major Esdras que possui boas sequências com o personagem de Selton Mello, em cenas que chegam a ser um Oásis para o espectador.

Ou seja, pôde-se perceber que talvez a pressa tenha atrapalhado um pouco essa produção que estréia dia 17 de fevereiro em muitos cinemas no Brasil. E que não reste dúvida: filmar em pouco tempo é um risco!