Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme - 'Quem se Importa'

Sabe a lógica do frescobol? Que eu ganho, você ganha? Com uma abertura a La Tim Burton, “Quem se Importa”, é um documentário que fala sobre o empreendedor social. A cineasta Mara Mourão fala sobre o conceito onde todos podemos mudar o mundo, tornando essa afirmação verdadeira via depoimentos de homens e mulheres que revolucionaram vidas. Em um planeta em que o hábito pelo consumo está levando o local aonde vivemos ao caos, vamos conhecer projetos, alguns bem diferentes um do outro, que vão do microcrédito ao treinamento de ratos para encontrar tuberculose e mina terrestres na África.

Nesse trabalho muito interessante vamos descobrir pessoas que estão fazendo muito pelo planeta, a partir de ideias simples. O ganhador do Nobel que criou o microcrédito em uma região que sofria com agiotas, o médico que largou tudo e foi ajudar os necessitados na região norte do nosso país e criou o ‘Saúde e Alegria’ ensinando a população a se prevenir de doenças, um monge belga que cria ratos para identificar minas terrestres e tuberculose na África, a ideia de jovens que uniram a internet com o Microcrédito acreditando na simples crença da dignidade humana, a fundação do primeiro banco comunitário que surgiu em uma favela no nordeste do Brasil, a arte ganhando força com o projeto “Doutores da Alegria” que levam amor, arte e carinho à pessoas em situação difíceis nos hospitais, o americano que ajuda deficientes a se conectarem com outras pessoas através de gostos em comum, uma jovem que luta pelos direitos dos presos além de um homem que apoia os empreendedores sociais pelo mundo.

O ponto negativo desse “Doc.”, acaba sendo mesmo a maneira como é feita a edição do documentário. Entre os muitos depoimentos, uns são extensos outros curtos. Isso afasta um pouco o espectador que, por exemplo, gostou daquela história que fica pouco tempo em tela. A trilha é interessante mas chega a ser um pouco maçante em alguns momentos, tenta entrar naquela história mas às vezes não consegue.

O instigante em todos os relatos é que cada um chegou ao seu projeto de uma maneira. Entre um dos ensinamentos que dá para ser tirado é a privatização de ideias, que não pode existir, temos que ajudar uns aos outros a sempre fazer o melhor, não importando se outra pessoa tem a mesma ideia que eu. A eminente auto destruição do planeta pelos próprios homens, levam muitos desses empreendedores sociais a praticar mudanças que mudam a vida de todos ao seu redor.

Merece ser passado em todas as escolas, universidades, Ongs. Um documentário que pode ensinar muito à população no quesito cidadania. O impacto que esses exemplos podem ter na vida de pessoas que não conhecem esses feitos pode ser bastante positivo e quem sabe a partir daí não comece a plantar uma sementinha de pensamento de mudança em escala global.

Abra sua mente, descubra a sua maneira de mudar o mundo. Dia 20 de abril em alguns cinemas. 

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...